Se os brasileiros torcessem pelo Brasil como torcem pela Seleção Brasileira, seríamos a maior potência do mundo.
Infelizmente, a falta de consciência política acaba levando a população a confundir governo com país e o que se vê é todo mundo “secando” o Brasil, como se isso fosse a atitude correta para corrigir os desmandos políticos e administrativos que interferem diretamente em nossas vidas.
O Brasil é o seu povo e, se aqueles que comandam os três poderes constituídos não governam, legislam e julgam em benefício desse povo, que decide nas urnas quem é quem, fica evidente a incompetência política desse povo, que não está restrita ao analfabeto e sim a todos aqueles que possuem um “título de eleitor” e imaginam que aquele documento seja um “título de torcedor”.
Torcer pela volta da inflação além de burrice é um verdadeiro suicídio, principalmente para quem é assalariado, depois que passou a predominar a idéia da “inflação zero” e os aumentos naquelas faixas que ficam acima do salário mínimo a cada dia vão ficando mais difíceis.
Torcer contra a produção pode ser uma maravilha para o Greenpeace e outros grupos que sobrevivem em torno da causa ambiental. Para o cidadão comum, o desabastecimento é uma catástrofe e quando chegamos a ponto de importar feijão preto da China, é bom começar a focar na luz amarela indicadora da escassez na oferta de alimentos, ao invés daquela outra ligada ao desmatamento.
Quem tem motivos para torcer contra o Brasil e, através disso, pavimentar o retorno ao poder é a mídia e os seus proprietários. O brasileiro que tiver juízo, precisa desejar que o governo de plantão, seja de que lado for, acerte naquilo que tenta fazer em benefício da funcionalidade e a partir daí do desenvolvimento, pois, somente assim, o povo acabará ganhando, apesar de todas as mazelas que existam pelo caminho.
Quando o transporte de cargas para, protestando contra medidas absurdas e demagógicas adotadas para diminuir a carga horária do motorista, que quanto mais roda mais ganha, mesmo que seja “rebitado”, quem acaba arcando com o ônus decorrente disso é a população, que pagará mais caro pelo que consome, em conseqüência dessa regulamentação, mesmo que tudo volte a ficar como antes, pois o preço do frete que subiu não retroagirá.
Vem aí uma eleição e todo mundo já sabe em quem votar, inclusive os sábios e indignados que anularão o voto e tudo caminha para que as coisas não mudem, pois cada brasileiro tem o seu time e aí até que concordo, já que essa é a hora de secar o adversário e torcer pelo grupo preferido.
Agora, quem sonhar com dias melhores para os brasileiros, a partir do dia seguinte a posse dos eleitos, quando a farra vira ressaca, precisa torcer para quem estiver no comando para o qual foi escolhido, como se torcesse pelo piloto do avião no meio de uma turbulência.
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