Erro trágico
[Denise Levertov]
Nós tagarelamos: "A Terra é do Senhor e toda a sua plenitude"
enquanto a saqueávamos e pilhávamos, alegando compensação:
enquanto nós nos enfeitávamos, na certeza de nosso poder,
doloso ou ignaro, através dos séculos.
Adulteramos a escrita, descaracterizamos nossa responsabilidade:
subjugamos com falsidade, a palavra foi deturpada na história
certamente que deveríamos tê-la cumprido
como mente da terra, espelho, fonte de reflexão.
Certamente que nossa tarefa
deveria ter sido
amar a Terra,
para vesti-la e mantê-la como Jardim do Éden.
Assim ela teria sido o domínio próprio:
poderíamos ter sido as células do corpo da terra
em percepção e representação, que fariam o planeta
ser conhecido como o paraíso
(como o olho abençoando a mão, percebendo
em seu formato o trabalho que pode fazer).
- 'Tragic Error' by Denise Levertov in "Evening train", New York: New Directions, 1992, 120 p., p. 69
(Versão brasileira Joseph Shafan)
The earth is the Lord's, we gabbled,
and the fullness thereof
while we looted and pillaged, claiming indemnity:
while we preened ourselves, sure of our power,
willful or ignorant, through the centuries.
Miswritten, misread, that charge:
subdue was the false, the misplaced word in the story.
Surely we were to have been
earth's mind, mirror, reflective source.
Surely our task
was to have been
to love the earth,
to dress it and keep it like Eden's garden.
That would have been our dominion:
to be those cells of earth's body that could
perceive and imagine, could bring the planet
into the haven it is to be known,
(as the eye blesses the hand, perceiving
its form and the work it can do).
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