Duas notícias me chamaram a atenção nesses últimos dias. A primeira foi o fato de o PSDB afinar o discurso de um partido proletário. O PSDB cansou de ser elite. Agora é um partido dos operários, dos trabalhadores, do povão. Esse mesmo povão de quem o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso disse que o Partido deveria se afastar, visto que o PSDB nunca foi povo. Se foi ou não, o certo é que agora os tucanos consideram que lhe corre na veia o sangue do povo. Do mesmo povo que levou Lula ao Planalto. Do mesmo povo que levou Dilma também ao Planalto. Parece que o tucanato da Santa Sé aprendeu que ser povo é luxo, é chique, é um passo para abocanhar o osso que se perdeu. Ser povo não é para pobres, ser povo é voltar às origens, como disse Aécio Neves. O PSDB quer fazer vereadores do povo e, assim, arar o terreno para as eleições presidenciais de 2014. Essa é a regra a partir de agora. Do povo e para o povo.
Outro assunto que me chamou a atenção não foge ao ninho tucano. O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, afirmou, em reportagem assinada por Maria Cristina Frias, publicada no portal UOL, que a corrupção no governo Dilma aumentou em relação ao que havia em seu governo. Opa. Espera aí. Quer dizer que Fernando Henrique assume que em seu governo havia corrupção? Parece novidade, mas não é. A sensação de que hoje a corrupção é maior em relação aos oito anos de FHC porque hoje se investiga mais e não se joga a sujeira para debaixo do tapete, como havia no governo do PSDB, ou, como bem nomeia Paulo Henrique Amorim, não havia o engavetador geral. Hoje, os corruptos mascaram-se por pouco tempo e logo são descobertos. Antes, eles não precisavam se camuflar, pois a passarela era deles e para eles. Ninguém os incomodava. Essa é a verdade.
Para FHC, a faxina que Dilma faz não tem funcionalidade alguma. É uma mediocridade. E, segundo ele, agindo como tem agido, Dilma corre risco político. Tônica do sociólogo de Harvard, para quem perseguir corrupto parece ser pecado ou risco político. Talvez seja por isso que FHC não os perseguia. Ele temia ser dilacerado politicamente diante dos sujos. Ou quem sabe não os perseguia por saber que, limpando os sujos, teria que limpar os do seu redor, e isso resultaria em sérias consequências.
Querer ser povo e estreitar laços com os agora da classe C parece ser cômodo demais para o tucanato. Perceber que a corrupção hoje é maior do que a da era FHC é conversa para boi dormir, ou, no mínimo, poema de tucano em tempos de bonança. Laços estreitos, discursos refeitos.
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