Lázaro
Por um descuido do destino,
Um vacilo, um tropeço
Com meu andar desatento
Cai no poço fundo.
Vi seu escuro,escutei seu eco.
O úmido da empoçada mágoa
Acumulada num milênio.
Mágoa antiga,nunca evaporou
Não conheceu o sol e seu calor
E eu não sabia de sua existência
Tão bem adaptado estava na vida.
Com desespero e agonia
escalei com as mãos, com as unhas
cada milímetro da parede de pedra.
do poço profundo!
A lenta e sofrida subida à vida
A vida que pulsava lá fora
a minha espera.
Eram minhas ferramentas:
mãos e coragem, apenas.
E de companhia constante:
do desespero e da dor.
Após longa jornada,
cansado e sangrando,
alcancei o ar fresco
e a terra firme.
Guardo comigo esta lembrança:
o sentimento de Lázaro ressuscitado.
O ressurgido à vida,
o que conheceu a morte
e sua sepultura.
Viu a vida preciosa.
E as mágoas intemporais
ficaram esquecidas
No fundo do escuro poço.
Comentário de Luciana Fabíola Gonçalves em 27 julho 2010 às 20:40 Comentar
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