Falar em liberação da comercialização de drogas é um assunto simplesmente proibido em todos os meios, como é o aborto entre os religiosos, de modo que nem discutido pode ser, já que quem se apresenta para fazer uma defesa nesse sentido, de cara passa a condenado, mesmo sem julgamento, num País em que alguns dormem enquanto outros argumentam.
Na verdade, propor a liberação da comercialização da maconha é um tabu tão poderoso que nenhum grupo político chegou a se aventurar nessa questão e é provável que não haja uma unanimidade a respeito disso entre eles, o que em outras circunstâncias deveria se constituir em motivo para uma polêmica sem precedentes em nossa história.
O tabagismo é liberado e mesmo assim houve uma drástica redução entre o número de fumantes, em virtude da ênfase que se deu ao seu combate através de todos os meios disponíveis. A princípio o mesmo empenho não deveria existir em relação ao uso do álcool, que é muito mais maléfico em todos os sentidos?
Essa diferença de comportamento das pessoas entre um vício e outro é facilmente explicável. Ninguém faz uma festa em que não seja servida uma bebida alcoólica, enquanto que um fumante no meio da galera que não fuma, é um corpo estranho que incomoda muito e poucos se aventuram acender um cigarro, mesmo não sendo proibido.
E no caso da maconha liberada? Dá para imaginar naquela festinha de aniversário alguém puxando um baseado? Certamente o uso da maconha, uma vez liberado, seria muito mais combatido que o tabagismo, só que a sociedade teria a vantagem de saber quem são os consumidores e não passar a descobri-los na hora que recebe a ameaça do traficante em relação a dívida do filho.
Antes de se posicionar a respeito, procurem responder as seguintes perguntas, despidos de qualquer paixão ou preconceito, num cenário de maconha liberada para quem desejar comprar legalmente:
- Quem incentivaria o seu consumo se o próprio cigarro vem sendo exaustivamente combatido?
- Haveria necessidade de o viciado se tornar bandido, como única forma de manter o vício e mesmo assim acabar pagando os débitos decorrentes com a própria vida?
- A quem serve a restrição ao comércio da maconha, do ponto de vista econômico e financeiro? Se o dono da farmácia ou do supermercado vendesse maconha, teria o mesmo interesse no produto como o traficante? Colocaria um representante comercial na porta de uma escola oferecendo drogas?
- Será que a quantidade de jovens que não se viciaram por conta da proibição é maior que a dos que entraram no vício movidos pela curiosidade e o assédio do traficante?
Droga é o tráfico. Pensem nisso
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