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Quando os empresários falam em maior agilidade nas relações de trabalho, eles estão querendo dizer possibilidade de demissão dos empregados de maneira mais fácil e menos onerosa. Quando alegam que os nossos produtos estão perdendo a competitividade, na verdade estão querendo diminuir custo dos seus produtos ou serviços às custas da redução dos já minguados salários dos empregados. Afirmam eles que as empresas multinacionais têm receio de se instalarem no Brasil por acharem a legislação trabalhista bastante complexa. O que ocorre verdadeiramente, é que tais empresas, além das benesses tributárias que recebem ao aqui aportarem, querem ainda a mão-de-obra barata e descartável.

Ninguém fala em reforma trabalhista com vista à melhoria das condições daqueles que são a parte hipossuficiente nas relações de emprego que são justamente os empregados. Alguém já viu alguma proposta de reforma trabalhista no sentido de implementar direitos dos trabalhadores previstos na constituição federal? Onde está a o salário mínimo capaz de atender a suas necessidades vitais básicas e às de sua família com moradia, alimentação, educação, saúde, lazer, vestuário, higiene, transporte e previdência social, com reajustes periódicos que lhe preservem o poder aquisitivo? Cadê a participação do trabalhador nos lucros, ou resultados, desvinculada da remuneração, entre outros direitos que deveriam ser implementados por lei e ainda não foram?

Por favor senhores trabalhadores. Não sucumbam ao canto da sereia de que a reforma trabalhista nos moldes pretendidos pelos empresários irá melhorar a vida de todos os empregados. Na realidade, irá beneficiar apenas aquela minoria que já abocanha a maior parte do bolo e que cada vez quer deixar cair menos migalhas para o nosso já tão sofrido povo.

A reforma trabalhista que estão tentando nos impingir com frases de efeito e promessas de um paraíso, representará um retorno dos empregados a uma condição muito inferior à de um escravo. Afinal, ao contrário do escravo que é um investimento a ser preservado por quem nele investiu, o empregado ficará à mercê das injunções econômicas para continuar ou não na empresa. Sem levar em conta o fato de que o surgimento de novas tecnologias aplicáveis às atividades empresariais, inevitavelmente abrirão as portas para milhares de demissões. Você nunca se perguntou porque as empresas multinacionais não atuam exclusivamente nos seus países de origem? Pesquise e perceberá que, ou elas são proibidas de fazê-lo por poluírem o meio ambiente, ou por lá os trabalhadores não se deixam explorar com salários irrisórios.

Precisamos aprender a não nos vendermos por meia dúzia de novos empregos de segunda categoria e com caráter transitório. Infelizmente, existem ainda muitas pessoas que possuem uma tendência inata para a subserviência, dotadas de uma espécie de “espírito de peão” que elas irão carregar para o resto de suas vidas. São pessoas com vocação para carneirinho, sempre com medo de perderem as migalhas que lhes são atiradas pelos detentores do poder econômico. Não seja você também mais um integrante deste repulsivo rebanho.

Jorge André Irion Jobim. Advogado de Santa Maria, RS

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Tags: André, Irion, Jobim, Jorge, Reforma, carneirinho, constituição, demissão, empregadores, empregados, Mais...escravo, federal, mínimo, salário, trabalhadores, trabalhista

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