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O GATO HERCULINO

O Herculino é um gato! Não é um gato assim no sentido figurado da palavra, não. É um gato mesmo, um felino enorme, da raça angorá. Ele é meio alaranjado, assim como o Garfield, de pelos longos e brilhantes. Robusto, bem alimentado e bem cuidado pela sua dona, a Leidiane. Como gosta de animais a Leidiane! Na casa dela, além do Herculino, vivem ainda, às suas expensas, dois outros gatos, um cão dalmata, um cão salsicha, um papagaio, um casal de gansos e um marido folgadão. O marido até que ajuda com os bichinhos. Ele não trabalha mesmo, não custa cuidar dos petes. Quem trabalha e provê tudo é a Leidiane. É empresária de gêneros alimentícios. O marido é folgado, mas não é mal sujeito! E tem uma qualidade que demonstra bom gosto: torce para o Fluminense!

Não gosto de falar mal de gatos, mas, cá pra nós, o Herculino é muito convencido. Ele se julga o gostosão da cocada preta e vive dando em cima das gatinhas alheias. Vez ou outra, apesar do tamanho, costuma se dar mal e sair arranhado e com os pelos eriçados. Como é de notório saber, as gatas, mesmo no cio, não vão dando assim de mão beijada não! Elas regateiam, negaceiam e fazem aquele fricote. Melhor dizendo: fazem anus edulcorado! Aprontam uma barulheira danada e é nessa hora que os outros machões aparecem. Aí ó! Se juntam e botam o Herculino para correr. Mas na maioria das vezes ele leva a melhor e aprecia o pitéu!

Herculino, durante o dia, fica quietão em casa, refestelado, recebendo cafunés da Leidiane, coçadinhas na barriga e comendo. Como come!... À noite, ele se transforma num tremendo notívago. Não há muro nem telhado que o segure. Sempre atrás das promíscuas gatinhas. Minha visinha, tem uma gatinha siamesa lindona. É o que se pode chamar de “tremenda gata”. A bichinha deve estar no cio, pois anda faceira e dengosa que nem ela só. Aí, já viu né? Lá veio o Herculino.

Essa noite, após ajudar meu neto vestibulando com algumas questões de matemática, fui deitar-me com bastante sono. Mas quem disse que dormi? O fedamãe do Herculino descobriu a tal gatinha e com ronronos e miados começou a paquerá-la. Estavam hora no meu telhado, hora sobre o muro, hora dentro do forro. O safadão miava loooongo, como se dissesse: me dáaaaaa. E ela esganiçava e arranhava e respondia: num dôoooo!. E assim ficaram a noite inteira. Pela primeira vez na vida, eu quis cantar aquela canção popular que diz: Aquele gato, não me deixava dormir!

Aquele gato,ora me faz sorrir.

Aquele gato não é mais gato...

Virou pastel e tamborim.

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