Faria, se os maiores clubes europeus não vivessem de olho em nossos jogadores.
O futebol brasileiro não é coisa do passado, assim como os desmandos em seus bastidores. Ganhamos cinco copas, mesmo com aquilo que há de pior arraigado dentro da instituição que o comanda, com direito à corrupção, favorecimento a clubes nas convocações e até presidente da república que queria Dadá "peito de aço" no time, enquanto Pelé era apontado como míope, de coroa e tudo, não se sabe por quem.
Agora, aqui pra nós: para convocar o Dadá, precisava mexer com o Rei? Jamais teremos essa resposta, pois o fato ocorreu numa época em que perguntar era simplesmente proibido e, como o técnico João Saldanha era metido à “casca grossa”, pegou o boné, ou o mais provável é que tenha até saído sem ele, diante da pressa.
O futebol brasileiro é tão peculiar que, a mídia que manda, trata como rei e imperador, duas figuras que não podem ser consideradas como “farinha do mesmo saco”, nem dentro e nem fora dele.
Imagino, na qualidade de cidadão comum, sem nenhum embasamento técnico, que o futebol brasileiro tenha sido uma coisa até 1962. Em 1966 jogamos fora à chance do tri, com a convocação de quarenta e quatro jogadores, que literalmente bagunçaram o coreto, até pela dificuldade de escalar um time titular, que mudava constantemente, inclusive durante a própria competição e em 1970, com aquele timaço, ganharíamos a copa até sem técnico, bastando que alguém distribuísse as camisas.
Em 1974 a mídia passou a exercer uma influência maior sobre a Seleção, chegando a ponto de fabricar alguns ídolos e queimar outros, de acordo com seus interesses e o próprio Pelé cismou com aquele estado de coisas e, inteligentemente, se recusou a participar da competição. Então, naquele momento, eu já não era o mesmo torcedor da Copa do México.
A Copa de 1978 na Argentina deu início à era Zico, que foi craque e o maior pé-frio em nossa Seleção, para alegria de todos aqueles que aprenderam a secar o Flamengo e a partir dali, por osmose, torcer também contra os “canarinhos”, principalmente depois que sentaram o Rivelino, um dos maiores craques do nosso futebol, no banco do Jorge Mendonça.
Aí, como não tenho aquele juízo que a mulher e os meninos gostariam que tivesse, endoidei de vez e, não só passei a torcer radicalmente contra a Seleção Brasileira, como nunca mais assisti aos jogos.
Porém, reconheço que o Futebol Brasileiro continua a ser o melhor do mundo e ainda estaria no topo, se dentro de nossas camisas existissem brasileiros ao invés de mercenários, pois temos craques de sobra. E se a mídia se limitasse a mostrar os jogos, deixando de escalar o time, seríamos imbatíveis, com corrupção e tudo e eu revirava a casaca.
Perdoem-me, mas é que não consigo torcer por uma coisa junto com o Galvão Bueno.
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