O líder supremo do movimento Irmandade Muçulmana, Muhammad Badia, exortou hoje (12/10) no Egito os muçulmanos à jihad (Guerra Santa) para retornarem os santuários islâmicos de Jerusalém, como a mesquitas de Al-Aqsa. "O retorno dos locais islâmicos sagrados de Jerusalém não pode ser alcançado nos corredores das Nações Unidas ou através das negociações, porque Israel entende somente a força”, disse Badia. De acordo com ele, os israelenses não sairão dos locais sagrados islâmicos, até que não “mostremos a força”. Na sexta-feira passada (5), a polícia israelense entrou na Esplanada das Mesquitas, no monte do Templo, depois dos incidentes ocorridos com palestinos após a oração muçulmana. Segundo testemunhas, a polícia utilizou gases lacrimogêneos contra os manifestantes na saída da oração. Mais tarde manifestantes palestinos mascarados atiraram pedras na direção de soldados israelenses durante protesto contra a expropriação de territórios palestinos por Israel no vilarejo ocupado de Kafr Qadum, na Cisjordânia (acima). A declaração de Badia ocorre no mesmo dia em que manifestantes pró e contra o presidente egípcio Mohamed Mursi se enfrentaram na praça Tahrir. O motivo foi a absolvição de membros do antigo regime da acusação de tentar impedir os protestos contra a ditadura de Hosni Mubarak. Houve protesto também em relação à administração de Mursi que, em 100 dias de governo, vem sendo acusado de ser autoritário como Mubarak, principalmente pela imprensa privada. Na quarta-feira (10), o tribunal do Cairo absolveu, por falta de provas, 24 ex-funcionários de alto escalão do antigo regime, acusados de soltar dezenas de camelos durante as primeiras manifestações contra Mubarak, nove dias antes de o ex-presidente ser deposto do poder. Ontem, para tentar apaziguar a situação, o presidente Mohamed Mursi nomeou o procurador, Abdel Maguid Mahmoud, como embaixador egípcio no Vaticano, o que significa a demissão dele das funções junto à Justiça. Maguid Mahmoud protestou, afirmando que a decisão fere a independência do Poder Judiciário. A tensão no Oriente Médio vem se agravando a cada dia. Em Tóquio, o ministro das Finanças iraniano, Shamsedin Hosseini, advertiu hoje durante assembleia do Fundo Monetário Internacional e do Banco Mundial que os países ocidentais "pagarão o preço" pelas sanções que impuseram a seu país por seu programa nuclear. "As sanções não estão afetando apenas a economia iraniana, mas também outros países e empresas estrangeiras", disse Hosseini durante coletiva de imprensa. "A Turquia se tornou nosso grande sócio comercial no lugar da Alemanha, e a China talvez vá se apoderar da fatia do mercado que o Japão tinha no passado", advertiu. "Aqueles que impuseram as sanções têm que pagar o preço", acrescentou. Segundo o ministro, o Irã está adotando medidas para conter a queda de sua moeda. Anteontem, o líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, qualificou de “bárbaras” as sanções econômicas impostas pelos países ocidentais contra o programa nuclear do país. "As sanções contra o Irã não são de hoje. Eles já as impuseram e nunca deram resultado. Claro que, com a graça de Deus, eles serão derrotados pela nação iraniana nesta guerra", justificou. Para ele, os países europeus são insensatos ao ceder à pressão estadunidense pelas sanções em meio à crise financeira internacional. O embargo ao Irã causou o aumento dos preços do petróleo no mercado internacional, o que afetou ainda mais as economias europeias. Para o líder supremo, o Irã está pagando o seu preço por sua "resistência" e "independência" diante das grandes potências. Em Moscou, o líder do Parlamento de Israel, Reuven Rivlin, disse ontem ao chanceler russo, Sergei Lavrov, que a Rússia é o único país capaz de parar o programa nuclear do Irã sem o uso da força ou de sanções econômicas esmagadoras. Segundo ele, os laços próximos da Rússia com o Irã dão ao Kremlin a "oportunidade e a obrigação" de conter as ambições nucleares iranianas. Teerã anunciou se reunirá num futuro próximo com o Grupo 5+1 (China, Estados Unidos, França, Reino Unido e Rússia mais a Alemanha) para discutir sobre o programa nuclear do país. Na última segunda-feira (8), o Instituto para Ciência e Segurança Internacional, sediado nos Estados Unidos, divulgou um relatório apontando que o Irã precisaria de dois a quatro meses para conseguir material para uma bomba nuclear. De acordo com o texto, as centrífugas da República Islâmica do Irã levariam de dois a quatro meses para fabricar 25 kg de urânio enriquecido a 90% se usar a usina de Natanz, a maior do programa nuclear iraniano, com 10 mil centrífugas. O documento reforça a tese do primeiro-ministro israelense, Benjamim Netanyahu, de uma possível ameaça de Teerã desenvolver armas nucleares, o que é negado pelo governo iraniano. O premiê convocou eleições para o próximo ano, o que deve favorecer o grupo direitista atualmente no poder. Segundo duas pesquisas divulgadas ontem, a atual maioria governista, composta pelo Likud, partido do premier, formações religiosas e ultranacionalistas, conseguiria 68 cadeiras das 120 do Parlamento, contra 52 para os partidos da oposição. Se o resultado for confirmado nas urnas, Netanyahu permanecerá no poder e conseguirá formar uma coalizão com facilidade. Alguns analistas acreditam que o resultado pode ainda ser maior se o governo implementar um factível programa contra o terror. Desde segunda-feira, Israel vem bombardeando a faixa de Gaza para responder a foguetes lançados pelo vizinho. Na semana passada, Tel Aviv abateu um avião não tripulado dentro do seu território, o que levou o Irã a afirmar que a segurança de Israel não é “inviolável”. Ontem, o líder do grupo libanês Hezbollah, xeque Hassan Nasrallah, admitiu ter enviado o avião. Em discurso transmitido pela TV, Nasrallah disse que o aparelho tinha peças fabricadas no Irã e foi montado no Líbano por membros do movimento xiita. “A resistência no Líbano enviou uma sofisticada aeronave de reconhecimento a partir do Líbano. Ela penetrou nos férreos procedimentos do inimigo e entrou no sul da Palestina ocupada”, disse Nasralah, numa declaração de que o grupo não reconhece a existência de Israel.
A União Europeia (UE) venceu hoje (12) o Prêmio Nobel da Paz por promover paz, democracia e direitos humanos por mais de seis décadas, numa premiação vista como uma injeção de ânimo num momento em que o bloco sofre para resolver sua crise econômica. A conquista do prêmio serviu como um lembrete de que a UE trouxe, em grande medida, paz para um continente conhecido por guerras entre nações, seno o movimento acirrado nas duas guerras mundiais, nas quais morreram dezenas de milhões de pessoa. O presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso, disse em Bruxelas que o prêmio é "uma grande honra" para os seus 500 milhões de cidadãos, Estados-membros e instituições comunitárias. "Devo dizer que, quanto acordei esta manhã, não esperava que fosse um dia tão bom. Foi com grande emoção que recebi as notícias da atribuição do Prêmio Nobel da Paz à União Europeia", comentou Barroso. A presidência da República francesa afirmou que a atribuição “uma imensa honra”, mas “confere à Europa uma responsabilidade ainda maior, a da preservação da sua unidade”. “A atribuição deste prémio Nobel é uma imensa honra, mas confere à Europa uma responsabilidade ainda maior, a da preservação da sua unidade, a da capacidade de promover o crescimento e o emprego, e a da solidariedade da qual deu provas aos seus membros”, declarou o Palácio do Eliseu. Para a chanceler alemã Angela Merkel, a premiação é "um estímulo e um compromisso" para prosseguir o trabalho em prol da integração europeia e que o euro "é mais do que uma moeda, porque está sempre relacionado com a Europa, enquanto comunidade de paz e de valores". A premiação ocorre após manifestações na Grécia em protestos contra a presença da líder alemã em Atenas na última terça-feira (9). Muitos manifestantes chegaram a usar símbolos da Alemanha nazista (acima), enquanto Merkel voltava a reafirmar que os gregos devem cumprir os seus compromissos com a política de austeridade fiscal. As manifestações trouxeram mal-estar em Berlim. Os jornais da Alemanha atacaram os gregos "ingratos" pela recepção hostil que ofereceram a Merkel, já que foi a primeira visita da chanceler desde o início da crise da dívida grega, há três anos. "A Alemanha não merece isso!", bradou em sua capa do “Bild”, o mais popular jornal alemão. "Com a viagem dela a Atenas ontem, Angela Merkel pôs fim a dois anos e meio de isolamento grego", escreveu o jornal de centro-esquerda “Ta Nea” em editorial na capa, sob o título: "Ela veio... viu... e prometeu". Na sexta-feira passada (5), o primeiro-ministro grego, Antonis Samaras, disse, em entrevista ao jornal alemão “Handelsblatt”, que a Grécia deverá ficar sem recursos financeiros em novembro se seus credores internacionais não aprovarem o próximo pagamento do pacote de ajuda do país. A economia grega encolheu ainda mais ao longo dos últimos cinco anos do que o estimado anteriormente, ultrapassando 7% de retração. Samaras advertiu que a sociedade grega vem se fragmentando muito rapidamente, se assemelhando ao que ocorreu na República de Weimar, cenário que levou à ascensão do líder nazista Adolf Hitler. Anteontem, os dois principais sindicatos gregos convocaram uma nova greve geral de 24 horas, a segunda em um mês, para o dia 18 de outubro, coincidindo com uma cúpula europeia, para protestar contra as medidas de austeridade exigidas pela União Europeia e pelo Fundo Monetário Internacional (FMI). Na mesma semana o Fundo pediu que as autoridades europeias aprofundem os laços financeiro e fiscal dentro da zona do euro com certa urgência para restaurar a fraca confiança no sistema financeiro global. O documento afirmou que a crise da dívida da zona do euro é a maior ameaça à estabilidade financeira global, que enfraqueceu nos últimos seis meses, deixando o nível de confiança “muito frágil”. Segundo o FMI, o lento progresso na zona do euro significa que os bancos europeus devem desfazer-se de US$ 2,8 trilhões em ativos durante dois anos para cortar suas exposições ao risco, um aumento de US$ 200 bilhões em relação à previsão feita seis meses atrás. Isso pode encolher a oferta de crédito na periferia em 9% até o final de 2013, prejudicando o crescimento econômico. O Banco da Itália (BC) informou que os bancos italianos estão alocando seu dinheiro em títulos de dívida soberana em vez de emprestá-lo a empresas. Empréstimos a companhias não financeiras recuaram 1,9% em agosto ante o mesmo período no ano anterior. É o quarto declínio mensal consecutivo e a pior queda desde que os dados passaram a território negativo em maio. No último dia 3, o primeiro-ministro Mario Monti destacou a importância do acesso ao crédito para a retomada do crescimento econômico. "O acesso ao crédito, a relação entre bancos e empresas e a vigilância são temas centrais não apenas na Itália, mas também na Europa. É um ponto importante para definir o caminho para a retomada da economia", afirmou o premier, em uma mensagem divulgada por ocasião da 44ª Jornada do Crédito. Ao mesmo tempo Olivier Blanchard, economista-chefe do FMI, alertou para a subida dos juros para as dívidas espanholas e italianas. O Fundo acredita que a Espanha não cumprirá suas metas de déficit em 2012 e 2013 e sua dívida saltará para mais de 90% do Produto Interno Bruto (PIB) no próximo ano, devido à recapitalização do seu setor bancário. Anteontem, a agência de classificação de risco Standard & Poor's rebaixou a nota da Espanha, citando um aprofundamento da recessão econômica que limita as opções políticas do governo para deter a crise. No domingo (7), milhares de pessoas saíram às ruas na Espanha para protestar contra os cortes efetuados pelo governo do primeiro-ministro Mariano Rajoy.
A Turquia enviou hoje (12) dois caças F-16 para a fronteira com a Síria pela primeira vez desde julho, após um helicóptero militar sírio ter bombardeado a cidade de Azmarin, próxima do lado turco. Os jatos voaram ao longo da fronteira pouco depois das 14h (horário local), após intensos combates entre rebeldes e forças do regime do presidente Bashar Assad terem tomado Azmarin. Testemunhas afirmam que o helicóptero de ataque recuou quando os F-16 sobrevoaram a região. O exército turco está disparando contra seu vizinho diariamente desde o dia 3 deste mês, quando uma bomba síria matou cinco civis no lado turco da fronteira. Ontem, o primeiro-ministro Tayyip Erdogan afirmou que a aeronave síria que fazia rota entre Moscou e Damasco, interceptada pela Força Aérea turca, carregava munições russa e equipamentos de comunicação. A declaração foi feita durante uma entrevista coletiva na capital da Turquia, Ancara. “Aviões comerciais não podem carregar munição ou equipamentos militares. Infelizmente este avião sírio tinha tais objetos a bordo”, afirmou. De acordo com o primeiro-ministro, o material apreendido no avião seguia para o Ministério de Defesa da Síria, e agora está sendo analisado pelas forças armadas de seu país. O incidente causou irritação em Moscou e Damasco, que negaram a existência de qualquer material ilegal a bordo da aeronave, e acusaram a Turquia de colocar os passageiros do avião em risco de vida. A empresa que fornece armamentos para o governo russo afirmou não ter qualquer relação com a carga retida. O governo sírio classificou as ações da Turquia como “pirataria aérea”, pois afirma que a carga era regular e legítima. E apontou as declarações do primeiro-ministro turco como mentiras utilizadas para embasar atos hostis contra a Síria. Por sua vez, o ministro de Relações Exteriores da Turquia, Ahmet Davutoglu, afirmou que não há embasamento em relação à segurança dos passageiros, uma vez que tomaram todas as medidas para garantir a segurança de todos os passageiros e suprir quaisquer necessidades. O ministro já havia declarado que seu país está comprometido a barrar qualquer fluxo de armamento e materiais militares que tenha destino ao governo de Bashar Al-Assad. Washington declarou seu apoio à ação da Turquia. “A transferência de qualquer equipamento militar ao regime sírio neste momento é muito preocupante. E esperamos ouvir mais do lado turco quando eles forem mais a fundo sobre o que encontraram”, declarou a porta-voz do Departamento de Estado, Victoria Nuland. Hoje os rebeldes sírios afirmaram que mataram 14 soldados leais a Assad num ataque contra um posto militar no sul da Síria. Segundo o Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH), organização não governamental com sede em Londres, o Exército sírio perde, em média, 20 homens por dia, o que deixaria o número de soldados mortos desde o início da revolta, em março de 2011, em 10 mil. Ontem, as forças do regime de Bashar al-Assad sofreram o maior número de mortes desde o início do conflito, com 92 soldados mortos, 39 deles na província de Idleb (noroeste), cenário de intensos combates há três dias. No mesmo dia o governo sírio recusou o pedido de uma trégau unilateral feito pelo secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, exigindo previamente que os rebeldes cessem com a violência. "Dissemos a Ban Ki-moon que envie emissários até os Estados que têm influência sobre os grupos armados para que estes deem fim à violência", afirmou num comunicado o porta-voz do ministério sírio das Relações Exteriores, Jihad Makdissi. Na véspera (9), o OSDH divulgou que os rebeldes assumiram o controle de uma cidade estratégica de Marret al Nooman, norte da Síria, entre Damasco e Aleppo. No mesmo dia dezenas de pessoas morreram na sequência de um duplo atentado suicida contra o edifício dos serviços secretos sírios, em Harasta, nos arredores de Damasco. Ao mesmo tempo o Exército Livre Sírio (ELS) capturou 13 membros do Hezbollah nas imediações da cidade de Homs, no centro da Síria. Ontem, o líder do movimento, Hassan Nasrallah, afirmou que os membros do grupo armado que combatem os rebeldes sírios agem por iniciativa própria, sem o mandado do partido, aliado do regime de Damasco. A declaração de Nasrallah foi feita após os funerais de combatentes do Hezbollah mortos em território sírio. "O regime (sírio) não precisa de nós ou de qualquer outro para combater ao seu lado", reagiu Nasrallah numa mensagem "ao vivo" no canal de televisão do movimento, o Al Manar. Segundo ele, "um grande número de membros do Hezbollah estabelecidos nos povoados sírios na fronteira com o Líbano compraram armas para se defender de 'grupos armados', mas o partido nada tem a ver com sua decisão". Na sexta-feira passada (5), Bashar al-Assad participou de uma solenidade em homenagem aos soldados sírios que morreram na Guerra do Yom Kippur, em 1973 (acima). A batalha, travada por Síria e Egito contra Israel, Damasco perdeu as Colinas de Golã para os israelenses.
O ministro de Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, disse hoje (12) que o avião sírio interceptado pela Turquia há dois dias não carregava armas, mas sim um carregamento legal de equipamentos para instalação de radar. “Nós não temos segredos”, disse o chanceler a jornalistas. “Não havia, é claro, armas no avião e não poderia haver. O que havia era um carregamento que um fornecedor legal da Rússia estava enviando de forma legal para um comprador legal”, alegou. O Kremlin realizou uma reunião do Conselho de Segurança sobre a Síria convocada pelo presidente Vladimir Putin. O encontro contou com a presença do primeiro-ministro russo, Dmitry Medvedev, do presidente da Duma, Serguei Naryshkin, do presidente do Conselho da Federação, Valentina Matvienko e dos ministros das Relações Exteriores, da Defesa e do chefe do Serviço Federal de Segurança. Segundo o porta-voz presidencial, Dmitry Peskov, foram discutidas as questões sociais e econômicas atuais da agenda e a situação internacional, com ênfase na situação em Damasco. A reunião ocorre no momento que Moscou endureceu as negociações com Washington sobre o desarmamento nuclear. Anteontem, o vice-ministro de Relações Exteriores, Sergei Ryabkov, disse que a Rússia não renovará um acordo assinado há décadas com os Estados Unidos sobre o desmantelamento de arsenais químicos e nucleares que vencerá em 2013. "A base do programa é um acordo de 1991 que, devido ao momento em que foi concebido, a forma que foi elaborado e preparado, não cumpre com padrões muito elevados. O acordo não nos satisfaz, especialmente considerando novas realidades", disse Ryabkov, citado pela Interfax. O chanceler russo divulgou que a relutância estadunidense em dar todas as garantias que restringem a implantação do sistema de antimísseis na Europa. Na terça-feira (9), o candidato a Presidente dos Estados Unidos pelo Partido Republicano, Mitt Romney, criticou a política de Barack Obama de redução do orçamento militar. Ele afirmou que, se ganhar a eleição, terá uma posição dura nas relações com a Rússia sobre a implantação de sistemas de defesa de mísseis. Foi a primeira vez que uma liderança estadunidense insinuou que o escudo tem como objetivo Moscou. A Rússia informou que continuará negociando diplomaticamente, mas não descartou a possibilidade de implantar um complexo de mísseis balísticos "Iskander" na região de Kaliningrado. Na sexta-feira passada (5), a Rússia e o Tajiquistão concordaram em estender a presença das tropas russas na ex-república soviética até 2042. Um auxiliar do presidente russo afirmou que Moscou utilizará a base militar "virtualmente de graça". "A base russa no Tajiquistão é um importante fator de estabilidade nesta república, onde estamos ligados por relações estratégicas especiais e fraternais", disse Putin. No mesmo dia o líder russo qualificou a Otan como um "atavismo da Guerra Fria". Ele argumentou sobre o fato de que a aliança poderia se transformar numa organização política."Não entendo para que (a OTAN) segue existindo até os dias de hoje. É, em boa medida, um atavismo da Guerra Fria", afirmou Putin. A Ásia Central virou um local estratégico, principalmente depois que as tropas ocidentais se retirarem do Afeganistão. O chanceler russo descartou a possibilidade de Moscou e seus aliados da Organização do Tratado de Segurança Coletiva (OTSC), composta por seis ex-repúblicas soviéticas, enviem tropas ao Afeganistão depois da retirada da Otan em 2014. “Essas informações não correspondem à realidade. Essa opção não é sequer considerada”, garantiu Lavrov. A afirmação veio após exercícios militares que Moscou e seus aliados estão realizando no sul do Cazaquistão. Há também tensão nas fronteiras russas, principalmente com a Coreia do Norte. Pyongyang advertiu seus potenciais inimigos de que, em caso de agressão, eles não poderão escapar a seus mísseis estratégicos. O governo norte-coreano garantiu que tem mísseis nucleares com capacidade de atingir a Coréia do Sul, o Japão e até os Estados Unidos. Demonstrando que os mísseis da Coreia do Norte não são um truque de propaganda, o representante militar norte-coreano até disse onde eles estão localizados – na região de Kangdong, próximo de Pyongyang. Lá se encontra um quartel-general estratégico de mísseis, onde o líder da Coreia do Norte Kim Jong-un visitou no dia 3 de março. A reação de Pyongyang foi após Seul divulgar o acordo com Washington que permitirá aumentar a capacidade balística dos sul-coreanos que poderão destruir todo o território da vizinha Coreia do Norte (acima). Os EUA também deram a entender que pretendem fornecer ao sistema de defesa antimíssil sul-coreano informações obtidas por satélites e drones norte-americanos. Este é mais um passo para a formação pelos EUA de um sistema de defesa antimísseis no Oriente. Segundo analistas, a ameaça de mísseis norte-coreanos é apenas uma desculpa para a sua criação, já que tem como objetivo conter a capacidade de mísseis da China.
Os capitalistas Tico e Teco voltaram a conversar sobre o mundo contemporâneo, acompanhados pela diarista Aparecida e pela filha Bytes, no dia 12 de outubro de 2012, Dia de Nossa Senhora Aparecida.
Tico: No dia de hoje o navegador Cristovam Colombo descobriu a América. Há 514 anos.
Teco: No dia de hoje foi inaugurado o monumento do Cristo Redentor na cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro. Há 81 anos.
Bytes: Hoje é dia de Nossa Senhora Aparecida, Padroeira do Brasil. Foi transformado em feriado nacional após a visita do papa João Paulo II.
Aparecida: Amanhã os portugueses celebram os 95 anos da quinta aparição de Nossa Senhora de Fátima. No dia 13 de outubro de 1917, Dia de Santo Antonio, Nossa Senhora apareceu a três pastores dizendo: “Em outubro direi quem sou, o que quero, e farei um Milagre, que todos hão de ver para acreditarem”. Na mesma data e no mês prometido, Nossa Senhora realizou o “Milagre do Sol”. “O sol começou a rodar em círculos de todas as cores. Era como uma roda de fogos de artifício, caindo sobre o chão”, contou Maria Celeste da Câmara e Vasconcelos, uma das testemunhas, à imprensa. “Presenciei também quatro curas no lugar das aparições: duas de tuberculose, uma de uma moça de Lisboa e a outra de Alfarelos; e duas aleijadas”, revelou Maria do Carmo Menezes ao jornal “O Século”, que publicou reportagem no dia 15 de outubro de 1917.
Bytes: Ontem foi aberto o Ano da Fé, instituído pelo papa Bento XVI. Milhares de fiéis repetiram a procissão até a Basílica de São Pedro (acima) que foi realizada há meio século na abertura do Concílio Vaticano II, no auge da Guerra Fria. O arcebispo Rino Fisichella, presidente do Pontifício Conselho para a Promoção da Nova Evangelização, disse que a crise da fé é a "expressão dramática de uma crise antropológica que deixou o homem jogado à própria sorte, confuso, só, sem uma meta à qual dirigir-se".
Aparecida: Em 1995, João Paulo II classificou o concílio como "um momento de reflexão global da Igreja sobre si mesma e sobre as suas relações com o mundo". Quando o papa João XXIII decidiu realizar o encontro, o objetivo foi adaptar a Igreja Católica aos desafios do mundo pós-moderno. Ele imaginava o concílio como um “novo Pentecostes”: uma grande experiência espiritual que reconstituiria a Igreja Católica não apenas como instituição, mas sim "como um movimento evangélico dinâmico e uma conversa aberta entre os bispos de todo o mundo sobre como renovar o catolicismo como estilo de vida inevitável e vital".
Bytes: Dentre as celebrações do Ano da Fé está a Jornada Mundial da Juventude no próximo ano, que vai acontecer no Rio de Janeiro. Recebi de uma amiga espanhola pelo “Face” o clipe “Esperança do amanhecer” que foi feito para o encontro. Ela contou que as ruas de Madri ficaram repletas de jovens turistas durante a Jornada Mundial da Juventude no ano passado. Os comerciantes foram os que mais gostaram porque conseguiram driblar a crise aguda porque passa a Espanha.
Aparecida: Por falar em Espanha, a situação está grave por lá. O FMI descreveu a economia espanhola como a segunda pior do mundo. Segundo a Cruz Vermelha, o número de pobres, de pessoas sem nada para comer, cresce a cada dia. A organização lançou um vídeo com um pedido: “meio limão, uma cebola e um ovo para três pessoas”. A dramática situação espanhola foi comparada pela Cruz Vermelha como a ajuda dada a países pobres como o Haiti onde os habitantes só comem alimentos com proteínas duas vezes por semana. A organização vai distribuir 33 milhões de quilos de alimentos no âmbito da campanha “Agora mais do que nunca”. Eu vi um vídeo na Internet que mostra a campanha da Cruz Vermelha. Há muita gente aqui no Rio que está antenada com a situação lá fora.
Bytes: Por falar em Rio, vinte estudantes do ensino médio da escola católica Santo Inácio assistiram ontem a uma aula sobre o Holocausto e Israel no colégio judaico Liessin, que servirá de subsídio a um concurso promovido pelo centro judaico. O grupo terá de fazer uma prova na próxima quarta-feira, e o vencedor ganhará uma viagem para a Marcha da Vida que passa por Israel e por campos de concentração na Polônia. Faz parte do discurso interreligioso que começou há seis entre as duas escolas há seis anos, quando começou o projeto Vizinhos de Portas Abertas. “Adorei o encontro e aprendi muita coisa. Conhecer o judaísmo é entender a origem da minha religião cristã. É importante respeitar as diferenças, mas descobri que também temos muitas semelhanças”, disse a estudante católica Clara Braem. “Mostramos que, com diálogo, não precisamos tomar nenhuma decisão precipitada”, comentou Marcelo Liberman. Para as professoras de ensino religioso no Santo Inácio, o encontro foi uma boa iniciativa: “Você só confirma sua fé quando tem liberdade para ouvir o outro sem querer que ele seja igual”, disse Sílvia Corrêa.
Aparecida: Por falar em liberdade religiosa, o Conselho de Ministros da Alemanha aprovou anteontem um projeto de lei que confirma a legalidade da circuncisão em menores por motivos religiosos, desde que respeite as condições médicas estabelecidas. De acordo com o projeto de lei, a circuncisão só poderá ser realizada até o sexto mês de vida do menor e por uma pessoa com formação necessária, sem ser obrigatoriamente um médico, escolhida pelas respectivas comunidades religiosas. Assim, os pais podem autorizar a circuncisão em seus filhos sem incorrer num crime, embora esta operação deva ser realizada "conforme as regras da medicina". O projeto de lei nasceu após pressão da comunidade judaica depois que o judiciário criminalizou a prática milenar de judeus e muçulmanos por não considerá-la “higiênica”. A comunidade judaica temia a volta do nacional-socialismo ao país. Durante o nazismo, a justiça alemã condenou a prática do holocausto de animais por motivo religioso antes da perseguição aos judeus. Será o fim da intransigência religiosa?
Bytes: Em Jerusalém, intransigentes jogaram pedras, garrafas e lixo contra uma igreja cristã ortodoxa. O ataque não deixou vítimas, mas a porta da frente do prédio da Igreja Ortodoxa Romena de São Jorge, localizada perto do grande bairro ultraortodoxo judaico de Mea Shearim, foi danificada. A Polícia israelense abriu uma investigação. Na semana passada, pichações em hebraico insultando Jesus foram feitas na porta de entrada de um mosteiro franciscano no monte Sião, perto do Cenáculo, um local do cristianismo na Cidade Sagrada. Foi mais um capítulo de tensão ocorrido durante as comemorações da Festa dos Tabernáculos na semana passada.
Aparecida: Na semana passada, a polícia egípcia prendeu no Cairo duas crianças cristãs, de aproximadamente dez anos de idade, por rasgarem e urinarem no Alcorão, o Livro Sagrado dos muçulmanos. Na última terça-feira, um egípcio copta segurou uma Bíblia e um Alcorão como forma de protesto durante uma marcha no Cairo que marcou um ano da morte de 30 pessoas numa manifestação cristã copta causadas pelas forças de segurança. Anteontem, o Tribunal Penal do Cairo absolveu 24 membros do antigo regime das acusações de mandar homens a bordo de camelos agredirem a multidão que se manifestava na praça Tahrir, em fevereiro do ano passado. A decisão levou ao afastamento do procurador geral da República e abriu uma crise política no país.
Bytes: Durante a Festa dos Tabernáculos, milhares de cristãos evangélicos de todo o mundo encheram as ruas do centro de Jerusalém para demonstrar apoio ao Estado judeu. A maioria veio dos Estados Unidos para a marcha anual.“Estas são as verdadeiras Nações Unidas”, disse a norte-americana Sheila Hakes. ”Os israelenses são nossos irmãos e irmãs, por isso devemos protegê-los do Irã e do mal. Jesus virá novamente aqui”, acrescentou. O apoio dos evangélicos a Israel está enraizado no chamado “sionismo cristão”, movimento que pede o retorno dos exilados judeus para a Terra Santa, pois assim se cumpririam as profecias bíblicas. Ao longo das últimas décadas, figuras-chave do movimento evangélico têm pressionado os governos a darem maior apoio a Israel que reivindica Jerusalém como a sua capital “una e indivisível”.
Aparecida: Escreveu o apóstolo João, o “discípulo amado”, sobre a “Festa da Dedicação”: “Em Jerusalém havia a Festa de Dedicação e era inverno. E Jesus andava passeando no templo no alpendre de Salomão. Rodearam-no pois os judeus e disseram-lhe: Até quando terás nossa alma suspensa? Se tu és o Cristo, dize-no-lo abertamente. Respondeu-lhes Jesus: Já vo-lo tenho dito e não credes. As obras que Eu faço, em nome do meu Pai, essas testificam de Mim. Mas vós não credes porque não sois minhas ovelhas, como já vo-lo tenho dito. As minhas ovelhas ouvem a minha voz, e Eu conheço-as e elas me seguem. E dou-lhes a vida eterna e nunca há de perecer, e ninguém se arrebatará de minha mão. Meu Pai, que me deu, é maior do que todos, e ninguém pode arrebatá-las da mão de meu Pai. Eu e o Pai somos um. Os judeus pegaram então outra vez em pedras para o apedrejar. Respondeu-lhes Jesus: Tenho-vos mostrado muitas obras boas procedentes de meu Pai; por qual destas obras me apedrejas? Os judeus responderam:, dizendo-lhe: Não te apedrejamos por alguma obra boa, mas pela blasfêmia porque, sendo tu homem, te fazes Deus a ti mesmo. Respondeu-lhes Jesus: Não está escrito na vossa lei: Eu disse; Sois deuses? Pois, se a lei chamou deuses àqueles a quem a palavra de Deus foi dirigida (e a Escritura não pode ser anulada). Aquele a quem o Pai santificou, e enviou ao mundo, vós dizeis: Blasfemas porque disse: Sou Filho de Deus? Se não faço as obras de meu Pai, não me acrediteis. Mas, se as faço e não credes em Mim, crede nas obras para que conheçais e acrediteis que o Pai está em Mim e Eu nele. Procuravam pois prendê-lo outra vez, mas Ele escapou. E retirou-se outra vez para além do Jordão, para o lugar onde João tinha primeiramente batizado; e a ali ficou. E muitos iam ter com Ele, e diziam: Na verdade João não fez sinal algum, mas tudo quanto João disse dele era verdade. E muitos ali creram Nele”.
Tico: Por que muitos estão preocupados com a crise entre Turquia e Síria?
Teco: Porque a “agredida” Turquia é membro da Otan. Se houver uma guerra entre Damasco e Ancara, a Otan pode socorrer a sua “aliada militar”, o que significa a possível entrada no conflito das potências ocidentais, pois são integrantes da “aliança ocidental”. Elementar, meu caro Watson.
Bytes: Os Estados Unidos enviaram tropas para a Jordânia, alegando que o conflito se aprofunda na Síria. No primeiro semestre já houve exercício militar em território jordaniano com a presença de militares de nações do Golfo.
Aparecida: Bashar al-Assad disse que utilizará armas químicas se as potências ocidentais entrarem no conflito. O que você acha?
Bytes: Com o descontrole na Síria, não sei como ainda não foram jogadas armas químicas e a conta recair para as tropas leais a Assad. Não podemos esquecer que um ex-agente da CIA revelou que Saddam Hussein nunca utilizou armas químicas contra os curdos, entrevista concedida ao jornalista Jorge Pontual e que foi ao ar pela Globonews. Segundo ele, a notícia se transformou em verdade porque assim o Ocidente massificou para a opinião pública.
Aparecida: Quem está com a “verdade?”
Bytes: Temos que analisar primeiro a visão “nacional-socialista” da história. O que argumenta o grupo de Assad? Ele representa a resistência ao “imperialismo” representado pelas potências ocidentais que querem se assolar dos ativos dos países do Médio Oriente. O grupo concorda que as manifestações por mais democracia na Síria eram “legítimas”, mas não aceitam a interferência externa que aproveitou o protesto com propósitos “colonialistas”. Segundo o grupo, o objetivo do Ocidente é derrubar as lideranças que são críticos ao modelo econômico imposto pelas potências e os que defendem o panarabismo. Como começou a ditadura na Síria? O pai de Assad foi eleito democraticamente e com maioria parlamentar. A sua independência em relação aos interesses econômicos do Ocidente levou à instabilidade do governo por causa da oposição que começou a receber “incentivos”. A crise política levou o pai de Assad a fechar o país e a reprimir a oposição porque não admitia que o seu povo fosse submetido ao “Império”, a personificação do “mal”. O filho só herdou o regime de partido único que não é “dócil” às reivindicações das potências ocidentais. E continuou o legado, negociando duro com o Ocidente. Para o grupo, a existência de Israel no Médio Oriente se transformou num grande mal porque o Estado judeu está por trás da violência na região ao defender os interesses colonialistas. Na contabilização das “catástrofes” está o atentado contra o ex-primeiro ministro libanês Rafik Hariri, morto em 2005, cuja investigação ainda não foi concluída pela ONU porque o resultado pode representar mais violência na região.
Aparecida: A Jordânia começou a enfrentar instabilidade política. Ontem, o rei Abdullah II nomeou o veterano político Abdullah Ensour como novo primeiro-ministro do país, cargo que ficou vago depois de o chefe anterior do Governo, Fayez Tarauneh, renunciar após a dissolução do parlamento e a convocação de eleições antecipadas. Na sexta-feira passada houve uma grande manifestação contra o governo. O que você acha?
Bytes: A situação da Jordânia é agravada pela crise econômica e de energia. No mês passado, o rei da Jordânia fez duras críticas a Israel por impedir a “soberania nacional”. Ele acusou Tel Aviv de pôr obstáculos aos projetos de desenvolvimento de energia nuclear em seu país e alertou para os riscos de o conflito sírio se estender aos países vizinhos, numa entrevista concedida à agência de notícias France Press. Segundo o monarca, os projetos de utilização de energia nuclear para o fornecimento de energia e a dessalinização da água na Jordânia enfrentam "uma forte oposição proveniente de Israel", apesar de os dois países terem assinado um tratado de paz em 1994. "Quando começamos a nos voltar para a energia nuclear com fins pacíficos, entramos em contato com vários países para que trabalhassem conosco, mas rapidamente percebemos que Israel pressionava esses países para dificultar qualquer cooperação", afirmou AbdullahII. Tel Aviv nega que exerça qualquer tipo de pressão nesse sentido. "Israel apoia o uso da energia nuclear civil para que a Jordânia satisfaça suas necessidades energéticas e nunca atuou para impedir os projetos”, disse um alto funcionário israelense, que pediu para não ser identificado. Um consórcio formado pelo grupo francês Areva e pelo japonês Mitsubishi participa atualmente de uma licitação com a empresa russa Atomstroyexport para construir a primeira central nuclear jordaniana.
Aparecida: Qual é a visão do monarca jordaniano sobre a crise na vizinha Síria?
Bytes: Ele propôs "uma fórmula de transição política com todos os componentes da sociedade síria, incluindo os alauitas", a corrente religiosa a que Assad pertence, para que eles "sintam que podem desempenhar um papel no futuro de seu país". Segundo ele, este "processo de transição inclusiva" seria a única maneira de frear os enfrentamentos.
Aparecida: A Líbia também enfrenta uma crise política. No domingo, a Assembleia Nacional líbia rejeitou a composição do novo gabinete proposta pelo primeiro-ministro eleito, Mustafa Abu Shagur. Aliás, um livro “No Harém de Kadafi”, lançado pela a jornalista francesa Annick Cojean garante que Muamar Kadafi era compulsivo em sexo, estuprava, mantinha algumas escravas sexuais e transava até com homens. Ele não poupava ninguém. O que você acha?
Bytes: Não posso falar de quem não tem direito a defesa por estar morto, nem sobre provas testemunhais sem qualquer confirmação. O que podemos afirmar é que tememos sobre o futuro da Líbia como já havíamos revelado em nosso conteúdo.
Aparecida: Funcionários do Departamento de Estado dos EUA informaram que o ataque contra o consulado dos Estados Unidos na cidade líbia de Benghazi, que matou quatro funcionários estadunidenses, incluindo o embaixador Chris Stevens, foi realizado por dezenas de homens com armas de guerra. Segundo os funcionários, que pediram para não ser identificados, "não há informação tangível" de que a ação "foi planejada ou era iminente".
Bytes: Por falar em terror, a ativista paquistanesa Malala Yousufzai, de 14 anos, sofreu um atentado no Paquistão porque queria ter a oportunidade de estudar, algo impedido pelos fundamentalistas islâmicos. Ela teve fama depois que a britânica BBC passou a reproduzir o seu blog na Internet o seu diário eletrônico. Desde então passou a ser perseguida pelos talibãs com ameaças de morte.
Aparecida: Na França o governo socialista pôs como prioridade a luta contra o terror. No sábado a polícia francesa matou um homem em Estrasburgo quando tentava detê-lo durante uma operação de combate ao terrorismo que causou a detenção de outras sete pessoas. Segundo a polícia, os suspeitos pertencem a uma rede salafista. Em um comunicado, o presidente François Hollande felicitou a polícia por sua ação e reafirmou a "completa determinação do Estado em proteger os franceses contra qualquer ameaça terrorista". Ele pediu ao ministro do Interior, Manuel Valls, numa reunião no Palácio do Eliseu, que "tome todas as medidas de vigilância necessárias". De acordo com fontes judiciais, a operação está ligada à investigação aberta depois que um artefato explosivo de baixo poder de destruição foi jogado em plena comemoração do Ano Novo judaico contra uma loja de produtos alimentares pertencente a judeus na cidade de Sarcelles, ao norte de Paris. O ataque, que deixou uma pessoa levemente ferida, causou grande comoção entre a comunidade judaica dessa localidade. A operação antiterror foi aprofundada durante a semana (acima).
Bytes: A pior coisa é “dormir com o inimigo”.
Aparecida: Ah, entendi! Na Gênese, a “origem”, está escrito: “E Deus disse a Adão e Eva no “Paraíso”: Podes comer de todos os frutos do jardim do Éden, menos da Árvore da Vida, a da ciência do bem e do mal, que está no meio do jardim, porque morrerás. Mas a serpente, astuta, tentou a mulher: Ele não quer que você saiba que, comendo, será Deus. Achando a fruto agradável de aparência e não vendo nada de mau nele, Eva o comeu e deu ao seu marido. E ambos viram que estavam nus. Deus então disse: Conhecerás o bem e o mal para dar entendimento e ser Deus. E pôs querubins para guardar o caminho da Árvore da Vida.
O avião de treinamento militar Yak-130 e o caça Su-35 foram apresentados hoje (12) na Venezuela a pilotos e especialistas técnicos pela estatal russa responsável por exportação equipamento de defesa Rosoboronexport. Depois de apresentação do avião de treinamento russos Yak-130 na Venezuela, o major-general José Gregorio Pérez afirmou que a aeronave poderia substituir os obsoletos F5 norte-americanos comprados pelo país em 1972. Em 2006, a Venezuela comprou 24 aviões militares russos Su-30. O país tornou-se o único da América do Sul a deter esse modelo de caças. A possível aquisição ocorre no momento em que o governo venezuelano lançará nos próximos dias a Missão Mercosul com a meta de promover o país no bloco e na região. O presidente reeleito Hugo Chávez disse que o objetivo é apoiar as prioridades de desenvolvimento em toda a Venezuela, criando condições para que o país enfrente todos os desafios que envolvem a sua presença no bloco, ao qual aderiu em julho. Chávez lembrou que os projetos "serão de grande importância" para transformar a Venezuela numa grande potência mundial. "O desafio é fazer com que a teoria se torne realidade, tomando as massas e o povo. O Mercosul deve ir do Caribe e da Venezuela, na Amazônia, ao Rio da Plata. É uma potência latino-americana, um projeto histórico", acrescentou. Uma das metas, de acordo com o presidente, é desenvolver as regiões de Trujillo e do Lago de Maracaibo por meio de um porto internacional, assim como por em prática o projeto ferroviário, que deve unir o Orinoco ao Caribe. "Um dia, mais cedo ou mais tarde, a ferrovia vai chegar a Manaus, na Amazônia", previu Chávez. A Venezuela ingressou no Mercosul em 31 de julho, em uma cerimônia em Brasília. Com a adesão de Caracas, o Mercosul contará com uma população de 270 milhões de habitantes (70% da população da América do Sul), registrando um Produto Interno Bruto (PIB) a preços correntes de US$ 3,3 trilhões (o equivalente a 83,2% do PIB sul-americano) e um território de 12,7 milhões de quilômetros quadrados (72% da área da América do Sul). No último domingo (7), Chávez venceu as eleições presidenciais na Venezuela com 55% dos votos contra 44% do adversário Henrique Capriles. O presidente reeleito afirmou que continuará levando o país rumo ao socialismo. "Seguiremos transitando em direção ao socialismo, construindo, e que ninguém se assuste", adiantou o governante, ao destacar que conseguiu "preservar a independência" e agora terá "que ampliá-la, consolidá-la". Ontem, os chanceleres do Brasil, Antonio Patriota, e da Argentina, Héctor Timerman, abordaram em Buenos Aires o processo de inclusão da Venezuela no Mercosul, entre outros assuntos bilaterais, como a segurança do continente. Na véspera, os ministros de Defesa da América concordaram em buscar a paz no Atlântico Sul, reconheceram a importância para o hemisfério da disputa sobre as Malvinas e resolveram criar um sistema que coordene a ajuda em caso de desastres naturais. Na segunda-feira (8), a Grã-Bretanha iniciou exercícios militares com lançamentos de mísseis nas ilhas Malvinas (Falklands para os ingleses) que durarão até o dia 19 de outubro. As manobras geraram repúdio de Buenos Aires. A chancelaria argentina apresentou um protesto formal à embaixada britânica e denunciou num comunicado que a continuação das manobras militares "constitui uma flagrante contradição ao apelo da comunidade internacional para solucionar pacificamente a controvérsia" sobre as Malvinas, cuja soberania é disputada por Argentina e Reino Unido. "A linguagem das armas a que Londres recorre para garantir sua presença ilegítima a 14 mil quilômetros de distância, denota o desprezo com o qual um membro permanente do Conselho de Segurança se comporta diante das repetidas manifestações das Nações Unidas pela convocação do diálogo", disse o comunicado assinado por Cristina Kirchner. O governo argentino considerou que os exercícios militares são "um elemento de provocação" e ressaltou que "não são bem-vindos pelos países da região, que trabalham para tornar o Atlântico Sul em uma área de paz livre de tensões militares e de exibições absurdas de poderio bélico". O exercício militar coincide com as pressões sociais e econômicas que Cristina vem enfrentando enquanto sua popularidade cai ladeira abaixo. Anteontem, milhares de sindicalistas participaram de protestos na região central de Buenos Aires contra a presidente (acima). Na sexta-feira passada (5), a presidente do Banco Central da Argentina, Mercedes Marco del Pont, reiterou que o governo eliminará o dólar como um meio de transação e poupança da economia do país sul-americano. "Os argentinos "têm que poupar na moeda local como as pessoas fazem em outros lugares do mundo", afirmou ela. Por muito tempo, os argentinos enxergaram o dólar como um refúgio em momentos de incerteza econômica devido ao longo histórico do país de inflação elevada e desvalorizações periódicas. Segundo projeções dos analistas, a inflação na Argentina está na casa dos 25% ao mês. Ao mesmo tempo a presidente argentina deu um prazo até o dia 10 de dezembro como prazo máximo para que as empresas do setor de imprensa e audiovisual apresentem seus planos de adaptação à nova Lei do Audiovisual. A lei limita a quantidade de licenças de rádio e televisão no país. Ela alertou que se a ordem não for obedecida, a Autoridade Federal de Serviços de Comunicação Audiovisual (Afsca), órgão responsável por supervisionar a concessão de licenças, poderá "agir". “Ninguém pode estar acima dos três poderes do Estado”, disse Kirchner, em cadeia nacional de rádio e televisão. De acordo com o presidente da Afsca, Martín Sabbatella, o objetivo da decisão é evitar "monopólios". Durante o pronunciamento de Cristina Kirchner, Sabbatella aproveitou para criticar o grupo Clarín (que tem o controle do principal jornal do país e detém emissoras de rádio e televisão), que faz oposição ao governo. “É o único [grupo de comunicação] que tem 250 licenças, o que excede o que a lei permite, e não reconhece o papel da Afsca", disse ele. Nos últimos dias, apoiadores do governo exibiram faixas com a inscrição 7D (7 de dezembro) e o slogan do Clarín.
Tico: No dia de hoje a polícia invadiu o congresso da União Nacional dos Estudantes (UNE), realizado clandestinamente em Ibiúna para reorganizar o movimento estudantil no Brasil, e prendeu 1240 estudantes, entre eles José Dirceu, hoje ex-presidente do PT. Há 44 anos.
Teco: No dia de hoje o então líder político da União Soviética, Nikita Khruschev, que ameaçou punir os países ocidentais usando a expressão idiomática russa “mostrar Kuzkina Mat” durante a 15.ª Assembleia-Geral da ONU. O tradutor simultâneo, no entanto, verteu o termo literalmente, e traduziu a expressão como “mostrar a Mãe de Kuzka”, o que causou grande confusão, pois os delegados da Assembleia acharam tratar-se de uma nova arma secreta soviética. Nas próximas vezes em que a expressão foi proferida pelo líder russo, os tradutores usaram a tradução “We'll bury you”, ou “Vamos enterrar vocês”. Há 52 anos.
Bytes: Hoje foi aberta em Washington a exposição “JFK e a crise dos mísseis de Cuba”, que reúne documentos e gravações secretas da Casa Branca. O objetivo é mostrar ao público como o presidente John F. Kennedy conseguiu evitar uma guerra nuclear, no episódio mais tenso da Guerra Fria. Em abril, a exposição se muda para a Biblioteca Presidente Kennedy em Boston.
Aparecida: No dia de hoje o xá Reza Pahlavi realizou uma festa suntuosa em Persépolis, no Irã, para celebrar os 2500 anos do Império Persa. Há 41 anos.
Bytes: Ontem muitos jornalistas lembraram os 19 anos do atentado contra o norueguês William Nygaard, editor do livro “Versos satânicos” do escritor indiano Salman Rushdie. Ele escapou com vida. A obra foi considerada pelos muçulmanos como uma “ofensa ao islã”. Naquele tempo o aiatolá Khomeini, então líder supremo da Revolução Islâmica do Irã, baixou um decreto religioso pedindo a execução do escritor. Rushdie, educado na Inglaterra, teve que viver escondido por muito tempo. Em entrevista à britânica BBC no mês passado, durante a onda de protestos contra o filme “Inocentes muçulmanos”, ele disse que um livro crítico ao islã dificilmente seria publicado hoje. Em “Versos satânicos”, Rushdie cria um enredo ficcional sobre dois homens que caem do céu após terroristas explodirem um avião. Ambos são indianos e atores. Ambos chegam incólumes ao solo da Inglaterra e se metamorfoseiam: um em diabo, outro em anjo. A questão central do livro é filosófica: quem sou eu? O livro foi publicado há 23 anos, 12 anos antes do atentado do 11 de Setembro em Nova York.
Aparecida: No dia de hoje nasceu, há 42 anos, a atriz Cláudia Abreu. Ela estava impagável como a cantora Chayene em "Cheias de Charme". Foi um divisor de água, assim como a Heloísa em “Anos Rebeldes”.
Bytes: No dia de hoje morreu, há 20 anos, o deputado Ulysses Guimarães, o Senhor Diretas. Recordei o seu discurso na promulgação da Constituição brasileira: “A nação quer mudar, a nação deve mudar, a nação vai mudar”.
Aparecida: Ontem foi o último dia para assistir aos filmes do Festival do Rio.
Bytes: Anteontem eu assisti ao filme brasileiro “Uma história de amor e fúria”, de Luiz Bolognesi (acima). É um longa de animação que desperta muita atenção do espectador por retratar a história do Brasil com uma previsão de futuro. O enredo é sobre um índio que recebe a imortalidade de um pajé para que ele seja um missionário e ponha fim o Reino de Anhangá, a representação do mal. Ele aceita a missão após ter a visão do inferno, a visão do apocalíptico destino a que estariam sujeitos os índios de sua tribo. Como imortal, o personagem dublado por Selton Mello escapa várias vezes da morte ao se transformar em pássaro e busca até o fim o amor de Janaína nos 600 anos de existência. O filme perpassa a historia brasileira de amor e fúria e projeta o ano de 2096 no Rio de Janeiro. No futuro distante a água é controlada por um monopólio e disponível apenas para a classe dominante. Os excluídos não têm direito à água potável e são reprimidos por milícias privadas. Na visão de Bolognesi, o futuro é a grande missão do índio reencarnado em vários personagens, como o de um guerrilheiro dos anos 60 que lutava contra a ditadura militar. O filme entretém. Detalhe: Janaína, agora “travestida” em prostituta cobra em yuan, a moeda chinesa, e não em real, a moeda nacional.
Aparecida: Eu li que já está sendo negociada a continuação do filme. O que é o Reino de Anhangá?
Bytes: É descrito como o reino do Senhor da Morte. É baseada na lenda indígena sobre um espírito que vive na floresta e que pode tomar a forma do que quiser. Os registros de sua presença aparecem em cartas de José de Anchieta, Manuel da Nóbrega e Fernão Cardim no século XVI. Seus relatos tratam Anhangá como um espírito mau, temido pelos povos indígenas. Outros relatos, como o do alemão Hans Staden, comentam do medo dos indígenas ao sair à noite: “Os indígenas não gostam de sair das cabanas sem luz, tanto medo têm do Diabo, a quem chamam Ingange, o qual frequentemente lhes aparece". Para os povos indígenas, Anhangá é considerado o deus da caça e do campo. Ele protege os animais contra os seus caçadores. Foi dessa figura mitológica que surgiu o nome "rio Anhangabaú" para um ribeirão que corta o estado de São Paulo. Inicialmente conhecido como Rio das Almas, o rio Anhangabaú era muito temido pelos indígenas da região. Os índios acreditavam que suas águas traziam doenças ao corpo e ao espírito. Essa crença leva a suspeita de que suas águas não eram potáveis.
Aparecida: Meu filho gostou de assistir no Festival Rio ao filme “César deve morrer”, dirigido pelos irmãos Paolo Taviani e Vittorio Taviani. É um documentário italiano com presos de uma penitenciária de segurança máxima na Itália que ensaiam a peça “Júlio César” de Shakespeare. Os cineastas acompanharam por seis meses a preparação para a montagem, mostrando ensaios, trocas de diálogos e até mesmo os testes para o elenco. Segundo o meu filho, um belo filme. Em determinada cena, um dos atores diz: "No momento em que conheci a arte, esta cela se tornou uma prisão”. O filme não tem comprometimento com política social, nem com moralismo. Por isso, não está interessado se a peça consiga ressocializá-los. O importante é o contato dos “atores detidos” com a obra de Shakespeare para relacionar o universo do dramaturgo inglês, retratando o amor e a fúria na historia, com a realidade de sua existência. Assim dão vida a personagens como Júlio César e de seu “traíra”: Brutus.
Bytes: Após assistir ao filme do brasileiro Luiz Bolognesi, me lembrei da série “Som & fúria”, exibida na Globo, que unia a realidade à “iluminada” obra de Shakespeare. E revi o episódio que trata do ensaio da peça “Hamlet” na qual há a tradução para o universo contemporâneo de "Ser ou não ser?"
Aparecida: Qual foi a maior história de amor e fúria que o mundo já conheceu?
Bytes: A Revolução Francesa, berço da Declaração dos Direitos Humanos.
Aparecida: Qual é o lema de “Uma história de amor e fúria?”
Bytes: "Viver sem conhecer o passado é andar no escuro". O que é polêmico, pois na geração bytes há a convicção de boa parte da galera de que quem gosta de passado é museu. Tem gente que quer entender o hoje, procurando o novo homem para exterminar o “determinismo histórico”.
Aparecida: No Antigo Testamento, a “Torá judaica”, temos o último cântico do profeta Moisés, pouco antes de morrer, sem pisar na “terra prometida”: “Quando o Altíssimo distribuía as heranças às nações, quando dividia os filhos de Adão uns dos outros, estabeleceu os termos dos povos, conforme o número dos filhos de Israel. Porque a porção do Senhor é o seu povo; Jacó é a parte da sua herança. Achou-o numa terra deserta, e num ermo solitário cheio de uivos; cercou-o, instruiu-o, e guardou-o como a menina do seu olho. Como a águia desperta a sua ninhada, move-se sobre os seus filhos, estende as suas asas, toma-os, e os leva sobre as suas asas. Assim só o Senhor o guiou; e não havia com ele deus estranho. Ele o fez cavalgar sobre as alturas da terra, e comer os frutos do campo, e o fez chupar mel da rocha e azeite da dura pederneira. Manteiga de vacas, e leite de ovelhas, com a gordura dos cordeiros e dos carneiros que pastam em Basã, e dos bodes, com o mais escolhido trigo; e bebeste o sangue das uvas, o vinho puro. E, engordando-se Jesurum, deu coices (engordaste-te, engrossaste-te, e de gordura te cobriste) e deixou a Deus, que o fez, e desprezou a Rocha da sua salvação. Com deuses estranhos o provocaram a zelos; com abominações o irritaram. Sacrifícios ofereceram aos demônios, não a Deus; aos deuses que não conheceram, novos deuses que vieram há pouco, aos quais não temeram vossos pais. Esqueceste-te da Rocha que te gerou; e em esquecimento puseste o Deus que te formou; o que vendo o Senhor, os desprezou, por ter sido provocado à ira contra seus filhos e suas filhas; E disse: Esconderei o meu rosto deles, verei qual será o seu fim; porque são geração perversa, filhos em quem não há lealdade. A zelos me provocaram com aquilo que não é Deus; com as suas vaidades me provocaram à ira: portanto eu os provocarei a zelos com o que não é povo; com nação louca os despertarei à ira. Porque um fogo se acendeu na minha ira, e arderá até ao mais profundo do inferno, e consumirá a terra com a sua colheita, e abrasará os fundamentos dos montes. Males amontoarei sobre eles; as minhas setas esgotarei contra eles. Consumidos serão de fome, comidos pela febre ardente e de peste amarga; e contra eles enviarei dentes de feras, com ardente veneno de serpentes do pó. Por fora devastará a espada, e por dentro o pavor; ao jovem, juntamente com a virgem, assim à criança de peito como ao homem encanecido. Eu disse: Por todos os cantos os espalharei; farei cessar a sua memória dentre os homens. Se eu não receasse a ira do inimigo, para que os seus adversários não se iludam, e para que não digam: A nossa mão está exaltada; o Senhor não fez tudo isto. Porque são gente falta de conselhos, e neles não há entendimento. Quem dera eles fossem sábios! Que isto entendessem, e atentassem para o seu fim! Como poderia ser que um só perseguisse mil, e dois fizessem fugir dez mil, se a sua Rocha os não vendera, e o Senhor os não entregara? Porque a sua rocha não é como a nossa Rocha, sendo até os nossos inimigos juízes disto. Porque a sua vinha é a vinha de Sodoma e dos campos de Gomorra; as suas uvas são uvas venenosas, cachos amargos têm. O seu vinho é ardente veneno de serpentes, e peçonha cruel de víboras. Não está isto guardado comigo? Selado nos meus tesouros? Minha é a vingança e a recompensa, ao tempo que resvalar o seu pé; porque o dia da sua ruína está próximo, e as coisas que lhes hão de suceder, se apressam a chegar. Porque o Senhor fará justiça ao seu povo, e se compadecerá de seus servos; quando vir que o poder deles se foi, e não há preso nem desamparado. Então dirá: Onde estão os seus deuses? A rocha em quem confiavam, de cujos sacrifícios comiam a gordura, e de cujas libações bebiam o vinho? Levantem-se, e vos ajudem, para que haja para vós esconderijo.
Tico: Como será conhecido o julgamento do “Mensalão?”
Teco: Se estivesse entre nós, Nosso Senhor Jesus Cristo contaria a parábola sobre os “meninos aloprados”. Para os capitalistas, meia palavra basta.
Bytes: O governador Jacques Wagner disse que o problema foi a preocupação com a consolidação do PT como “projeto nacional”. “O que sei é de uma arquitetura para fazer mil prefeituras em 2004, para chegar com mais musculatura para a reeleição de Lula. E aí foi a grande trapalhada. Lula já tinha maioria na Câmara", disse o governador petista. O meu colega gaiato lá da facû comentou: “O problema é a ejaculação precoce do José Dirceu”. Eu respondi: “É socialista, consequentemente sofre do medo do desconhecido, o medo da “evolução natural”, a que dizimou os dinossauros. Os socialistas não aceitam a ciência contemporânea: o espaço-tempo que cria a matéria.
Aparecida: José Dirceu afirmou que foi "prejulgado e linchado" ao ter o mandato de deputado cassado pela Câmara em 2005 e diz que foi condenado "sob forte pressão da imprensa". "Minha sede de justiça, que não se confunde com o ódio, a vingança, a covardia moral e a hipocrisia que meus inimigos lançaram contra mim nestes últimos anos, será minha razão de viver", encerrou a nota reproduzida pela imprensa.
Bytes: Anteontem o senador Eduardo Suplicy chorou no plenário do Senado ao ler carta escrita pela filha do ex-deputado José Genoino, Miruna Genoino, em defesa da inocência do pai. Na carta divulgada em redes sociais e também reproduzida pela imprensa, a filha de Genoino faz um relato histórico das "batalhas" enfrentadas pelo petista, como as torturas sofridas por ele e sua mulher na ditadura. Ao falar do pai, ela disse que ele sacrificou as economias familiares para se eleger deputado e teve a "decência de nunca aceitar nada que não fosse o respeito e o diálogo aberto"."São mais de 40 anos dedicados à luta política. Nunca, jamais para benefício pessoal", alegou Miruna.
Aparecida: A ministra Carmem Lúcia ficou “escandalizada” com a declaração dos advogados de defesa dos réus falando do Caixa 2 como se fosse “normal”. O que você achou da opinião da ministra?
Bytes: Acho que ela ficará mais escandalizada quando for informada que as campanhas dos partidos políticos têm Caixa 2 porque a maioria das grandes empresas funciona com Caixa 2. Por isso, por mais que seja proposto a CPMF como imposto, até com redução da carga tributária, os empresários não vão querer por causa do “cruzamento de dados”. Mas para um partido que cobrava “ética” dos outros, a condenação dos petistas pode ser considerada até justa. Criou-se também “jurisprudência” sobre o que é corrupção ativa, passiva e formação de quadrilha para todos. Muitos alunos do “direito” estão acompanhando o “julgamento histórico”. Viva!
Aparecida: A dona Irene recebeu mensagem dizendo que o Ricardo Lewandowsky recebeu a promessa do Lula de ganhar um ministério para se corromper e não seguir os votos do Joaquim Barbosa. O emissário pedia para ela repassar a mensagem para os seus amigos pelo “bem do Brasil”. Para a dona Irene, Lewandowsky é a visão do “demônio”, enquanto Joaquim Barbosa é o baluarte da esperança. Ela comprou a revista “Veja” que publicou a história do menino pobre que é visto hoje pela sociedade brasileira como um “herói nacional”.
Bytes: Os socialistas gostam da “propaganda”. O pobre acusador do Collor recentemente declarou que caiu no esquecimento após ser capa de revista. A Sociedade do Espetáculo deu à “imprensa velha” a vivência do “fast-food”. Hitler explicou aos nazistas que o povo tem a “alma feminina”. “A massa não está em condições de distinguir onde acaba a injustiça estranha e onde começa a sua justiça própria. O povo, em sua grande maioria, é de índole feminina tão acentuada que se deixa guiar, no seu modo de pensar e agir, menos pela reflexão e mais pelo coração. Esses sentimentos, porém, não são complicados, mas simples e consistentes. Neles não há grandes diferenciações. São ou positivos ou negativos: amor ou ódio, justiça ou injustiça, verdade ou mentira. Nunca, porém, o meio termo. Tudo isso foi compreendido, sobretudo pela propaganda inglesa e por ela aproveitada, de uma maneira verdadeiramente genial. Lá não há indecisões que possam provocar dúvidas”, escreveu o fuhrer em seu livro “Minha Luta”. Em sua opção política, o demônio tinha uma imagem bem definida: os judeus. E assim Goobels teve material de propaganda para entregar à opinião pública que via no Holocausto o expurgo dos seus males. Como disse um amigo da facû: “Alguém tem que ser pego para Cristo”.
Aparecida: E como pensa o governo dos Estados Unidos?
Bytes: Deu no jornal “O Globo” de 11 de outubro de 1962, cuja manchete foi “Betancourt ameaça intervir no Congresso da Venezuela para expulsar os comunistas”: “Informou-se ontem que o presidente da Venezuela, Rômulo Betancourt, e os principais dirigentes do partido Ação Democrática comunicaram seus aliados do partido Copel que desejavam dissolver o Congresso ou, pelo menos, expulsar da Câmara os elementos comunistas e marxistas do Movimento de Esquerda Revolucionária (MIR)”. E mais: “O governador Carlos Lacerda embarcou, ontem, rumo a Paris, para permanência de cêrca de 40 dias no exterior. Antes, declarou considerar lamentável acidente o resultado das eleições na Guanabara. Observou que esta, sendo estado muito importante da Federação tem, consequentemente prioridade na conquista dos comunistas. O Rio, como classificou, é, por isso, o centro da corrupção nacional. Conceituou sua acusação contra o Sr. Juscelino Kubitschek – de ter traído o Sr. Lopo Coelho, seu colega de partido, apoiando um nome do PTB, como prova da ojeriza do ex-presidente à Guanabara”. E mais: “O papa João XXIII inaugurou hoje o XXI Concílio Ecumênico da Igreja Católica, a maior reunião religiosa dos tempos modernos. Uma multidão se reuniu se reuniu na grande praça em frente à Basílica de São Pedro. Uma procissão formada por mais de 10 mil dignatários da igreja caminhou lentamente pela praça até chegar às portas de bronze da grande basílica”.
Aparecida: Deu no jornal “O Globo” de 11 de outubro de 2012, 50 anos depois: “A hora do mensalão. Após condenação, PT corre para conter dano eleitoral. Cúpula do partido se solidariza com Dirceu e Genoíno, que deixa cargo na Defesa. Presidente do STF conclui votação e diz que mensalão foi tentativa de golpe do PT para se perpetuar no poder; Celso de Mello fala em ´utilização criminosa do aparelho de Estado”.
Bytes: Ao condenar a cúpula petista, o presidente do STF, Ayres Britto, afirmou que o projeto de poder do PT era “golpe”. "(O objetivo do esquema era) um projeto de poder quadrienalmente quadruplicado. Projeto de poder de continuísmo seco, raso. Golpe, portanto", disse Ayres Britto após condenar oito réus.
Aparecida: Será que ele condenará o Dirceu como o chefe da quadrilha? O ex-ministro alegou que está sendo perseguido por ter combatido a ditadura após o golpe militar de 1964.
Bytes: O meu colega da facû, adepto da Teoria da Conspiração, escreveu no “face”. “As fotos da imprensa velha já mostram o ex-ministro em situação vexatória. Na Folha ele apareceu na Internet parecendo estar sendo levado preso (acima). No Globo Online as grades da seção eleitoral do ex-ministro serviram de cenário para a foto que transmitia a ideia de que ele estava na prisão.
Aparecida: A condenação do José Dirceu repercutirá nas eleições municipais? Favorecerá o Serra no importante reduto eleitoral de São Paulo?
Bytes: O grande vencedor da eleição foi o desânimo com os políticos, diagnosticada na grande abstenção. Muitos jovens já tuitam pedindo o voto opcional, base de uma nação capitalista. O colega adepto da Teoria da Conspiração garantiu que o “Jornal Nacional” vai jogar pesado no segundo turno em São Paulo. O copo de papel jogado na testa do Serra na eleição presidencial de 2010 com entrevista do médico tucano falando sobre a gravidade do ferimento será pinto do que está por vir”. O colega gaiato emendou: “Se o Serra perder muitos afirmarão que ele será candidato agora a vereador, como o César Maia”. Eu respondi: “Hitler pôs fogo no Parlamento alemão e acusou os comunistas. Qualquer semelhança com o Riocentro, Proconsult e toda a manipulação da história não é mera coincidência, É criação coletiva dos socialistas de direita”.
Aparecida: Na segunda-feira o seu Carlos estava vendo os comentários da Cristiana Lobo, na Globonews. Ela estava mais interessada sobre o futuro da Carminha em “Avenida Brasil”. Eu pensei: “Todo mundo está interessada no desfecho da novela que é mais emocionante que esses insípidos políticos”.
Bytes: O mundo político aborrece a todos. Vamos ver se o Arnaldo Jabor confirmará a sua autodefinição: Eu sou um “profetinha”. Na década de 80, em plena ditadura militar, ele já ironizava os “Escândalos de Brasília” no filme “Eu te amo”. Por falar no Jabor, ele escreveu sobre a novela das 9: “Que saudades vou ter do Leleco, do Tufão, das peruas do subúrbio, gritadeiras e barraqueiras, que saudades da dupla de atrizes geniais apaixonadas pelo ódio, Carminha e Rita (não esqueço os rugidos de fera de Adriana Esteves, desde o dia em que ela “comeu” literalmente o Tufão pela primeira vez, como se fosse um bicho devorando-o com a boca), da Ivana, da grande Zezé e Janaína e principalmente do Max, o nosso Maxwell, o famoso malandro-agulha, finalmente retratado na TV (“malandro agulha”, sabe-o Joaquim F. dos Santos, é aquele que “toma no buraco, mas não perde a linha...”.
Aparecida: Qual será a opinião do Xexéu? No início de “Avenida Brasil”, ele reclamou que as novelas estão “dependentes do marketing” que privilegiam a classe C por visão econômica, o obrigando a ouvir pagode, participar da vida dos moradores do ficcional Divino e ver cenários bregas. “Que saudades tenho do Gilberto Braga que retrata a classe média”, escreveu o colunista. A dona Irene fica sentada no sofá toda revestida com brincos, colares e pulseiras com pérolas e não perde um capítulo de “Avenida Brasil”.
Bytes: Os autores globais vaticinam a classe emergente e documentam a “burguesia decadente”. Assim é “Avenida Brasil” e assim foi “Cheias de charme”. Já “Lado a lado” projeta no início do século XX o futuro do Rio que estava por vir.
Aparecida: A oposição venezuelana aceitará a mão estendida de Chávez?
Bytes: O que une a raça humana é a convicção sobre a morte. A única dúvida é se ela virá a curto ou longo prazo. Se será “Abajur lilás” ou com morfina. A tendência é Chávez conclamar o povo contra a burguesia para aprofundar o caminho para o socialismo e o Capriles defender um “Estado de paz”. O concreto é que a elite política que queria eliminar o Movimento de Esquerda Revolucionária há meio século foi exterminada pelo chavismo.
Aparecida: O seu Carlos disse ontem: “Essa raça está voltando na América Latina e tem na indenização aos guerrilheiros a sua propaganda. Mas como diz o jargão militar: Vamos almoça-los antes que eles nos jante. Assim era a canção nos quartéis antes da Revolução de 64”. O que você acha? A Venezuela é democrática?
Bytes: Se democracia é a vontade do povo, com certeza é. Se é a democracia que eu gostaria de participar, eu diria que não. Mas é melhor que Cuba onde não há o direito de ir e vir do “oprimido” em buscar a verdade fora dos ditames do Estado. Prefiro o Brasil, a “Rússia dos Trópicos” decantada pelo brilhante sociólogo Gilberto Freire pelo espírito patrimonalista. A comunidade onde todos estão aprendendo juntos ao seu tempo, inclusive a “imperialista” Globo, berço da Central Globo de Produções que será sempre superior em conteúdo à Central Globo de Jornalismo. Se Freud, patriarca da ciência contemporânea, afirmou que a saída para os males da civilização seria através da cultura, Viva! E Viva o Brasil, o holofote do mundo, em seu processo civilizatório. Só os escribas e fariseus, cegos e hipócritas, estão embriagados de dia por causa de sua pouca fé.
Aparecida: Ah, entendi! Escreveu o apóstolo Paulo, judeu circuncidado do prepúcio ao oitavo dia, em carta aos romanos: “Que diremos, pois, ter alcançado Abraão, nosso pai segundo a carne? Porque, se Abraão foi justificado pelas obras, tem de que se gloriar, mas não diante de Deus. Pois, que diz a Escritura? Creu Abraão em Deus, e isso lhe foi imputado como justiça. Ora, àquele que faz qualquer obra não lhe é imputado o galardão segundo a graça, mas segundo a dívida. Mas, àquele que não pratica, mas crê naquele que justifica o ímpio, a sua fé lhe é imputada como justiça. Assim também Davi declara bem-aventurado o homem a quem Deus imputa a justiça sem as obras, dizendo: Bem-aventurados aqueles cujas maldades são perdoadas, E cujos pecados são cobertos. Bem-aventurado o homem a quem o Senhor não imputa o pecado. Vem, pois, esta bem-aventurança sobre a circuncisão somente, ou também sobre a incircuncisão? Porque dizemos que a fé foi imputada como justiça a Abraão. Como lhe foi, pois, imputada? Estando na circuncisão ou na incircuncisão? Não na circuncisão, mas na incircuncisão. E recebeu o sinal da circuncisão, selo da justiça da fé, quando estava na incircuncisão, para que fosse pai de todos os que crêem, estando eles também na incircuncisão; a fim de que também a justiça lhes seja imputada; E fosse pai da circuncisão, daqueles que não somente são da circuncisão, mas que também andam nas pisadas daquela fé que teve nosso pai Abraão, que tivera na incircuncisão. Porque a promessa de que havia de ser herdeiro do mundo não foi feita pela lei a Abraão, ou à sua posteridade, mas pela justiça da fé. Porque, se os que são da lei são herdeiros, logo a fé é vã e a promessa é aniquilada. Porque a lei opera a ira. Porque onde não há lei também não há transgressão. Portanto, é pela fé, para que seja segundo a graça, a fim de que a promessa seja firme a toda a posteridade, não somente à que é da lei, mas também à que é da fé que teve Abraão, o qual é pai de todos nós, (Como está escrito: Por pai de muitas nações te constituí) perante aquele no qual creu, a saber, Deus, o qual vivifica os mortos, e chama as coisas que não são como se já fossem. O qual, em esperança, creu contra a esperança, tanto que ele tornou-se pai de muitas nações, conforme o que lhe fora dito: Assim será a tua descendência. E não enfraquecendo na fé, não atentou para o seu próprio corpo já amortecido, pois era já de quase cem anos, nem tampouco para o amortecimento do ventre de Sara. E não duvidou da promessa de Deus por incredulidade, mas foi fortificado na fé, dando glória a Deus. E estando certíssimo de que o que ele tinha prometido também era poderoso para o fazer. Assim isso lhe foi também imputado como justiça. Ora, não só por causa dele está escrito, que lhe fosse tomado em conta, mas também por nós, a quem será tomado em conta, os que cremos naquele que dentre os mortos ressuscitou a Jesus Nosso Senhor; o qual por nossos pecados foi entregue, e ressuscitou para nossa justificação”.
Rio de Janeiro, 12 de outubro de 2012
© 2013 Criado por Luis Nassif.
Você precisa ser um membro de Portal Luis Nassif para adicionar comentários!
Entrar em Portal Luis Nassif