
Quilombos da Pedra do Sal), Santo Cristo e Praça Onze. Esses locais eram habitados por ex-escravos e diversos grupos excluídos da sociedade carioca (judeus, imigrantes italianos e portugueses entre outros) num período que varia de 1850 até 1920.
A consolidação desse espaço se dá após o processo de abolição da escravatura, quando ocorre uma intensa migração intraprovincial da Bahia para o Rio de Janeiro capital do Brasil. Portanto, essa região vai se destacar também por ser a região mais cosmopolita da cidade, abrangendo imigrantes italianos e judeus nesse refúgio das classes rejeitadas. É neste reduto dos negros que estavam concentradas as tias baianas (Tereza, Gracinha, Bibiana e o ícone de todas as tias: Ciata). As Tias-negras abriam suas casas para receberem a cultura popular - tornando-se o refúgio dos denominados vadios (aqueles participantes deserenatas e boêmios).
Nessa região denominada pequena África destaca-se o processo cultural-urbano do bairro da Praça Onze, por ser o local onde se situava a casa da Tia Ciata, considerada como o berço de muitos dos bambas cariocas como Sinhô, Donga, Pixinguinha entre outros e palco de grandes composições, dentre elas o primeiro samba gravado com grande repercussão, intitulado “Pelo telefone”. Composta em 1916 no quintal da casa de tia Ciata, ele se tornaria uma inesgotável fonte de lendas e controvérsias. O tema, originalmente intitulado como “roceiro”, era considerado de criação coletiva, e tinha a participação de todos os bambas que batiam ponto no berço do samba da antiga Rua Visconde de Itaúna - Praça Onze.Além do samba, a religiosidade popular tinha como referência aquele ambiente da Praça Onze. Este local apresentava um grande contingente de negros, com um forte referencial religioso pautado nas religiões afro, um ambiente fértil para o processo de elaboração de uma cultura do samba que posteriormente iria se
consolidar como identidade nacional.
convivência com a diversidade, tendo como denominador comum o fato de serem marginalizados pelo estado, caindo sobre eles toda herança do período escravocrata, acredito que isso fez do samba um gênero musical representativo, com a verdadeira cara do Brasil.
Este espaço de convivência marcará a construção do gênero samba que cada vez mais irá se afastar do formato amaxixado, essa característica será o divisor de águas da geração dos sambistas da Praça Onzepara os sambistas do Estácio de Sá e mangueira, estes farão parte da segunda geração de sambistas, que se tornaram referência para o samba que ganhará maior projeção durante o Estado Novo no governo de Vargas, através do subsídio financeiro e da propaganda pelos meios de comunicação, em especial o rádio, que
será um grande catalisador para expansão do samba pra fora das favelas, Como exemplo o bairro de Vila Isabel, onde um estudante de medicina começa a compor samba e se consolida como o poeta da vila, nesse contexto, quem diria que Noel Rosa se tornaria um sambista, considerado um poeta, ainda mais, da tão charmosa Vila.
Andrez Machado
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