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Há uns meses atrás, decidi-me preparar para aceitar a minha nova condição de trintona. Trata-se de uma idade que chega com uma lista interminável de promessas. "É desta!" - pensamos nós, decididos a perder aqueles quilinhos extra, ter uma alimentação mais saudável, fazer desporto, fazer obras em casa, meditar, ser menos consumista, ser feliz, evitar as rugas, planear a reforma, plantar uma árvore, escrever um livro, perder o medo de dentista, saltar de páraquedas...
O meu número 1 desta lista foi fazer um check up com a médica de família. E aí, inevitavelmente, surge a questão: "E que tal deixar de fumar?". E eu, fumadora inveterada, respondo secamente que não, "talvez um dia, depois marco uma consulta" digo eu diplomaticamente, para despachar o assunto e matar o diálogo ali mesmo.
Se há coisa que sempre me irritou até ao tutano da minha existência, foi essa pressão anti tabágica. Sempre fui uma fumadora respeitadora, cívica, excepto quando puxavam conversa comigo sobre os malefícios do tabaco e, (não é que era sempre no meio do prazer do ritual do fumo que se aproximava uma dessas pessoas chatas?!), voando em volta com sermões feito moscas. Aí eu respondia sempre: "há coisas piores..."
Sempre fui uma péssima fumadora, porque retirava um imenso prazer desse vício. Muito provavelmente estaria agora sentada junto da janela, acompanhada de café e cigarros, enquanto apreciava a noite e debatia em silêncio um qualquer pensamento comigo mesma. Ao invés disso, agora masco Nicorette, a pastilha de nicotina para largar o vício. Isso e mais dois suplementos vitamínicos e um calmante, a juntar a metade da minha vontade que combate para largar este vício desde domingo. A outra metade é hedonista, e sofre com saudades de todos os muitos rituais ao longo do dia que envolviam um cigarro.
Um cigarro por dia, durante mais uma semana, é tudo o quanto nos vamos permitir cá por casa, para diminuir o stress, o sofrimento da abstinência. Afinal fumei durante mais de metade da minha vida e um vício qualquer não se vence assim do pé para a mão.
A força de vontade, a que existe reside no desejo de querer ser mais saudável. De querer recuperar o olfacto, o paladar, de melhorar a respiração, a resistência física, de querer renunciar à constante sensação de cansaço.

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Tags: cigarros, fumar

Comentário de BLOG DAS IGUARIAS - em 21 outubro 2009 às 15:46
Console-se comigo, pois também embarquei nessa. São 52 anos e 30 dias de luta , onde tive 2 recaídas que nem o Nicorete segurou. Mas , se vc não se importar, torceremos mutuamente.
Comentário de Ana Maria Chagas em 22 outubro 2009 às 14:06
Obrigada Carmen. :)
Óptima ideia. Torceremos uma pela outra. Afinal só um fumador compreende a enorme luta que é abandonar esta vício.

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