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Pagliacci (Ruggero Leoncavallo – 1858-1919)

Leoncavallo baseia sua ópera "Paglicci" (Palhaços) em fatos reais. O episódio dramático contado na obra foi baseado em um crime que ocorreu em uma aldeia italiana, quando o ator de uma companhia itinerante de teatro matou sua mulher após o espetáculo. O fato pitoresco é que o pai de Ruggero foi o juiz do julgamento do assassino.

Pagliacci, como tantas outras óperas, é uma história de amor e ódio, de paixões arrebatadas, de ciúmes doentios e desejos patológicos. Muitos estigmatizam a ópera como sendo arte eivada de tragédias e sofrimentos, de personagens doentios, de histórias com final infeliz. Mas, na realidade, parece que o ser humano é atavicamente fascinado pelo infortúnio, pela tragédia, pelo crime e pelo castigo. Não será a desgraça, um poderoso alimento do espírito humano? Aí estão as tragédias gregas e os dramas shakespearianos, que hoje certamente estariam nas primeiras páginas dos jornais e no horário nobre dos noticiários da TV. Tudo indica que a tragédia provoca uma espécie de catarse do público e isto explicaria o motivo (prazer?!) dos humanos apreciarem o sofrimento dramatizado (seja no teatro, no cinema ou na vida real). Estranho ser o nosso...

Mas o artista tem o dom de extrair beleza da tragédia. Leoncavallo compôs uma das mais belas peças do cenário operístico moderno. Pagliacci é repleta de árias, duetos e coros magníficos, capazes de emocionar os mais empedernidos.

A ópera começa com um prólogo instrumental, seguido da apresentação da peça feita por um de seus personagens mais importantes, justamente o vilão da história, aquele que simboliza toda a fraqueza e a crueldade humanas: Tonio, um dos palhaços da trupe, indivíduo fisicamente disforme, invejoso, cruel e odiento, mas que ama perdidamente Nedda, a que, no final das contas, morre assassinada pelo marido.

Essa apresentação feita por Tonio é um quadro explicativo e simbólico (à maneira do que faziam alguns teatros itinerantes na Renascença), isolado do contexto da ópera. As cortinas permanecem fechadas e Tonio (barítono) aparece no palco, introduzindo-se por uma fresta da cortina. Ele vem a público explicar o enredo do espetáculo.


Tive grande dificuldade para localizar no YouTube interpretações do Prólogo, pelo menos satisfatórias. Embora quase todos os grandes barítonos o tivessem cantado e sejam inúmeras as gravações, não sei porquê os colaboradores do YouTube foram parcimoniosos no “upload” da ária. Há um até que particionou o filme do Zefirelli, botou várias cenas, menos o prólogo, magnificamente cantado por Juan Pons.

Acabei encontrando uma gravação de Sherrill Milnes, gravada no Metropolitan, 1978, no apogeu daquele grande artista, cujo som está bom, mas a imagem deixa a desejar. Também resolvi colocar uma gravação, sob a forma de concerto, com o barítono coreano Ettore Kim, em ótima e pitoresca interpretação. Vejamos:

Sherrill Milnes


Ettore Kim

Exibições: 17

Tags: Ettore Kim, Leoncavallo, Pagliacci, Sherrill Milnes, canto lírico, ópera

Comentário de Helô em 14 novembro 2008 às 13:32
Você tem toda a licença para continuar nos presenteando com todas estas jóias do bel canto, Oscar. Que voz poderosa e que timbre bonito tem o "Sherrill Milnes"! (este você ainda não havia me apresentado).
Beijos.
Comentário de Helô em 16 dezembro 2008 às 15:56
Conhece?
Achei uma gracinha.
Beijos.

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