Que o Brasil deu um salto econômico e social, na qualidade de vida, principalmente, isso é visível e 99% da população reconhecem tal fato, porém 1% (da massa cheirosa, ainda poderosa) desconhece isso; desconhece porque insiste olhar pela janela envidraçada que reflete todas as manhãs os raios nos arranha-céus e deslumbra a apatia de uma elite perversa e tradicional, cujos pés estão empoeirados, apodrecidos, mas que ignora sua deterioração. Esses que rejeitam as mudanças vistas hoje são os que sempre torceram para que o Brasil desse errado, caísse no abismo, a fim de que continuassem a ostentar a sua arrogância triliardária . Eles me lembram das cenas do Titanic, aquelas que mostram a elite endinheirada, afundando junto com o mais luxuoso transatlântico construído para ela mesma, talvez com o fim de certificar que o destino de uma elite que olha para o seu próprio umbigo é o fracasso. O Titanic afundava, enquanto a elite dançava, as dondocas teimavam separar-se dos menos endinheirados, como se apenas os desafortunados fossem para o fundo do mar e elas, com suas vestes milionárias, fossem salvas pelo deus Mamon, o senhor do dinheiro, o mesmo que cega a nossa elite e a deixa burra como sempre foi. Porém, no mesmo barco onde estavam os pobres encontravam-se os ricos, que em poucas horas sucumbiriam ao fundo do mar, cujas águas geladas não fariam separação entre ricos e pobres.
Coincidência ou não, o Brasil dos anos 80 e 90 foi esse Titanic. Enquanto a elite, essa mesma elite que hoje grita sozinha em meio aos quase 40 milhões dos novos das classes C e D, perdida, atônita, sem o glamour de antes, vivia a riqueza a custa dos altos juros, da inflação galopante, dos tudo menos de todos e mais de uma minoria. O Brasil Titanic navegava sem rumo no mar do neoliberalismo tucano, enquanto o comandante sorria nos cafés de parisienses e nova-iorquinos, falando inglês e francês, achando-se o tal senhor do pedaço, enquanto o seu navio afundava no mar da incerteza. Como bem diz a canção “dormia a nossa Pátria mãe tão distraída sem perceber que era subtraída por tenebrosas transações”. Subtraída pelas privatarias, dos presentes caros dados aos senhores internacionais, que pagaram com preço simbólico de um real a nossa Vale, a Embratel, a Celpa. A dança nos salões requintados com vinho caríssimo dava o tom do brilho e também dos presentes. Figuravam por lá os senhores da mídia, essa mídia que hoje coloca no ex-presidente Lula a carapuça de pai do mensalão, quando os verdadeiros pais do mensalão eram os mesmos que davam as festas aos doutores (sem diploma de doutor), aos da mídia, que ocultavam seus erros e demonizavam os da oposição. Diferente hoje? Não. Nada mudou. A mídia de hoje perdeu seu poder, não é mais a senhora da verdade, porque a independente, a mídia dos sujos hoje assumiu um papel que aquela que engorda a custa do dinheiro público não assume. A mídia brasileira sobrevive nas nossas costas, à custa das verbas públicas, porque não há um mecanismo que a emagreça e a coloque no lugar que deveria estar. O governo engorda a mídia para que ela possa ter forças suficientes para derrubá-lo depois. Isso só acontece no Brasil. Falta ao governo brasileiro a mesma coragem que tiveram os presidentes equatoriano e argentino. Eles tiveram a coragem de enfrentar a mídia e colocá-la no seu devido lugar e deixá-la de alimentar. Hoje a mídia desses dois países mendiga assinatura dos novos ricos para poder sobreviver, são os barões famintos que outrora agiam como os Civitas, os Marinhos e os Frias agem por cá. Creio eu que um dia eles frequentarão as esquinas dos churrasquinhos, onde circulam todos, para pedir que assinem seus jornalecos e revistecas de quinta, em cujas notícias (?) ninguém mais acredita. Os salões dos da mídia ainda estão decorados, a festa ainda tem seu glamour, porém um dia isso tudo será apenas lembrança de um tempo bom, memória dos velhos, reportando-me à Eclea Bosi.
Os barões da mídia brasileira ignoram a mudança que o Brasil teve nos últimos dez anos e, por fazerem isso, também ignoram os cidadãos. Pensam que o povo ainda tem a mentalidade da época em que suas notícias bombásticas extasiavam a população diante da televisão. Hoje não mais causam tanta perplexidade, ou não causam nenhuma. Não causam porque já não há tantos analfabetos como na época do doutor honoris causa; os analfabetos daquela época hoje frequentam universidades, participam do Enem, beneficiam-se do Prouni e podem andar nos mesmos espaços das universidades luxuosas onde apenas os filhos dos barões podiam andar. Talvez por isso a raiva dos barões, talvez por isso a tamanha mágoa que nutrem do ex-presidente operário, que construiu a ponte para os pobres entrarem na universidade, coisa que o doutor de Harvard não quis fazer por saber que um dia ele seria esquecido, caso mostrasse o caminho das pedras aos pobres. Não o fez, mas não evitou o seu esquecimento. Hoje é estátua cheia de limo, ignorada pelos que têm acesso à universidade. Pergunte a um jovem de hoje quem Foi Fernando Henrique Cardoso, que a resposta será tão curta quanto curta foi a vida política do cacique tucano. Talvez a resposta não passe de uma lembrança de ex-presidente e pai do neoliberalismo que afundou o Brasil e quase o entregou ao poder financeiro internacional. O oposto será se você fizer a mesma pergunta sobre o ex-presidente Lula (que não tem diploma de doutor). Certamente muitos dirão o que FHC gostaria de ouvir.
A mudança que o Brasil sofreu nos últimos dez anos é vista até por quem um dia esteve no lado dos barões. Vejo os artigos do ex-ministro Delfim Neto e percebo isso. Ele é um dos que estiveram nas festas luxuosas oferecidas pelos senhores tribais, mas acompanhou as mudanças brasileiras e hoje reconhece o esforço que se fez para desafundar o Brasil. Falta isso aos da mídia cega. A mídia tem o direito de criticar, até mesmo de falsear, como o faz diariamente, mas não o tem por todo. Deveria perceber que, por engordar a custa do nosso dinheiro, teria o dever de reconhecer o Brasil que temos hoje. Mas não o faz porque prefere amarrar-se num poste ultrapassado, em ruínas, em cujas ideias ninguém acredita. É só ver o índice de rejeição do candidato que os barões da mídia apoiam. Os cidadãos paulistanos não rejeitam o candidato, rejeitam a velha e ultrapassada ideia neoliberal, que sobrevive com ajuda de aparelhos. Nos países onde ainda insiste sobreviver causa estragos, é só olhar os países europeus, afundados na crise financeira internacional. É isso que os cidadãos da maior cidade brasileira já perceberam e querem evitar. Mas os barões da mídia, amarrados às ideias ultrapassadas, tentam vendê-las como se o velho regime ainda valesse nos tempos modernos. Napoleão perdeu a guerra, mas insiste dizer que não. Lembra-me da cena da prisão do ex-presidente Saddam Hussein. Dentro de um buraco, barbudo, sujo, sem qualquer poder, ainda teimava dizer “eu sou o presidente Saddam”. Triste fim. Creio – e torço como brasileiro que sou – que esse seja também o fim dos da mídia que ainda engorda com o dinheiro público. Um dia, no buraco que eles construíram para ser seu castelo, olharão para os seus arredores e verão o que ignoraram por descuido ou por ignoarrogância. Talvez seja tarde, e que seja mesmo, assim o funeral seguirá seu caminho e a música do samba continuará a cantar em alto e bom som “Vai passar...! (?)”.
© 2013 Criado por Luis Nassif.
Você precisa ser um membro de Portal Luis Nassif para adicionar comentários!
Entrar em Portal Luis Nassif