O líder do Nova Democracia (ND) e vencedor das eleições gregas, Antonis Samaras, afirmou hoje (18/06) que seu eventual governo respeitará os pactos com a União Europeia (UE), mas que buscará a "renegociação" dos termos das medidas de austeridade em troca das ajudas internacionais. "Ontem disse que a Grécia respeita sua assinatura. Ao mesmo tempo queremos a renegociação do plano de resgate", manifestou o político conservador em entrevista coletiva em Atenas. Para isso, considerou "necessária" a formação de um governo de "salvação nacional com a participação do maior número possível de partidos". O ND obteve pouco mais de 29% dos votos no pleito de ontem, o que significa que receberá 129 cadeiras das 300 do Parlamento heleno, e por isso necessita do apoio de alguma outra formação, provavelmente os social-democratas do Pasok, que conseguiram 33 cadeiras. Após a primeira reunião para formar governo, com os esquerdistas do Syriza (que alcançaram 26,9% dos votos e 71 cadeiras), Samaras constatou seu fracasso, mas assegurou que continuará com seus "esforços" para pactuar um Executivo. O líder do Syriza, Alexis Tsipras, assegurou que em caso de renegociação do memorando de medidas de austeridade, como prometeu Samaras antes das eleições, o Syriza "se manterá em contato permanente" com o líder do ND. Se a vitória foi do conservadorismo, quem mais comemorou foi o esquerdista Syriza. "A partir de segunda-feira, vamos continuar a luta", disse Tsipras a seguidores eufóricos, numa praça em frente à universidade de Atenas. "O próximo governo depois desse será de esquerda", assegurou. A própria Nova Democracia teme o futuro. "Meu maior temor é de uma explosão social", disse um assessor de Antonis Samaras. "Se não houver mudança na matriz política, teremos uma explosão social mesmo se você trouxer Jesus Cristo para governar este país", acrescentou. Somando-se os votos dados a outros partidos contrários ao resgate --do neonazista Aurora Dourada ao marxista-leninista KKE--, 52 por cento dos eleitores apoiaram algum grupo que se opõe ao pacote internacional. Mesmo com a virada, a comemoração da Nova Democracia foi discreta. "O que existe para celebrarmos?", perguntou um membro da campanha de Samaras. "Nosso país está em crise profunda". A Grécia vem amargando quedas no PIB na ordem de 5%. O partido neonazista Amanhecer Dourado (Chryssi Avghi) confirmou o seu avanço eleitoral, ao obter 7% dos votos, o que dá à formação direito a 18 assentos. Segundo analistas, é um sinal da consolidação de uma ideologia ultraviolenta em uma Grécia desorientada pela crise. "O Chryssi Avghi chegou para ficar", afirmou seu líder e fundador Nikos Mihaloliakos, um matemático de 55 anos que se gaba de sua proximidade com o ditador fascista grego de antes da Segunda Guerra Mundial (1939-1945), Ioannis Metaxas. "A votação do Chryssi Avghi não é uma causalidade, e seus eleitores sabem quem seguir votando novamente neles, o que dá um sinal da tendência atual de consolidação desta formação no eleitorado grego”, afirmou à AFP Sophia Vidali, professora de Criminologia da Universidade de Trácia. A vitória do conservador Nova Democracia não acalmou o nervosismo na bolsa de valores (acima). O líder da legenda de esquerda Pasok, Evangelos Venizelos, garantiu que uma nova coalizão governamental deve estar concluída até amanhã. ."O país precisa de um governo rápido”, disse Venizelos a repórteres, na saída de um encontro com Samaras. Ao saber do resultado eleitoral na Grécia, o ministro das Relações Exteriores alemão, Guido Westerwelle, afirmou que que seu país está disposto a discutir os prazos necessários para a aplicação das reformas no Estado helênico. "Não deve haver mudança substancial nos compromissos assumidos pela Grécia com seu programa de reformas, mas posso imaginar, sem problemas, uma negociação sobre novos prazos", disse o ministro. Para justificar esta flexibilidade, ele destacou que a Grécia viveu "uma paralisia política nas últimas semanas devido às eleições". "Os cidadãos comuns não podem ser punidos, especialmente porque já suportaram cortes drásticos", declarou. "Estamos dispostos a assumir a solidariedade na Europa, mas não podemos aceitar a anulação dos compromissos assumidos". O ministro belga das Relações Exteriores, Didier Reynders, foi no mesmo sentido ao destacar que "existe a possibilidade de diálogo" sobre a revisão dos prazos, mas "não queremos dar um cheque em branco à Grécia”. "A Europa está aberta ao diálogo com a Grécia (...). Sempre é melhor ter pela frente gente que deseja negociar".
A taxa de juros cobrada da dívida espanhola de dez anos, referência para os investidores, ultrapassou hoje (18) a barreira dos 7%. É o valor mais elevado desde a entrada da Espanha na zona do euro. Na sexta-feira (15), antes da eleição na Grécia, ela havia chegado aos 6,9%. Segundo alguns analistas, acima dos 7% é o limiar considerado insustentável para um Estado se financiar. Os juros também contaminaram a Itália, a terceira economia da zona do euro. O ministro das Finanças e responsável pelas Administrações Públicas, Cristóbal Montoro, pediu ao Banco Central Europeu (BCE) que reaja à “insistente pressão” dos mercados da dívida soberana. “O BCE deve responder com toda a firmeza, com toda a fiabilidade, a esses mercados que continuam a tentar obstaculizar o desenvolvimento do projeto comum do euro”, afirmou, numa intervenção no Senado, onde defendeu o projeto de Orçamento do Estado para 2012. Para o ministro, às “dúvidas” que persistem sobre a capacidade de recuperação da economia espanhola e sobre o euro, o governo espanhol deve responder “com políticas claras e contundentes” de estabilidade orçamental e reformas estruturais. Madri enfrenta protesto e convulsões sociais. Hoje a categoria dos mineiros fechou a estrada em Caborana, perto de Oviedo, durante protesto a corte de subsídios para o setor (acima). Na semana passada, eles já haviam lançado um foguete artesanal contra a polícia. Na Itália, houve protesto no fim de semana e confrontos com a polícia na semana passada. Uma mudança clara em direção à política desenvolvimentista é esperada pelos analistas a partir do novo cenário que emerge das eleições. Ontem, o presidente francês, François Hollande, conseguiu maioria de socialistas na Assembleia Nacional. Em comunicado, o Partido Socialista defendeu um “caminho alternativo às políticas de austeridade”. “A vitória clara dos socialistas franceses é mais um sinal dos povos europeus em favor de um caminho alternativo às políticas de austeridade excessiva”, disse o comunicado. Os novos parlamentares anunciaram que vão usar uma sessão especial do Parlamento no próximo mês para cortar isenções fiscais e aumentar os impostos para grandes corporações, particularmente bancos e companhias de energia. As medidas fazem parte da tentativa de Hollande de equilibrar o Orçamento da França até 2017 e convencer a Alemanha, principal economia da Europa, a apoiar sua busca por um pacote de estímulo de mais de 100 bilhões de dólares para incentivar o crescimento. O resultado da eleição na França mostrou os socialistas e seus aliados com 307 cadeiras no Parlamento, superando confortavelmente as 289 exigidas para formar maioria na Assembleia Nacional. O resultado definitivo, incluindo os territórios franceses no exterior, prevê que os socialistas podem chegar a 320 assentos. Como a esquerda já controla o Senado, Hollande não teria a necessidade de buscar apoio dos radicais Frente de Esquerda ou dos conservadores UM para aprovar seus projetos. O ministro do Interior, Manuel Valls, disse que o governo não vai perder tempo em sua busca pela reformas prometidas. "Precisamos resolver as finanças deste país, garantir um Orçamento equilibrado até 2017, e ao mesmo tempo buscar nossas prioridades em termos de crescimento, emprego, educação e segurança", disse Vallas, prometendo as reformas tributárias para garantir que os ricos franceses paguem a sua parte. Com o desemprego em 10 por cento — nível recorde em 13 anos — e estagnação econômica, Hollande enfrenta um equilíbrio delicado entre a redução do déficit do governo e manter a segunda maior economia da zona do euro longe dos especuladores do mercado financeiro que têm atacado Itália e Espanha. Mas analistas afirmam que Paris terá embates com Berlim, a primeira economia do bloco. Na quinta-feira, a chanceler alemã, Angela Merkel, afirmou que qualquer solução rápida para a crescente crise da dívida na zona do euro é contraprodutiva, afirmando que a Europa deve, em vez disso, buscar uma “tarefa hercúlea” por maior integração política. Falando ao Parlamento, a primeira-ministra alemã reiterou sua oposição a “soluções milagrosas” como os eurobônus e um esquema de depósito de garantias bancárias para a toda a Europa. “A Alemanha é forte, a Alemanha é o motor econômico e a Alemanha é a âncora da estabilidade na Europa. Digo que a Alemanha está colocando a sua força e o seu poder à disposição do bem estar do povo, não apenas da Alemanha, mas também para ajudar a unidade europeia e a economia global”, disse Merkel. “Mas nós também sabemos que a força alemã não é infinita”, acrescentou. A chanceler demonstrou desconforto com os encontros mantidos entre o presidente francês e os primeiros-ministros da Itália, Mário Monti, e da Espanha, Mariano Rajoy. Em Roma, ao lado de Monti, Hollande chamou de "injustificadas" as subidas nas rentabilidades pedidas pelos investidores para trocar dívida italiana. “As subidas nas taxas de juro implícitas são injustificadas em países como a Itália, que têm feito enormes esforços e têm um excedente orçamental. Não podemos pedir às pessoas para fazer esforços quando não são recompensadas por isso”, argumentou o presidente francês, no dia em que houve aumento dos juros para a dívida italiana. No sábado (16), Monti disse que o país está novamente em crise, mas que seu governo evitou o “precipício”. Ele disse que teme a violência por causa da instabilidade social. No mesmo dia, milhares de pessoas protestaram nas ruas de Lisboa, convocadas pela CGTP, principal confederação sindical portuguesa, para protestar contra a política de austeridade do governo. "Se o governo continuar por essa via, Portugal vai afundar", afirmou à agência France Presse João Cruz, operário ferroviário de 43 anos que este ano perdeu dois meses de seu salário de 1.000 euros devido às medidas de retificação orçamentária. "Esta crise na Europa apenas favorece a Alemanha, enquanto países como o nosso são abandonados à sua sorte", reagiu Susana Leal, uma trabalhadora têxtil que chegou do interior do país.
O Estado-Maior das Forças Armadas russa divulgou hoje (18) que dois navios de desembarque concluem os preparativos para zarpar rumo ao porto sírio de Tartus com o propósito de garantir a defesa dos interesses nacionais da Rússia no país árabe. "A tripulação do Nikolai Filchenkov e do Cesar Kunikov, junto aos infantes de marinha, podem garantir se for necessário a segurança dos cidadãos russos e evacuar parte do material do ponto de manutenção técnico que é o porto de Tartus para a Rússia”, explicou o porta-voz militar. O oficial esclareceu que a ordem de preparar os navios para a missão chegou de improviso. A aviação militar está pronta para cobrir os navios de guerra se estes forem enviados à Síria a fim de evacuar os cidadãos russos, assegurou no sábado o vice-comandante-em-chefe da Força Aérea, o general Vladimir Gradusov. O porto sírio de Tartus, que acolheu uma base soviética em tempos da Guerra Fria, é atualmente um centro de manutenção e abastecimento para a Frota russa do Mar Negro. Na semana passada, o embaixador da Síria em Moscou disse que seu país não está recebendo helicópteros militares da Rússia, negando acusação feita pela secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton. "A Rússia não está entregando quaisquer helicópteros à Síria", disse o embaixador Riad Haddad à Reuters. Na última terça-feira (12), Hillary afirmou que os EUA estavam "preocupados com as mais recentes informações que temos de que há helicópteros de ataque a caminho da Rússia para a Síria, o que irá escalar o conflito de forma bastante dramática". Hoje o Observatório Sírio de Direitos Humanos (OSDH), com sede em Londres, afirmou que ao menos 10 pessoas morreram em combates ou bombardeios em vários locais da Síria, onde as forças governamentais continuam bombardeando intensamente a cidade rebelde de Homs, centro do país. "O bombardeio de Homs continua e foram ouvidas explosões em vários bairros", afirmou o OSDH. O Conselho Nacional Sírio (CNS), principal coalizão da oposição, afirmou que o governo conta ainda com 30 mil soldados e milicianos para sitiar Homs. Por sua vez, o jornal governista Al-Watan informou sobre a "morte de centenas de terroristas nas últimas três semanas" nos arredores de Damasco. "Seguem os combates entre o exército sírio e os terroristas que tentam entrar em Damasco", afirmou o Al-Watan. No sábado (16), a Missão de Supervisão das Nações Unidas para a Síria (UNSMIS) decidiu suspender suas atividades no país árabe. O chefe da operação, o general norueguês Robert Mood, justificou a retirada de observadores externos pela "intensificação da violência armada na Síria durante os últimos dez dias". "Esta escalada limita nossa capacidade de observar, verificar e informar, assim como de apoiar o diálogo local e os projetos de estabilidade. Basicamente impede nossa capacidade de realizar nosso mandato", assinalou a nota. O governo sírio respondeu que "compreende" a decisão da ONU de suspender as atividades da UNSMIS. "Os grupos terroristas aumentaram suas ações criminosas e dispararam suas ações contra os observadores de modo que ameaçam suas vidas desde a assinatura do acordo de Annan", informou a nota da Chancelaria síria. Hoje a alta comissária da ONU para os Direitos Humanos, Navi Pillay, pediu mais uma vez a Damasco que ponha fim aos ataques contra os civis na Síria, acusando novamente o governo de crimes contra a humanidade, além de solicitar à comunidade internacional que "supere suas divisões" sobre a Síria. "O governo da Síria deverá parar imediatamente de recorrer a armas pesadas e ao bombardeio de zonas habitadas, já que estas ações equivalem a crimes contra a humanidade e a crimes de guerra", declarou Pillay na abertura da 20ª região do Conselho de Direitos Humanos da ONU. A comissária afirmou que é preciso fazer "todos os esforços possíveis" para assegurar que não haja impunidade para quem cometeu esses crimes, "incluindo quem atacou os observadores das Nações Unidas na Síria". A instabilidade política se alastra por toda região. Hoje, um ataque aéreo israelense matou quatro palestinos na faixa de Gaza, incluindo dois militantes do grupo Jihad Islâmica em uma motocicleta, deixando estragos na região de Rafah (acima). Segundo Tel-Aviv, dois outros militantes foram mortos enquanto tentavam atirar um foguete. De acordo com o Exército israelense, a ação começou na travessia do deserto do Sinai por militantes palestinos que atiraram em israelenses que trabalhavam na construção de uma barreira. O ataque no Sinai, lançado logo após a Irmandade Muçulmana do Egito declarar vitória nas eleições presidenciais do país, aumentou as preocupações israelenses sobre a falta de controle na região desde a queda do ex-presidente egípcio Hosni Mubarak, em 2011. "Podemos ver uma deterioração preocupante no controle do Egito sobre a segurança do Sinai", disse o ministro da Defesa israelense, Ehud Barak, ao comentar sobre o ataque. "Estamos aguardando os resultados das eleições. Qualquer um que ganhar, esperamos que assuma a responsabilidade sobre todos os compromissos internacionais do Egito, incluindo o tratado de paz com Israel (1979) e medidas de segurança no Sinai, e que ponha fim a esses ataques rapidamente", afirmou a repórteres. Israel conquistou o Sinai, onde Moisés recebeu os Dez Mandamentos, após a Guerra dos Seis Dias, em 1967, mas teve que devolver ao Egito por causa dos acordos de paz. Segundo o jornal israelense “Haaretz”, o exército israelense enviou tropas com tanques hoje para a fronteira com o Egito, desrespeitando o acordo de Camp David. O documento obriga os dois países a manter suas fronteiras desmilitarizadas. Esse tratado tem se mostrado cada vez mais frágil desde a queda do ex-presidente egípcio Hosni Mubarak, em 2011.
Um porta-voz de Ahmed Shafiq, ex-primeiro-ministro do regime de Hosni Mubarak, assegurou hoje (18) que o candidato lidera a apuração das eleições egípcias, com 52% dos votos. Em declarações à agência EFE, o porta-voz Ahmad Sarhan rejeitou "categoricamente" a vitória de seu oponente, o islamita Mohammed Mursi, que também já se proclamou vencedor do pleito. Sarhan acrescentou que foram registradas "fortes irregularidades", sem especificar mais detalhes a esse respeito. Para a campanha de Shafiq, "é surpreendente o anúncio dos resultados por parte do outro candidato. É uma tentativa de tomar o posto de presidente do país sem o anúncio dos resultados oficiais, ou uma estratégia para alegar depois que houve uma fraude". No sábado (16), um dia antes do final da votação, a Junta Militar egípcia anunciou a dissolução formal do Parlamento desde sexta-feira, após a decisão do Tribunal Supremo Constitucional de anular as últimas eleições legislativas por irregularidades. As forças de segurança receberam a ordem de proibir a entrada de qualquer deputado ao Parlamento, salvo a do presidente do Legislativo, Saad El-Katatny, mas desde com autorização prévia. Na última quinta-feira (14), o Tribunal Constitucional determinou a dissolução do Parlamento por considerar inconstitucional a forma como se elegeu um terço dos deputados. Imediatamente, a Junta Militar assinalou que retomava o poder legislativo até que se constituísse um novo Parlamento. O órgão dissolvido foi constituído em janeiro passado e esteve controlado pelo PLJ (Partido Liberdade e Justiça), da Irmandade Muçulmana. O grupo islamita acatou a decisão, mas manifestou desconfianças sobre o momento em que ela foi tomada, dois dias antes do início das eleições presidenciais do Egito. "As ameaças constantes de dissolver o Parlamento eleito por 30 milhões de egípcios e egípcias confirma a vontade do Conselho Supremo das Forças Armadas de assumir todo o poder", enfatizou um comunicado do Partido da Liberdade e Justiça. Após a decisão, Esam el Erian, vice-presidente do Partido Liberdade e Justiça, braço político da Irmandade Muçulmana, afirmou que o Egito entra em um "túnel escuro" caso a decisão seja implementada. O presidente eleito não terá que respeitar um Parlamento nem uma Consituição", disse ele à Reuters. "Há um estado de confusão e muitas questões estão no ar". A Junta Militar afirmou, no entanto, que o presidente que for eleito terá todos os poderes para exercer o Executivo. Os Estados Unidos expressaram na quinta-feira sua esperança de que o Egito preserve um governo "democrático". A porta-voz do Departamento do Estado, Victoria Nuland, disse que os Estados Unidos ainda estudavam a decisão da alta corte egípcia, mas pediu ao povo desse país para "manter aquilo pelo que lutaram" na revolta que derrubou Hosni Mubarak em 2011. "Queremos que o povo egípcio mantenha aquilo pelo que lutou, que é um sistema de governo livre, justo, democrático e transparente, um governo que represente a vontade do povo, assim como um Parlamento e um presidente eleitos", disse Nuland à imprensa. Desde a intervenção no Poder Legislativo até as eleições, os manifestantes fizeram protestos em frente à suprema corte egípcia, que chegou a ser protegida por militares. Na semana passada, o chanceler do Egito, Mohamed Amr, anunciou que convocou o embaixador da Santa Sé no país para pedir esclarecimentos sobre as negociações entre Vaticano e Israel sobre o status econômico e fiscal dos bens da Igreja Católica, em particular em Jerusalém. Em conversa com jornalistas, o ministro egípcio das Relações Exteriores expressou o rechaço do Egito à conclusão de qualquer acordo que possa prejudicar os direitos dos palestinos. Amr ainda pediu ao Vaticano o respeito às Convenções de Genebra, relativas ao Direito Humanitário Internacional. Ele assegurou, porém, que já recebeu informações que o acordo com Tel Aviv ocorre há 30 anos e remetem a negociações sobre as questões financeiras e fiscais da Igreja que estão em negociação desde antes da Guerra dos Seis Dias, ocorrida em 1967. O chefe da diplomacia egípcia afirmou também que o embaixador da Santa Sé já afirmou que o Vaticano também mantém negociações com a autoridade palestina sobre o mesmo tema. Recentemente, a Liga Árabe manifestou sua contrariedade ao acordo, que teria avançado após um encontro da Comissão Bilateral Permanente, e que, segundo o órgão, reconheceria indiretamente a anexação israelense de Jerusalém Oriental, capital reivindicada pelos palestinos.
Os capitalistas Tico e Teco voltaram a conversar sobre o mundo contemporâneo, acompanhados pela diarista Aparecida e pela filha Bytes, no dia 18 de junho de 2012, Dia da Imigração Japonesa.
Tico: No dia de hoje foi proclamada a República no Egito pelo general Muhammad Naguib, após a renúncia do rei Faruk. Em 1954, um ano depois, Gamal Abdel Nasser — o verdadeiro arquiteto do movimento de 1952 — forçou Naguib a renunciar, colocando-o em prisão domiciliária. Nasser assumiu a presidência e declarou a total independência do Egito com relação ao Império Britânico. Ele pressionou até a saída das tropas britânicas e nacionalizou o canal de Suez. A proclamação da República no Egito ocorreu há 59 anos.
Teco: No dia de hoje começou a Batalha de Waterloo, combate decisivo das forças francesas contra as britânicas, e se deu nas proximidades da aldeia belga de Waterloo. Ocorreu durante o Governo dos Cem Dias de Napoleão, entre seu exército de 72 mil homens recrutados às pressas e o exército aliado de 68 mil homens comandados pelo britânico Arthur Wellesley, duque de Wellington, antes da chegada dos 45 mil homens do exército prussiano. Há 197 anos.
Aparecida: No dia de hoje nasceu o presidente Fernando Henrique Cardoso. Há 81 anos.
Bytes: No dia de hoje morreu o imperador japonês Chukyo. Há 778 anos.
Aparecida: Hoje é o Dia da Imigração Japonesa. O Kasato Maru, considerado pela historiografia oficial como o primeiro navio a aportar no Brasil com imigrantes japoneses, chegava ao porto de Santos no dia 18 de junho de 1908. Vieram 165 famílias que foram trabalhar nos cafezais do Oeste paulista. A revista carioca "O Malho" em sua edição de 5 de dezembro de 1908 publicou uma charge de imigrantes japoneses com a seguinte legenda: "O governo de São Paulo é teimoso. Após o insucesso da primeira imigração japonesa, contratou 3.000 amarelos. Teima pois em dotar o Brasil com uma raça diametralmente oposta à nossa".
Bytes: A imigração japonesa foi importante porque eles trouxeram mais tarde tecnologia para agricultura. Fizeram parte das “raízes do Brasil”, porque o país deixou de ter a participação em sua formação do branco europeu, do negro africano e dos índios nativos. Sobre a imigração japonesa tem um filme muito interessante: “Gaijin – Caminhos da liberdade”, de Tizuka Yamazaki.
Aparecida: Por falar em Japão, um terremoto de 6,4 na escala Richter foi registrado na costa leste da ilha de Honshu. Graças a Deus não houve notícia de vítimas ou de tsunami.
Bytes: Ontem foi lembrado o Dia Mundial do Combate à Seca è à Desertificação, instituído pelas Nações Unidas para sensibilizar a opinião pública sobre o problema do deserto. A angolana Leila Lopes, atual miss universo, participou de eventos da Rio+20 no Parque dos Atletas. Em março, ela foi nomeada embaixadora da ONU para as zonas áridas do planeta, cargo que deve no combate à desertificação, problema que afeta 1,5 bilhão de pessoas no mundo, segundo a própria ONU.
Aparecida: O Nordeste brasileiro já passou pela desertificação porque já foi verde. A Dilma defendeu o etanol de cana de açúcar. Aliás, pesquisadores conseguiram realizar modificações genéticas e experimentos de evolução garantiram um aumento de 11% no rendimento da fermentação de leveduras utilizadas no processo de fabricação de etanol de cana. Nada como o capitalismo e o mercado de consumo como forma de evolução.
Bytes: Por falar em verde, o deserto do Saara já abrigou florestas tropicais no passado. Uma mudança de poucos graus no eixo de rotação terrestre causou, há cerca de 10 mil anos, uma grande transformação climática gerando o Saara. Estudos recentes revelaram que o rio Nilo corria antigamente para o oceano Atlântico em vez de desaguar no mar Mediterrâneo. Segundo alguns cientistas, essa alteração obrigou a civilização egípcia a mudar as formas de vida sedentárias dentro da Teoria da Evolução Natural de Darwin em seu espaço-tempo.
Aparecida: Por falar em Darwin, o neandertal pode ter sido o primeiro artista rupestre. Segundo um estudo divulgado na quinta-feira, feito com base num novo método de análise de pinturas em 11 cavernas no Norte da Espanha (acima). De acordo com a revista científica “Science”, os desenhos teriam mais de 40 mil anos. Se confirmada a sua origem, seriam os mais antigos já realizados por uma espécie humana. Isso comprovaria que, além de enterrar os mortos e de dominar técnicas decorativas primitivas, o neandertal produzia também arte rupestre.
Bytes: Por falar em arte, a cidade do Rio está renovada. A obra da cenógrafa e artista plástica Bia Lessa no Forte de Copacabana está sendo um sucesso. A exposição vai ser prorrogada além da Rio+20. São como contêineres no mar. Os turistas amaram. Já em outra parte da praia de Copacabana um artista plástico montou um barraco de favela estilizado simulando um esgoto a céu aberto para chamar a atenção sobre a pobreza. Muitos lembraram das línguas negras. Vale um belo trabalho científico sobre “ótica” e “freqüência”, física, dentro da liberdade de expressão como ação humana.
Aparecida: Por falar em ação, o Morro da Esperança, localizado no Complexo do Alemão, receberá três iniciativas socioambientais, implantadas pelo Jardim Botânico de Brasília. O superintendente de conservação da instituição, João Amorim, explicou que a primeira vantagem que o consumidor vai sentir na intervenção será a economia. O aquecimento solar será de baixo custo. O local também passará a contar com tratamento ecológico de esgoto por meio da instalação de uma caixa impermeável que possui um sistema de filtros feito com restos de entulho e folhas de plantas. "Assim, evitamos as canaletas de esgoto no meio da comunidade, e os nutrientes dos sedimentos são usados para adubar plantas", explicou. Além disso, o Morro da Esperança vai experimentar a produção orgânica de alimentos por meio de sistema agroflorestal e policultura.
Tico: A Rio+20 será um sucesso?
Teco: Depende da ótica. Os socialistas, sejam eles de direita ou de esquerda, dirão que foi um fracasso porque travam a batalha em “nome do Estado”. Já para nós, capitalistas brasileiros e contemporâneos, a Rio+20 foi um sucesso porque tivemos acesso a projetos interessantes que estão sendo desenvolvidos no mundo. Estamos fazendo muito contato. Quanto ao lixo, ele faz parte da história, assim como fizeram parte os dinossauros. O Brasil está sendo construído pelos seus capitalistas.
Bytes: A gente estava comentando lá na facû: “Os socialistas de direita malharão porque a conferência não ocorreu em Chicago. Verão tudo negativo, inclusive nas negociações entre os Estados, o mamute contemporâneo. Como se os Estados Unidos não tivessem barrados uma evolução no passado após acordo com a China. Tudo que tem o nome Estado é leeeento porque há os interesses econômicos, assim como os investimentos vão para os interesses imediatos. Faz parte do show. Enquanto isso, os capitalistas produzem “capital”.
Aparecida: E como pensa o governo dos Estados Unidos?
Bytes: Deu no jornal “O Globo” de 15 de junho de 1962, cuja manchete foi “Descoberto novo complô da OES para matar De Gaulle”: “O Sr. Helio Gomide denunciou ontem na Associação Comercial a infiltração comunista que algumas editoras brasileiras estão tentando fazer junto aos escolares de 12 e 13 anos. Disse que o Ginásio Brasileiro de Almeida foi procurado por agentes d Editora Brasiliense, que ofereceu gratuitamente uma coleção inteira de livros à biblioteca daquele educandário. Lidos mais tarde por uma professôra, constatou-se todos êles pregavam a luta de classes, enaltecendo Cuba e preconizando reformas sociais”. E mais: “O Banco do Brasil liberou ontem a verba inicial de Cr$ 150 milhões destinados à Cofap, para a requisição do feijão nos estados de Paraná e de Santa Catarina. O recurso fôra estipulado na reunião de anteontem, no Ministério da Fazenda, presidida pelo primeiro-ministro Tancredo Neves. Em mensagem que enviou, ontem, ao presidente da República, o governador Carlos Lacerda, expôs a gravidade da situação em que se encontra o abastecimento de alguns gêneros de primeira necessidade na Guanabara. – Sem dúvida, há especulação e sonegação de gêneros e a nossa Polícia colabora com a Cofap, que na Guanabara acumula funções federais e estaduais, na devida repressão. Mas, cumpre advertir, essa não é a única nem mesmo a principal razão da atual escassez de feijão e arroz – disse o governador”. E mais: “Os dirigentes de cinco grandes organizações sindicais voltaram a reunir-se, ontem, na Guanabara, concluindo os preparativos para a greve geral que pretendem deflagrar em todo o país, numa manifestação ostensivamente política. A greve está sendo articulada para impedir que o nôvo gabinete venha a ser constituído de políticos que, na opinião dos dirigentes sindicais, não representem as verdadeiras aspirações do povo”.
Aparecida: Deu no jornal “O Globo” de 15 de junho de 2012, 50 anos depois: “Integrantes da CPI se reuniram em segredo com dono da Delta. Comissão barra convocação de Cavendish; Miro alerta para ação da ´Tropa do cheque”. E mais: “Bolsa família inibe emprego formal, conclui estudo oficial”. E mais: “Petrobrás vai investir mais e produzir menos”.
Bytes: A “Folha” publicou que a Petrobrás admitiu que houve corte de gastos em energia verde. Já a estatal divulgou que não investirá em energia limpa porque o setor de biocombustíveis da empresa não apresentou “bons projetos” como em 2010.
Aparecida: O seu Carlos, ao ver a foto no Globo, do petista Cândido Vacarezza protestando após Miro Teixeira dizer que existe uma “tropa do cheque”, disse exaltado: “O Vacarezza, que garantiu ao Cabral protegê-lo na CPI, quer impedir a investigação sobre o escândalo do encontro, em Paris, capital dos sonhos do governador, dos parlamentares corruptos com o Cavendish para não se chegar à Delta. Essa ´raça´, que dá corda a ´essa gente´ vai ter o que merece. Como disse o jargão militar: Vamos almoçá-los antes que eles nos jantem´. Agora será tolerância zero!”.
Bytes: O nosso conteúdo se fortalece porque explicamos como os “anciãos da hora” conseguirão impor a Terceira Guerra Mundial, a biológica, química e nuclear. O micro entregando para a ciência o macro. Mas o nosso conteúdo é desenvolvido nas redes sociais, pois a “imprensa velha” é base apenas para o entendimento do “Mundus Venectus”, que passará, pois tudo que envelhece, morre. A Carminha de “Avenida Brasil” será considerada personagem de desenho animado.
Aparecida: Por falar em desenho animado, achei muito parecida a foto de um macaco do zoológico da Califórnia em seu primeiro aniversário (acima) com os filmes de animação. Mas me lembrei da revelação de Nosso Senhor Jesus Cristo aos seus discípulos: “Os olhos são a candeia do corpo. Se os seus olhos forem bons, todo o seu corpo viverá em luz”.
Bytes: Em depoimento sobre o escândalo dos grampos em tabloides britânicos, o primeiro-ministro David Cameron negou acordos secretos com as empresas de Rupert Murdoch, mas afirmou que a relação entre mídia e políticos havia se transformado em algo “ruim” nos últimos 20 anos. O premier disse que os vínculos eram muito “próximos e não saudáveis” e, mais, haveria uma desconfiança generalizada de ambas partes.
Aparecida: Qual é a união entre Rommey e Obama?
Bytes: O amor pela série “Jornada nas Estrelas” e o ódio pelos jornalistas.
Aparecida: O que os separa?
Bytes: As agências reguladoras que foram criadas no governo democrata para fiscalizar o embate travado na economia.
Aparecida: O que você achou da morte de Rodney King, personagem que gerou protestos de vandalismo de negros e imigrantes nos Estados Unidos?
Bytes: Segundo a polícia, a namorada disse que ele se afogou após abuso de maconha e álcool.
Aparecida: Ah! Entendi! A polícia disse que um outro negro, aquele que foi morto recentemente por um agente comunitário branco na Flórida, também tinha rastro de maconha em seu sangue.
Os presidentes dos Estados Unidos, Barack Obama, e da Rússia, Vladimir Putin, pediram (acima) hoje (18) ao Irã que respeite "completamente" seus compromissos em matéria nuclear, num momento em que as conversas com Teerã em Moscou se complicam. "Estamos de acordo que o Irã deve empreender sérios esforços para recuperar a confiança internacional sobre a natureza exclusivamente pacífica de seu programa nuclear", afirmaram os dois líderes mundiais em um comunicado conjunto após se reunir no balneário mexicano de Los Cabos, antes da cúpula do G20. "Para isso, Teerã deve cumprir seus compromissos completamente (...) e cooperar com a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) para solucionar rapidamente todos os assuntos pendentes", acrescentaram. Esta declaração conjunta foi emitida apenas algumas horas depois do primeiro dia de reuniões em Moscou entre Irã e cinco potências mundiais para tentar encontrar uma saída diplomática para o estancamento atual em torno do programa nuclear iraniano. Nela foi feito um chamado para "minimizar o uso civil de urânio altamente enriquecido". O encontro entre os dois chefes de potências nucleares foi a primeira depois da eleição de Putin como presidente da Rússia. Na véspera, o Kremlin manifestou as "sérias divergências" existentes entre os dois países. Segundo Moscou, o encontro "buscará confirmar a continuidade do diálogo russo-estadunidense e o desenvolvimento da colaboração em espírito pragmático e construtivo". Yuri Ushakov, assessor do presidente da Rússia, disse que não há razões para esperar "decisões radicais" dessa reunião presidencial. "Cabe lembrar que os estadunidenses estão em campanha eleitoral. Nesses momentos, as decisões em princípio são difíceis", lembrou Ushakov. Segundo ele, mesmo assim, "a discussão em si, quando Putin exporá nossos enfoques diretamente a Obama, será útil". O principal problema bilateral para a Rússia é o propósito dos Estados Unidos de mobilizar na Europa elementos de seu escudo antimíssil, algo visto por Moscou como uma potencial ameaça para sua segurança, pois poderia limitar a capacidade de seus foguetes estratégicos. "A parte estadunidense não está disposta a oferecer garantias claras de que os elementos que serão mobilizados na Europa não apontarão contra a Rússia. As asseverações verbais são claramente insuficientes", disse Ushakov. A eleição estadunidense começa a pegar fogo diante do provável candidato republicano, o ex-governador Mitt Rommey. No sábado (16), ele afirmou que se o país mantiver as políticas do presidente Barack Obama acabará tendo os mesmos problemas financeiros enfrentados pela Europa. "Se continuarmos no caminho em que estamos, nos transformaremos na Europa, com um governo pedindo cada vez mais e mais, prometendo mais e mais, e estagnando-se cada vez mais", afirmou Romney ante 500 pessoas em uma siderúrgica em Weatherly (Pensilvânia). O candidato republicano assinalou que as políticas europeias levaram ao "desemprego crônico" na Espanha e ao lento afundamento do crescimento da Grécia". "Não creio que a Europa trabalhe para a Europa. Não quero isso aqui. O que eu quero é restaurar os princípios que nos fizeram grandes", proclamou Romney. Na semana passada, o departamento do Trabalho dos EUA divulgou que os novos pedidos de auxílio-desemprego registraram um aumento no início de junho: 386 mil pedidos contra 380 mil na semana anterior. No início de junho, o governo estadunidense informou que a taxa de desemprego subiu em maio pela primeira vez em um ano, situando-se em 8,2%, com o nível mais baixo de criação de empregos em doze meses. No mesmo dia, em campanha pela reeleição, presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, pediu ao eleitorado mais tempo para a recuperação econômica dos EUA, ao mesmo tempo em que argumentou que seu rival republicano Mitt Romney pode reavivar políticas que mergulharam o país na crise. "O (ex-)governador Romney e seus aliados no Congresso acreditam que se você simplesmente eliminar regulamentos e cortar trilhões de dólares em impostos o mercado irá resolver todos os nossos problemas por conta própria", disse Obama. Na véspera, Rommey disse que o discurso do democrata seria apenas “inflamado”, sem trazer nada de novo.
Tico: No dia de hoje o jornal “The Washington Post” publicava que a sede do Partido Democrata, no edifício Watergate, em Washington, foi invadida. Mais tarde os repórteres Bob Woodward e Carl Bernstein descobriram o envolvimento do presidente Richard Nixon, numa investigação que provocou a renúncia do republicano. A invasão foi colocar microfones para monitorar a campanha do candidato democrata, o senador George McGovern. Há 40 anos.
Teco: No dia de hoje iniciou a Guerra Anglo-Americana. Conhecida também como a Guerra de 1812, a luta foi travada entre os Estados Unidos da América e o Reino Unido da Grã-Bretanha e Irlanda e suas colônias, incluindo o Canadá Superior (Ontario), o Canadá Inferior (Quebec), Nova Escócia, Bermuda e a ilha da Terra Nova. A Revolução Francesa trouxe problemas para os Estados Unidos, devido às diferenças entre as facções federalistas (admiradores da Inglaterra) e os republicanos (admiradores da França revolucionária), e a acentuação da rivalidade da França com a Inglaterra, que não tolerava a independência da ex-colônia. Além disso, os britânicos ainda tinham ligações comerciais com os sulistas. Eles tentaram de todas as maneiras impedir os acordos entre franceses e nortistas, utilizando-se da força, como apresamento de navios da ex-colônia, desafiando a soberania nacional e prejudicando as indústrias locais. Há 200 anos.
Bytes: No dia nascia, há 130 anos, o líder comunista búlgaro Geórgi Dimitrov. Militante comunista desde a juventude, ele foi um dos líderes da insurreição revolucionária de 1923 na Bulgária. Com o fracasso da revolução, ele se exilou em vários países, sendo preso pela Alemanha nazista. Após a Segunda Guerra Mundial e a libertação da Bulgária pelo Exército Vermelho, em 1944, Dimitrov retornou ao seu país natal e foi eleito deputado pela Frente Democrática, que venceu as eleições por maioria absoluta. Num referendo em 1946, os búlgaros votaram pelo fim da monarquia de Simão II e instalaram uma república. No ano seguinte, o Partido Comunista Búlgaro chegou ao poder, nacionalizando a economia. Dimitrov foi então eleito secretário geral do Partido.
Aparecida: No dia de hoje morreu, há 2 anos, o escritor português José Saramago. Eu me lembrei do filme “Ensaio sobre a cegueira”, do Fernando Meirelles, baseado na obra literária de Saramago.
Bytes: Ontem eu fui assistir ao filme “Prometheus”, de Ridley Scott. O cineasta voltou às filmagens de ficção científica depois de clássicos como “Blade Runner - O Caçador de Andróides”. O mais recente é um filme de ação com reflexões existencialistas. O roteiro começa com um casal de arqueólogos que descobre inscrições numa caverna na Escócia. Elas indicam que os criadores da vida humana foram alienígenas. O resultado é uma viagem espacial da criatura para entrar em contato com o criador. A nave se chama “Prometheus” em homenagem ao mito grego do titã que resolveu desafiar Zeus ao roubar o seu fogo sagrado para dar aos mortais, a fim de que evoluíssem. Como punição, Zeus amarrou o titã a uma rocha, onde ficaria eternamente sendo torturado por uma águia, que retornaria todos os dias para comer seu fígado. O verbo mais utilizado na nave é “crer” porque as percepções de cada um sobre a matéria são completamente disparas, a começar pelo casal de arqueólogos: Ele, ateu; ela, cristã. O medo do desconhecido é um dos enfoques do filme. Em determinada cena, a protagonista cristã engravida na viagem e descobre que o feto não tem o mesmo tamanho do tempo de gestação terrena diante da concepção. Ela briga com o único andróide porque não descansa enquanto não abre a barriga e mata o feto que tem um aspecto físico horrendo. Antes, o andróide pergunta: “Onde está a sua fé?” Mas é a protagonista que mais demonstra fé. Ela é chamada de Dra.Jó. O andróide é o único que sabe o nome do seu criador: Os humanos. O filme também faz graça sobre o aparato tecnológico que a evolução humana conseguiu, mas que não substituiu a vontade de entender o sentido da vida e da criação. Para o investidor, o objetivo da expedição é a imortalidade, mas não é o mesmo da filha que espera a morte do pai para poder imprimir na empresa a sua visão sobre a história. Ou seja, os personagens perseguem o mesmo que os seus antepassados quando olhavam para o céu à espera do “paraíso” como esperança para enfrentar a dura realidade que encontram “aqui embaixo”. Como jovem capitalista, eu me lembrei de “Hamlet”: “Ser ou não ser, eis a questão”.
Aparecida: Pois eu me lembrei do livro “A água e a galinha, uma metáfora da condição humana”, do teólogo Leonardo Boff. No livro uma águia foi criada como galinha por um camponês. Até que aparece um naturalista para dizer que a águia pode voar como águia e não ciscar na terra como as galinhas. E pôs a rainha das aves para voar, mesmo sob a incredulidade do camponês, pois dizia o naturalista: “Ela tem coração de águia”. Nas duas primeiras tentativas, houve o fracasso: voou em direção às galinhas. Na terceira tentativa, o naturalista subiu no alto da montanha e ordenou: “Águia, já que você é uma águia, já que você pertence ao céu e não à terra, abra suas asas e voe!”. E a águia foi em direção ao seu destino, rompendo o espaço.
Bytes: Pois eu me lembrei agora do que li no Evangelho. Nosso Senhor Jesus Cristo elogiou e criticou Pedro: “Ao ouvir de Simão Pedro que Ele era o Filho de Deus Vivo, disse: “Bem-aventurado sois vos que não falou pela carne e pelo sangue, mas pelo meu Pai que está no céu”. Ao ouvir de Simão Pedro que os discípulos não permitiram a morte do Cristo, disse: “Vade retro Satanás que me serve de escândalo! Pois não sabe que o Filho do homem haveria de padecer nas mãos dos principais sacerdotes, dos escribas, dos fariseus e dos anciãos do povo para a Sua Glória?”. E finalizou: “Antes que o galo cante me negarás três vezes”.
Aparecida: Escreveu o apóstolo Pedro, crucificado em Roma, “a cabeça do mundo”, de cabeça para baixo: “Pedro, apóstolo de Jesus Cristo, aos estrangeiros dispersos no Ponto, Galácia, Capadócia, Ásia e Bitínia. Eleitos segundo a presciência de Deus Pai, na santificação do Espírito, para a obediência e aspersão do sangue de Jesus Cristo: Graça e paz vos sejam multiplicadas. Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, que, segundo a sua grande misericórdia, nos gerou para uma viva esperança, pela ressurreição de Jesus Cristo dentre os mortos, para uma herança incorruptível, incontaminável e imarcescível, reservada nos céus para vós, que mediante a fé estais guardados na virtude de Deus para a salvação, já prestes para se revelar no último tempo. Em que vós grandemente vos alegrais, ainda que agora importa, sendo necessário que estejais por um pouco tempo contristados com várias tentações. Para que a prova de vossa fé, muito mais preciosa do que o ouro que perece e é provado pelo fogo, se ache em louvor, e honra, e glória na revelação de Jesus Cristo”.
Tico: Qual é o melhor patamar para o dólar?
Teco: É aquele pelo qual a economia se realiza. Para os capitalistas, meia palavra.
Aparecida: O seu Carlos disse, exaltado: “O dólar disparará para aumentar a inflação, a fim de criar a carestia para varrer “essa raça” que ilude a população. As empresas não vão ter recursos para pagar as sua dívidas em divisa estrangeira, provocando o aumento do desemprego”.
Bytes: O meu colega gaiato lá da facû brincou: “A Dilma usou como mantra a oração contra a tsunami monetária. Deus ouviu o pedido da socialista”. Eu respondi: “Se dentro da dialética, a indústria está perdendo lugar para o setor de serviços, estamos diante de um novo patamar econômico que foge das mãos do Estado em nome da mão invisível de mercado”.
Aparecida: E como pensa o governo dos Estados Unidos?
Bytes: Deu no jornal “O Globo” de 16 de junho de 1962, cuja manchete foi “Renúncia do gabinete a 26, deixando Goulart livre para escolher o nôvo primeiro-ministro”: “Em reunião ontem à noite com líderes partidários o primeiro-ministro Tancredo Neves divulgou nota anunciando a renúncia coletiva do gabinete no dia 26 deste mês. Já hoje circulava a notícia de que o presidente João Goulart enviará ao Congresso, nos próximos dias, o nome do Sr. San Thiago Dantas para substituir o Sr. Tancredo Neves na chefia do govêrno. Em princípio, a indicação deverá dar entrada na Câmara, têrça-feira, podendo, no entanto, ser antecipada, na dependência dos acontecimentos que se desenrolam nos bastidores políticos.”. E mais: “Em solenidade no gabinete da Presidência, ontem à noite, o Sr. João Goulart sancionou a lei que eleva o território do Acre à categoria do estado”.
Aparecida: Deu no jornal “O Globo” de 16 de junho de 2012, 50 anos depois: “Dilma apela a líderes mundiais para superar impasse no Rio. Economia verde provoca o rompimento entre países ricos e pobres”. E mais: “Pacote de R$ 20 bi turbina os estados. Presidente ofereceu a governadores crédito de 20 anos no BNDES. PIB fica estagnado em abril”.
Bytes: O governo age dentro do espaço-tempo, mas o capitalismo só se dá com a formação de capital.
Aparecida: O PIB está estagnado?
Bytes: Como capitalistas, somos globalizados. Como globalizados, sabemos que o resultado é excelente para uma sociedade que será capitalista, não seguindo o caminho do nacional-socialismo europeu.
Aparecida: O seu Carlos está preocupado porque a Dilma vai massificar agora “Estado! Estado! Estado!”. Na sexta-feira, dia 8, eu fui com ele ao INSS porque ele queria mudar o banco que receberá a sua aposentadoria. Primeiro, ele ficou esperando durante 20 minutos aparecer uma funcionária que é responsável pela entrega de senhas. Eu disse: “Não fique nervoso, seu Carlos. Lembre do banco privado que o senhor foi há pouco e que não há funcionária para entregar uma senha, apenas uma máquina. E o banco não paga salário, nem 13º salário nem férias remuneradas”. Eu o acalmei por algum tempo. Depois, o funcionário disse que seria temerário mudar o banco de recebimento porque ele poderia não receber na data marcada. Ele respondeu: “Mas hoje é o dia 8 do mês e eu só recebo no primeiro dia útil do mês seguinte”. Eu achei razoável, pois na Era digital estamos em “tempo real”, mas vamos esperar os próximos capítulos. Eu achei que os funcionários estavam temerosos em tomar atitudes que poderiam trazer problemas com os superiores. Mas avisei a dona Irene: “Se não sair o vencimento, eu não vou aparecer durante 30 dias porque o seu Carlos vai ficar possesso”. Não duvido que ele conspire para matar a Dilma porque ela quer de volta um Estado forte, mas que é fraco institucionalmente.
Bytes: Um amigo que já morou em Cuba disse que a gente se livrou do comunismo. Ele contou que em Havana tudo é leeento e também os funcionários públicos temem tomar atitude com medo dos oligarcas. Um colega disse: “Se a Dilma tornar o País mais improdutivo do que já é vai haver pancadaria com a esquerda radical”.
Aparecida: Por falar em improdutivo, o meu vizinho disse que num futuro muito breve o mundo vai querer exterminar os velhos e os pobres. Eu respondi: “Será um mundo nazista”.
Bytes: Reportagem publicada esta semana pela revista britânica “The Economist” criticou os altos salários pagos a boa parte do funcionalismo público no Brasil e diz que isso é um roubo ao contribuinte. A revista citou como exemplo de abuso o fato de mais de 350 funcionários da prefeitura de São Paulo ganharem mais que o presidente da Câmara, cujo salário líquido é de R$ 7.223. A publicação comparou o salário de uma enfermeira-chefe da prefeitura do município, de R$ 18.300, com a média salarial da iniciativa privada, e concluiu que o salário da servidora é 12 vezes mais alto que o pago pelo mercado. A reportagem lembrou que, por lei, nenhum funcionário público pode ganhar mais que R$ 26.700 - a remuneração dos juízes de instâncias federais superiores. Porém, um terço dos ministros e mais de 4 mil servidores federais teriam rendimentos superiores a esse teto. Incluindo o presidente do Senado, José Sarney, cujo salário chegaria a R$ 62 mil, devido a um acúmulo de pensões.
Aparecida: E como pensa o governo dos Estados Unidos?
Bytes: Deu no jornal “O Globo” de 18 de junho de 1962 há exatamente “meio século”: A Frente da Juventude Democrática demonstrou, em manifesto, que a greve estudantil comandada pela UNE é orientada, conduzida e financiada pelo Partido Comunista. Diz o documento que agitadores, com a verba de Cr$ 364 milhões do Ministério da Educação, estão viajando por todo o país, fim de desmoralizar as autoridades, confundir os estudantes e provocar a insurreição”. E mais: “A organização do Exército Secreto ordenou, ontem, a seus comandados a cessação do terrorismo e da destruição, e prometeu cooperar para a construção de uma nova Argélia. Num dramático epílogo a mais de um ano de sangue e de violência em oposição à independência da Argélia, o Exército Secreto pediu a reconciliação de todos com honra e dignidade”. E mais: “É bastante grave e inspira cuidados especiais o estado de saúde do embaixador Assis Chateaubriand, diretor dos Diários e Emissôras Associados que foi acometido, madrugada de sábado, de forte crise, cuja origem os médicos que o assistem não revelaram”.
Aparecida: Deu no jornal “O Globo” de 18 de junho de 2012, 50 anos depois: “Vitória de conservadores na Grécia dá nova chance ao euro. Resultado da eleição alivia tensa, mas partido terá de negociar coalizão”. E mais: Egito: militares impõem nova Constituição”. E mais: “Dilma sobre tortura: Marca está em mim´. Em depoimento dado em 2001, Dilma revelou que levou socos ao ser torturada na década de 1970. ´O dente se deslocou e apodreceu”, contou, dizendo-se marcada ´pelo resto da vida”.
Bytes: Muitos judeus reivindicam um minuto de silêncio em memória dos israelenses mortos durante o atentado terrorista nas Olimpíadas de Munique, na Alemanha. No dia 5 de setembro completam quatro décadas do ocorrido quando militantes palestinos mataram atletas israelenses para chamar a atenção da comunidade internacional sobre a ocupação da Cisjordânia. O COI está contra a reivindicação.
Aparecida: Israel nomeou uma comissão para chegar a uma conclusão sobre os assentamentos judaicos nos territórios ocupados. Agora vai?
Bytes: O que podemos afirmar é que o navio fragata brasileiro "União F-45" descansa por dois dias nas Ilhas Canárias antes de seguir sua viagem de volta ao Rio de Janeiro, após participar durante sete meses em uma missão de paz no Líbano. O comandante, Ricardo Gomes, explicou em entrevista coletiva em Las Palmas de Gran Canaria, onde o navio está atracado, a fragata contribuiu em duas tarefas: evitar a entrada de armamento ilegal no Líbano e ajudar a formação do pessoal da Marinha libanesa. Não tocou nos boatos sobre vídeos que a Marinha brasileira teriam produzidos em que mostrariam a invasão do espaço aéreo do Líbano por aviões israelenses.
Aparecida: E como pensa o governo dos Estados Unidos?
Bytes: Deu no jornal “O Globo” de 14 de junho de 1962, cuja manchete foi “Crise no abastecimento”: “O governador Carlos Lacerda afirmou, ontem, que o estado não poderá garantir a ordem pública se a crise de abastecimento durar mais uma semana. No momento, estão praticamente esgotados os estoques de arroz e feijão da Guanabara. Na Associação Comercial, perante representantes de órgãos federais, estaduais e líderes de vários setores de comércio, o Sr. Carlos Lacerda disse que o govêrno da Guanabara não possui autoridade legal para solucionar a crise de abastecimento, pois a responsabilidade é, de fato, da Cofap. Frisou, mais, que a crise atual não deve ser misturada com a solução a longo prazo, porque é de extrema gravidade e exige medidas ultra-rápidas: - A crise não é apenas de abastecimento, é social, é de autoridade. A crise de arroz é menos de arroz do que de autoridade; a de feijão é menos de feijão do que de autoridade”.
Aparecida: Deu no jornal “O Globo” de 14 de junho de 2012, 50 anos depois: “Conferência tem mais de 20 grandes temas sem acordo. Clima, energia e pobreza dividem diplomatas de países ricos e emergentes”.
Bytes: Por falar em diplomatas, servidores do Ministério das Relações Exteriores decidiram entrar em greve hoje, para pressionar o governo a atender reivindicações da categoria. O movimento, segundo o Sinditamaraty (Sindicato Nacional dos Servidores do Ministério das Relações Exteriores) inclui diplomatas, oficiais de chancelaria e assistentes de chancelaria.
Aparecida: E como pensa o chanceler Antonio Patriota?
Bytes: O que sabemos é que ele foi cercado pelos índios na Rio+20 que protestaram. Deu no vídeo do “Globo Online”.
Aparecida: Qual é o futuro do Egito?
Bytes: O destino dos revolucionários egípcios está cada vez mais parecido com o dos revolucionários franceses. Para os capitalistas, meia palavra basta.
Aparecida: Ontem completaram 221 anos da proclamação oficial da Assembléia Constituinte após a Revolução Francesa em meio a motins e greves.
Bytes: Ontem, fãs da história, vestidos de soldados, recriaram a batalha de Waterloo, de 1815, em que Napoleão Bonaparte foi derrotado (acima).
Aparecida: O Velho Continente poderá falar a mesma “língua?”
Bytes: A língua parece não ser a alemã de Merkel.
Aparecida: Escreveu o apóstolo Paulo aos gregos: “Ainda que eu falasse as línguas dos homens e dos anjos, e não tivesse amor, seria como o metal que soa ou como o sino que retine. E ainda que tivesse o dom de profecia, e conhecesse todos os mistérios e toda a ciência, e ainda que tivesse toda a fé, de maneira tal que transportasse os montes, e não tivesse amor, nada seria. E ainda que desse toda a fortuna para os pobres, e ainda que entregasse o meu corpo para ser queimado, e não tivesse amor, nada disso me aproveitaria. O amor é sofredor, é benigno; o amor não é invejoso; o amor não trata com leviandade, não se ensoberbece. Não se porta com indecência, não busca os seus interesses, não se irrita, não suspeita mal; Não sofre com a injustiça, mas sofre com a verdade; Tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta. O amor nunca falha; mas havendo profecias, serão aniquiladas; havendo línguas, cessarão; havendo ciência, desaparecerá; Porque, em parte, conhecemos, e em parte profetizamos; Mas, quando vier o que é perfeito, então o que o é em parte será aniquilado. Quando eu era menino, falava como menino, sentia como menino, discorria como menino, mas, logo que cheguei a ser homem, acabei com as coisas de menino”.
Rio de Janeiro, 18 de junho de 2012
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