A mineira Glaucia Nasser vem construindo uma carreira coerente. Nascida em Patos de Minas, com uma formação profissional que inclui aulas de canto popular e erudito e participações em bandas de baile e festivais, ela chega ao quarto disco, Vambora, apresentando evolução. Glaucia começou apenas como intérprete em 2002, com um CD produzido por Renato Motha, especialista em enriquecer e emoldurar músicas de festivais. Uma das faixas acabou como trilha do filme The visitor, de Tom McCarthey, e participou de uma das disputadas coletâneas do selo Putumayo. O segundo disco, Bem demais (2006), trazia inéditas de nomes como Ivan Lins, Paulinho da Viola e Carlinhos Vergueiro, mas ficou conhecido por uma versão de Balanço zona Sul, de Tito Madi.
A boa receptividade do disco deu corda para que a cantora começasse a compor com uma técnica inspirada no scat singing das cantoras de jazz que ouvia na adolescência, entre discos de Elis, Gal e Bethânia. O resultado foi apresentado em 2008, no álbum A vida num segundo, e continua neste Vambora, com direção musical de André Abujamra e produção de Márcio Nigro. Das 12 faixas, 10 são inéditas, com músicas dela e Tiago Vianna e letras de um time eclético, que inclui Chico César, Carlos Rennó, Edu Krieger, Carlos Careqa e Magno Mello. Completam o repertório versões de Mais uma vez (Flávio Venturini/ Renato Russo), numa levada meio cigana, longe do
tom marcial ditado por Renato Russo, e de Pensando em você (Moska), que recebe tratamento de música lenta de baile. O trabalho autoral de Gláucia remete ao de Vanessa da Mata.
Principalmente em Quebradeira (“cansei de ser porta-bandeira/ agora eu quero desfilar”), em que Carlos Careqa capta sua persona feminina com felicidade. E em Olhar de prata (Líbano), com Chico Amaral falando de rotas e procuras (“quanto tempo vai levar/ não há tempo pra dizer”). Como Vanessa, Gláucia poderia adotar um canto mais suave. Às vezes, sua voz soa alguns pontos acima do necessário. Aí, a questão é de tempo. E de uma busca pelo conforto que nem toda cantora atinge. Mas que ela está em trilha ascendente, não resta dúvida.
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