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"INTOCÁVEIS”. O ROTEIRO HUMANO SOBRE O MULTICULTURALISMO A PARTIR DA TRAGÉDIA

A polícia japonesa informou hoje (17) que dois soldados norte-americanos foram presos na ilha de Okinawa, no sul do Japão, sob suspeita de estuprar uma mulher, num caso que pode voltar a tencionar os laços de Tóquio com seu aliado mais próximo, Washington. As prisões ocorreram no momento em que a opinião pública em Okinawa discorda do governo por permitir a implantação pelos EUA da aeronave híbrida Osprey na ilha, apesar das preocupações persistentes sobre a sua segurança. As prisões também coincidem com uma acentuada deterioração nas relações do Japão com a China sobre a disputada cadeia de ilhas do mar da China Oriental num momento em que Tóquio necessita reafirmar a sua aliança estratégica com os Estados Unidos. Okinawa é um importante centro para os militares dos EUA baseados no Japão. A tensão sobre as bases norte-americanas em Okinawa se intensificou após o estupro de uma estudante japonesa de 12 anos em 1995 por três militares norte-americanos. O caso provocou protestos generalizados por moradores de Okinawa, que há muito se ressentiam da presença norte-americana, devido a crimes, barulho e acidentes fatais. "Eu sinto forte raiva e indignação", disse o ministro da Defesa japonês, Satoshi Morimoto, ao governador de Okinawa, Hirokazu Nakaima, que descreveu o incidente como "loucura". "Vou pressionar os Estados Unidos por medidas para implantar uma disciplina mais rigorosa", disse Morimoto. O embaixador dos EUA para o Japão, John Roos, disse em um comunicado que seu governo estava extremamente preocupado com o incidente e se comprometeu a cooperar plenamente com as autoridades japonesas em sua investigação. Ontem, um dos temas que dominaram o debate entre o candidato republicano, Mitt Romney, e o presidente Barack Obama, que disputa a reeleição, foi a questão de segurança do país em sua política externa. O ataque que matou Christopher Stevens, embaixador dos Estados Unidos em Benghazi, na Líbia, conhecido como o 11 de Setembro líbio, provocou um dos momentos mais acalorados do segundo debate. Romney rejeitou a declaração de Obama, dizendo que ele levou 14 dias para chamar o episódio de ataque terrorista. Em tom desafiador, Obama reafirmou o que tinha dito e acrescentou: “Pegue a transcrição”. Quando a moderadora do debate, a jornalista Candy Crowley, da CNN, disse que o presidente de fato tinha chamado o episódio de “ato de terror” no dia seguinte ao ataque, Obama afirmou: “Diga isso um pouco mais alto, Candy”. De acordo com a transcrição do pronunciamento de 12 de setembro, a fala exata de Obama foi: “Nenhum ato de terror jamais irá balançar a resolução dessa grande nação, alterar o caráter ou ofuscar a luz dos valores nos quais acreditamos”. Em entrevista após o debate na CNN, Crowley disse que seu comentário foi "uma coisa natural que saiu". Mas partidários de Romney presentes no auditório ficaram indignados. "Candy estava errada, não tinha nada que fazer isso e nem manteve o tempo (de fala de cada candidato) corretamente", disse John Sununu, ex-governador de New Hampshire. Obama também pareceu desconfortável ao responder a pergunta que deu origem a toda a discussão: o motivo de sua administração não ter atendido o pedido de diplomatas para aumentar a segurança da Embaixada dos EUA em Trípoli, na Líbia. Ao responder a pergunta, o presidente disse apenas que, quando foi informado do ataque em Benghazi, ordenou um reforço na segurança de todas as missões diplomáticas estadunidenses na região. Na véspera do debate, a secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, assumiu a responsabilidade pela desastrada política de segurança que resultou no ataque. "Quero evitar que isto se transforme em uma espécie de emboscada política", afirmou a chefe da diplomacia estadunidense, referindo-se que o ato ocorreu muito perto das eleições presidenciais do próximo dia 6 de novembro. Na sexta-feira passada, o porta-voz da Casa Branca, Jay Carney, se negou a esclarecer se Obama e Biden foram informados em algum momento das preocupações existentes sobre a segurança na Líbia. A oposição republicana criticou duramente que, num primeiro momento, o governo de Obama defendesse que o ataque tinha sido consequência dos violentos protestos que se suscitaram em vários países árabes por causa de um vídeo produzido nos EUA que ridiculariza Maomé e o Islã. Na semana passada, no entanto, funcionários do Departamento de Estado sustentaram que não houve nenhum tipo de protesto ou manifestação nos arredores do consulado em Benghazi nesse dia. Mas demonstraram preocupação com o episódio já que os terroristas usaram “armas de guerra”. O destino de armamento pesado a grupos islâmicos se transformou em reportagem do jornal “The New York Times”. Segundo o periódico, a maioria das armas enviadas em segredo à Síria, por iniciativa da Arábia Saudita e do Qatar, vai mais para as mãos dos grupos rebeldes islamitas do que para organizações laicas apoiadas pelo Ocidente. Com base em fontes anônimas, o jornal afirma que esta é a conclusão de vários relatórios confidenciais apresentados ao presidente Barack Obama e a outras autoridades estadunidenses. As fontes lamentam que não exista um sistema centralizado para coordenar a entrega das armas e controlar para quais grupos são destinadas. O “NYT” informou que o diretor da CIA, David Petraeus, viajou em sigilo para a Turquia no mês passado para tentar enquadrar o fornecimento. Segundo o jornal, o objetivo era supervisionar o processo que "consiste em analisar e, por fim, constituir a oposição (ao regime de Bashar al-Assad) com a qual os estadunidenses pensam poder trabalhar". A CIA também enviou agentes à Turquia para ajudar a orientar a ajuda, mas não tem informações sobre os rebeldes e sobre as várias facções que estão atuando na Síria. Se a segurança externa preocupa, a segurança interna deixa os seus furos. Na última sexta-feira (12), um escritório de campanha de Obama na cidade de Denver, no Colorado foi alvo de um atirador (acima). A polícia está analisando as imagens gravadas pelas câmaras de segurança para identificar o atirador. Na véspera, Obama jantou em Washington com os vencedores de um sorteio entre os doadores de sua campanha. 

A Rússia manifestou hoje (17) a sua preocupação com as novas sanções estabelecidas anteontem pela União Europeia contra o Irã, que "comprometem a retomada de negociações". "Estamos muito preocupados com a adoção pela União Europeia no dia 15 em outubro de uma nova série de sanções unilaterais contra o Irã", informou o Ministério das Relações Exteriores russo. "Nós repetimos: não consideramos as sanções unilaterais, introduzidas por Estados ou grupos de Estados evitando o Conselho de Segurança da ONU, como instrumentos legítimos de política internacional", acrescentou a nota. A diplomacia russa taxou este tipo de medidas de "inaceitáveis". "Somos obrigados novamente a constatar que os gestos desconsiderados dos países da União Europeia desferem um golpe sensível contra a unidade do grupo dos seis negociadores internacionais", indicou Moscou.
"Vamos continuar a trabalhar constantemente pela organização o mais rápido possível da próxima rodada no formato 6 + Irã", concluiu. As potências temem o uso militar do programa nuclear iraniano, mas Teerã nega que tenha a intensão de produzir armas atômicas. Ao mesmo tempo o presidente russo, Vladimir Putin, afirmou que seu país só vende armas para governos legítimos e que "ninguém, sob nenhum pretexto, pode ditar à Rússia ou a outro Estado como e com quem comerciar". As declarações do chefe do Kremlin foram feitas após as autoridades turcas obrigarem na semana passada um avião de passageiros sírio que voava de Moscou para Damasco a aterrissar em Ancara. Parte da carga que estava na aeronave foi apreendida pois foi considerada material de uso militar. O presidente russo deve fazer uma visita à Turquia no dia 3 de dezembro para solucionar a crise entre os dois países que já foram desafetos históricos. Durante reunião da Comissão de Cooperação Técnico-Militar da Rússia com outros países, Putin disse que antes de assinar contratos de provisões de armamento "é analisado exaustivamente a situação da região do mundo" onde se localiza o comprador. "Nem todos os principais exportadores de material bélico se distinguem por uma atitude tão escrupulosa", acrescentou. O presidente russo frisou, no entanto, que para Moscou "só as sanções do Conselho de Segurança da ONU podem servir de restrição à comercialização de armamentos". "Em todos os demais casos, ninguém, sob nenhum pretexto, pode ditar à Rússia ou a outro Estado como e com quem comerciar", enfatizou. Segundo Putin, as restrições ou proibições adotadas de maneira unilateral ou coletiva à margem da ONU, principalmente por motivos políticos, "não são normas do direito internacional".  Putin informou que desde começo do ano até 1º de outubro a Rússia obteve US$ 10,7 bilhões com a exportação de armamentos. Recentemente, Moscou assinou um acordo para venda de armamentos com o Iraque, tornando-se o segundo maior fornecedor de armas ao país árabe atrás apenas dos Estados Unidos. Segundo a BBC, o valor dos contratos totalizam US$ 4,2 bilhões. “Nós temos boas relações com Estados Unidos e Irã. Não queremos viver rodeados por conflitos constantes. Nós queremos comprar armas com base nas necessidades que sentimos ter”, alegou o primeiro-ministro iraquiano, Nouri Maliki. O contrato bilionário promove uma aproximação do Iraque – que tem tentado manter uma posição de neutralidade em relação ao conflito na Síria – com a Rússia, aliada de Bashar Assad. Hoje Putin se reuniu com o príncipe herdeiro de Abu Dhabi, Mohammed bin Zayed Al Nahyan, para tratar de assuntos como a instabilidade no Oriente Médio (acima). O encontro foi no mesmo dia em que o vice-ministro dos Negócios Estrangeiros e representante especial da Presidência russa para o Oriente Médio, Mikhail Bogdanov, informou que o Kremlin está pronto para apresentar ao enviado especial da ONU e da Liga Árabe para a Síria, Lakhdar Brahimi, suas sugestões para uma solução do conflito sírio. Ele ressaltou que o responsável pela missão de paz é um político, diplomata e negociador experiente e que Moscou aprecia sua busca por uma resolução da crise. Se Moscou avança em sua política externa, há também críticas dos países ocidentais em relação à questão dos direitos humanos. Hoje investigadores russos abriram um inquérito contra Sergei Udaltsov, conhecido líder da oposição, dizendo que um documentário pró-Kremlin mostrou evidências de que ele é responsável por desordem pública. Udaltsov pode pegar até dez anos de prisão. Autoridades revistaram de madrugada o apartamento do oposicionista em Moscou e disseram que também iam fazer buscar em casas de outras duas pessoas suspeitas de desordem pública. Udaltsov disse no Twitter que estava sendo interrogado na sede do Comitê. Segundo agências de notícias russas, Konstantin Lebedev, um assistente do líder oposicionista, foi detido por 48 horas depois que seu apartamento foi revistado. Já o comunicado oficial informou que os investigadores também apuravam alegações de que Udaltsov teria planejado “atos terroristas” na Rússia. Anteontem, partidos de apoio a Putin venceram as eleições que se realizaram na maioria das regiões da Rússia. "Agora, ninguém tem vergonha de nada", afirmou o líder da Golos, Grigory Melkonyants. "Nós mostramos as violações à lei, mas nenhum governante está fazendo nada sobre isso", acrescentou. 

O emissário internacional para a Síria, Lakhdar Brahimi, alertou hoje (17) no Líbano para a possibilidade da propagação da violência na região, no momento em que os rebeldes derrubaram um helicóptero militar. Durante o conflito, que acaba de entrar em seu 20º mês, foram registrados mais de 33 mil mortes, em sua maioria de civis, segundo uma ONG. "Esta crise não pode continuar confinada indefinidamente no território sírio. Ou ela é resolvida, ou ela se agravará, transbordará, e afundará (a região) em fogo e sangue", declarou Brahimi, que realiza há uma semana um giro regional pelos países influentes na crise síria. Ele reiterou seu apelo para a implementação de um cessar-fogo em ocasião do Al-Adha, uma das festas muçulmanas mais sagradas, que será celebrada entre 26 e 28 de outubro. "Se o governo sírio aceitar (esta aplicação) - e pelo que ouvi, há esperança - e se a oposição aceitar esta proposta, como ela nos disse, será um passo microscópico para um cessar-fogo mais global, a retirada de artilharia pesada, a interrupção do fluxo de armas do exterior e uma solução política na Síria", considerou Brahimi. Com a guerra civil, os islamitas estão cada vez mais insatisfeitos com a destruição de lugares considerados sagrados. Anteontem, o presidente da Síria, Bashar Assad, ordenou que fossem feitos reparos a uma mesquita histórica na cidade de Aleppo. Batalhas entre o Exército sírio e as tropas dos rebeldes incendiaram e danificaram no último fim de semana a "Grande Mesquita" de "Jami al Kabir" (acima). Ela é uma das maiores e mais antigas do país, construída em torno de um vasto jardim e encostada num complexo adjacente à cidadela medieval de Aleppo. A ordem de Assad ocorreu no mesmo dia em que Damasco negou a acusação de que teria usado bombas de fragmentação contra os rebeldes. Uma breve declaração militar foi ao ar na televisão estatal, informando que o regime não possui esse tipo de arma, em resposta à ONG Human Rights Watch, que disse, no domingo, que o Exército do país tinha usado bombas de fragmentação russas em áreas civis. O clima na hostilidade na região continuou hoje depois que um morteiro disparado da Síria caiu  no sudeste da Turquia sem causar vítimas. Ancara respondeu ao ataque. No domingo, a Turquia baniu todas as aeronaves sírias de seu espaço aéreo, dias depois de interceptar um avião sírio que carregava o que eles afirmaram ser munições fabricadas pelos russos para o exército sírio. Na segunda-feira (15), as autoridades turcas obrigaram um avião armênio que seguia para a Síria a aterrissar no aeroporto de Erzurum, no leste do país, para realizar uma inspeção a fim de prevenir a entrada de armas no país vizinho. Mais cedo, o Ministério de Relações Exteriores informou que a inspeção foi convocada para evitar o envio de equipamentos militares ao regime sírio. No entanto, a Chancelaria tinha a informação de que a aeronave levava ajuda humanitária ao país vizinho. No sábado (13), o primeiro-ministro da Turquia, Tayyip Erdogan, pediu a reforma do Conselho de Segurança da ONU após o impasse para resolver a crise na Síria. Em entrevista coletiva, o chefe de governo turco disse que o sistema de escolha dos membros é desigual e injusto e que a entidade não representa bem os países. Para Erdogan, a reforma do Conselho deve levar em consideração a influência crescente de países como Turquia, Brasil, Índia ou Indonésia, além de refletir que o "Ocidente não é mais o único centro do mundo". Segundo analistas, a declaração não foi bem recebida pelas potências ocidentais. 

Os trabalhadores gregos iniciaram hoje (17) dois dias de greve geral e de protestos para pressionar os líderes da União Europeia a reverem a política de austeridade fiscal na reunião que ocorrerá amanhã em Bruxelas. "Assalariados e pensionistas têm aguentado sozinhos o peso da crise econômica enquanto os delinquentes fiscais que a criaram estão a salvo", disse o sindicato GSEE, que representa centenas de milhares de trabalhadores do setor privado. "A drástica queda das receitas, a escandalosa tributação excessiva e uma enorme queda na atividade econômica estão destruindo  negócios e empregos", informou a associação comercial. Esta será a quarta greve geral este ano contra políticas econômicas que os gregos consideram terem sido a causa das taxas de desemprego recorde e da pior recessão de que há memória. O governo quer aprovar em novembro no Parlamento um novo pacote de medidas de austeridade no valor original de 7,8 mil milhões de euros. Hoje as autoridades gregas anunciaram que chegaram a um acordo com a “troika” nos principais pontos do ajuste fiscal. O total de cortes no Executivo atenderá ao proposto pelos credores: 13,5 bilhões de euros. Ou seja, mais 3,5 bilhões do que os cortes que o governo tinha já anunciado no Orçamento de 2013. Em entrevista ao jornal britânico “Financial Times”, o ministro das finanças grego, Yannis Stournaras, disse que espera o “sim” da troika sobre as reformas trabalhistas preparadas pelo primeiro-ministro Antonis Samaras. Já o jornal grego “Kathimerini” publicou que o problema não está na troika, mas na rejeição da base de apoio de Samaras às medidas de mudança na legislação trabalhista e na redução do tamanho do Estado. A Esquerda Democrática e o PASOK terão afirmado que não aprovariam o orçamento caso fossem para diante as reformas exigidas pela troika, principalmente a limitação aos aumentos salariais automáticos no setor privado e a redução nos subsídios de desemprego. A previsão é que serão despedidos dois mil funcionários públicos ainda este ano e mais 11 mil em 2013. Os servidores, no entanto, conservariam durante um ano 75% dos seus salários. Samaras se reuniu hoje com a chanceler alemã Ângela Merkel e com o primeiro-ministro português Passos Coelho. Anteontem, a chefe de Governo da Alemanha disse que a conferência de amanhã em Bruxelas terá como tema a “competitividade da União Europeia”. Falando durante a conferência anual da principal associação empresarial alemã, a BDA, Merkel reiterou sua visão de que a falta de competitividade da zona do euro foi um dos principais fatores por trás do aumento do endividamento dos países da região. A solução da crise local, disse ela, exige que cada país do bloco reforme sua economia e restaure sua competitividade. O comentário da chanceler veio depois de seu ministro das Finanças, Wolfgang Schäuble, pedir ações de longo alcance para estimular a integração da zona do euro. Em Abu Dhabi, Schäuble afirmou que a Europa precisa agora "dar passos maiores na direção da união fiscal". Merkel garantiu que não quer mandar nos parceiros europeus e sim defender o nível de vida no Velho Continente. “Não se devem fazer os trabalhos de casa porque alguém manda, mas porque se trata de saber se podemos continuar a viver com bem-estar na Europa”, advertiu a chanceler. Merkel sublinhou que o resto do mundo está mais competitivo, e por isso a Europa não pode continuar agarrada a conceitos ultrapassados, tem de enfrentar os desafios do futuro. “Mas estou otimista, acho que conseguiremos”, acrescentou. Já o presidente francês, François Hollande, defendeu hoje os espanhóis e os portugueses por estarem “pagando caro por desavenças de outros". "Chegou a hora de lhes dar uma perspectiva que não seja apenas a da austeridade”, defendeu numa entrevista concedida no Palácio do Eliseu a seis jornais europeus. No encontro com os jornalistas, Hollande declarou que “não é possível, para o bem comum, impor uma prisão perpétua a algumas nações que já fizeram sacrifícios consideráveis, se os seus povos não vêem, em momento algum, os resultados desses esforços”. “Estou convencido de que, se não dermos um novo alento à economia europeia, as medidas de disciplina, por muito desejáveis que sejam, não poderão traduzir-se em nada”, sublinhou o presidente francês. Os portugueses e espanhóis saíram às ruas para protestar contra o arrocho fiscal. Na última segunda-feira (15), manifestantes, muitos deles despedidos, cercaram o Parlamento português para impedir cortes no Orçamento do próximo ano (acima). Ontem, a agência de classificação de risco Standard & Poor's (S&P) rebaixou a nota de sete bancos espanhóis, incluindo os dois maiores, Santander e BBVA, depois de ter reduzido também a nota da Espanha.

Os capitalistas Tico e Teco Evoltaram a conversar sobre o mundo contemporâneo, acompanhados pela diarista Aparecida e pela filha Bytes, no dia 17 de outubro de 2012, Dia Internacional para Erradicação da Miséria.

Tico: No dia de hoje foi posta uma placa em homenagem às vitimas da fome e da miséria na Praça da Liberdade e dos Direitos Humanos em Paris. Há 25 anos.

Teco: No dia de hoje a madre Teresa de Calcutá ganhou o Prêmio Nobel da Paz pelo seu trabalho comunitário em favor dos mais necessitados. Ao receber a congratulação, a agraciada disse que sua obra é "uma gota de salvamento num mar de sofrimento". Deixava a marca de seu discurso: "Juntos proclamamos com alegria a difusão da paz e percebemos que os pobres são nossos irmãos". Há 33 anos.

Aparecida: Hoje é o Dia de Santo Inácio de Antioquia. Discípulo do apóstolo João, ele foi bispo de Antioquia, a capital da província romana da Síria, terceira cidade do Império depois de Roma e Alexandria. Após ser preso por ordem do imperador Trajano, recebeu como pena ser lançado aos leões no Coliseu em Roma. O objetivo do mandatário romano era que Santo Inácio servisse de exemplo para os cristãos sobre o que aconteceria se continuassem a professar a sua fé. Ao falar sobre sua execução, Inácio disse a famosa expressão: "Trigo de Cristo, moído nos dentes das feras". E na iminência do martírio prometeu aos cristãos que mesmo depois da morte continuaria a orar por eles junto de Deus: “Meu espírito se sacrifica por vós, não somente agora, mas também quando eu chegar a Deus. Eu ainda estou exposto ao perigo, mas o Pai é fiel, em Jesus Cristo, para atender minha oração e a vossa. Que sejais encontrados nele sem reprovação”.   

Bytes: No dia de hoje nascia, há 100 anos, o papa João Paulo I, que ficou apenas 33 dias no cargo. Tornou-se rapidamente conhecido na Cúria Romana pelo apelido de "Papa Sorriso", por sua afabilidade. Foi o primeiro pontífice desde Clemente V a recusar uma coroação formal. A morte do pontífice ainda é um mistério, o que se tornou um prato cheio para os adeptos da Teoria da Conspiração. Segundo os teóricos, João Paulo I estava disposto a investigar as denúncias de corrupção no Banco do Vaticano. Entre os envolvidos no esquema, estaria o então secretário de Estado do Vaticano, cardeal Jean Villot, o mafioso siciliano Michele Sindona, o cardeal norte-americano John Cody, na época chefe da arquidiocese de Chicago, e o bispo Paul Marcinkus, então presidente do Banco do Vaticano.  Ontem, a Santa Sé informou que João Paulo I pode ser beatificado.

Aparecida: No dia de hoje morreu, há 10 anos, a atriz Yara Cortes. Ela foi destaque em novelas como “O Casarão”, de Lauro César Muniz. A cena do encontro de Carolina com João Maciel após 40 anos de espera foi muito bonita. Mas esteve excelente também em “Dona Xepa”, a feirante que trabalhava duro para dar boa educação aos filhos, mas que é rejeitada pelos filhos por seu jeito autêntico, mas grosseiro. A Record vai fazer a novela também baseada na peça de Pedro Bloch. A novela terá apenas 60 capítulos. Só espero que o texto seja atualizado para a nova realidade social do Brasil para que não ficar com cara de velho, como ocorre atualmente com o “remake” de “Guerra dos Sexos”, do Sílvio de Abreu.

Bytes: Hoje é o Dia Internacional para a Erradicação da Miséria, instituído em dezembro de 1992 pela ONU. Há dois anos, o secretário-geral, Ban ki-Moon disse, em discurso nas Nações Unidas: “Na Cúpula sobre os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio, realizada no mês passado em Nova York, os dirigentes mundiais concordaram com um programa de ação para intensificar a luta contra a pobreza no mundo. Apesar dos avanços animadores em muitas partes do mundo, centenas de milhões de pessoas vivem ainda em condições desumanas, privadas dos serviços mais elementares. É fundamental mudar este panorama: para erradicar a pobreza, reforçar as economias e construir sociedades pacíficas e estáveis, é essencial enfrentar a crise mundial do emprego.A incerteza econômica e a austeridade orçamental generalizadas não deverão ser um pretexto para fazer menos. São, pelo contrário, razões para fazer mais”.

Aparecida: Segundo balanço do programa Brasil Carinhoso, quase 9 milhões de pessoas deixaram a faixa da extrema pobreza num período de apenas quatro meses. O Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome informou que somente nesse período a miséria no País foi reduzida em 40%. A ministra Tereza Campello disse que esses números ainda não foram registrados por nenhuma pesquisa. A oposição acusa o governo Dilma de inflar os números com o aumento dos benefícios do Bolsa Família, a fim de repercutir nas eleições municipais em favor do PT. O que você acha?

Bytes: Programa de proteção social não é “formação de capital”. Mas o Brasil está sendo construído pelos seus capitalistas. Para os capitalistas, meia palavra basta.

Aparecida: E o que você acha do Lula?

Bytes: O que podemos afirmar é que ele não seria eleito chefe de Governo na Índia por causa dos sistemas de castas. Na sociedade hindu os “intocáveis” são aqueles que trabalham com trabalhos considerados indignos, sujos, lidando com os mortos e outros empregos que requerem constante contato com aquilo que o resto da sociedade indiana considera abjeto e desagradável. A tradição hindu diz que um intocável só pode fazer parte da elite se reencarnar futuramente em alguma classe dominante. Na encarnação atual, ele tem que se sujeitar à “ordem natural das coisas”. Ghandi, hindu, era contrário à leitura religiosa de seu tempo e lutou contra. Atualmente os intocáveis já chegaram ao governo do estado, mas é impensável a vitória nas eleições para o comando do país. Mas cada nação está evoluindo ao seu tempo dentro da compressão tempo-espaço da Era digital.

Aparecida: Hoje as mulheres indianas enfrentaram policiais durante um protesto em Srinagar, na Índia (acima). Elas protestaram contra a decisão do governo de limitar o número de cilindros de gás de cozinha subsidiados em seis por ano. A instabilidade também ronda a Índia, principalmente há protestos contra a corrupção.

Bytes: No domingo, um indiano de 30 anos foi libertado no país depois de ser mantido em cativeiro pela própria mãe por 17 anos num vilarejo do distrito de Karnataka. Após se separar do marido, a mulher decidiu aplicar a "pena" depois que o filho não aceitou que ela se tornasse uma "devadasi", tradição hindu pela qual as meninas se casam com divindades. Ela alegou que a ação foi porque o filho estava muito agressivo.

Aparecida: Escreveu o teólogo Leonardo Boff no “JB Online” um texto intitulado “Deus, esse desconhecido conhecido”: “Nos dias 5 e 6 de outubro, em Assis, realizou-se mais uma edição do Átrio dos Gentios, iniciativa do Pontifício Conselho para a Cultura do Vaticano, voltada para a questão de Deus. O presidente da Itália, Giorgio Napolitano, e o cardeal Gianfranco Ravasi, à frente do Conselho e famoso exegeta bíblico, fizeram um diálogo instigante sobre Deus, esse desconhecido. Com o Átrio dos Gentios faz-se um esforço de levar ao diálogo crentes e não crentes. O Átrio era o espaço ao redor do templo de Jerusalém acessível aos gentios (pagãos) que, de resto, jamais poderiam entrar no templo. Agora, procura-se tirar os interditos para que todos possam aceder ao templo. A este propósito me permito uma reflexão que me acompanha ao largo de toda a vida de teólogo: pensar Deus para além das objetivações religiosas (metafísicas) e procurar interpretá-lo como Mistério sempre desconhecido e, ao mesmo tempo, sempre conhecido. Por que este caminho? Einstein nos oferece uma pista: O homem que não tem os olhos abertos para o Mistério passará pela vida sem nunca ver nada. Efetivamente, para onde quer que dirijamos o olhar, para o grande e para o pequeno, para fora e para dentro, para o alto e para o baixo, para todos os lados, encontramos o Mistério. O Mistério não é o desconhecido. É o conhecido que nos fascina e nos atrai para conhecê-lo mais e mais. Ao tentar conhecê-lo, percebemos que nossa sede e fome de conhecimento nunca se sacia. No mesmo momento em que O conhecemos, Ele se nos escapa na direção do desconhecido. Perseguimo-lo sem cessar, e mesmo assim Ele fica sempre Mistério em todo o conhecimento, causando-nos atração invencível, temor profundo e reverência irresistível. O Mistério simplesmente é. Minha tese de base é esta: no princípio era o Mistério. O Mistério era Deus. Deus é o Mistério. Deus é Mistério para nós e para Si mesmo. É Mistério para nós na medida em que nunca acabamos de  conhecê-Lo nem pela razão nem pelo amor. Cada encontro deixa uma ausência que leva a outro encontro. Cada conhecimento abre outra janela para um novo conhecimento. O Mistério de Deus não é o limite do conhecimento mas o ilimitado do conhecimento. É o amor que não conhece repouso. O Mistério não cabe em nenhum esquema nem vem aprisionado nas malhas de alguma religião, Igreja ou doutrina. Ele está sempre por ser conhecido”.

Tico: O que você acha do debate entre Romney e Obama?

Teco: Como um país capitalista e democrático, foi um confronto entre a direita e a esquerda estadunidense, dentro do seu nível de capitalismo, sempre objetivando guardar o caminho da formação de capital. Na visão republicana o Estado atrapalha a formação de capital porque ele limita o voo humano ao dar freios à expansão do capital. Na visão democrata, a liberdade ilimitada do capital permite o descontrole econômico ao ponto de “vender o país” ao sistema financeiro internacional. Regular ou não regular? Até o Império não foge do “movimento dos contrários” do grego Heráclito na Antiguidade. De um lado a acusação de “baixa produtividade”; de outro a defesa dos que se sentem excluídos do processo produtivo induzido pelo espaço-tempo de sua geração. De um lado o medo da “servidão coletiva” e do outro o medo da “escravidão do dinheiro”. No meio do jardim o capitalismo contemporâneo da Era digital, de compressão tempo-espaço. Viva!

Aparecida: Como você transferiria este análise para o Brasil?

Bytes: Podemos analisar São Paulo porque foi ao segundo turno, ao contrário do Rio de Janeiro cujo prefeito venceu com quase 70% dos votos. O que disse o Serra ao passar pelo primeiro turno? Vamos privilegiar o “mérito”, praticamente um discurso dos republicanos, a direita estadunidense. Ele quase repetiu o pensamento de Romney, parafraseando: “Os petistas querem viver às custas do Estado”. A tese da “boquinha”, repudiada pelos republicanos e até mesmo por alguns eleitores tendenciosos a votar na oposição. Por outro lado o Haddad defende o discurso da esquerda, o novo, como Obama fez em 2008, o discurso da esquerda, assim como a defesa da proteção social e da busca por uma “sociedade criativa”. Novos métodos de produção. Os dois lados encontram ecos em seus eleitores, tanto na visão do imediato como na projeção do futuro, permitindo a liberdade de expressão e reduzindo a resistência.

Aparecida: O que você acha que acontecerá em São Paulo?

Bytes: A tendência é dar a vitória ao petista, muito menos pela paixão ao seu candidato e muito mais pela rejeição ao seu adversário.

Aparecida: Qual tem sido a maior rejeição ao projeto do PT?

Bytes: Foi quando o Lula tentou impor ao País o projeto nacional-socialista de poder: “Nós, os iluminados, contra eles, os traidores da pátria.  A declaração foi rejeitada em 2010 pelos eleitores que elegeram o governador de Santa Catarina, do DEM. Confirmou-se assim a afirmação dos capitalistas brasileiros e contemporâneos: “O Brasil não seguirá o caminho do nacional-nacionalismo europeu, mas o do iluminismo americano. A construção da verdadeira comunidade. Una, forte e intocável.

Aparecida: O presidente Lula se reuniu hoje com a presidente da Argentina. O ex-presidente participou de um fórum sobre economia no país.

Bytes: O presidente da Comissão de Liberdade de Imprensa e Informação da Sociedade Interamericana de Imprensa, Gustavo Mohme, defendeu que uma missão da SIP seja enviada à Argentina para se solidarizar com os donos de veículos de comunicação e protestar contra a entrada em vigor da Lei de Serviços de Comunicação Audiovisual, conhecida como Lei de Meios, aprovada em 2009. Prevista para 7 de dezembro, a nova legislação obriga o “Grupo Clarín”, acusado pela presidente Cristina Kirchner de fazer oposição ao governo, a se desfazer de algumas de suas concessões.Já o governo argentino argumenta que a concentração de meios de comunicação leva ao monopólio da informação.  Aparecida: O que você acha da permissão de parte dos cubanos poderem ter o direito humano de ir e vir?

Bytes: Pode ter a mesma repercussão do que ocorreu na Alemanha Oriental. A notícia estimulou os oprimidos a ter o sonho de deixar o país. A demora em se concretizar o fato levou a demolição do Muro de Berlim. Para os capitalistas, meia palavra basta.

Aparecida: E como pensa o governo dos Estados Unidos?

Bytes: Deu no jornal “O Globo” de 13 de outubro de 1962, cuja manchete foi “Apêlo do papa aos governantes em favor da paz mundial”: “O papa João XXIII pediu aos dirigentes mundiais que se esforcem para negociar acôrdos justos e generosos a fim de evitar uma guerra nuclear. O apêlo do Sumo Pontífice foi feito, na Capela Sistina, ao dirigir a palavra aos representantes dos 85 governos e organizações internacionais que assistem ao Concílio Ecumênico”. E mais: “A disposição do PSD e do PTB de estruturar desde já as bases de um futuro regime presidencialista – em face da evidência de que o referendo popular em 6 de janeiro derrubará o parlamentarismo -, é devido à anunciada posição da UDN, que está disposta a bater-se contra mudanças que dêem mais poder ao presidente João Goulart”. E mais: “Pela segunda vez nos últimos três dias uma chamada telefônica anônima ameaçou de morte o presidente Kennedy que está participando da campanha política do Partido Democrata nos estados de Nova York e Nova Jersey. Um porta-voz da Polícia revelou que às 9h de ontem foi recebido telefonema de pessoas anônimas que se limitou a dizer: Convém avisar o presidente para abaixar a cabeça, vou dar-lhe um tiro. Embora certa de tratar-se de um desequilibrado, a Polícia alertou imediatamente o Serviço Secreto e os seus próprios agentes”.

Aparecida: Deu no jornal “O Globo” de 13 de outubro de 2012, 50 anos depois: “Cerco ao crime. Pacificação rumo a mais 2 territórios do tráfico. PM já fez barreiras nos acessos às favelas de Manguinhos e do Jacarezinho. Aparato, porém, não intimidou viciados que frequentam a maior cracolândia da cidade”. E mais: “Prêmio em boa hora. Nobel da paz para uma UE em crise. No meio da maior crise na História, a União Europeia recebeu um impulso moral ao ganhar o Prêmio Nobel da Paz por sua ´contribuição à reconciliação´. Líderes do bloco comemoraram, mas houve críticas, como a de Lech Walesa, premiado em 1983”. E mais: “Gás não convencional. País tem R$ 340 bi em reservas. Disparada da produção de gás não convencional nos EUA acendeu a luz amarela no Brasil, que teme perder a corrida. Estudo diz que reservas do país estão entre os cinco maiores do mundo e exploração pode gerar ao menos R$ 340 bi”.

Bytes: Por falar em União Europeia, os jornais franceses deram destaque às desavenças entre os socialistas no comando da chefia de Estado e de Governo. "O amor dura seis meses", publicou o “Libération”, explicando que, apesar da compreensão e da admiração mútua entre os dois dirigentes e uma amizade de 15 anos, a lua de mel na cúpula do governo acabou. Segundo assessores do Palácio do Eliseu ouvidos imprensa francesa, a falta de carisma e de reatividade do primeiro-ministro Jean-Marc Ayrault deixa o presidente François Hollande irritado. Já no campo do primeiro-ministro a queixa é de que o presidente age por conta própria, sem consultar o chefe de governo nas decisões importantes. A imprensa é unânime em destacar a lealdade do premiê, razão da escolha de Hollande, mas a gravidade da crise econômica na França e a impaciência dos franceses em ver a luz no fim do túnel demonstra que só a lealdade não basta. O jornal “Aujourd'hui en France” afirmou que Ayrault não consegue se impor no governo e tem sua autoridade questionada. Vários ministros, como o midiático titular do Interior, Manuel Valls, ocupam mais espaço e inspiram mais confiança e admiração do que o premiê de temperamento reservado. Enquanto isso, o conservador “Le Figaro” aproveitou para bater no governo. Em manchete, Laurence Parisot, a presidente da maior entidade patronal francesa, afirma que a situação econômica do país é gravíssima. “A tempestade está virando furacão”, advertiu Parisot, prevendo um recorde de falências no país. Ela lamentou que o governo Ayrault esteja desistindo de aplicar um programa de choque de 40 bilhões de euros de redução do custo do trabalho na França, como forma a estimular a competitividade das empresas francesas. As dúvidas sobre a eficácia da política econômica dos socialistas são tão intensas que economistas já estão comprando espaço pago nos jornais para analisar as decisões do governo francês.

Aparecida: O que você achou da declaração do prefeito Eduardo Paes já indicando o Cabral como candidato a vice da Dilma em 2014?

Bytes: Para nós, capitalistas brasileiros e contemporâneos, a declaração deve ter criado dor de cabeça para a presidente porque desarruma a “base aliada”. Cria estresse. Mas até os estrangeiros já sabem que morar no Brasil é carregar a cruz como penitente. Um colega chamou o episódio de “fogo amigo”. Outro disse que o PMDB de Paes e Cabral ficou revoltado de não conquistar um ministério. O colega gaiato disparou: “Desde que se aliou o Lula, o Paes passou a fazer parte da quadrilha: a dos meninos aloprados”. Eu dei o meu ponto de vista: “Pelo menos não podemos culpar a imprensa velha de criar a divisão”.

Aparecida: Ah, entendi! Escreveu o jornalista Luiz Paulo Horta anteontem no jornal “O Globo” no artigo intitulado “As vinhas da ira”: “A tentativa desastrosa de dividir a humanidade em amigos e inimigos, e a tentativa de enfocar por essa ótica um país como o Brasil. Em termos de nação, isso costuma ser um suicídio. Não faltam exemplos históricos – sendo o mais famoso o da França. A Revolução Francesa é um marco na história moderna; mas, até pela violência que a caracterizou, dali surgiram duas Franças: a monarquista e a revolucionária. Nunca mais o país foi o mesmo. Cem anos depois da Revolução, o caso Dreyfus (vale uma consulta ao Google) mostrou como os ódios continuam intactos. As duas Franças uniram-se momentaneamente na Primeira Guerra Mundial; mas, logo em seguida, Hitler usou muito habilmente a fratura e, quando chegou a hora de enfrentar o nazismo, a coesão nacional falhou. A França da direita achava melhor contemporizar com o nazismo do que enfrentar o poder à velha França revolucionária. Agora pegue o jornal, e veja essas fraturas suicidas estão à nossa volta. Começando com a maior potência da terra, ganhe Obama ou Romney, parece distante aquele belo ideal de democracia americana, em que, nas aperturas, todos se uniam em torno da bandeira. Contra Obama, os republicanos estão fazendo a campanha do ódio. Ganhe quem ganhar, no final perdem todos. A mesma desgraça assola, agora, nossos parceiros latinos. O coronel Chávez se reelegeu derramando subsídios em estilo populista. Há quem ache que a vida melhorou. Mas o país está virtualmente partido ao meio, e não se vê como isso possa melhorar tão cedo. Mais triste ainda é constatar que a Argentina, país extraordinário, escolheu o mesmo caminho (ou escolheram por ela). Também dá dor andar pelas ruas de Buenos Aires e ver todo lado uma espécie de declínio inexorável, numa capital ainda estão de pé as majestosas estruturas do passado. Representante de um autoritarismo sufocante e arcaico, a sra. Kirchner resolveu governar criando inimigos por todos os lados – isto é, todos os que não pensam exatamente como ela. E está conseguindo que esses inimigos realmente proliferam, enquanto La Campora (a juventude krichnerista) comemora a reeleição de Chávez como quem dá as boas-vindas a um irmão de sangue. É isso de que precisamos para o Brasil? Será que isso faz parte da índole nacional?”

Tico: Qual é o objetivo do capitalismo contemporâneo?

Teco: A circulação intensiva de capital porque produz energia e riqueza. A resistência é o seu óbice porque tem como base de sua física o bloqueio à movimentação econômica. É só observar a lógica do “chuveiro elétrico”. Mas ninguém gosta do “cabeça quente” porque ele traz em sua esteira a ira e o “sangue derramado”. Também ninguém gosta de greves porque traz a interrupção da atividade econômica.

Bytes: A Índia é o país com a menor carga de impostos para as empresas entre as principais economias mundiais. Com base na carga de impostos dos Estados Unidos, a KPMG International divulgou que as empresas na Índia pagam quase a metade do que é cobrado pelo fisco estadunidense em seu território. Mas isso não significa formação de capital.

Aparecida: Qual é o futuro para os dois modelos de democracia ocidental: Estados Unidos e França?

Bytes: O artigo de Horta foi muito interessante por projetar os desafios do futuro que está por vir. Para nós, capitalistas brasileiros e contemporâneos, uma boa oportunidade para diferenciar o capitalismo do nacional-socialismo. Detalhe: nenhum analista fala que a sociedade estadunidense está virtualmente dividida. Mas fala do Chávez.

Aparecida: E a França?

Bytes: Hollande prometeu uma reforma educacional. A ideia é acabar com a lição de casa. De acordo com o socialista, alunos de áreas pobres, sem auxílio dos pais, ficam prejudicados na hora de fazer a lição por conta da sobrecarga de tarefas. Os estudantes reclamam da intensa jornada, pois entram de manhã e muitas vezes deixam a escola por volta de seis da tarde. Outras das medidas da reforma são o aumento do número de professores e o retorno da semana escolar de quatro dias e meio. A semana foi encurtada para quatro dias durante o governo do ex-presidente Sarkozy para cortar gastos. Também haverá incentivos para quem quiser dar aulas em áreas rurais. Mas há a polêmica maior do que o “kit-gay” aqui do Brasil. No domingo, o ministro da educação francês, Vincent Peillon, da ala mais à esquerda do Partido Socialista, defendeu a discriminalização da maconha por ser uma forma de lutar vencer o tráfico de drogas que domina os subúrbios mais populares. A declaração do ministro da educação deixou o primeiro-ministro numa “saia justa”. O presidente François Hollande já havia descartado a hipótese da descriminalização, defendida por diversas personalidades de esquerda e já levantada em junho pela ministra de Habitação, a ecologista Cécile Duflot.

Aparecida: Como berço das declarações dos direitos humanos, houve manifestação em Paris contra o resultado do julgamento de acusados de estupro. Alguns membros da gangue envolvida na violência sexual foram absolvidos. As ativistas seminuas do Femen participaram do protesto que contou com uma presença inusitada: uma freira dominicana (acima). Ela chegou a dar uma “conferida” nas manifestantes.

Bytes: A última conferida que teve destaque na imprensa foi a da Hillary Clinton em cima dos seios fartos da cantora Cristina Aguillera. No mês passado o jornal “Globo Magazine” publicou um boato de que a Hillary vai se separar do marido e sair do “armário”. Tinha até foto das possíveis amantes, todas assessoras da toda poderosa secretária de Estado dos EUA. Desculpe a redundância, mas vou direto ao ponto: O jornal britânico estampou como manchete “Verdade verdadeira” para corrigir a manchete de 1989: “Verdade”. O fato foi a morte de 96 pessoas num estádio britânico. Não foram os torcedores os culpados, como massificado, mas a polícia. Foram 23 anos de injustiça em nome da justiça. Posso ter a liberdade de ser redundante. É mentira Terta?

Aparecida: Por falar em verdade e mentira, a revista “Época” publicou que o Collor contratou funcionários com o dinheiro do Senado? O seu Carlos disse, exaltado após ver a novela “Que rei sou eu?” no Canal Viva: “Se passaram 23 anos da exibição da novela e ela continua atual. O conselheiro Bidet justificou o pagamento da Cozete por conta da viúva porque a empregada o ajuda na campanha política”. Eu pensei: “Naquele tempo o Collor foi considerado o salvador da pátria por ser caçador de Marajás. Tinha muita gente da esquerda que dizia que a Globo inventou o protagonista Jean Pierre com mensagem subliminar para que o povo elegesse o Collor com o discurso moralizante para se contrapor à gestão do toma lá, dá cá do Sarney”.

Bytes: Em discurso na última quinta-feira no Senado, Collor voltou a afirmar que membros do Ministério Público vazaram os autos dos inquéritos das Operações Vegas e Monte Carlo da Polícia Federal para determinados veículos da imprensa, em especial a revista “Veja”. Ele pediu que a CPI do Cachoeira investigue o caso. “Os procuradores Daniel de Resende Salgado, Léa Batista de Oliveira e Alexandre Camanho de Assis, sob a tutela do senhor Roberto Gurgel (procurador-geral da República), entregaram no dia 2 de março deste ano, por volta do meio-dia, os autos dos inquéritos das operações Vegas e Monte Carlo aos jornalistas da Veja, Rodrigo Rangel e Gustavo Ribeiro”, afirmou Collor. O senador informou ter apresentado vários requerimentos de informações, principalmente ao Ministério Público, pedindo esclarecimentos sobre as denúncias, mas disse que as respostas que recebeu foram "insuficientes, contraditórias, omissas, evasivas e incompletas". Collor também apresentou representações contra o procurador-geral da República, questionando e denunciando a conduta dele em relação às ações do Ministério Público sobre as Operações Vegas e Monte Carlo. Para o senador, Gurgel prevaricou ao passar meses sem adotar ações baseadas nas investigações da Polícia Federal.

Aparecida: Qual é a base científica da história? A dialética?

Bytes: Freud, patriarca da ciência contemporânea, disse a Einstein que é o problema é complexo porque os “anciãos da horas” carreiam toda a sua “libido” para a correlação direito x força. No dicionário cristão a “força vital” é traduzida por “concupiscência”, ação vítima do espaço-tempo que cria a matéria. Muito bem explicada pelo filósofo Paulo de Tarso, “apóstolo dos gentios”.

Aparecida: Ah, entendi! Escreveu Paulo aos romanos sobre a dimensão da carne: “Para mim tenho por certo que os sofrimentos deste tempo não são para comparar com a glória que em nós há de ser revelada. Porque a ardente expectação da criatura espera a manifestação dos filhos de Deus. Porque a criação ficou sujeita à vaidade, não por sua vontade, mas por causa do que a sujeitou. Na esperança de que também a mesma criatura será libertada da servidão da corrupção, para a liberdade da glória dos filhos de Deus. Porque sabemos que toda a criação geme e está juntamente com dores de parto até agora. E não só ela, mas nós mesmos, que temos as primícias do Espírito, também gememos em nós mesmos, esperando a adoção, a saber, a redenção do nosso corpo”.

A rádio Israel divulgou hoje (17) que o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, pretende sugerir a seus ministros a aprovação de parte de um documento polêmico sobre os assentamentos na Cisjordânia. O projeto, chamado de Relatório de Levy, defende que o governo legalize as colônias e que o domínio de Israel na região não pode ser considerado mais uma “ocupação militar”, o que causaria grande controvérsia na comunidade internacional. Os rumores sobre o projeto do premier surgem dias depois do país ter aprovado a dissolução do Parlamento para antecipar as eleições para o no que vem. Em entrevista ao “Jerusalem Post”, o ministro da Defesa do país, Ehud Barak, condenou a suposta proposta do premier. Segundo ele, a aprovação do relatório não ajudaria no fortalecimento dos assentamentos e também causaria um maior isolamento diplomático de Israel. Uma fonte do governo israelense, que não quis ser identificada, disse ao diário “Haaretz” que o premier pretende aprovar “partes práticas” do relatório, relacionadas apenas ao status legal de construções em algumas regiões da Cisjordânia, como a Samaria e a Judéia (nomes bíblicos adotados por Israel). O ministro israelense dos Transportes, e dirigente do partido conservador Likud, saiu em defesa do documento. Israel Katz afirmou que a aprovação de partes do relatório não significaria “a declaração de soberania das zonas e nem a anexação da população palestina”. Segundo ele, a iniciativa só serviria para “reforçar e melhorar a vida diária dos habitantes das comunidades judias que têm os mesmos direitos que outros israelenses”. O Relatório de Levy foi elaborado pelo juiz da Suprema Corte israelense, Edmond Levy, que se aposentou há três meses. Segundo o documento, as construções de assentamentos na região não são ilegais, considerando leis internacionais firmadas na Quarta Convenção de Genebra. O projeto também afirma que antes de 1967 nenhum Estado havia firmado soberania na Cisjordânia, mesmo que a Jordânia tenha governado a região entre 1949 e 1967.  O relatório pode colocar mais fogo na fogueira no Oriente Médio. Antes mesmo de sua divulgação, o líder da rede terrorista Al Qaeda, Ayman al Zawahri, convocou no sábado os muçulmanos a uma Guerra Santa contra os Estados Unidos e Israel por causa do vídeo que faz uma sátira ao profeta Maomé. Zawahri criticou também o presidente dos EUA, Barack Obama, por deixar que fosse aprovado o reconhecimento de Jerusalém como capital de Israel na Convenção Democrata, em setembro. Ele disse que a declaração e as orações feitas por Obama no Muro das Lamentações, em Jerusalém Ocidental, em 2008, mostram que os islâmicos enfrentam uma "cruzada sionista liderada pelos Estados Unidos". Zawahri assumiu o controle da Al Qaeda após a morte de Osama Bin Laden e vem ganhando força como demonstram bandeiras da facção terrorista que foram hasteadas por simpatizantes na Líbia e no Egito durante os protestos contra o filme “Inocentes mulçumanos”. Ao mesmo tempo os Estados Unidos demonstraram repúdio à reivindicação palestina de mudar o seu status junto à Organização das Nações Unidas (ONU). Segundo Washington, a proposta poderá colocar em perigo o processo de paz com Israel e dificultar a retomada das conversações para uma solução de dois Estados. O presidente da Assembleia Geral da ONU, Vuk Jeremic, já disse que a questão provavelmente será debatida em meados de novembro, depois da eleição norte-americana. O governo dos EUA argumenta que um Estado palestino pode ser criado apenas por meio de conversas diretas. "Ações unilaterais, incluindo as iniciativas para conceder aos palestinos o status de Estado observador não membro nas Nações Unidas apenas colocariam em perigo o processo de paz e complicariam os esforços para levar as partes de volta às negociações diretas", disse a embaixadora norte-americana na ONU, Susan Rice, ao Conselho de Segurança da ONU durante um debate sobre a situação no Oriente Médio. Em meio ao impasse, o governo brasileiro declarou que usará toda a sua influência política para resolver o conflito na região. No domingo (14), o ministro das Relações Exteriores brasileiro, Antonio Patriota, se reuniu com o presidente de Israel, Shimon Peres. O chanceler levou uma mensagem da presidente Dilma Roussef em favor do diálogo e da busca pela paz. O ministro afirmou que o Brasil terá um papel mais participativo nos esforços pela paz na região. “Veremos o Brasil adotando um perfil em linha com seu peso econômico, ao fato de que mantemos relações amigáveis com todos os membros das Nações Unidas e não temos inimigos", disse Patriota a Peres. O chefe de Estado israelense pediu ao chanceler brasileiro que o Brasil boicote encontros com presidente iraniano, Mahmud Ahmadinejad. A visita de Patriota começou numa comunidade rural de brasileiros no sul do país, perto da divisa com a faixa de Gaza. Pouco após sua partida do kibutz Bror Hail, no deserto do Neguev, um foguete disparado de Gaza caiu a cerca de 20 km de distância, na cidade israelense de Netivot. Anteontem, o chanceler brasileiro foi à Cisjordânia para se reunir com o presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas. Em Ramallah, Patriota participou da cerimônia em homenagem ao falecido líder palestino Yasser Arafat (acima). No encontro, Abbas apelou para que a comunidade internacional se empenhe não só na busca pela paz no Oriente Médio, mas também na criação do Estado da Palestina independente e autônomo. Ontem, o chanceler brasileiro se reuniu com o presidente da Jordânia, rei Abdullah II. O monarca demonstrou interesse em desenvolver parcerias com o Brasil para projetos no mar Morto e mar Vermelho, assim como acordos nas áreas de energia elétrica, agricultura e saúde. No projeto relacionado ao mar Morto e ao mar Vermelho, os brasileiros deverão entrar na área de dessalinização da água, gerando oportunidades e emprego, além de cooperar com a formação de mão de obra profissional especializada. As autoridades jordanianas sinalizaram que em breve ocorrerão as licitações. 

Tico: No dia de hoje o preço do barril de petróleo disparou no mercado internacional após s países árabes retaliarem os países ocidentais que apoiaram Israel na Guerra do Yom Kippur, em 1973. Começava a chamada “crise do petróleo”. Em apenas cinco meses, o preço do “ouro negro” subiu 400%, o que provocou prolongada recessão nos Estados Unidos e na Europa e desestabilizou a economia mundial. Há 39 anos. 

Teco: No dia de hoje a junta militar que deu um contragolpe no Brasil, assumindo o poder no lugar do vice constitucional Pedro Aleixo, promulgou a Emenda Constitucional nº.1, incorporando dispositivos do AI-5 à Constituição. A ação resultou no estabelecimento do que foi conhecido como “Constituição de 1969”. Com o Ato Institucional nº. 5, o Brasil deixou de ser uma nação incorporada ao Estado de Direito. Entre outras medidas, o presidente da República podia decretar o recesso do Congresso Nacional, das Assembléias Legislativas e das Câmaras de Vereadores, que só voltariam a funcionar quando o presidente os convocasse. O Poder Judiciário também se subordinava ao Executivo, pois os atos praticados de acordo com o AI-5 e seus Atos Complementares se excluíam de qualquer apreciação do terceiro poder da República. O Estado tinha autorização também para vigiar os cidadãos e podia proibi-los de freqüentar lugares públicos, assim como proibia manifestações de natureza política. Há 43 anos. 

Bytes: No dia de hoje as ossadas do guerrilheiro argentino Che Guevara, executado na Bolívia, foram enterradas em Cuba. Em 1997 seus restos mortais foram encontrados por pesquisadores numa vala comum, junto a outras ossadas, na cidade de Vallegrande, a cerca de 50 km de onde ocorreu a sua execução. Sua ossada estava sem as mãos, que foram amputadas logo após a sua morte para servir como troféu aos seus algozes. O sepultamento de Che em Cuba ocorreu com honras de chefe de Estado, na presença de membros da sua família e de Fidel Castro, líder e antigo companheiro do guerrilheiro na Revolução Cubana de 1959. Seu corpo encontra-se no Mausoléu Guevara, em Santa Clara, província de Villa Clara. Há 15 anos.

Aparecida: No dia de hoje nascia, há 81 anos, o vice-presidente José Alencar. Assisti hoje ao vídeo produzido sobre a vida dele na “TV Folha”. A biografia mostra a história de um empresário mineiro de sucesso que gostava do diálogo e não aceitava o preconceito político. E que defendia juros baixos no País.

Bytes: No dia de hoje morreu, em Paris, há 163 anos, o pianista polonês Frederic Chopin. Entre as suas obras, está a famosa obra “Marcha Fúnebre”.

Aparecida: No dia de hoje nascia, há 97 anos, o dramaturgo estadunidense Arthur Miller, autor de “As bruxas de Salém”, peça ensaiada em todo o mundo, inclusive pelo grupo teatral do meu filho. A história foi baseada na caça às bruxas em Hollywood quando o senador direitista Joseph McCarthy passou a perseguir “supostos comunistas” no meio artístico estadunidense. O episódio, ocorrido no início da Guerra Fria, é um exemplo da violência à “liberdade de expressão” pautada por uma sociedade conservadora. 

Bytes: Ontem eu fui assistir ao filme “Intocáveis”, dos cineastas franceses Eric Toledano e Olivier Nakache (acima). É uma história real sobre o relacionamento entre um milionário tetraplégico, que teve a sua vida marcada por tragédias; e um rebelde africano e ex-prisioneiro tendo como cenário a França contemporânea. Philippe, o aristocrata rodeado de quadros retratando o período monárquico no país, perdeu os movimentos ao cair de um parapente e precisa contratar alguém para cuidar dele. Driss é um jovem problemático, nascido no Senegal, ex-colônia francesa, que não tem a menor paciência em cuidar de pessoas dependentes. Morador da periferia francesa, igual a tantas outras do mundo, com o tráfico de drogas presente nas ruas, Driss não quer o emprego e sim que o milionário assine o documento emitido pela Seguridade Social do país para dizer que ele continua a procurar emprego. Atenderia, assim, a exigência do sistema de proteção social francês para continuar a receber o valor do seguro-desemprego. Moral da história? Acaba empregado e desenvolvendo uma relação afetuosa com o seu patrão. No início do convívio, Philippe pergunta a Driss, referindo-se ao seguro-desemprego: “O que você acha de viver às custas dos outros?” Responde o rebelde empregado: “E você?”, referindo-se à dependência dos enfermeiros. A inteligência é a marca do filme. E o bom humor negro. A cena em que Driss ouve obras da música clássica e vai as relacionando com a sua cultura popular demonstra a grande sensibilidade dos roteiristas. Assim constroem o universo do caminho para o  multiculturalismo a partir de um cenário trágico e irreversível.

Aparecida: Eu li que o filme “Intocáveis” é o mais visto da história no exterior. Os investidores não creram no sucesso quando receberam o roteiro. Meu filho gostou muito de "Os intocáveis"filme norte-americano dirigido pelo Brian de Palma que trata do crime nos Estados Unidos durante a Lei Seca. A cena do carrinho de bebê descendo pela escada é antológica. 

Bytes: Por falar de roteiro, o presidente François Hollande declarou solenemente no sábado, perante a Assembleia Nacional senegalesa, em Dacar, o fim da "Françafrique" e defendeu relações com a África marcadas pela "sinceridade". "O tempo da `Françafrique` acabou: há a França, há a África e há a cooperação entre França e África, com relações fundadas no respeito, na transparência e na solidariedade", declarou Hollande.

Aparecida: O que é "Françafrique?"

Bytes: A expressão é utilizada para descrever as redes de influência ocultas, que mistura desde os anos de 1960 a política, os negócios e a especulação nas relações econômicas entre Paris e as suas antigas colônias africanas, como o Senegal.

Aparecida: Ah, entendi! Na novela “Avenida Brasil” a Noemia, a “esposa” intelectual do Cadinho, interpretou a estratégia dele para manter o seu harém: “Ele tentou nos dividir para governar, mas agora estamos mais unidas do que nunca”.

Bytes: Ontem, o ministro da Defesa francês, Jean-Yves le Drian, disse que uma intervenção militar africana no Mali, que se tornou "um santuário terrorista", pode ocorrer nas "próximas semanas".

Aparecida: Por falar em guerra ao terror, o que você acha da influência brasileira no Médio Oriente?

Bytes: O que podemos afirmar é que Patriota fez a mesma peregrinação que Putin, enxadrista e faixa preta de judô, realizou pela Terra Santa em 2012. Para os capitalistas, meia palavra basta.

Aparecida: Ah, entendi! Escreveu o apóstolo João, o “discípulo amado”, acerca do Mistério: “No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus. Ele estava no princípio com Deus. Todas as coisas foram feitas por ele, e sem ele nada do que foi feito se fez. Nele estava a vida, e a vida era a luz dos homens. E a luz resplandece nas trevas, e as trevas não a compreenderam. Houve um homem enviado de Deus, cujo nome era João. Este veio para testemunho, para que testificasse da luz, para que todos cressem por ele. Não era ele a luz, mas para que testificasse da luz. Ali estava a luz verdadeira, que ilumina a todo o homem que vem ao mundo. Estava no mundo, e o mundo foi feito por ele, e o mundo não o conheceu. Veio para o que era seu, e os seus não o receberam. Mas, a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus, aos que crêem no seu nome. Os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas de Deus. E o Verbo se fez carne, e habitou entre nós, e vimos a sua glória, como a glória do unigênito do Pai, cheio de graça e de verdade. João testificou dele, e clamou, dizendo: Este era aquele de quem eu dizia: O que vem após mim é antes de mim, porque foi primeiro do que eu. E todos nós recebemos também da sua plenitude, e graça por graça. Porque a lei foi dada por Moisés; a graça e a verdade vieram por Jesus Cristo. Deus nunca foi visto por alguém. O Filho unigênito, que está no seio do Pai, esse o revelou. E este é o testemunho de João, quando os judeus mandaram de Jerusalém sacerdotes e levitas para que lhe perguntassem: Quem és tu? E confessou, e não negou; confessou: Eu não sou o Cristo. E perguntaram-lhe: Então quê? És tu Elias? E disse: Não sou. És tu profeta? E respondeu: Não. Disseram-lhe pois: Quem és? para que demos resposta àqueles que nos enviaram; que dizes de ti mesmo? Disse: Eu sou a voz do que clama no deserto: Endireitai o caminho do Senhor, como disse o profeta Isaías. E os que tinham sido enviados eram dos fariseus. E perguntaram-lhe, e disseram-lhe: Por que batizas, pois, se tu não és o Cristo, nem Elias, nem o profeta?João respondeu-lhes, dizendo: Eu batizo com água; mas no meio de vós está um a quem vós não conheceis.Este é aquele que vem após mim, que é antes de mim, do qual eu não sou digno de desatar a correia da alparca. Estas coisas aconteceram em betânia, do outro lado do Jordão, onde João estava batizando. No dia seguinte João viu a Jesus, que vinha para ele, e disse: Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo. Este é aquele do qual eu disse: Após mim vem um homem que é antes de mim, porque foi primeiro do que eu. E eu não o conhecia; mas, para que ele fosse manifestado a Israel, vim eu, por isso, batizando com água. E João testificou, dizendo: Eu vi o Espírito descer do céu como pomba, e repousar sobre ele. E eu não o conhecia, mas o que me mandou a batizar com água, esse me disse: Sobre aquele que vires descer o Espírito, e sobre ele repousar, esse é o que batiza com o Espírito Santo”.

Tico: O que você acha da tensão entre dois impérios: Rússia e Turquia?

Teco: O que podemos afirmar é que nossos filhos poderão aprender na história como se iniciou a Terceira Guerra Mundial, a química, biológica e nuclear. Assim como sabemos que a origem da Primeira ocorreu por causa da tensão nos Bálcãs e não em Damasco. Naquele tempo a Turquia viu o seu império, que dominava todo o “energético” Médio Oriente, se fragmentar de vez por ter sido “país vencido”. O despojo foi dividido entre os “países vencedores”: Inglaterra e França. Do outro lado da Eurásia, os Estados Unidos despontaram de vez como “império”. É apenas uma síntese para entendermos o mundo contemporâneo. E história, a “soberana”.

Bytes: Por sua afinidade com o cristianismo mais ortodoxo, a Armênia recebeu apoio da Rússia acerca da tensão com a Turquia após um avião armênio também ter sido impedido de seguir viagem sobre o espaço aéreo turco. “A República da Armênia foi e continua sendo aliada confiável da Rússia”, declarou Putin em mensagem de saudação aos participantes e convidados da segunda convenção do Congresso Mundial Armênio, que começou anteontem em Yerevan. Segundo ele, os russos e armênios foram unidos por laços de amizade, respeito mútuo e afinidade espiritual por mais de um século. “As relações bilaterais vêm se desenvolvendo com sucesso, com base em boas tradições, e atingiram o nível de parceria estratégica”, acrescentou. O presidente russo desejou aos delegados "do fundo do seu coração" um frutífero trabalho e sucesso e expressou ao “povo irmão” da Armênia bem-estar e prosperidade. Yerevan reivindica que o mundo considere como genocídio a morte de milhares de armênios pelos turcos durante a Primeira Guerra Mundial, uma condenação que Ancara não aceita por considerar que foram apenas crimes de guerra.

Aparecida: Por falar em “bom coração”, Putin foi agraciado com uma exposição em sua terra natal, São Petersburgo, no domingo retrasado, em homenagem aos seus 60 anos de vida, chamada “Presidente, homem muitíssimo bondoso”. Em várias cidades russas, os cidadãos puderam escrever as suas mensagens ao líder russo em postais gigantes. A Televisão Independente, de propriedade da estatal de energia Gasprom, exibiu um documentário sobre Putin. Os jornalistas estiveram com ele por uma semana e puderam filmá-lo em momentos informais raros: na piscina antes do trabalho, nos bastidores de um fórum de investimentos, numa comitiva de automóvel em alta velocidade e até a sua privacidade em sua casa à noite”. A associação de motoqueiros Lobos da Noite presenteou Putin com um colete estampado por uma águia bicéfala russa e a inscrição "Presidente da Rússia" nas costas e um lobo estilizado no peito. Um grupo de alpinistas filiados ao movimento Guarda Jovem, de apoio a Putin, colocou um retrato do presidente no topo de uma montanha na região do Cáucaso que dizem simbolizar a união do país sobre seu comando. "Nós colocamos a foto de Putin numa pedra para mostrar que ele é inquebrantável e eterno. Nós celebramos ele do fundo do nosso coração por ter feito tantas coisas corajosas por nosso país", disse o alpinista Kazbek Khamitsayev. Os sociólogos russos consideram que Putin é o presidente mais popular na Rússia e no mundo. "Hoje é evidente que Vladimir Putin é o político mais popular do país, com um apoio de 72%. Obama tem o apoio de 35% e Hollande 46", analisou Konstin Kostin, diretor do Centro de Opinião Pública.

Bytes: Putin venceu as eleições regionais, mas os analistas dizem que o pleito foi marcado pela apatia devido ao grande número de abstenções. Houve também críticas ao culto à personalidade pela Internet. "Lenin, com 52 anos, era apelidado de bom papai Lenin", afirmou o blogueiro @zehnerson pelo Twitter. O fundador da extinta União Soviética morreu aos 53 anos. A minha amiga Nadja me escreveu dizendo que muitos “profetas” já anteviam há uma década a euforia nacionalista que haveria de vir após a divulgação de um hit pelas rádios enaltecendo a imagem do atual mandatário do país: "E agora eu quero um homem como Putin / Alguém como Putin, cheio de força / Alguém como Putin, que não beba / Alguém como Putin, que não me machuque / Alguém como Putin, que não fuja". O grupo de meninas que cantava a música com as cores da bandeira russa, já revelava o tom patriótico que tomaria conta do país nos próximos anos. O grupo de rock rebelde P**** Riot, no entanto, está atrás das grades por ter invadido o altar da Catedral do Cristo Salvador, maior igreja ortodoxa do país, para pedir a Nossa Senhora que tire Putin do poder”.

Aparecida: Por falar em Igreja Ortodoxa Russa, um monumento para o patriarca Alexiy II, falecido em 2008, foi inaugurado no último domingo em Minsk na Bielorrússia. Durante a cerimônia de inauguração, o patriarca Kirill destacou a mesma fé como fator que une a Rússia, a Bielorrússia e a Ucrânia. Ele parabenizou todos os cristãos por ocasião da Festa da Proteção da Mãe de Deus e apelou pela paz dos três povos-irmãos, “unidos pelo passado e, possivelmente, num futuro único”.

Bytes: Enquanto isso, as autoridades norte-coreanas removeram as imagens de Karl Marx e Vladimir Lênin de Pyongyang. Segundo o jornal britânico “The Daily Telegraph”, a desmontagem dos retratos foi feita no verão passado, sem alguma razão aparente. Supõe-se que isso poderia estar ligado à política de abertura na Coreia do Norte.

Aparecida: E como pensa o governo dos Estados Unidos?

Bytes: Deu no jornal “O Globo” de 15 de outubro de 1962, cuja manchete foi “O regime de Castro cairá por si mesmo, disse Kennedy”: “O presidente Kennedy, em discurso através de programa de TV, reafirmou sua convicção de que o regime de Castro cairá por si mesmo. Acrescentou que o seu govêrno está dando todos os passos necessários no sentido de isolar o regime castrista em Cuba. Adiantou que o problema de Cuba não deveria ser de tema na atual campanha política para as eleições parlamentares em novembro. O presidente reiterou sua política tendente a reincorporar Cuba à comunidade livre do Hemisfério por todos os meios possíveis, exceto pela intervenção militar”. E mais: “O senador Juscelino Kubitschek (PSD-Goiás) reafirmou que será candidato à Presidência da República, em 1965, baseando essa afirmação na certeza de que, no referendo de 6 de janeiro próximo, o povo brasileiro manifestará o desejo de que volte o presidencialismo a ser o regime de govêrno”. E mais: O presidente Jango e Juscelino Kubitschek, durante demorado encontro, sábado, em Brasília, ultimaram os pormenores da aliança PSD-PTB, agora mais fortalecida e generalizada. O nôvo presidencialismo será estruturado por pessedistas e petebistas antes do plebiscito, dando ao pronunciamento popular um caráter de ratificação”.

Aparecida: Deu no jornal “O Globo” de 15 de outubro de 2012, 50 anos depois: “Após pacificação. Estado fará bairro em área de refinaria. Cabral anuncia desapropriação para revitalizar Manguinhos. Presidente da empresa se diz surpreso com a decisão. Terreno será descontaminado para a construção de apartamentos, áreas de lazer, postos de saúde e escolas”. E mais: Beltrame: Não termos mais uma Faixa de Gaza na cidade”.

Bytes: Anteontem, a Refinaria de Petróleos de Manguinhos solicitou a suspensão dos negócios com ações da empresa na BM&FBovespa, por prazo indeterminado. O pedido foi feito um dia depois da operação policial de pacificação das regiões de Manguinhos e de Jacarezinho, no subúrbio do Rio de Janeiro, quando o governador Sérgio Cabral anunciou, de acordo com o jornal "O Globo", uma série de medidas de recuperação da região onde está instalada a refinaria, incluindo a desapropriação da área para a construção de um bairro-modelo.

Aparecida: O seu Carlos disse, anteontem, exaltado: “A desapropriação da Refinaria de Manguinhos é uma agressão a uma empresa de capital aberto para fazer populismo como o César Maia fez no favela-bairro para ganhar a eleição”. 

Bytes: Em apenas 20 minutos, os policiais civis e militares ocuparam os complexos de Manguinhos e Jacarezinho. Mas quem se divertiu com a presença da polícia foram as crianças da comunidade com a promessa do fim da faixa de Gaza carioca (acima).

Aparecida: O seu Carlos disse: “Esse arremedo de secretário de Segurança do Rio diz que a chegada da pacificação às favelas significa o fim da faixa de Gaza. O fim do terrorismo naquele território do Médio Oriente acontecerá porque Israel não tem peninha dos chamados excluídos e sim sabe que matar o líder dos safalistas é o caminho para a paz. Israel trouxe prosperidade àquela região. Essa raça, que dá corda a essa gente, comemora dizendo que não houve um tiro na ocupação. Claro que não poderia haver. Parece a cena da novela “Que rei sou eu?”. O falso príncipe, que estás prestes a ser coroado rei, dá um prazo de 48 horas para que os rebeldes abandonem o reino. Assim é muito fácil”.

Bytes: O momento de relativa paz que viveu a Faixa de Gaza provocou a valorização nos preços dos imóveis. Eles subiram em média 50% no ano passado. Segundo analistas, quem ganhou dinheiro com a valorização foram os traficantes que operavam nos rentáveis túneis que ligam a Faixa de Gaza ao Egito. Ao desobedecerem a lei imposta por Israel, eles atendiam à população palestina que necessitava do livre trânsito de mercadorias.

Aparecida: O seu Carlos disse ainda, exaltado: “O objetivo dessa raça é fixar os favelados nas áreas nobres da cidade em vez de removê-las para um local bem longe, mas seguro e com os serviços básicos. Nos chamam de insensíveis, mas queremos o bem dessa gente. Não queremos abandoná-las como fez o prefeito Pereira Passos no início do século passado. Essa raça que está no poder na cidade está fabricando futuros marginais que vão roubar os celulares dos homens de bem, a exemplo do menor dos projetos sociais do morro do Cantagalo que foi preso em flagrante na última sexta-feira. O marginalzinho foi um dos contemplados com a reforma de sua casa pelo programa do carente do Luciano Huck, no quadro Lar, meu doce lar, mas continuou com maus pensamentos. É capaz de vender a casa reformada pela Globo e ainda dizer como aquela favelada no Jornal Nacional sobre a moradia recebida de graça pelo Cabral e pelo Lula na Rocinha, no programa Minha casa, minha vida: Antes eu morava muito melhor do que a espelunca que recebi do governo. Tudo isso é um sinal para a sociedade entender sobre o que esse pessoal dos direitos humanos está plantando na cidade para colhermos no futuro por causa de sua ideologia: a violência”.        

Bytes: Por falar em Cantagalo, o Instituto Pereira Passos contratou 57 moradores de favelas com Unidades de Polícia Pacificadora que produzirão mapas de 22 territórios pacificados, onde há 120 comunidades e cerca de 400 mil pessoas. O objetivo é que as comunidades da UPP entrem oficialmente no mapa da cidade do Rio.

Aparecida: Por falar em Rio, o filme “5X Pacificação”, sobre as UPPs cariocas vai participar do Festival Ventana Sur, em Buenos Aires, em dezembro, e do American Film Market, em Los Angeles, nos Estados Unidos, no início de novembro. 

Bytes: Anteontem, o fotógrafo estadunidense Douglas Mayhew lançou o livro “Inside the favelas”, na sofisticada Rizzoli Bookstore, em Nova York.

Aparecida: Está escrito no Evangelho, a “Boa Notícia”: “E Chegavam-se a ele todos os publicanos e pecadores para o ouvir. E os fariseus e os escribas murmuravam, dizendo: Este recebe pecadores, e come com eles. E ele lhes propôs esta parábola, dizendo: Que homem dentre vós, tendo cem ovelhas, e perdendo uma delas, não deixa no deserto as noventa e nove, e não vai após a perdida até que venha a achá-la? E achando-a, a põe sobre os seus ombros, gostoso; E, chegando a casa, convoca os amigos e vizinhos, dizendo-lhes: Alegrai-vos comigo, porque já achei a minha ovelha perdida.Digo-vos que assim haverá alegria no céu por um pecador que se arrepende, mais do que por noventa e nove justos que não necessitam de arrependimento. Ou qual a mulher que, tendo dez dracmas, se perder uma dracma, não acende a candeia, e varre a casa, e busca com diligência até a achar? E achando-a, convoca as amigas e vizinhas, dizendo: Alegrai-vos comigo, porque já achei a dracma perdida. Assim vos digo que há alegria diante dos anjos de Deus por um pecador que se arrepende”.

AO PRÊMIO NOBEL DA PAZ DE 1979

Rio de Janeiro, 17 de outubro de 2012

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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