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De energia renovada, Glaucia Nasser faz show de lançamento do disco Vambora

                01-04-2011- Ailton Magioli - EM Cultura

Marcos Hermes/Divulgação

Quarto disco solo de Glaucia Nasser, Vambora tem mais chances de emplacar a carreira da intérprete mineira, há dois anos radicada em São Paulo. Afinal, além de o repertório flertar mais coerentemente com o mercado, coincidentemente ela acaba de acrescentar o h no sobrenome, que, segundo a numerologia, faz com que retome a energia do nome de batismo, de origem árabe.

Acompanhada de banda formada por Serginho Carvalho (contrabaixo), Big (bateria), Moisés Alves (piano), Chris (percussão) e Michi (violões e guitarra), a cantora faz apresentação única hoje à noite, no Teatro Dom Silvério, do show de lançamento do CD independente, gravado sob direção de André Abujamra e produção dividida entre ela e Marcio Nigro. “Por cantar eu existo/ Eu canto por isto/ Não desisto de cantar”, avisa na parceria com Tiago Vianna e Carlos Rennó, com a qual abre o disco.

De São Paulo a Belo Horizonte, passando pelo Rio, Glaucia traça representativa panorâmica da produção musical contemporânea brasileira, cantando autores como Edu Krieger (Malandra, que ela assina com ele e Tiago Vianna) e Chico Amaral (Olhar de prata (Líbano), também assinada a seis mãos, por ela, Chiquinho e Tiago Vianna. “Tanto tempo pra chegar/ Tanta areia, tanto mar/ Meu cansaço nestas rotas, eu e minhas botas/ Procurando algum lugar/ Pra ganhar aquele olhar de prata na madrugada”, canta, emocionada, a própria origem.

A regravação de Pensando em você, de Moska, coroa o potencial radiofônico do CD, apesar de Glaucia Nasser lembrar que não teve preocupação com esse aspecto. “Queria algo impactante, sonoramente. Queria uma MPB com a minha linguagem”, justifica a intérprete, assumidamente apaixonada por trilha sonora de cinema, que ela sempre quis adequar ao próprio trabalho. Fora a busca da própria origem, que ela acredita ter levado para os arranjos do disco, que vai da música árabe ao samba. Se isso resultaria em algo mais comercial, ela diz não ter pensado, apesar de faixas já estarem tocando, caso de Olhar de prata (Líbano), em Belo Horizonte, e Malandra e Quebradeira, da parceria com Carlos Careqa, em São Paulo. A música-título, na qual ela mais aposta, é parceria dela com o onipresente (no disco) Tiago Vianna e com Chico César.

Segundo Glaucia, além do trabalho do marido, o próprio mercado contribuiu para levá-la a São Paulo. “Vivendo no interior (Patos de Minas), indo e voltando para shows, a gente acaba não sedimentando nada em lugar nenhum”, acredita a cantora, que optou pela capital paulistana. A presença de André Abujamra no novo trabalho veio por acaso. “Eu o conhecia, artisticamente. Inicialmente, não pensei nele”, confessa, salientando que não queria uma linguagem pop no trabalho, já que não dá para esquecer a MPB, que tanto mexe com ela. “Entrei nas coisas dele, mas tem a mistura árabe, a coisa da trilha sonora. Enfim, a minha forma de fazer música que é muito intuitiva”, conclui, admitindo ter encontrado no produtor Marcio Nigro a pessoa ideal para traduzir isso. “Ele é fantástico, um gênio”, empolga-se, com o novo casamento musical.

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