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São Paulo vive uma grave crise na segurança pública. O estado perdeu o controle e a polícia militar já matou mais 2.200 pessoas entre 2006 e 2010, como no recente caso do publicitário Ricardo de Aquino, morto em uma desastrosa ação de PMs
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Tragédias não são ‘barbaridades específicas’Deixe-me ver se entendi: o sujeito de 24 anos
entra na internet e compra 6.000 balas para duas pistolas Glock e um rifle AR-15 adquiridos em lojas legalizadas do Colorado – que, com saldões promocionais, ajudam a armar 3 em cada 10 pessoas dos Estados Unidos. Entra num cinema e atira a esmo, matando 12 pessoas e ferindo outras dezenas. E o clichê é dizer que existe uma “cultura de armas” no país que já assistiu a atentados semelhantes em Virginia Tech, Columbine e na Base do Exército no Texas.
Em São Paulo, a PM persegue e mata um empresário por confundir um celular com uma arma. Caso isolado? Erro individual? Conta essa para as 2.262 pessoas mortas em supostos confrontos com a polícia entre 2006 e 2010 – números que levam a PM paulista a ostentar o índice de 5,5 mortos a cada 100 mil habitantes, desempenho nove vezes superior à letalidade registrada em todo o território americano (o cálculo é daFolha de S.Paulo). E o clichê, conforme artigo publicado nesta segunda-feira no mesmo jornal, é culpar a “militarização da polícia”.
Uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa, diria outro clichê. Entre a tragédia americana e a atual crise de segurança em São Paulo há um fosso de explicações específicas, muitas de fato em aberto. Mas nenhuma delas está dissociada à constatação de que a psicopatia e a liberdade para matar andam em linhas paralelas. Um indivíduo doente desarmado é só um indivíduo doente desarmado; um indivíduo armado numa sociedade doente faz o que se viu na sexta-feira no cinema de Aurora. Entre um indivíduo com tendências homicidas e um atirador real a distância pode ser medida pela capacidade de obter seu armamento...
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