Nos vídeos abaixo, Richard Heinberg apresenta as ideias centrais do seu livro, lançado em julho, sobre o fim do crescimento econômico. Heinberg faz uma análise da crise econômica atual, de baixo para cima, antes de abordar a quebra financeira, aponta para os problemas da base material da economia. Na interpretação que faz da atividade produtiva dos homens, ele mostra a economia como subconjunto da natureza, do meio ambiente, ao contrário das visões ortodoxas da economia, que desprezam ou subordinam a natureza e a questão ambiental, como apêndice das ações produtivas.
Na sua concepção, a Era Industrial se ergueu e se sustenta, no uso intensivo de energias obtidas, principalmente, a partir de materiais combustíveis fósseis. Foram essas matérias primas, de fácil acesso, abundantes e baratas, que proporcionaram a imensa riqueza da sociedade industrial, elas permitiram a substitução da energia muscular de homens e animais e, desta forma, aumentaram a capacidade produtiva de bens e serviços. Heinberg descreve como vem ocorrendo o esgotamento geral de matérias primas, com destaque para os combustíveis fósseis, e fala de pico produtivo para todas as coisas. Na medida em que se torna difícil o acesso aos combustíveis fósseis, em que se deteriora a qualidade das matérias combustíveis e as grandes jazidas se apresentam em estágio, de esgotamento ou empobrecimento dos seus teores e qualidades, o mundo atingirá um limite de produção energética e, com isto, conhecerá um limite de produção. O declínio energético implicará em decadência da capacidade produtiva, dará um novo sentido para definir a sociedade pós-industrial. Não se trata mais das economias centrais, cujas transferências de parques industriais para a periferia produziram desindustrialização localizada, mas do refluxo global da sociedade industrial.
Ao abordar a questão financeira, Heinberg vê esta em disjunção crescente com a economia material, enxerga uma hipertrofia financeira jamais experimentada no mundo. Ele vê o mito do crescimento como inerente à relação do capital. A expansão das atividades produtivas é um mecanismo necessário para a acumulação, sem crescimento produtivo é impossível remunerar dívidas financeiras. A consequência da expansão material é o extremo impacto na natureza, com destruição de biomas, consumo predatório de solos, contaminação de águas, enfim, destruição progressiva de ambientes e recursos para a vida. Escassez de matérias primas, destruição da natureza e desordem financeira; a conjunção desses três fatores impõem barreiras intransponíveis, que acarretarão no fim do crescimento econômico.
O catastrofismo não está em Heinberg, a verdadeira catástrofe é o modelo econômico que nos trouxe ao impase atual; com sua irracionalidade e alienação destrutiva, do meio que fornece vida ao homem. Foi o próprio modelo que desenvolveu um sistema financeiro para além da realidade econômica, que promove a destruição sistemática dos grandes biomas, a poluição das águas e da atmosfera, que dilapida os recursos minerais - principalmente os energéticos, que não são recicláveis - e deixa um legado terrível para as gerações futuras.
Heinberg não está a falar do fim do mundo, mas do fim mundo econômico como conhecemos, da impossibilidade de prosseguir aumentando nossa capacidade produtiva, para satisfazer as metas de acumulação de riquezas, nas mãos de poucos. É o fim do crescimento econômico sobre a Terra finita, o começo de uma era de mudanças obrigatórias de paradigmas, pois determinadas por leis da natureza. Insistir no contrário é o caminho mais curto para o desastre.
Excertos, em Inglês, da introdução e dos capítulos estão aqui.
A introdução resumida em espanhol está aqui.
Leia também Entrevista especial com Andrei Cechin
Aqui Heinberg numa palestra:
Aqui uma entrevista:
Uma apresentação mais curta:

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