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O Brasil avançou em muitas áreas. Isso é fato comprovado. Mas há ainda muito que melhorar se quiser se mostrar para o mundo como um país diferente. Reduziu a miséria. Elevou milhões às classes C e D. Ressuscitou a indústria naval. Deixou de ser refém do FMI, pasto para onde correm os países europeus, cuja economia aos fragalhos, é sinal de que os conselhos do FMI não merecem tanto crédito. Hoje, com os olhos fixos para onde quer chegar, o Brasil caminha a passos largos. Consolida-se como a oitava potência econômica mundial. É admirado pelos que achavam que sabiam de política econômica. Tem vez e voz nas reuniões onde se encontram os grandes. No entanto, há ainda o Brasil do atraso. O Brasil que envergonha. O Brasil dos trabalhadores escravos do Pará. O Estado que foi o último a reconhecer a independência do País e, pelo que se percebe, será o último a reconhecer a abolição da escravatura. É do Pará, meu estado, que vêm notícias sobre escravidão de trabalhadores. É como se o Pará ainda estivesse vivendo o período legal da escravidão. O Estado que possui a maior reserva de ferro do mundo. É também o maior devastador das florestas. É o Estado marcado pelo massacre de Eldorado dos Carajás. Do Pará saem as noticias sobre escravidão, como a publicada no site Repórter Brasil, no dia 19 de novembro. É vergonhoso, lamentável e revoltante saber que em plena era da modernidade tecnológica, ainda há pessoas vivendo como no tempo dos calabouços da inquisição. Pessoas dormindo ao relento, debaixo de mangueiras. Pessoas pagando para trabalhar. Jovens que deveriam estar na escola estão sendo escravizados. Estão vendendo a sua força e a sua juventude. E o governo paraense parece fechar os olhos para isso. O Brasil do estado do Pará parece ser um país que não observa os direitos humanos. Ignora a leis. Esconde-se atrás do poder. É esse o Brasil que se pode perceber nas grandes fazendas do Pará. A estrela solitária na Bandeira do Brasil parece fazer juz ao que ela representa. Há um estado que se omite diante dos desmandos dos senhores das fazendas. Dos senhores das grandes áreas devastadas para pastos e plantação de soja. A estrela solitária que se destaca em nossa bandeira parece estar isolada do Brasil que busca a igualdade social. O documento que aboliu a escravidão no Brasil parece não ter validade no Pará. Há, ainda, o prazer pelo trabalho escravo. Há o sentimento de orgulho por saber que se escraviza. Há o sentimento de satisfação dos senhores da casa grande por obterem o lucro à custa do trabalho de homens e mulheres indefesos, que vêem seus direitos cerceados. O Brasil do Pará é o Brasil de 1888. É o Brasil que ignora a bandeira da Democracia e da igualdade. O Pará ainda vive como se vivia em 1888. Para muitos, os que estão sendo escravizados em fazendas e carvoarias, a liberdade fechou as asas e parece ter voado para bem longe.

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