É difícil de acreditar que numa cidade, principalmente pequena, existam tantas pessoas “em cima do muro”, depois de seis meses de campanha, com direito a tudo, entre verdades, meias e mentiras, além de todo mundo se conhecer desde “criancinha”.
Um dos motivos que poderia ter levado o eleitor brasileiro “pra cima do muro” e aí é bom deixar claro que se trata daquele que não é um torcedor, já que esse, se for preciso, coloca a própria cabeça na guilhotina no lugar do ídolo, é a própria falta de compromisso da maioria dos eleitos com as promessas de campanha. É o pós.
Outro motivo é o medo de ser perseguido, não necessariamente por parte do eleito, mas, principalmente, em virtude da pressão que os puxa-sacos exercem sobre ele nesse sentido. De fora da política, ou mesmo de cima do muro, passei a vida ouvindo e vendo coisas inesquecíveis nessa relação entre o puxa-saco e o político, como se o dinheiro público fosse impresso com nomes e endereços.
O puxa-saco chega para o ídolo, também com medo de perder o peito e diz: - Aquele bicho ali foi contra nós e ta querendo isso e aquilo. Aquilo pode ser a ambulância – onde ainda não chegou o SAMU - para levar o filho que está enfermo ao hospital de outra cidade que, algumas vezes, acaba morrendo em conseqüência desse tipo de crime.
Mas, talvez o principal motivo em relação à preferência pelo muro seja a esperteza, que na verdade não é pecado, já que Deus não deu inteligência para a pessoa não fazer uso dela. Então, muita gente fica de olho nas pesquisas lá do seu “observatório”, até o barco pender para um dos lados e descer do muro, mesmo votando naquele que já tinha decidido desde “criancinha” e esse é o motivo pelo qual os institutos de pesquisa erram no tamanho da diferença, porque o sabido diz à pesquisa e ao provável vencedor que ta com ele, porém vota no adversário.
E tem também aquele que não desce de lá nem a pau, que é justamente o indignado teleguiado pela TV, que de tanto atacar os políticos adversários, acaba contaminando seus preferidos, já que impossível é imaginar um lado bom e outro ruim na política do País, quando os mesmos políticos passam a vida pulando por cima do muro de um lado para o outro, com direito a “paradinha” no topo na maioria das vezes.
Impressionante como a realidade acaba comandando as coisas nesse mundo onde a política faz parte dele. Não poderia ser diferente nesse cenário de total promiscuidade ideológica, onde a maioria pisa no pescoço da própria mãe, se for preciso, para conseguir seus objetivos, o eleitor independente optar pelo muro como forma de se defender de tudo isso que foi dito aí acima.
Se o TSE tiver dúvidas a respeito disso, é só colocar o “muro” encabeçando as opções de escolha nas eleições majoritárias, sem precisar gastar um centavo a mais.
Enfim, de uma coisa ninguém poderá duvidar: “De cima do muro se enxerga melhor” e os “inteligentes” perceberam isso faz tempo.
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