A derrocada de Zé Serra e a sua irremediável jornada rumo ao esquecimento já se constituiu num divisor na história da jovem democracia brasileira. A começar pela prova cabal do amadurecimento político do povo brasileiro, que descobriu no voto a arma ideal para derrotar as forças representativas de um passado sombrio e ameaçador, enterrando de vez a máxima pelesista de que “brasileiro não sabe votar”. Esta consciência foi suscitada pela experiência pela qual passamos nos últimos oito anos, onde aprendemos que o voto certo nas pessoas certas pode mudar, sim, as nossas vidas de forma efetiva, e que esta mudança é decorrente de ações abrangentes, que nos atingem coletivamente e em efeito cascata. Aprendemos que, se milhões ascenderem socialmente, isto é bom para todos, em todos os níveis. Aprendemos que é muito melhor votar em luz para todos do que em luz para mim, em casa para todos do que em casa para mim. O voto em Dilma está apoiado neste pilar. É por isso que ela vencerá as eleições com larga vantagem em todas as classes sociais e em todas as regiões do país como indicam as pesquisas eleitorais. Além desta questão, outras se inserem com igual importância neste divisor, como a democratização da informação através da internet e o conseqüente definhamento dos grandes e tradicionais veículos. Definhamento este provocado, em primeiro lugar, pelo sentimento de bem estar do brasileiro que rejeita imediatamente qualquer tentativa de mudança (para pior), e, em segundo lugar, pela ação rápida e pulverizada dos meios alternativos e populares de informação, obrigam os velhos paquidermes a uma corrida para a qual não têm preparo físico. Os veículos democráticos obrigam a velha imprensa a rebolar enquanto tira a roupa, numa superexposição tão grotesca quanto a candidatura que defendem.
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