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“EUROPA MORTA”. A FOTOGRAFIA DA HISTÓRIA É IMPRESSA NUA E CRUA NA TELA DA CIVILIZAÇÃO

A polícia grega prendeu hoje (4/10) 106 pessoas após um protesto organizado por operários de estaleiros, que ocuparam o Ministério da Defesa para reivindicar o pagamento de seus salários atrasados, e foram reprimidos com o uso de gás lacrimogêneo. Como os trabalhadores se negaram a abandonar o local, o chefe do Estado-Maior do Exército, Mijalis Kostarakis, se dirigiu aos operários por megafone para tentar acalmar os ânimos. "Fomos enganados pelos líderes políticos com diversas promessas que jamais se transformaram em realidade", assinalou um dos trabalhadores em declarações ao canal Skai. Os estaleiros de Skaramangas finalizaram a modernização de dois submarinos alemães para a Marinha grega, mas o Ministério da Defesa decidiu congelar o projeto e não pagou os 1 bilhão de euros que havia prometido. Por conta desta dívida, a empresa proprietária, Hellenic Shipyards S.A., alega que não pode pagar os salários atrasados de seus operários. Na semana passada, os gregos também enfrentaram a polícia para protestar contra cortes no Orçamento, principalmente na área social (acima). Hoje o Fundo Monetário Internacional (FMI) informou que não há um calendário para finalizar as negociações sobre o programa de resgate da Grécia, uma vez que diminuíram em Atenas as esperanças de um acordo com credores internacionais sobre cortes de austeridade antes de uma reunião do Eurogroup na próxima segunda-feira (8). O porta-voz do FMI, Gerry Rice, afirmou que as negociações na Grécia estão focadas em encontrar "medidas sustentáveis e factíveis para colocar a política fiscal de volta nos trilhos, visando a sustentar um programa de total credibilidade". Ontem, o jornal grego “Ta Nea”, citando fontes governamentais, publicou que a "troika", formada pela Comissão Europeia (CE), o Banco Central Europeu (BCE) e o FMI, exigirá novos cortes no Orçamento da Grécia em 2013. A previsão é que o Estado helênico enfrente no próximo ano a sexta recessão seguida. A profunda crise forçou quase um terço dos empresários do distrito comercial de Atenas a fechar suas portas, enquanto rendimentos menores e as greves frequentes afastaram os atenienses do local. Nas ruas comerciais para pedestres da capital, várias lojas permanecem fechadas, enquanto outras ostentam placas nas janelas com "Liquida Tudo". Algumas galerias, antes bastante movimentadas, estão vazias com os prédios às moscas. Em meio a especulações do mercado sobre mais um resgate, a da Espanha, o porta-voz do FMI afirmou à imprensa que o país não pediu ajuda financeira do Fundo. Ao jornal francês “Le Figaro”, a diretora-geral do FMI, Christine Lagarde, disse que não existe risco de desintegração da zona do euro. Ainda assim, alertou que os custos da crise aumentam em função do tempo em que se demora para em resolver os problemas. Anteontem, o primeiro-ministro espanhol, Mariano Rajoy, garantiu ao Parlamento que a Espanha não pedirá ajuda o FMI. Ele disse que conseguiu fazer acordo com as regiões autônomas que começaram a pleitear a separação de Madri a cada agravamento da situação econômica do país. Na véspera (1), relatório do Escritório Estatístico Europeu (Eurostat) informou que o desemprego na zona do euro e no conjunto da União Europeia bateu um novo recorde histórico, impulsionado pelas taxas na Espanha (25,1%). Na quarta-feira passada (26), milhares de manifestantes voltaram a se concentrar no centro de Madri após os violentos protestos na véspera perto do Parlamento, na praça Netuno e no Passeio do Prado. Pelo menos 64 pessoas ficaram feridas e 38 pessoas foram detidas. Na França, a política de austeridade fiscal do governo socialista vem gerando instabilidade política e social. Anteontem, o Parlamento francês começou a discutir a ratificação do tratado de Orçamento europeu. Segundo os analistas, a tarefa não vai ser fácil para o governo porque o acordo deverá ser conseguido com o apoio da direita, o que frustrará os eleitores que votaram em François Hollande. O primeiro ministro Jean-Marc Ayrault afirmou aos deputados que o tratado não reduz a soberania de França. “Ouço as dúvidas. Entre os que vacilam há alguns amigos, mas eu não lhes atirarei a pedra", disse, aludindo aos deputados de esquerda que pretendem votar contra o tratado. Segundo Ayrault, o tratado em si não leva a nenhuma obrigação sobre o nível do gasto público, nem sobre sua distribuição e "não dita em absoluto o método que se deve empregar para reequilibrar as contas públicas". "A soberania orçamentária continuará no Parlamento", garantiu significa uma "reorientação decisiva para o futuro da construção europeia". Na véspera, o governo francês apresentou o Orçamento para a seguridade social com mais de 5 bilhões de euros em novos cortes, além do aumentos de impostos. No mesmo dia a ArcelorMittal avisou a sindicatos que fechará de vez dois altos-fornos no nordeste da França, revoltando os trabalhadores que bloquearam o acesso à fábrica de aço que temem o desemprego. Na véspera, milhares de franceses saíram às ruas de Paris para reivindicar uma “Europa solidária” e contra a política de austeridade, após convocação de organizações e partidos, entre elas a Frente de Esquerda. Em Portugal também houve protestos dos trabalhadores após o anúncio do governo de um aumento de 30% no Imposto de Renda.

O Parlamento turco deu autorização hoje (4) para operações militares fora da fronteira do país se o governo julgar necessário. Na prática, a aprovação é uma resposta a um ataque sírio que na véspera matou cinco civis em território turco. “A Turquia não tem interesse numa guerra com a Síria. Mas a Turquia é capaz de proteger suas fronteiras e retaliar quando necessário”, disse Ibrahim Kalin, um assessor do primeiro-ministro Tayyip Erdogan, no Twitter. “Iniciativas políticas e diplomáticas vão continuar”, acrescentou. Hoje a Rússia conseguiu impedir a aprovação no Conselho de Segurança da ONU um texto que condenava a Síria por ter estendido o conflito até a Turquia. Moscou propôs um texto mais brando, pedindo por "contenção" na fronteira sem mencionar violações à legislação internacional. No Paquistão, o ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, que as autoridades da Síria confirmem oficialmente que o recente ataque contra território turco foi um acidente. Mais tarde Damasco pediu desculpas oficialmente a Ancara pelo ocorrido. O vice-primeiro-ministro turco, Besir Atalay, informou que o governo sírio assegurou às autoridades turcas que "um incidente deste tipo não se repetirá". É a segunda vez que há tensão entre os dois países. Em junho, o avião de reconhecimento turco RF-4E foi derrubado pela Síria. Na época Ancara reagiu verbalmente, mas o caso não teve retaliação. Após conversa com o presidente russo, Vladimir Putin, por iniciativa do chefe de governo turco, os dois líderes distribuíram nota na qual enfatizaram a “real necessidade de investigar rigorosamente as circunstâncias do caso”. Ontem, disparos de obuses sírios invadiram o espaço aéreo turco matando civis na vila turca de Akcakale na fronteira com a Síria (acima). A retaliação de Ancara levou a morte de dezenas de soldados sírios. O conflito acabou elevando o preço do barril do petróleo, que chegou a subir 4,05%. Na ONU houve repercussão à tensão entre os dois países. "Uma vez que a situação dentro da Síria se deteriora... os riscos de conflito regional e a ameaça à paz internacional e segurança também estão aumentando", reagiu o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon. "Condenamos fortemente os ataques sírios à Turquia", declarou a chanceler alemã Angela Merkel. Segundo ela, a Alemanha está do lado da Turquia. O chanceler francês Laurent Fabius disse que espera uma condenação clara do governo sírio pelo Conselho de Segurança. Para seu colega britânico, William Hague, a reação militar de Ancara é compreensível. "Declaramos nossa profunda solidariedade para com a Turquia. O governo sírio precisa garantir que um incidente do tipo não se repita", disse o chanceler britânico. O presidente da Bulgária, Rosen Plevneliev, pediu providências porque o seu país, vizinho da Turquia, teme uma onda de refugiados. O conflito verbal começou na segunda-feira na ONU quando Damasco acusou os Estados Unidos, a França e a Turquia "de incentivarem e apoiarem o terrorismo na Síria". O chanceler sírio Walid Muallem acusou também os EUA de usarem a existência de armas químicas no país como pretexto para uma intervenção militar, assim como foi feito para justificar a ocupação do Iraque, em 2003. "Isso é um invento da administração americana. As armas químicas existem, mas como vamos usá-las contra o nosso povo?", alegou. A oposição síria anunciou uma grande ofensiva após a secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, ter divulgado na semana passada que Washington enviaria mais US$ 45 milhões para os insurgentes. Ontem, pelo menos 40 pessoas morreram e cerca de 90 ficaram feridos após explosão em Aleppo, cidade financeira do país, durante visita de Bashar Al-Assad. As explosões visaram um clube de oficiais, um hotel e postos militares, disse o Observatório sírio dos Direitos Humanos, organização não governamental sediada em Londres. "A maioria dos mortos e feridos são membros das forças governamentais", indicou uma fonte médica à Ong. No mesmo dia os rebeldes do Exército Livre Sírio (ELS) confirmaram que mataram um dirigente do grupo xiita libanês Hezbollah identificado como Mohammed Hussein al Hajj Nassif durante uma operação na província central de Homs. Ao mesmo tempo cresce a tensão entre Síria e Israel. O exército israelense denunciou que homens armados foram vistos nas proximidades das Colinas de Golã, palco de disputa entre os dois países na Guerra dos Seis Dias. No mês passado, morteiros explodiram em território de Israel, mas ninguém ficou ferido. Anteontem, a Rússia disse à Otan e às potências ocidentais que não devem buscar formas de interferir no conflito sírio ou instalar zonas de proteção entre rebeldes e forças do governo. "Em nossos contatos com parceiros da Otan e na região, estamos pedindo a eles que não busquem pretextos para estabelecer um cenário militar ou introduzir iniciativas como corredores humanitários ou zonas de proteção", disse Gatilov, de acordo com a agência de notícias Interfax. No mês passado o novo presidente do Egito, Mohamed Morsi, também se opôs a uma intervenção estrangeira na Síria. "O Egito está comprometido a prosseguir com os esforços sinceros que vem exercendo para pôr fim à catástrofe na Síria dentro de uma estrutura árabe, regional e internacional", afirmou Morsi em seu primeiro discurso na ONU. “Essa solução deve ser aquela que preserva a unidade deste Estado fraternal, envolva todas as facções do povo sírio sem discriminação racial, religiosa ou sectária e poupe a Síria dos perigos de uma intervenção militar estrangeira que nos opomos", acrescentou. Anteontem, um avião de carga iraniano com destino a Damasco foi obrigado a pousar quando cruzava o espaço aéreo do Iraque. Um porta-voz do Executivo iraquiano, Ali al Dabbagh, disse em entrevista à TV estatal "Al Iraquiya", que as autoridades da aviação civil pediram à aeronave que aterrissasse no aeroporto internacional de Bagdá, e que a tripulação atendeu à solicitação. Uma vez em solo, o avião foi vasculhado sem que se encontrassem armas ou outros produtos perigosos e teve autorização para seguir viagem. Bagdá, que não se uniu ao coro de países que exigem a saída do líder sírio, Bashar al Assad, atende, assim, a insistentes solicitações dos EUA.

O vice-primeiro-ministro de Israel, Dan Meridor, disse hoje (4) em Paris que é "hora de intensificar e reforçar as sanções" contra o governo do presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad. "Percebemos os efeitos das sanções e do isolamento diplomático do Irã. Não chegamos ao final deste caminho, acho que o que vimos ontem (3) em Teerã é importante", declarou Meridor, referindo-se aos protestos violentos observados durante toda a quarta-feira na capital do país após a histórica queda na cotação da moeda iraniana, o rial. No último domingo (30), o ministro israelense de Relações Exteriores, Avigdor Lieberman, declarou que as pressões internacionais sobre o Irã acabarão por ter um efeito "Tahrir" na população iraniana que poderiam acabar com o regime dos aiatolás. "As manifestações da oposição que aconteceram no Irã em junho de 2009 retornarão com mais força. Na minha opinião, haverá uma revolução iraniana ao estilo de Tahrir", diz o ministro em entrevista publicada pelo jornal "Haaretz". O chefe da diplomacia israelense se referia às manifestações que aconteceram no ano passado na Praça Tahrir do Cairo, onde milhares de egípcios forçaram a renúncia do presidente Hosni Mubarak após três décadas no poder. Para Lieberman, as jovens gerações iranianas "estão cansadas de ser reféns e de sacrificar seu futuro". Anteontem, Ahmadinejad culpou os países ocidentais e Israel eram os principais culpados pela desvalorização recorde da moeda iraniana. Segundo ele, os países ocidentais realizam uma "guerra econômica" em escala mundial contra o Irã para fazê-lo se dobrar. "O inimigo impõe sanções contra as vendas de petróleo. Uma grande parte das divisas são provenientes do petróleo. E, pior, sanções contra movimentações bancárias para que, caso vendamos petróleo, não consigamos repatriar o dinheiro. É uma guerra oculta e pesada em escala planetária", declarou Ahmadinejad. "Nossos amigos do Banco Central tentam encontrar meios (para evitar as sanções). É uma batalha. Eles (os ocidentais) conseguiram fazer com que diminuíssemos um pouco nossas vendas de petróleo, mas vamos compensar. É uma batalha", acrescentou. "O inimigo acredita que pode quebrar a resistência do povo iraniano, mas se engana", finalizou. Em resposta ao líder iraniano, a secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, afirmou que o culpado era o próprio Irã e seu programa nuclear pouco transparente. Hoje, como forma de conter os violentos protestos na cidade de Teerã, as forças de segurança nacional prenderam 16 pessoas, consideradas as responsáveis de terem "agitado" as manifestações. Entre os presos, estavam dois turistas europeus. No mesmo dia a União Europeia informou que está pronta para proibir as importações de gás iraniano pela Europa como parte de seus esforços para aumentar a pressão sobre a república islâmica por seu programa nuclear, afirmaram diplomatas do bloco. Na noite de ontem, eles chegaram a um acordo preliminar para proibir importações de gás, a primeira medida que deve ser aprovada do pacote, que também inclui outras propostas financeiras e energéticas. "Os grandes países, Alemanha, Inglaterra, França, devem apoiar a proposta", disse um diplomata em condição de anonimato. Ontem, o presidente de Israel, Shimon Peres, disse que deseja o desaparecimento político em 2013 do chefe de Estado iraniano, que termina seu segundo e último mandato no próximo ano. "Rezo para que o próximo ano seja o maior ano da história do Estado de Israel e que aqueles que o ameaçam, como Ahmadinejad, desapareçam", declarou Peres em uma cerimônia por ocasião da festa judia do Succot ou Tabernáculos. "Espero que nesse ano façamos o que de mais sábio uma nação pode fazer, a paz. A paz entre nós, com nossos vizinhos e no Oriente Médio", acrescentou em seu discurso. Israel considera o programa nuclear iraniano como uma ameaça para sua existência, à medida que os dirigentes da república islâmica desejam com frequência seu desaparecimento. Na semana passada, durante discurso na ONU, o primeiro-ministro israelense, Benjamim Netanyahu, defendeu que o futuro do mundo depende do fim do programa nuclear iraniano, que evitaria que a República Islâmica tivesse uma bomba atômica. "Nada ameaça mais a paz mundial que um Irã com uma arma nuclear", afirmou. Segundo o premiê, o Irã chegaria a uma bomba atômica no ponto de 90% do avanço do programa nuclear, o que aconteceria em meados de 2013. Para que isso seja evitado, ele defende que o mundo estabeleça "uma linha vermelha clara" para que o país termine com seu programa nuclear e considera que está ficando muito tarde para parar os iranianos. Em resposta, Ahmadinejad criticou as potências ocidentais e os "sionistas incivilizados" de exercerem uma ameaça nuclear e militar contra seu país. "É possível que o inimigo (em alusão a Israel) queira atacar a qualquer dia, mas isso não significa que seja certo que vá atacar; o importante é que nós estamos preparados para nos defender e não estamos preocupados". "A corrida armamentista e a intimidação pelas armas de destruição em massa por parte dos poderes hegemônicos prevalecem", acrescentou. Apesar da imprensa israelense não acreditar num possível ataque de Israel ao Irã, agências internacionais informaram que o governo israelense já fez contato com o governo do Azerbaijão, ex-república soviética e vizinho do Irã, para utilizar o território como base de abastecimento de seus aviões em troca de venda de armas para o país. No sábado (29), o ministro da Defesa do Irã, o general Amad Vahidi, declarou que Israel, "que possui dezenas de ogivas nucleares", foi quem "cruzou a linha vermelha", em resposta ao discurso do primeiro-ministro de Israel. "Se possuir a arma nuclear significa cruzar a linha vermelha, o regime sionista, que possui dezenas de ogivas nucleares e armas de destruição em massa, cruzou há vários anos a linha vermelha, e temos que detê-lo", declarou Vahidi. Quem é mais perigoso, o regime de ocupação e agressor sionista, que possui armas nucleares, ou o Irã, que não tem armas nucleares e que é o país que mais insiste no desarmamento nuclear, e busca unicamente dominar a energia nuclear com fins pacíficos dentro das regras internacionais?", questionou o ministro. 

Os capitalistas Tico e Teco voltaram a conversar sobre o mundo contemporâneo, acompanhados pela diarista Aparecida e pela filha Bytes, no dia 4 de outubro de 2012, Dia de São Francisco de Assis.

Tico: No dia de hoje o papa Gregório XIII introduziu o atual Calendário Gregoriano em substituição ao Calendário Juliano instituído pelo imperador romano Júlio César. Há 430 anos.

Teco: No dia de hoje o avião soviético Tupolev Tu-154 da Siberia Airlines caiu no mar Negro depois de ser atingido por um míssil S-200 Angara, disparados pela Ucrânia. A aeronave fazia o trajeto de Tel Aviv para Novosibirsk. Todas as 78 pessoas a bordo morreram. O caso, ainda um mistério, foi a princípio tratado como um “ato terrorista” por ter acontecido quase um mês após o atentado às Torres Gêmeas, no dia 11 de setembro de 2001, em Nova York. Há 11 anos.

Bytes: Hoje é o Dia de São Francisco de Assis, padroeiro dos animais. O santo foi um dos principais nomes do cristianismo após participar das Cruzadas contra os muçulmanos na Idade Média e ter condenado as práticas dos cristãos cometidas durante aquela Guerra Santa.

Aparecida: Hoje eu ouvi a “Oração de São Francisco” na belíssima voz da Vanusa.

Bytes: Muitos fiéis levaram hoje os seus animais para receber a água benta. Nas Filipinas, um católico chegou a levar uma píton birmanesa para ser abençoada em nome de São Francisco (acima).

Aparecida: Que animal é esse?

Bytes: Píton, na mitologia grega, é uma serpente gigantesca, que nasceu do lodo na Terra após o grande dilúvio. Foi mandada por Hera para perseguir Leto. A serpente foi morta a flechadas por Apolo e seu corpo foi dividido. Na juventude, Apolo matou a serpente Píton, que vivia em Delfos e tomava conta do oráculo de Têmis, e tomou o oráculo para si. O oráculo nesse tempo predizia o futuro baseado na água ondulante e no sussurro das folhas das árvores.

Aparecida: Por falar em São Francisco, um convento franciscano, no monte Sião, em Jerusalém, foi pichado anteontem com frases que profanam Jesus Cristo e são consideradas ofensivas aos cristãos. O ataque acontece um mês depois que outro monastério ter sido também atacado na região. Em hebraico, havia xingamentos como “filho da puta”, a inscrição "preço a pagar", além de “Jesus é um símio” com citações a Migron, colônia judaica mais antiga da Cisjordânia, que fora esvaziada dias antes por ordem da justiça israelense.

Bytes: No mesmo dia houve também confusão em Jerusalém por causa da mesquita de Al-Aqsa. Um grupo de judeus ortodoxos esteve no local, apesar da entrada ser restringida aos muçulmanos pelo governo de Israel, o que gerou protestos de palestinos. A polícia israelense prendeu cinco pessoas, sendo dois judeus e três árabes, por distúrbios. Os islamitas temem que haja um complô dos sionistas para destruir a mesquita, a fim de reconstruir no local o terceiro templo, já que o segundo foi destruído pelo Império Romano e hoje se transformou apenas no Muro das Lamentações.

Aparecida: Por falar em Muro das Lamentações, milhares de judeus se reuniram ontem no local para comemorar o Sucot, a Festa dos Tabernáculos. Os peregrinos levaram ramos de plantas que significam a diversidade do povo hebreu, como oliveiras e palmeiras. “Os sacerdotes abençoam Israel e o mundo todo. A benção é de paz, luz e amor para ao mundo”, exortaram os rabinos. A festa das cabanas é uma das três mais importantes datas do calendário judaico porque recorda os 40 anos de peregrinação dos judeus pelo deserto após o êxodo da escravidão no Egito em direção à “Terra Prometida”.

Aparecida: Muitos protestantes subiram a Sião no Yom Kippur porque creem que 2012 seja um ano místico. Eles esperavam ouvir o soar das trombetas.

Bytes: No Ano Novo Judaico, eu escrevi para o Benjamim: “Shaná Tová Israel! Que a paz do Senhor esteja sempre convosco”.

Aparecida: A presidente Dilma Rousseff escreveu sobre os 5773 anos do calendário judaico: “Dirijo-me a toda comunidade judaica do Brasil para desejar um venturoso novo ano 5773 – Rosh Hashaná, votos que estendo a todo o povo judeu. Mais que uma data comemorativa, este é um momento muito especial de reflexão, avaliação e renovação para os judeus em todo o mundo. Momento de confraternização, mas também de busca de caminhos que conduzam sempre ao bem comum. Esta é também uma oportunidade para que reafirmemos o respeito e a amizade que o povo brasileiro dedica ao povo judeu, cuja contribuição à formação política, social, cultural e econômica do mundo moderno tem sido extraordinária. De sua história milenar, muitas vezes marcada por perseguições, injustiças e sofrimentos, construiu-se e fortaleceu-se uma tradição de luta incessante pela liberdade e dignidade humana. Faço votos que este novo Ano Judaico seja mais um marco dessa longa caminhada de sabedoria e paz, no qual se reforce a convivência harmoniosa entre todos os povos e as ações pela construção de um mundo de liberdade, democracia e paz para todos. Com fraterna amizade, Shaná Tová”.

Bytes: Eu sempre vou preferir adotar o calendário cristão porque me sinto menos pecadora. Acho que a pena para 5773 anos deve ser muito maior do que a de 2012 anos.

Aparecida: Em Jerusalém, muitos judeus ultraortodoxos passaram o último domingo escolhendo frutas cítricas para comemorar a semana do Sucot. A Festa dos Tabernáculos é bastante típica. Segundo a dona Irene, é comum ver uma infinidade de casinhas de pau cobertas com folhas gigantes durante a semana. Há também liquidações de velas, vinhos e mel nos supermercados. Os consumidores nunca sabem quando os bancos, o comércio e os órgãos públicos estão abertos e as televisões prometem sempre que farão uma programação melhor, voltada para a família.

Bytes: Recebi hoje do Benjamim uma mensagem sobre a semana do Sucot, que termina no próximo domingo, quando os católicos celebram o Dia de Nossa Senhora do Rosário. Ele recordou a festa da reedificação dos tabernáculos, citada no livro de Neemias, após o pesadelo vivido no cativeiro: “E no dia seguinte ajuntaram-se na cabeça dos pais de todo o povo os sacerdotes e os levitas a Esdras, o escriba, e isto para atentarem nas palavras da lei. E achava escrito na lei que o Senhor ordenara pelo ministério de Moisés que os filhos de Israel habitassem as cabanas na solenidade da festa, no sétimo mês. Assim o publicaram e fizeram passar pregão por todas as suas cidades e em Jerusalém, dizendo: Sai ao monte e trazei ramos de oliveiras, ramos de zambujeiros, e ramos de murtas, e ramos de palmeiras, e ramos de árvores espessas, para fazer cabanas como está escrito. Saiu, pois, o povo e de tudo trouxeram e fizeram para si cabanas, cada um no seu terraço, e nos seus pátios, e nos átrios da casa de Deus, e na praça da porta de Efraim. E toda a congregação dos que voltaram do cativeiro fizeram cabanas e habitaram nas cabanas, porque nunca fizeram assim os filhos de Israel desde os dias de Josué, filho de Num, até aquele dia, e houve muita grande alegria. E de dia em dia, ele lia no livro da lei de Deus, desde o primeiro dia até ao derradeiro, e celebraram a solenidade da festa sete dias e no oitavo dia, a festa do encerramento, segundo o rito”.

Aparecida: No livro do apóstolo João, o “discípulo amado”, Nosso Senhor Jesus Cristo enfrentou a incredulidade dos próprios irmãos durante a Festa dos Tabernáculos: “Jesus andava pela Galileia e já não queria andar pela Judeia, pois os judeus procuravam matá-lo. E estava próxima a festa dos judeus, a dos tabernáculos. Disseram-lhe, pois, seus irmãos: Sai daqui e vai para a Judeia para que também os seus discípulos vejam as obras que fazes. Porque não há ninguém que procure ser conhecido que faça coisa alguma em oculto. Se fazes estas coisas, manifesta ao mundo. Porque nem mesmo seus irmãos criam nele. Disse-lhes pois Jesus: Ainda não é chegado o meu tempo, mas o vosso tempo está sempre pronto. O mundo não pode vos aborrecer, mas ele aborrece muito a Mim, pois testifico que suas obras são más. Subi vós a esta festa, eu não subo ainda a esta festa, porque o meu tempo ainda não está cumprido. E, havendo-lhes dito isto, ficou na Galileia”.

Tico: Como você está vendo os protestos ao filme que profana o profeta Maomé?

Teco: È um barril de pólvora porque o Ocidente está vendo a manifestação como intolerância, já que Washington se pronunciou contra o conteúdo do filme e até o realizador foi preso. Ao mesmo tempo há uma percepção no mundo islâmico de que há um movimento em curso contra o islã.

Bytes: Um mês antes da polêmica sobre o filme, o presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, disse que o objetivo do capitalismo é agora destruir as “nações islâmicas”. Segundo a agência de notícias Mohabat News, Ahmadinejad disse, em tom messiânico, que o Alcorão, o Livro Sagrado dos muçulmanos, é o único caminho para se chegar a Deus. “Todos os grandes profetas vieram para edificar o mundo. Mas o Islã é a religião universal e Deus não enviou nenhuma religião além do islamismo. Deus nunca criou qualquer religião chamada cristianismo ou judaísmo. Abraão foi um proclamador do Islã, assim como Moisés e Jesus”, afirmou Ahmadinejad num evento em Teerã há dois meses. Segundo ele, todos os povos do mundo se tornarão islâmicos por ser Maomé o “último profeta”. Até mesmo os hindus, que professam a religião mais antiga, se converterão ao islã. “Nosso querido profeta não pertence somente aos muçulmanos, assim como o Alcorão. O Alcorão pertence a toda a humanidade”, acrescentou.

Aparecida: O que você achou do presente de Ahmadinejad ao Rio de Janeiro trazendo uma réplica da cidade de Persépolis durante a Rio+20?

Bytes: Lamentei que a réplica não tenha sido inaugurada oficialmente, pois a Cidade Maravilhosa comporta todos os símbolos da história. Como é o caso de Persépolis, a suntuosa capital do Império Persa de onde seus líderes dominaram nações na Antiguidade por causa de seu poder e riqueza. Um país que teve como cativos os judeus. A vitrine carioca permite a presença de todos, como a réplica de Jerusalém, a meretriz impetuosa que prostituiu os reis da Terra com sua formosura. Nós, jovens capitalistas cariocas e contemporâneos, estamos sempre de braços abertos a todos os povos, assim como o símbolo que nos representa: o Cristo Redentor. 

Aparecida: Eu passei pela avenida Pedro II, em São Cristóvão, e vi o monumento, que fica próximo da Feira do Nordeste. Não achei nada demais em abrigar um fragmento da história. Li na “Folha” que os comerciantes da área apelidaram a réplica de “praça dos cornos” por causa do símbolo da cultura persa, um animal mitológico com chifres, como um touro, mas sendo metade leão e metade águia. Mas eu não achei nada de “corno” porque só podemos chamar alguém por este xingamento depois que ele for “traído”.

Bytes: Na Suécia, a afegã Sima Samar, inimiga do uso da burca pelas mulheres, recebeu o prêmio Right Livelihood "por sua dedicação corajosa e incansável à causa dos direitos humanos, particularmente os direitos da mulher, em uma das regiões mais complexas e perigosas do mundo".

Aparecida: O seu Carlos disse, exaltado: “Os muçulmanos são intransigentes. Agora eles querem mudar as leis no Brasil porque as mulheres querem tirar fotos com véu nos documentos, enquanto os órgãos públicos exigem que o rosto não tenha adereços por facilitar a identificação. Você não viu também que eles fizeram uma manifestação contra o filme do profeta Maomé? Temos que cortar as asas enquanto é tempo”. Eu respondi: “Menos seu Carlos, menos”.

Bytes: Na ONU o secretário-geral da Liga Árabe, Nabil al Arabi, pediu a criação de um marco legal internacional e vinculativo que criminalize a blasfêmia.

Aparecida: Na França, o governo socialista prepara uma lei antiterror que criminalize cidadãos do país que “frequentarem campos de treinamento islâmicos" no exterior.

Bytes: No mês passado quatro pessoas ficaram feridas na explosão de um supermercado de comida kosher, que segue os preceitos do judaísmo, em Sarcelles, na periferia de Paris. De acordo com representantes judeus, a loja estava cheia devido à proximidade do feriado do Yon Kippur, na quarta-feira passada.

Aparecida: A moda de alguns jovens israelenses é tatuar no corpo alguma lembrança do Holocausto ocorrido na Europa.  Quando Eli Sagir mostrou a seu avô, Yosef Diamant, a nova tatuagem que tinha feito em seu antebraço esquerdo, ele abaixou a cabeça para beijá-la. Diamant teve a mesma marca, o número 157622, tatuado permanentemente em seu próprio braço pelos nazistas em Auschwitz. Quase 70 anos mais tarde, Eli Sagir fez a tatuagem dela num estúdio de tatuagem no centro de Jerusalém, depois de fazer uma viagem à Polônia com sua classe no colégio. Na semana seguinte, sua mãe e seu irmão também tiveram os seis algarismos inscritos nos braços deles. O seu tio seguiu o exemplo deles. "Minha geração não sabe nada sobre o Holocausto", disse Sagir, 21 anos, que tem a tatuagem há quatro. "Você conversa com as pessoas e elas pensam que é como o êxodo dos hebreus do Egito, história antiga. Decidi fazer a tatuagem para lembrar à minha geração: quero contar às pessoas a história do meu avô e a história do Holocausto".

Bytes: Na última segunda-feira a justiça alemã anunciou que não julgará oito ex-Waffen SS acusados de envolvimento em um massacre de 560 civis italianos em 1944 na Toscana (Itália). Após 10 anos de investigação, os juízes consideraram que a participação de 17 homens, oito dos quais ainda estão vivos, no massacre da pequena cidade toscana de Sant'Anna di Stazzema, perto de Lucca, "não pode ser provada", indicou a Promotoria. De acordo com os juízes, é impossível provar que esta foi uma ação planejada e ordenada de extermínio de uma população civil. Houve, então, a oportunidade de provar a culpa individual de cada um dos acusados, o que também não foi possível, acrescentou. Na Itália, um tribunal militar condenou em 2005 à revelia 10 nazistas à prisão perpétua. Nenhum deles foi preso desde então.

Aparecida: Enquanto isso continuam os protestos violentos contra o filme "Inocência dos muçulmanos". Ao menos cinco templos budistas em Bangladesh foram incendiados no último domingo (acima), assim como 15 casas da cidade de Ramu e em povoados nos arredores, após uma multidão de 25 mil muçulmanos protestar contra a publicação no Facebook de uma foto ofensiva ao islã. A foto estava no perfil de um jovem budista e mostrava o Alcorão queimado. Segundo o jornal "Daily Star", o garoto alegou que a foto não era sua e que ele tinha postado a imagem por engano. Após o início da violência, o mesmo jornal noticiou que a conta do garoto na rede social foi fechada e sua família passou a ter proteção policial.

Bytes: No mesmo dia um menino morreu e outras nove crianças ficaram feridas num atentado contra uma igreja cristã na periferia de Nairóbi, capital do Quênia. Nas últimas semanas vários atentados tiveram como objetivo igrejas no Quênia. Estes ataques não foram reivindicados, mas parecem ter sido realizados em represália a uma intervenção militar queniana na vizinha Somália contra insurgentes islamitas shebab.

Aparecida: No Líbano, a instabilidade é grande devido ao conflito na Síria. O presidente libanês, Michel Suleiman, católico maronita, advertiu ao Irã que não aceitará a presença da Guarda Revolucionária iraniana em seu território. Já o líder do Hezbollah, muçulmano xiita, apoiado pelo Irã, Hassan Nasrallah, reuniu milhares de pessoas no país para protestar contra o filme que difama o profeta Maomé. Qual será o cedro do Líbano?

Bytes: O que podemos afirmar é que o restaurante Cedro do Líbano na Saara oferece um maná dos deuses. Adoro a picanha de cordeiro com geleia de hortelã e arroz com lentilha. O restaurante foi fundado por um libanês nos anos 40, mas depois vendido a dois imigrantes: um espanhol e outro português. A experiência cultural da Saara é motivo de estudo por ser uma autêntica “congregação capitalista”. As várias etnias convivem em harmonia em busca do menor preço. Muita gente da Zona Sul se desloca para o Centro para fazer a festa. O preço é real por ser compatível com a renda. A irmandade da Saara virou até livro. E foi bem documentada na reportagem da Sandra Moreyra para o “Jornal da Globo”.

Aparecida: Quando esteve no mês passado no Líbano, o papa Bento XVI disse que a “liberdade religiosa” é um “direito”. O que você acha?

Bytes: A liberdade religiosa está dentro da “liberdade de expressão”. Daí que quem reprimir a liberdade religiosa também reprimirá a liberdade de expressão em todos os seus níveis de cultura. O medo do criador é sempre a fúria dos fundamentalistas em sua condenação: “Tens demônio!”.

Aparecida: Revelou Nosso Senhor Jesus Cristo sobre a figura do “demônio”: “Estava Jesus expulsando um demônio, o qual era mudo. E aconteceu que, saindo o demônio, o mudo falou, e maravilhou-se a multidão. Mas alguns deles diziam: Ele expulsa os demônios por Belzebu, príncipe dos demônios. E outros, tentando-o, pediam-lhe um sinal do céu. Mas, conhecendo Jesus os seus pensamentos, disse-lhes: Todo o reino, dividido contra si mesmo, será assolado e a casa, dividida contra si mesma, cairá. E, se também Satanás está dividido contra si mesmo, como subsistirá o seu reino? Pois dizes que Eu expulso os demônios por Belzebu. E se Eu expulso os demônios por Belzebu, por quem os expulsam vossos filhos? Eles pois serão os vossos juízes. Mas, se Eu expulso os demônios pelo dedo de Deus, certamente a vós é chegando o Reino de Deus. Quando o valente guarda, armado, a sua casa, em segurança está tudo quanto tem. Mas sobrevindo outro mais valente do que ele, e vencendo-o, tira-lhe toda a sua armadura em que confiava, e reparte os seus despojos. Quem não é comigo é contra Mim, e quem comigo não ajunta, espalha. Quanto espírito imundo tem saído do homem, ainda por lugares secos, buscando repouso; e não o achando, diz: Tornarei pois à minha casa, donde saí. E chegando, acha-a, varrida e adornada. Então vai e leva consigo outros sete espíritos piores do que ele, e entrando, habitam ali e o último estado desse homem é pior do que o primeiro. E aconteceu que, dizendo Jesus estas coisas, uma mulher dentre a multidão, levantando a voz, lhe disse: Bem-aventurado o ventre que te trouxe e os peitos em que mamaste. Mas o Filho do homem respondeu: Antes bem-aventurados os que ouvem a palavra de Deus e a guardam”.

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, acusou hoje (4) seu adversário republicano Mitt Romney de ter mentido na véspera durante seu debate transmitido pela televisão e ironizou ao falar da ausência do "verdadeiro Mitt Romney". "Se você quer ser presidente, deve a verdade aos estadunidenses", afirmou Obama durante um discurso em Denver (Colorado, oeste), cidade onde foi realizado o primeiro debate das eleições presidenciais, na quarta-feira, e que, para a maioria dos analistas, foi vencido pelo republicano. Do lado de fora do debate alguns manifestantes protestaram contra o financiamento de campanha, a mais cara dos Estados Unidos (acima). Uma pesquisa de opinião conduzida pela rede CBS após o encontro indicou que 46% dos eleitores consideraram Romney o vencedor do debate, contra 22% que deram a vitória a Obama. Outro levantamento semelhante feito pela rede CNN indicou que 67% dos telespectadores deram a vitória a Romney e 25% a Obama. Falando na rede MSNBC, um dos assessores de Obama, David Plouffe, admitiu que o rival demonstrou uma "agressividade teatral", mas insistiu que o presidente permaneceu fiel à "narrativa que quer passar" para o eleitor comum. Os comentaristas políticos também consideraram o republicano vencedor do debate. Para Stanley Fish, analista do “New York Times”, a noite foi do republicano. Segundo ele, Romney começou a mostrar que dominaria o debate quando acusou o presidente de estar defendendo um “governo de redistribuição de riquezas” e o democrata não quis responder a questão. “O primeiro sinal de que a noite de Romney veio mais cedo foi quando ele acusou Obama de ser a favor de um ‘governo de redistribuição de riquezas’. Jim Lehrer pediu que o presidente respondesse à afirmação e ele não o fez. A acusação continuou e foi repetida mais tarde, ficando também sem resposta”, comentou o especialista. Para Paul Krugman, o mérito pela vitória republicana não foi só do desempenho de Mitt Romney, mas pela terrível performance do presidente Barack Obama, que fez um “trabalho terrível”. Em seu editorial, o “New Yord Times” fez uma crítica ao debate em geral, lembrando que, apesar do embate dos candidatos na questão econômica, pouco sobre as propostas de ambos foi esclarecido, deixando os eleitores com dúvidas e promovendo uma “recitação de velhos pontos de discussão e enganação”. “Com poucos momentos altos e pouca clareza sobre o imenso abismo que verdadeiramente separa os dois candidatos e as suas políticas, o encontro de quarta-feira apresentou pouca orientação para os eleitores que ainda tentam fazer sua escolha na eleição do próximo mês”, ressaltou o diário. Do lado de fora do debate alguns manifestantes protestaram contra o financiamento de campanha, a mais cara dos Estados Unidos (acima). O ex-vice-presidente dos Estados Unidos Al Gore declarou que a altitude da cidade de Denver, acima de 1.500 metros, pode ter influenciado no mau desempenho de Obama. "Vou dizer algo polêmico, Obama chegou a Denver às 14h, poucas horas antes do início do debate. Romney fez sua preparação para o debate em Denver. Quando se chega a uma altitude de 5 mil pés (1.525 metros) e só tem algumas horas para se adaptar... Não sei. Talvez (tenha influenciado)", disse Gore. Denver, apelidada como "a cidade das alturas" ou "Mile High City", tem 17% menos oxigênio no ar do que as cidades ao nível do mar, segundo informou o jornal local "Denver Post" em um artigo sobre a prevenção do mal da altitude. Os sintomas desse fenômeno incluem dificuldade para respirar, enxaqueca e cansaço. Em muitas pessoas, no entanto, as mudanças de altitude não causam muitos problemas. Restam para Obama outros dois debates, no dia 16 de outubro, em Nova York, e no dia 22, na Flórida, para tentar se recuperar do mau desempenho em Denver.

Tico: No dia de hoje Boris Yeltsin, então presidente da Rússia, amparado com canhões atacou o Parlamento do país. A ação se deu para fazer cumprir a determinação presidencial de dissolver o Legislativo, formado naquela época pelo Congresso dos Deputados do Povo e seu Soviete Supremo. Yeltsin afastou assim o único obstáculo à consolidação de seu poder de Yeltsin para implementar o neoliberalismo na Rússia. O episódio ficou conhecido na história como Crise Constitucional de 1993. Há 19 anos.

Teco: No dia de hoje a extinta União Soviética surpreendeu o mundo ao lançar o primeiro satélite artificial da Terra: O Sputinik I. Há 55 anos.

Bytes: No dia de hoje nasceu, há 66 anos, a atriz estadunidense Susan Sarandon. Entre os seus trabalhos se encontra o brilhante desempenho no filme “Os últimos passos de um homem”, dirigido pelo seu ex-marido Tim Robbins. A história sobre a relação de uma freira e um presidiário antes de ser executado por ter estuprado e matado um casal de jovens. A religiosa enfrenta preconceitos por defender o direito humano à vida, inclusive da família das vítimas que tem direito a assistir a execução legal para se sentiram “justiçados” pela justiça dos homens.

Aparecida: No dia de hoje morreu, há 42 anos, de overdose de heroína, a cantora estadunidense Janis Joplin, considerada a “Rainha do Rock n´roll”.

Bytes: Meu filho reviu o vídeo em que Joplin canta “Piece of my heart”. Assim como o vídeo do Cazuza entoando “Ideologia”: “Meus heróis morreram de overdose, meus inimigos estão no poder. Ideologia, eu quero uma pra viver....viver”. Viva Cazuza! Viva!

Aparecida: No dia de hoje foi fundado, há 104 anos, na capital paulista o Sport Club São Paulo. Era o time do coração da Hebe. O clube de futebol nasceu do proletariado, formado por filhos de imigrantes portugueses, italianos e poloneses, em sua maioria funcionários da Viação Férrea do Rio Grande do Sul que desejavam praticar o esporte. Impedidos de participar pela elite que dominava o comando do então jovem Sport Club Rio Grande, restava-lhes assistirem os treinamentos na saída das oficinas onde trabalhavam. Eis que na primavera de 1908, quando assistiam um dos treinamentos, viram que num chute mal dado a bola foi parar perto do Cemitério Católico. Era o início da história de amor do operariado local com o futebol e o nascimento do clube às 14h do dia 4 de outubro de 1908 num terreno próximo ao cemitério, que pertencia à Companhia Auxiliar de Estradas de Ferro do Brasil.

Bytes: Na segunda-feira eu fui assistir ao filme “Europa Morta”, de Tony Krawitz (acima), que faz parte da seleção do Festival do Rio. A história conta a história de Isaac, um celebrado fotógrafo que vive na Austrália, que é convidado para uma exposição de seus trabalhos na Grécia, de onde seus pais emigraram há décadas. Sua mãe e seu pai imediatamente se manifestam contra a viagem, insistindo que seu pai teria um passado amaldiçoado lá, o que Isaac toma como superstição. Pouco depois, seu pai morre num acidente de carro e, mesmo de luto, Isaac parte para a Europa. Em Atenas, Paris e Budapeste, ele se perde nma viagem existencial enquanto revela os segredos de sua família.

Aparecida: E qual é o segredo?

Bytes: O segredo sobre a maldição é revelado por um empresário judeu que explora a pedofilia em Budapeste, tradicional capital antissemita da Hungria. Ele diz a respeito sobre a mudança do jogo: “Hoje eu faço fortuna no país”. O mistério começa após a fuga dos pais do protagonista, imigrantes gregos, da Grécia nazi-fascista durante a Segunda Guerra Mundial. No meio do jogo há pitadas do misticismo grego.  

Aparecida: Tem alguma ideologia?

Bytes: A obra retrata o preconceito e a violência que estão enraizados no Velho Continente. A maldição de sua família permeia a história enquanto o fotografo registra as imagens de sua geração. Muito espectador pode sair no meio do filme porque não é a Europa do cartão-postal, mas a Europa verdadeira. A verdade dói. É um filme virulento, forte. Os brasileiros que estão acostumados com as obras de Nelson Rodrigues e Plínio Marcos apreciarão. O filme é um documento para entendermos a realidade nua e crua para não nos escandalizarmos com as notícias da TV. Há a juventude desencantada com o futuro, o difícil convívio com os pobres imigrantes que “estragam” a beleza europeia e a Babel dos arcos. Podemos ver cenas de Paris em que a Cidade-Luz mais parece uma favela carioca, com crianças com nariz escorrendo e a pobreza espalhada em sua periferia. Para nós, jovens capitalistas brasileiros, um clarão para entendermos a história contemporânea, a “soberana”, em seus desdobramentos.

Aparecida: Que lição você tirou para a história?

Bytes: Não podemos entender os fatos sem analisarmos o contexto. Um exemplo é do Brasil dos anos 60 com seus deslizes ideológicos e instituições fracas. Hitler não surgiu à toa na Alemanha. O país estava preste a ser tornar comunista, seguindo o caminho da vizinha Rússia. Precisava de alguém com um discurso anticapitalista. O personagem encontrou a sua ideologia: o nacional-socialismo. A culpa não recaia mais para a “luta de classes”, como afirmava Marx, mas para a Oligarquia Financeira Internacional. A classe dominante é a comunidade judaica que deseja “dominar o mundo”. A ideologia acabou ganhando adeptos pelo mundo afora, levando os trabalhadores alemães a deixarem o marxismo de lado, o que não é uma surpresa porque continuaram socialistas. Mudaram da esquerda para a direita, como poderiam mudar da direita para a esquerda, caso o modelo de Estado comece a demonstrar a sua falência.

Aparecida: O nacional-socialismo vencerá no final como garantiu Hitler?

Bytes: O autor de “Minha luta” afirmava que o nacional-socialismo venceria no final porque os trabalhadores chegariam à conclusão de que ele falava a “verdade”. Por isso, alegava, era combatido pelos capitalistas. Daí que optou pelo conflito armado para mudar o status quo no qual os trabalhadores e o Estado nacional seriam os mais prejudicados pelo “sistema capitalista perverso”. Segundo ele, os meios de comunicação de massa reproduzem o pensamento do capital, a mentalidade do sistema financeiro.

Aparecida: O sistema capitalista é perverso?

Bytes: Há controvérsias. O filme “Cosmópolis”, do diretor canadense David Cronenberg, levantou a tese de que a natureza humana materializou o seu desejo: Quem venceu as disputas ideológicas do século XX foi um tipo de individualismo contemporâneo, vaidoso e arrogante, em que as identidades são construídas pela tecnologia, pela violência ou pelo erotismo. Provocante. Muitos não conseguirão assistir ao filme até o final. Profético. Mas a culpa sempre recairá para o capitalismo. A máxima dos socialistas para encontrar um culpado será que a culpa é da “Avenida Brasil”. Mas os “lúcios” da vida já existiam antes da novela. O debate, no entanto, será esquentado quando o jurídico Império Romano entrar novamente em crise. O espectador se lembrará da “Europa morta” ao ver a materialização da “justiça iníqua”, provocante como a “civilização ocidental”.

Aparecida: Nosso Senhor Jesus Cristo materializou no pensamento a parábola da “Justiça iníqua”: “Havia numa cidade um certo juiz que nem a Deus temia nem respeitava o homem. Havia também naquela mesma cidade uma certa viúva e ia ter com ele dizendo: Faze-me justiça contra o meu adversário. E por algum tempo não quis, mas depois disse consigo: Ainda que não temo a Deus, nem respeito os homens, todavia como esta viúva me aborrece, hei de fazer-lhe justiça para que enfim não volte e me importune muito. E disse o Senhor: Ouvi o que diz o injusto juiz. E Deus não fará justiça aos seus escolhidos, que clamam a ele de dia e de noite, ainda que tardio para com eles? Digo-vos que depressa lhes fará justiça. Quando, porém, vier o Filho do homem, porventura achará ainda fé na terra?” 

Tico: O que você achou da obra do historiador marxista Eric Hobsbawn, que morreu recentemente aos 95 anos?

Teco: Judeu egípcio, que fugiu da Alemanha nazista e se abrigou na liberal Inglaterra, Hobsbawn tem em sua obra dois pontos indispensáveis para o entendimento do mundo contemporâneo: a Revolução Francesa para entendermos os “valores ocidentais” e a Primeira Guerra Mundial como afirmação do capitalismo. Como demérito, Hobsbawn deixou a desesperança por não mais apresentar caminhos. O problema dos socialistas é que eles não aceitam a “ciência contemporânea”: O espaço-tempo que cria a matéria. Mesmo após o gênio Einstein ter provado a existência da “curvatura tempo-espaço”.

Aparecida: Por falar em história, Ahmadinejad cairá como quer Israel, assim como caiu Kadafi?

Bytes: Tudo segue o seu cronograma como a própria evolução humana. Em nosso conteúdo, já havíamos antecipado sobre a Líbia. Por isso não foi surpresa a invasão da embaixada em Benghazi nem a morte do embaixador estadunidense que ajudou a oposição a derrubar Kadafi. Assim como não nos surpreendemos com a notícia de que o armamento fornecido pelo Ocidente às milícias líbias tenha conseguido chegar a Gaza.

Aparecida: Em agosto, o líder iraniano voltou a defender a destruição do Estado hebreu. “A ponta afiada de todas as revoluções e levantes está no regime sionista de Israel, pois a base de tudo é sua arrogância. Enquanto o regime sionista existir, as nações não conhecerão a paz. É por isso que eles devem ser destruídos”, afirmou.

Bytes: O meu colega gaiato lá da facû, adepto da Teoria da Conspiração, disse outro dia: “Os sionistas têm pressa. Netanyahu deu um prazo até novembro a Obama para que ele tenha um plano concreto contra o Irã. Veio a crise cambial”. Eu respondi: “Obama não é muito confiável, considerado quase um muçulmano pela comunidade judaica de Nova York. Não podemos esquecer que ele foi flagrado num vazamento de áudio dizendo a Sarkozy que Netanyahu o aborrece: E eu que tenho que aguenta-lo todos os dias?, reclamou. Quando vi a cena na TV, me lembrei do vazamento da entrevista do ministro Ricupero no início do Plano Real. Foram longos minutos de transmissão da Globo, o que resultou na exoneração do ministro da Fazenda, que pensava estar falando em off com o jornalista global e não em cadeia nacional”.   

Aparecida: A Casa Branca distribuiu à imprensa a foto da conversa de Obama com Netanyahu sobre as providências contra o Irã (acima). O candidato republicano também divulgou que conversou com o chefe de Governo israelense acerca do programa nuclear iraniano. O Romney é considerado mais confiável por Israel?

Bytes: Ele saiu de Jerusalém com um “chequão” para a sua campanha afirmando que a Cidade Sagrada é a capital “una e indivisível” do Estado de Israel. Mas nos últimos dias da convenção democrática, o partido de Obama aprovou que "Jerusalém é e será a capital de Israel", contrariando o manifesto aprovado pelos democratas em 2008, que definia  questão como ponto a ser discutido entre judeus e palestinos. Segundo o jornal “The New York Times”, a aprovação contou com a pressão exercida pelo presidente estadunidense. Eu comentei com o colega lá da facû: “Nós, capitalistas brasileiros e contemporâneos, não nos surpreenderemos se as Nações Unidas pôr na pauta a discussão sobre o “status de Jerusalém”. Se ainda estiver no poder, Ahmadinejad reagirá: O secretário-geral da ONU é mais um fantoche do sionismo. Na coletiva de imprensa um escriba perguntará a Dilma: Presidenta, qual é a posição do governo brasileiro sobre o status de Jerusalém?

Aparecida: E qual é a posição do papa?

Bytes: O papa está mais preocupado com as repercussões sobre o julgamento do ex-mordomo que teria fornecido à imprensa informações a respeito da “corrupção” no Vaticano. O que está sendo chamado de “VatiLeaks”. Anteontem o ex-mordomo se declarou inocente do roubo, mas lamentou ter “traído” Bento XVI. "Em relação ao roubo agravado, declaro-me inocente. Sinto-me culpado por ter traído a confiança do Santo Padre", declarou Paolo Gabriele, que também alegou ter agido "sem cúmplices", embora tivesse muitos "contatos". Gabriele também disse ter agido deste modo, alegando que o pontífice foi "manipulado".

Aparecida: E como pensa o governo dos Estados Unidos?

Bytes: Deu no jornal “O Globo” de 28 de setembro de 1962, cuja manchete foi “Os EUA pedirão ao Hemisfério maior vigilância contra o regime cubano”: “O procurador-geral dos Estados Unidos, Robert F. Kennedy, cancelou ontem à noite os planos para conseguir a matrícula do estudante negro James Meredith na Universidade do Mississipi, ante a possibilidade de se verificarem atos de violência e derramamento de sangue. Kennedy declarou que as ordens dos tribunais federais podem ser e serão cumpridas. Êle se referiu à intimação da Côrte Federal ao governador do Mississipi, Ross Barnet, para conceder a matrícula a Meredith, que já fêz  quatro tentativas infrutíferas para obtê-la”.

Aparecida: Deu no jornal “O Globo” de 28 de setembro de 2012, 50 anos depois: “A hora do mensalão. STF condena aliados do PT por corrupção passiva”.

Bytes: Os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) realizam na próxima quarta-feira, em meio ao julgamento do processo do mensalão, a eleição para o novo presidente da Corte, que substituirá o atual, Carlos Ayres Britto, que se aposenta compulsoriamente em 18 de novembro ao completar 70 anos. O ministro Joaquim Barbosa, atual vice, deverá ser eleito para o cargo, seguindo a tradição de eleger sempre o membro mais antigo da Corte que ainda não ocupou a presidência.

Aparecida: O que você está achando do julgamento do “Mensalão?”

Bytes: Como capitalistas brasileiros e contemporâneos, não estamos acompanhando como os socialistas por uma questão de “frequência”, física. Tudo segue o seu cronograma. O valerioduto já existia no governo Fernando Henrique Cardoso como mostrou a reportagem à época, uma herança para o PT. Se houve Caixa 2 ou não pouco nos interessa porque ele continua em voga na eleição de 2012, o que exigirá algum “duto” e muitos “laranjas”. O importante é que os juízes do STF estão julgando de acordo com as suas “convicções” e sendo “filmados”. A Globonews exibe o julgamento ao vivo, fazendo duplicidade com a TV Justiça.

Aparecida: Qual é a convicção dos capitalistas brasileiros?

Bytes: Não queremos saber se o Fernando Henrique comprou realmente votos no Congresso para conseguir a reeleição. O importante é que a reeleição é realidade e um sucesso. Não queremos saber se o governo Lula comprou votos, mas que a aprovação foi motivo de estabilidade no país. O importante é que a democracia não corra riscos. Até porque os escribas e fariseus, cegos e hipócritas, estão sendo desmascarados pela história. 

Aparecida: O José Dirceu é o chefe da quadrilha?

Bytes: O que podemos afirmar é que se o Lula queria ficar eternamente no poder não nomearia Joaquim Barbosa. Nixon exigiria mais “lealdade”. Apesar do magistrado não admitir, nomeação para o Supremo será sempre “política” em qualquer país do mundo, inclusive nos Estados Unidos. Quanto a Dirceu, se for condenado, não nos surpreenderemos se mostrar as algemas como fez durante a ditadura militar quando foi preso por tentar organizar o movimento estudantil, o que hoje não é considerado crime. Se for Caixa 2 não teremos pena do PT porque ele foi um dos principais artífices para derrubar o Collor chamado em sua geração de “maior chefe de quadrilha da história” e denunciado por “provas”: cheques nominais que seu governo tornou obrigatório e que serve até hoje de munição para prender muita gente porque há a comprovação de quem ficou com o dinheiro. Alegremo-nos!

Aparecida: Ah, entendi! Revelou Nosso Senhor Jesus Cristo aos seus discípulos: “Não julgueis para não seres julgados porque da mesma forma que julgares serás julgado. Porque vê tudo no argueiro de teu irmão. Tire primeiro a trave que existe no seu olho para que seu irmão te siga naturalmente”. 

Tico: O que você achou da declaração da Dilma ao jornal britânico “Financial Times?” A presidente disse: “O último almoço grátis no mundo para os bancos internacionais”.

Teco: Lembra o ideário nacional-socialista que dominou corações e mentes dos integralistas nos anos 30. Mas temos que lembrar que os socialistas são os que mais sofrem a síndrome do “medo do desconhecido”, o medo da “evolução natural”, a que dizimou os dinossauros. Não tememos a Dilma porque sabemos que o Brasil não seguirá o caminho do nacional-socialismo europeu, mas o do “iluminismo americano”. A construção da “verdadeira comunidade”.

Bytes: O meu colega gaiato lá da facû disse que a Dilma será chamada de “Collor de saias” porque reduzirá os juros num golpe de ippon, assim como o ex-presidente cria que conseguiria dar o golpe perfeito para domar a inflação galopante de sua geração ao confiscar os ativos financeiros, a fim de reduzir a “liquidez”. Vamos esperar os próximos capítulos para avaliar o espaço-tempo.

Aparecida: Eu fui visitar a minha família e sou testemunha que acontece na minha terra. Entrei num seminário onde a patrocinadora, uma multinacional na área de turismo, investe em responsabilidade social. Na realidade o investimento foi após uma assembléia pública no qual a multinacional percebeu que entraria em choque com a comunidade se encontrasse um canal de comunicação. Surgiu o instituto que completou 10 anos. O seminário foi tenso porque o diretor da Ong, um marxista assalariado da multinacional, cobrou o dinheiro jogado pelo ralo. Estava revoltado porque construiu uma sede nova com computadores de última geração, com o dinheiro da multinacional, e o resultado é que em dois anos o prédio está depredado. Ele descobriu que o líder da comunidade cobrava ingresso para que as crianças pudessem assistir a filmes pornôs pela Internet. A violência cresce na região, assim como o tráfico de drogas. Eu achei interessante que o marxista que lutou contra a ditadura militar acreditando que tirando os militares tudo seria diferente estava defronte com a realidade. A verdade dói. O buraco é mais profundo. A reunião era típica do “coletivo”. Havia desde os que reclamavam que a multinacional do turismo dava “migalhas” às artesãs patrocinadas: uma loja no melhor local do complexo turismo, até que uma outra produtora, depois de 10 anos, reconhecia que não era migalha para cães porque da menina que produzia o artesanato uma vez ao ano para comprar um vestido, a fim de curtir o São João, hoje declara: “Eu não sobrevivo mais do artesanato, eu vivo dele. Quando penso quanto custaria uma loja no melhor local turístico, penso: muito obrigado”. E comemorou a mordomia de não mais ser tão serva do trabalho. E pensei: “Qual é o espaço-tempo?” E tive a resposta: “Dez anos”.

Bytes: E como pensa a patrocinadora?

Aparecida: O diretor disse que o projeto é um copo pela metade. Parece um investidor do Brasil, pois estava confiante. Ele disse: “25% se referem ao povo afetuoso que vocês são; os outros 25% são referentes à criatividade que vocês têm, de uma beleza com alcance mundial”. Sem “piedade”, emendou: “Eu consegui há três anos e meio equilibrar as contas do complexo turístico. Não há mais chance de o grupo ir mais embora do país”, tentando ensinar aos socialistas os prejuízos não só no emprego direto, mas no indireto, porque a região cresceu a partir do complexo turístico. E foi embora, sob críticas: “Ele não quer nos escutar”. Não teve tempo nem de escutar um grupo de sem-terras gritar, querendo cooptar o coletivo para a sua causa: “Ocupar, resistir, produzir”. O raciocínio dele foi mais brilhante quando disse: “Digo para os investidores que se o dinheiro foi para o ralo no investimento social, eles também perderam dinheiro em papéis no sistema financeiro”. Ou seja, o jogo entre capital e trabalho está emocionante porque parte do zero a zero.

Bytes: O momento brasileiro está muito especial. Todos os indicadores são positivos, apesar da imprensa velha. Só falta “forma capital”, o que está acontecendo ao seu tempo.

Aparecida: Como você está vendo a eleição?

Bytes: O Brasil ainda tem muitos vícios, mas nada que atrapalhe o seu destino. Os socialistas são maioria, mas há o desejo da população em formar capital. Quando me perguntam se a imprensa está manipulando a eleição, eu digo: “pouco me importa”. Pouco me importa se acham que as notícias sobre milícias são mensagens subliminares para atrapalhar a reeleição do Eduardo Paes porque a prefeitura não tem poder de polícia. Se as denúncias de possível cooptação do PMDB para a base de campanha porque o PTN não tem tanto cacife assim, nem horário na TV, para valer tanto. Se o cancelamento do debate em São Paulo foi uma estratégia contra o PT, se o julgamento agora do mensalão tem objetivo político. A realidade é que quem não foi eleito não tinha discurso. E ponto. Assim sabem os capitalistas.

Aparecida: O seu Carlos disse ontem, exaltado, sobre o Paes: “Resolveu fazer conchavo com o Lula. Você não ouviu falar sobre o Mensalão carioca? Ele está envolvido. Eu não vejo a hora de eliminar estes políticos que dão corda a essa gente. Sabe o que ele fez na campanha? Visitou o teleférico que vai interligar o Morro da Providência, a Central do Brasil e a Cidade do Samba”.

Bytes: Um colega da facû comentou: “Será que o ACM Neto está sofrendo críticas por causa do Mensalão do DEM? E o Serra sofrerá com a lembrança do duto do tucano Eduardo Azeredo” Ou será preservado por ser apenas integrante do partido?” Eu respondi: “Se sentir injustiçado põe na conta do juízo e espere o seu julgamento, justo e fiel, por começar o processo dentro da própria casa para depois julgar os outros”.

Aparecida: Quem ganhará o jogo?

Bytes: Na novela “Lado a lado” a baronesa vai fazer strip-tease para o senador, a fim de roubar documentos comprometedores contra o político. Na vida real, depois do confronto entre a direita e a esquerda, em “movimento dos contrários”, todos darão boas risadas porque entenderão que é “coisa de velho”. E tudo que envelhece, morre.

Aparecida: Ah, entendi! Revelou o profeta Moisés após ver o seu próprio povo construir o “Bezerro de Ouro”: “Não haverá vencedores ou vencidos, mas o alarido daqueles que cantam eu ouço”.

Bytes: A Dilma disse na reunião no Peru, que busca aproximação com o mundo árabe, que o continente precisa se unir contra a estratégia expansionista dos países ricos. 

Aparecida: A Globo, a nossa Hollywood, vai estrear a novela “Salve Jorge”, uma história que mistura duas culturas: a carioca e a turca. Viva Freud! Viva!

Bytes: Eu gosto muito de “Lado a Lado” porque fala do início da vida no Rio de Janeiro, a famosa “cidade partida”, cujos moradores querem unir os dois lados da mesma moeda: a burguesia que sempre sonhou com a civilização europeia, a Paris dos Trópicos, com os índios negros que não vão admitir serem escravos. Lado a lado. Assim como a arquitetura francesa e o morro sem infraestrutura. A história oculta de um prefeito empreendedor que abriu vias, como a avenida Central, para que a cidade fosse uma metrópole. A localidade em que a burguesia, com seus uniformes importados da Inglaterra, ensinou o proletariado a gostar de futebol a partir do aristocrático Fluminense. No dicionário, o esquema tático tinha palavras “enroladas” como goalkepper, corner, back. Os nacionalistas até sonharam com uma lei obrigando o uso da língua nacional. Mas sabe como é o povo. Naturalmente, goalkepper virou goleiro, corner se transformou em escanteio e back em zagueiro. Hoje, os jovens burgueses deixam Ipanema para dançar funk na Rocinha, aprendendo com a “popozuda” da comunidade. Lado a lado. Está escandalizado com o multiculturalismo?

Aparecida: Lado a lado. O dr. Roberto Marinho podia contemplar os seus pelicanos andando pelo jardim em sua mansão no Cosme Velho. Não temia o tiro que poderia vir do alto. A primeira-dama, com sapatos altos, subia o morro para distribuir de próprio punho presentes às crianças da comunidade no Natal. A política da “boa vizinhança”. O Todo Poderoso morreu. De velhice. Apesar de ter dito aos seus filhos: “Se eu morrer....” E o Morro do Cerro-Corá continua sem polícia.

Bytes: Como duvidar da “luz” dos patriarcas da ciência contemporânea? Como duvidar de Darwin, Freud e Einstein? Aliás, falando em luz, o Cristo Redentor foi iluminado ontem com as cores da Alemanha em homenagem à unificação do país (acima).

Aparecida: E como pensa o governo dos Estados Unidos?

Bytes: Deu na “Folha” de 2 de outubro de 1962, há “meio século”, cuja manchete foi “O Brasil reconhece o perigo comunista na América”. “O sr. Afonso Arinos, em comunicado que o Itamarati divulgou hoje e que é considerada em círculos diplomáticos como definidora do pensamento brasileiro ante a reunião informal de chanceleres que se inicia amanhã em Washington, diz que ´o Brasil está inteiramente solidário com as demais países do continente no sentido de reconhecer o perigo da subversão comunista no hemisfério e de mobilizar os esforços necessários para impedi-la”.

Aparecida: Ah, entendi! Nosso Senhor Jesus Cristo materializou no pensamento dos seus discípulos acerca da parábola do “Mordomo infiel”: “Havia um certo homem rico, o qual tinha um mordomo, e este foi acusado perante ele de dissipar os seus bens. E ele, chamando-o, disse-lhe: Que é isto que ouço de ti? Dá contas da tua mordomia, porque já não poderás ser mais meu mordomo. E o mordomo disse consigo: Que farei, se o meu senhor me tirar a mordomia? Cavar, não posso; mendigar, tenho vergonha. Eu sei o que hei de fazer, para que quando for desapossado da mordomia, para que me recebam em suas casas. E chamando a casa um dos devedores do seu senhor, disse ao primeiro: Quanto deves o meu senhor? E ele respondeu: Cem medidas de azeite. Respondeu: Toma a tu obrigação, e escreve cinquenta. Disse depois o outro: E tu quanto deves? E ele respondeu: Cem alqueires de trigo. E disse-lhe: Toma a tua obrigação, e escreve oitenta. E louvou aquele senhor o injusto mordomo por haver procedido prudentemente porque os filhos deste mundo são mais prudentes na sua geração do que os filhos da luz. E Eu vos digo: Granjeai amigos com as riquezas da injustiça para que quando estas faltarem vos recebam elas nos tabernáculos eternos. Quem é fiel no mínimo, também é fiel no muito; quem é injusto no mínimo, também é injusto no muito. Pois, se nas riquezas injustas não fostes fiéis, quem vos confiará as verdadeiras? E, se no alheio não fostes fiéis, quem vos dará o que é vosso? Nenhum servo pode servir a dois senhores porque há de aborrecer um e amar o outro, ou se há de chegar a um e desprezar o outro. Não podeis servir a Deus e a Mamon”.  

 

À FESTA DE SÃO FRANCISCO DE ASSIS

Rio de Janeiro, 4 de outubro de 2012

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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