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Geralmente as pessoas pensam em mudar o mundo, o país, ou mesmo a comunidade em que vivem, através da transformação daqueles a quem atribuem às falhas e imperfeições, pelo fato de estarem no comando de qualquer coisa, desde o presidente da república, nomeado através das urnas, ao líder da “invasão”, que conquistou o poder na marra, com dez por cento de cabeça e noventa de braço.

Acontece que o mundo somos nós e somente nós poderemos mudá-lo, a partir de ações que não dependam da vontade dos outros e sim daquilo que está ao nosso alcance, a começar por amar ao próximo como a nós mesmos, procurando ajudar as pessoas serem um pouco mais felizes, pois, a partir daí, mudarão elas e com elas o mundo.

Nesse exato momento olhe ao seu redor e tente identificar qualquer coisa que esteja sobrando para você e, consequentemente, fazendo falta para alguém. Pode ser aquela camisa que não usa mais, ou mesmo nem chegou a usar. Provavelmente estará limpa, ninguém aposenta roupa suja e normalmente não a deposita no lixo. Coloque-a dobrada como está em sua calçada, num lugar em que um vira-latas não “levante a perna” e constatará em pouco tempo que ganhou um novo dono.

Aí você poderá dizer que quem a pegou não merecia, era um vagabundo, como aqueles que recebem ajuda do governo para sustentar a casa, cheia de brasileirinhos que simplesmente passavam fome, sem ter culpa de nada. Pode até ser verdade, mas para essa pessoa, aquela camisa tinha um valor, nem que fosse para tentar vendê-la mais adiante. Inútil mesmo ela era na sua casa, além de tranqueira.

Por outro lado, dentre todos que passam pela sua rua, somente quem deseja aquela camisa e lhe atribui valor, se interessa por ela. A pessoa passa, examina a peça, olha para um lado e para o outro, para ver se o dono não está por ali e leva, além de comemorar. Ainda tem gente que toca a campainha e pergunta se pode levar.

E assim poderá acontecer com o brinquedo que as crianças não usam e já não tem mais espaço onde seja guardado, acabando no meio da sala, servindo apenas para alguém pisar em cima e se acidentar, ou aquele colchão que depois de dez anos achamos que está velho, enquanto muitos dormem no chão. Difícil mesmo é achar quem leve aquela montanha de trinta e duas polegadas, depois que inventaram as fininhas.

Não há maneira mais prática de saber quem está necessitando de alguma coisa que nos sobra que a colocando em nossa calçada a disposição de quem quiser. Além de tudo não me parece que exista forma mais justa de ajudar a quem realmente precisa, pois quem se dispõe a apanhar um objeto abandonado na rua, mesmo que possa adquiri-lo é pobre, já que pobre é quem não tem a capacidade de impor um limite ao ter.

Portanto, faça essa experiência. Se livre dessa forma de tudo aquilo de que não lhe sirva e ficará feliz ao constatar que, aos poucos, vamos aprendendo que daqui não se leva absolutamente nada. O mundo agradecerá e, quem sabe, Deus.

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