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E agora José, como você quer o dia depois de amanhã?



Nos últimos dias, com a mídia colocando a repressão aos traficantes em foco, era para se ter despertado muitos que preferem ficar alheios diante da real situação em que vivemos.
As trocas de tiros, as invasões e até mesmo um grande fator a ser questionado, o exército nas
ruas, não são muito diferentes do cotidiano de muitos cariocas. Mas uma
coisa é certa, o alarde tem que servir para alguma coisa. A sociedade
precisa refletir sobre as motivações de tudo.isso
É lamentável, mas só quando a criminalidade atinge a classe média e,ou a burguesia, que o
problema realmente se transforma em fato. Antes disso passa despercebido
como se fosse natural ou de menor relevância. Não é de hoje que
moradores de favela sofrem com o crime organizado, seja ele organizado
por milicianos ou traficantes. Frequentemente são obrigados a viverem
sob uma legislação diferente das que estão no código civil, mas sempre é
bom lembrar que são por elas que todos são julgados ou avaliados, na
linguagem popular “são dois pesos e duas medidas”. O processo histórico
de exclusão levou a formação de ambientes propícios a marginalidade - as
favelas são desdobramentos deste processo -, bem demarcado pelo descaso
das camadas populares e pela falta de uma indenização histórica aos
negros alforriados, aos trabalhadores que habitaram os cortiços e
entornos da Leopoldina. Foram esses que construíram a maior parte da
riqueza do país e não levaram nem uma fatia do bolo, mesmo depois de
“terem diagnosticado o equivoco da escravidão”, implementado uma
legislação trabalhista ou mesmo aprovado a constituição de 1988.
A Segregação social numa cidade como o Rio não poderia resultar em outra
coisa, basta perceber os valores que tomam conta do nosso cotidiano, das
intensas propagandas de um conceito de felicidade e bem-estar que está
longe da maioria do povo brasileiro e a banalização dos valores que
coloca o capital acima de tudo. Não precisamos de exemplos complexos,
basta destacarmos uma pessoa que gasta 50 reais com o penteado de um
cachorro e não se movem pra mudar a realidade de centenas de crianças
que já nascem condenadas.
A dominação das comunidades pelo tráfico nada mais é que o preenchimento da lacuna deixada pelo Estado. Nesse
contexto, vários traficantes foram imortalizados como “heróis”. Pode-se
lembrar o exemplo do bandido conhecido como “Escadinha”, que teve até
direito a musica:
“Aaaah, meu bom juiz
Não bata este martelo nem dê a sentença
Antes de ouvir o que o meu samba diz.
Pois este homem nao é tão ruim quanto o senhor pensa
Vou provar que lá no morro.
Vou provar que lá no morro
Ele é rei, coroado pela gente”.

Ele entrou na ausência do Estado, se tornou referência, mas seus discípulos
se tornaram tão macabros quanto a sociedade que os cercam. Estes
discípulos tomaram conta, colocaram o terror e dominaram - organizados
no meio de uma grande repressão -, e se infiltraram com a mesma farda
que os matam e mataram.
Mas em meio a essa luta de bandido e polícia, falta um terceiro grupo: o da milícia.
Este último setor ainda não está como prioridade na agenda de repressão do
Estado, mas vale ressaltar que controlam 157 comunidades no Rio de
janeiro. Para se saber quais são esses pontos, basta consultar o mapa da
CPI das Milícias da Alerj. ( http://twixar.com/khjQjh )
Uma coisa é certa: não podemos concordar com a prática do extermínio. O Exercito tem
por obrigação preparar a Força Terrestre para defender a Pátria e
garantir os poderes constitucionais, a lei e a ordem. Quando se fala em
garantia de lei vale para todos os brasileiros, porque ainda temos uma
legislação, uma constituição que rege as leis do país. Isso possibilita
aos cidadãos a oportunidade de garantir que o estado não favoreça um
grupo isolado em detrimento dos demais. Por isso devemos, antes de tudo,
garantir e lutar pelos direitos básicos e elementares e que todos sejam
julgados e condenados de acordo com as leis vigentes. Nada diferente
disso pode ser considerado normal. Já usamos o mesmo peso para medidas
diferentes, mas essa não é a hora de se discutir a formulação das regras
do jogo, mas sim de garanti-las.
E agora José?
É bom aprendermos com os erros do passado, assim não segregaremos nosso povo para que
futuramente desenvolvam novas práticas de sobrevivência que ameace a
sociedade. Para isso, é preciso repensar muitas coisas como o papel do
estado; o conceito de liberdade, direito, justiça e cidadania; assim com
os valores que devem prevalecer na sociedade. Depois desse grande
exercício tentaremos responder a clássica pergunta: quem vem primeiro, o
homem ou o capital?
Um garoto do filme “Falcão meninos do trafico” relatou: se me matarem vai ser um favor..., mas amanhã vai nascer outro
igual ou pior do que eu. Por isso mesmo temos duas escolhas: ou mudamos
os rumos da sociedade ou mudaremos somente o nome dos bandidos.

Andrez Machado

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Tags: Janeiro, Rio, alemão, complexo, cruzeiro, der, drogas, penha, tráfico, vila, Mais...violência

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