Portal Luis Nassif

“BRANCA DE NEVE E O CAÇADOR”. A FÁBULA DA BELEZA E DA DESCONHECIDA FLORESTA NEGRA

Começou hoje (03/06) em São Petersburgo, na Rússia, a 29ª cúpula de dois dias Rússia-União Europeia (UE). O encontro foi aberto pelo presidente russo, Vladimir Putin, enquanto a delegação europeia será chefiada pelo presidente da UE, Herman Van Rompuy, e pelo presidente da Comissão Europeia, José Manuel Durão Barroso. A parte oficial começará amanhã de manhã com uma reunião plenária, focada em cooperação bilateral, e seguida por um pequeno-almoço de trabalho onde discutirão problemas da agenda internacional. Na agenda de Putin há um encontro previsto esta semana na China com o seu colega iraniano, Mahmoud Ahmadinejad. "Reunir-se com Ahmadinejad permitirá a Putin sentir pessoalmente a tensão em torno ao problema iraniano e como este é visto por Teerã", disse o conselheiro do Kremlin sobre política estrangeira, Yuri Uchakov, durante um encontro com jornalistas. Moscou será a sede nos dias 18 e 19 de junho da próxima reunião de negociações entre Irã e o grupo 5+1 (Estados Unidos, Rússia, China, França, Reino Unidos e Alemanha) sobre o programa nuclear iraniano. Estas negociações dão sequência a um encontro anterior realizado em maio em Bagdá, quando não foi alcançado nenhum compromisso sobre o enriquecimento de urânio por parte de Teerã. Os dois presidentes se reunirão em meio à Organização de cooperação de Xangai (Rússia, China, Uzbequistão, Cazaquistão, Tajiquistão, Quirguistão) nos dias 6 e 7 de junho em Pequim. No documento passado (27), a TV estatal iraniana divulgou que o governo construirá uma nova central nuclear na cidade de Bushehr no início de 2014. Ela será erguida ao lado de uma central já existente construída pela Rússia. A TV não informou se esta nova usina contará com a ajuda tecnológica de Moscou. Na semana passada, Putin foi a Berlim e a Paris no primeiro encontro desde que foi eleito presidente da Rússia. A sua primeira viagem como chefe de Estado foi à Bielórrússia onde se encontrou com o seu colega Alexander Lukashenko. "Só o fato de minha primeira visita ao exterior ser dedicada à nação irmã Belarus demonstra o caráter especial de nossas relações", disse Putin. Os dois líderes discutiram uma ajuda financeira prometida por Moscou ao país que está endividado. "A Bielorrússia continua sendo um fiel parceiro da Rússia", disse Lukashenko, chamado pelas lideranças da UE de “o último ditador da Europa”. Apesar de fortes protestos do governo lituano, o governo em Minsk planeja a construção da primeira usina nuclear do país próximo à fronteira com a Lituânia, país-membro da União Europeia. Anteontem, Putin chegou a Berlim onde conversou com a chanceler alemã Ângela Merkel. Como tema do encontro entre os dois líderes contaram as relações russo-alemãs, questões sobre a política econômica e energética e segurança internacional. O presidente russo e a chanceler afinaram o tom e defenderam uma “solução pacífica” na Síria. Após a reunião com a chefe de Governo, Putin se encontrou com o presidente alemão, Joachim Gauck, no Palácio Bellevue. Em Paris, o chefe de Estado russo não teve o mesmo acolhimento. Sob protestos de ativistas de vários países e organizações francesas, que se concentraram na ponte Alexandre III para se manifestar contra a visita do líder russo (acima), Putin não recebeu do presidente francês, François Hollande, o mesmo entusiasmo para uma solução não-intervencionista. Desde o massacre na cidade de Hola, o socialista vem defendendo a intervenção militar na Síria. Aos gritos como "Putin, Bashar: basta de repressão" e "Não ao veto sobre os direitos humanos" e "graças à cumplicidade de Moscou, os massacres prosseguem na Síria e a repressão continua no Irã", a Repórteres Sem Fronteiras pediu a Hollande  que "escute as reivindicações de democratização da sociedade russa e que deixe de aprovar os países mais repressivos do planeta". Anteontem, Putin negou que forneça armas para a Síria como havia sido aventada pela secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton. "Sobre o fornecimento de armas, a Rússia não fornece armas que possam ser usadas num conflito civil, afirmou Putin. “Temos uma relação boa e de longa duração com a Síria, mas não apoiamos nenhum lado diante da ameaça do início de uma guerra civil", acrescentou. Hoje, o ministro das Relações Exteriores russo, Serguei Lavrov, disse que Rússia e China são contra a expansão de alianças militares. Ontem, os chefes da diplomacia russa e estadunidense divulgaram que o relacionamento de Moscou com Washington está muita boa e que ambos desejam trabalhar em conjunto. 

O secretário de Defesa dos Estados Unidos, Leon Panetta, começou hoje (3) uma visita oficial de dois dias ao Vietnã na antiga base militar estadunidense na baía de Cam Ranh (acima), a cerca de 230 quilômetros ao nordeste de Ho Chi Minh (antiga Saigon). O encontro tem objetivo estreitar ainda mais o acordo de cooperação em defesa que ambos os países assinaram no ano passado e, em particular, a incentivar o Vietnã para que lhes ajude a localizar e identificar os cerca de 1.200 militares norte-americanos que continuam desaparecidos no país asiático desde o conflito que envolveu os dois países, desafetos no século passado. Panetta chegou ao Vietnã após participar de uma conferência de Segurança em Cingapura, onde disse que seu país aumentará a presença de tropas e situará armamento de alta tecnologia em países aliados da Ásia-Pacífico, dentro da nova estratégia de elevar a capacidade militar na região. O secretário de Defesa dos EUA disse ontem que os Estados Unidos manterão seis porta-aviões na região a longo prazo, e mudarão sua frota de modo que 60% de seus outros navios de guerra estejam alocados no Pacífico até 2020, comparado a 50% hoje. Panetta procurou dissipar as suspeitas de que o objetivo do efetivo militar seja conter a expansão da China. Ele reconheceu diferenças entre as duas maiores economias do mundo numa série de questões, incluindo o Mar da China Meridional. "Os dois países entendem que não há alternativa além de travarmos relações, melhorar nossa comunicação e nossa relação (entre forças armadas)", disse. "Esse é o tipo de relação madura que teremos de ter com a China, em última instância", acrescentou. Algumas autoridades chinesas têm criticado a ênfase militar dos EUA sobre a Ásia, vendo-a como uma tentativa de pressionar o país e frustrar suas reivindicações territoriais. No mesmo dia do anúncio de Panetta, a Nova China, agência de notícias oficial chinesa, distribuiu uma nota onde adverte os Estados Unidos para não perturbarem o Mar da China Meridional. "Em relação à tensão no Mar da China meridional, alguns pretendentes, animados ou não pela nova postura dos Estados Unidos, acenderam o fogo e avivam as chamas". De acordo com o comunicado, o "verdadeiro desejo" de Pequim é converter a área em um "mar de Paz". A Nova China também informou que não existe uma “ameaça chinesa” à liberdade de navegação no Mar da China meridional, numa referência às acusações de Washington. Zona de várias disputas territoriais, a área compreende desde Cingapura e a ilha de Sumatra, ao sul, até o estreito de Taiwan, ilha considerada como uma província rebelde pelo governo de Pequim. O espaço marítimo é reivindicado pela China, Vietnã, Filipinas, Taiwan, Brunei e Malásia. Em muitas dessas áreas especialistas afirmam haver grandes possibilidades de jazidas petrolíferas. O Mar da China Meridional é estratégico porque por lá passa cerca de 90% de todo o comércio mundial. A proteção também seria necessária para as rotas comerciais no Oceano Índico e no Estreito de Málaga. No último dia 12 de maio, Pequim negou que esteja em andamento um processo de preparativos para uma guerra no Mar da China Meridional. "As informações segundo as quais a região militar de Cantón, assim como a Frota do Mar da China Meridional e outras unidades entraram em estado de preparação para a guerra, não são verdadeiras", informou o Ministério da Defesa chinês, em uma nota publicada em sua página oficial na Internet. 

O Irã lançou hoje (3) uma nova advertência contra as consequências de um eventual ataque as suas instalações nucleares, no momento em que Israel e Estados Unidos voltam a falar da possibilidade de uma opção militar para bloquear o programa nuclear iraniano caso fracasse a diplomacia. O líder supremo iraniano, o aiatolá Ali Khamenei, advertiu que qualquer ataque israelense contra suas instalações "recairá como um raio sobre cabeça" do Estado hebreu. Khamenei acusa os ocidentais de "mentir" sobre a ameaça nuclear iraniana. Na última quarta-feira (30), ministro israelense da Defesa, Ehud Barak, afirmou que é preciso deter o polêmico programa nuclear iraniano antes que seja tarde demais. "Não é possível dormir tranquilo quando os iranianos continuam avançando em seu programa. É preciso encontrar o momento propício antes que já não seja mais possível agir", declarou Barak em um discurso na Universidade de Tel Aviv. O ministro da Defesa reiterou novamente que "todas as opções estão sobre a mesa", referindo-se a um possível ataque israelense contra as instalações nucleares iranianas. Em relação aos Estados Unidos, Barak reafirmou que há "diferenças de enfoque". "Nossa escala de tempo é diferente" frente ao programa nuclear iraniano. "O governo americano sabe que no final Israel é o único responsável por sua segurança", acrescentou. Ontem, milhares de pessoas saíram às ruas das principais cidades de Israel para protestar contra a política social do governo e exigir ao primeiro-ministro Benjamin Netanyahu novas medidas para melhorar suas condições de vida. "Temos a sensação de que o que ocorreu no verão passado não foi mais que a primeira onda (de protestos). Neste verão, serão mais reais e intensos, serão protestos de verdade", disse Raz Levin, um dos manifestantes da concentração em Tel Aviv. Hoje de madrugada a Força Aérea israelense bombardeou cinco pontos no sul, norte e centro da faixa de Gaza, sem provocar vítimas, em resposta ao lançamento de vários foguetes por parte das milícias palestinas este fim de semana. O conflito se acirrou nos últimos dias. Anteontem, um palestino matou um soldado após invadir o território ocupado por Israel. Tel Aviv reagiu disparando um míssil que feriu três pessoas no sul da faixa de Gaza. Militantes palestinos responderam com disparos de foguetes, sem causar danos em Israel, segundo o Exército israelense. Ao mesmo tempo um grupo de palestinos atirara pedra contra soldados israelenses durante protesto na Vila de Karf Qaddum, perto de Nablus, na Cisjordânia ocupada (acima). Na semana passada, em visita de três dias a Israel, o presidente da Alemanha, Joachim Gauck, apelou ao primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, que retome as negociações com os palestinos. Berlim tem sido um dos países que votam sempre dentro dos interesses de Tel Aviv. O chefe de Estado alemão enfatizou o compromisso da Alemanha em relação a Israel, mas sugeriu que uma solidariedade irrestrita pode se mostrar problemática para o seu país. Gauck afirmou que "Alemanha e a Europa agradeceriam por qualquer sinal na política de assentamentos" no território palestino. Segundo o porta-voz do presidente alemão, Gauck deixou claro para o primeiro-ministro israelense que a crítica alemã à política de assentamentos não é uma ameaça à amizade entre os dois países, mas é parte de um diálogo franco entre as nações. Em Berlim, a declaração de Gauck foi recebida por aplausos da oposição quando ele comentou uma frase da chanceler Angela Merkel que afirmou ser a segurança de Israel uma questão de "razão de Estado" para a Alemanha. Na terça-feira, o presidente lembrou que tal posicionamento poderia trazer problemas à Alemanha no caso de um ataque militar de Israel contra o Irã. Na última edição da revista alemã “Der Spiegel”, uma reportagem afirma que a Alemanha entregou três submarinos com ogiva nuclear a Israel. No contrato, as autoridades alemãs estipularam que parte do financiamento de € 135 milhões está vinculado ao término da expansão dos assentamentos judaicos, o que Tel Aviv não vem cumprindo. O descumprimento vem causando desconforto a Berlim. Uma manifestação de neonazistas alemães terminou com feridos durante a celebração do "Dia do Futuro Alemão". Militantes de extrema esquerda entraram em confronto com os neonazistas durante toda a noite de ontem, na cidade de Hamburgo, deixando 38 policiais feridos. Já na França, militantes antissemitas agrediram ontem à noite a marteladas e com uma barra de ferro três jovens judeus que usavam quipá (solidéu) na cabeça perto de Lyon. Segundo o ministro do Interior francês, Manuel Valls, informou que um dos agredidos sofreu um ferimento no crânio e outro foi atingido na nuca, sendo todos os três hospitalizados. Ele reiterou sua determinação em lutar contra qualquer agressão de caráter religioso. "Estes atos de extrema gravidade são um ataque deliberado contra nosso modelo republicano que deve permitir a todos, sem distinções, viver sua religião livremente e em total segurança", disse o comunicado do Ministério do Interior francês.

O presidente sírio, Bashar al Assad, disse hoje (3) perante o recentemente constituído Parlamento que existe uma "conspiração" internacional contra a Síria, que o país enfrenta uma "verdadeira guerra" e que é preciso distinguir entre a "política e o terrorismo" para solucionar a atual crise. Assad pediu que as pessoas envolvidas na violência e que não cometeram delitos de sangue se entreguem, às quais se comprometeu não punir. "Vamos continuar a enfrentar o terrorismo de forma firme, deixando a porta aberta para aqueles que quiserem voltar", afirmou. "Peço a todos aqueles que ainda hesitam em fazê-lo, para dar esse passo. O Estado não vai retaliar", acrescentou. O pronunciamento de Assad aconteceu depois que o enviado especial da ONU e da Liga Árabe, Kofi Annan, alertou do risco de uma guerra civil sectária na Síria, cuja crise começou a ter repercussões em outros países. Na quarta-feira (30), o enviado especial foi a Amã, na Jordânia, onde se encontrou com o chanceler Nasser Judeh em busca de apoio ao seu plano de paz na Síria. Hoje a Arábia saudita rejeitou a acusação feita por Assad. O Ministério das Relações Exteriores saudita disse que o líder sírio tenta ganhar tempo ao dizer que aceita as exigências da ONU mas não as implementa. Ontem, a Liga Árabe pediu que a ONU tome as medidas necessárias à aplicação total e imediata do plano de paz, elaborado pelo enviado especial à Síria, Kofi Annan, bem como fixe um calendário para cobrança das medidas. Hoje a secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, pediu que a Rússia apoie uma transição política na Síria, declarando que a saída do presidente Bashar al-Assad não é uma condição prévia, mas que deve ser "um resultado" desta transição. Apesar da pressão dos Estados Unidos ao Brasil, o ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota, reafirmou ontem que é contra uma intervenção militar na Síria. Ele citou a avaliação do brasileiro Paulo Sérgio Pinheiro, indicado na semana passada pelo Conselho de Direitos Humanos da ONU para presidir a comissão encarregada de investigar o massacre na cidade síria de Houla. "Temos um brasileiro, responsável pela investigação, que considerou a hipótese de militarização como catastrófica para a situação na Síria", disse Patriota. Na última quarta-feira, a China reiterou sua oposição a uma intervenção militar na Síria e deu novamente apoio à mediação do enviado internacional Kofi Annan, em meio à indignação global pelo massacre de 108 pessoas, incluindo dezenas de crianças. Em entrevista à rede de TV CNN, Bill Clinton, ex-presidente estadunidense, declarou que o agravamento da crise na Síria se assemelha em alguns aspectos à Guerra da Bósnia no início da década de 1990. Segundo o democrata, que enfrentou o conflito nos Balcãs quando ocupava a Presidência dos EUA, alguma maneira precisa ser encontrada para acabar com a violência no país islâmico. "Estamos na situação na Síria onde eu estava com a Bósnia em 1993 e 1994. Demorou dois anos (para o conflito acabar)", disse Clinton, acrescentando que ele estava determinado a intervir na ex-república iugoslávia, mas não podia fazer isso sozinho. Segundo Clinton, outros países europeus precisavam  primeiro ser "persuadidos a apoiar" a posição dos EUA. 

Pelo menos três pessoas morreram e oito ficaram feridas hoje (3) devido à explosão de uma granada em uma casa noturna na cidade de Idvor, na Sérvia, a cerca de 60 quilômetros ao norte da capital Belgrado. A rede de televisão estatal RTS informou que o incidente ocorreu após seguranças da cafeteria impedirem quatro pessoas procedentes da cidade vizinha de Sefkerin de entrar no estabelecimento. A situação na Sérvia está cada vez mais tensa após a eleição do novo presidente: Tomislav Nikolic. Na semana passada, ele afirmou que “não houve genocídio em Srebrenica” – acrescentando que foram cometidos “crimes de guerra graves”. O massacre de 8 mil homens e rapazes muçulmanos pelas forças sérvias da Bósnia, em 1995, foi classificado como genocídio pelo Tribunal das Nações Unidas para os crimes cometidos na ex-Iugoslávia e também pelo Tribunal Internacional de Justiça. “Em Srebrenica, foram cometidos graves crimes de guerra por alguns sérvios, e estes devem ser encontrados, acusados e punidos”, contrapôs Nikolic. Dois antigos responsáveis sérvios, o líder sérvio bósnio Radovan Karadzic e o general Ratko Mladic, estão sendo julgados por crimes de guerra em Haia, Holanda. “É muito difícil acusar alguém e provar em tribunal que um acontecimento foi um genocídio”, defendeu Nikolic em declarações à televisão do Montenegro, sem se referir diretamente a estes casos. O novo presidente tomou posse na quinta-feira depois de vencer a eleição contra o anterior chefe de Estado, Boris Tadic. Tadic tinha pedido desculpas aos familiares das vítimas de Srebrenica em 2005 e desde então participa das cerimônias que lembram o massacre. O novo presidente já avisou que não irá na próxima manifestação aos mortos em novembro. “O meu antecessor esteve lá e prestou tributo. Por que deveriam todos os presidentes fazer o mesmo?”, questionou. O líder muçulmano da Bósnia, Bakir Izetbegovic, que divide a presidência com dois outros responsáveis, um sérvio e um croata, reagiu às palavras de Nikolic: “A negação do genocídio em Srebrenica poderá causar novos mal entendidos e tensões”. Ao tomar posse, Nikolic reuniu o Conselho de Segurança do país, que constatou que a segurança dos cidadãos do Kosovo está "seriamente ameaçada". O conselho pediu às missões internacionais mobilizadas no Kosovo que "impeçam as tentativas (...) de Pristina de provocar a instabilidade e o medo em meio à população sérvia". No dia seguinte, dois soldados alemães da Força da Otan no Kosovo (Kfor) e três sérvio-kosovares ficaram feridos em confrontos que eclodiram no momento em que uma unidade da Kfor tentou retirar uma barricada erguida numa estrada ao norte desse território (acima). A região tem sido desde julho de 2011 palco de diversos confrontos entre sérvios e a Kfor, mas agora a situação está mais tensa. A independência do Kosovo foi reconhecida até o momento por mais de 80 países, incluindo os Estados Unidos e a maior parte dos países membros da União Europeia (UE), mas é rejeitado pela Rússia. Na semana passada, Nikolic disse que deseja entrar para a UE, mas que não abrirá que Kosovo esteja ligado ao governo de Belgrado. "Desejo uma Sérvia diferente, finalmente unida na luta por uma vida melhor, uma Sérvia liberada do medo do amanhã, uma casa com duas portas, uma ao leste e outra ao oeste", declarou, em referência à União Europeia e à Rússia. A primeira visita oficial do novo presidente sérvio foi ao seu colega russo Vladimir Putin. Em entrevista ao jornal “Voz da Rússia”, Nikolic ressaltou o caráter histórico do relacionamento russo-sérvio e a necessidade de aprofundá-lo. “A Rússia, hoje, é um parceiro importante da Sérvia, porém a minha vitória na eleição presidencial do meu país é também a vitória da ideia de que a cooperação com a Rússia se torna necessária na mesma medida em que cooperamos hoje com a União Europeia. Os nossos povos estão ligados pela amizade mútua, por laços históricos, pela fé, pelo idioma e pelos costumes, mas, além disso, a nossa cooperação também deve se basear nas relações econômicas, o que permite que tanto a Rússia quanto a Sérvia possam obter benefícios para os seus cidadãos”, disse o novo líder sérvio. “A Rússia poderá fornecer energia à Sérvia e poderemos pagar não apenas com dinheiro, mas também com mercadorias. A Rússia precisa ainda da Sérvia, como membro da União Europeia, como um parceiro de confiança nesta entidade. A Alemanha e a Rússia poderiam cooperar entre si com a mediação da Sérvia, o que permitirá criar mais empregos para todas as pessoas. A Rússia tem muito para ajudar à Sérvia, porém a Sérvia não irá pedir nada de graça”, acrescentou. 

Os capitalistas Tico e Teco voltaram a conversar sobre o mundo contemporâneo, acompanhados pela diarista Aparecida e pela filha Bytes, no dia 3 de junho de 2012, no Domingo de Pentecostes para os cristãos ortodoxos.

Tico: No dia de hoje Slobodan Milosevic, o último presidente da Iugoslávia, aceitou tropas da Otan em Kosovo, após pressão das potências ocidentais. Ele retirou as suas tropas da região, diante das denúncias de genocídio na região, e revogou a expulsão das pessoas de etnia albanesa. Uma semana depois, a cúpula militar da Iugoslávia assinou o acordo para encerrar o conflito. Depois da entrada das tropas da Otan em Kosovo, foi instaurado um governo provisório, sob tutela da ONU. A maioria dos soldados do exército iugoslavo deixou a província, enquanto os refugiados de origem albanesa iniciaram o retorno ao território. Durante o conflito, cerca de 200 mil sérvios em Kosovo fugiram para a Sérvia por temerem represálias.  Há 13 anos.

Teco: No dia de hoje os ministros das Relações Exteriores da Otan, reunidos em Berlim, na Alemanha, anunciaram um acordo para reformar a aliança militar liderada pelos Estados Unidos. Naquele tempo, o organismo anunciou que concentraria mais suas atenções para a Europa e não mais para Moscou. Há 16 anos.

Bytes: No dia de hoje Isaac Rabin foi eleito primeiro-ministro de Israel. Em 1995, ele terminou assassinado por um jovem judeu ortodoxo que não aceitou o acordo de paz pelo fato de Israel ter de entregar “terras sagradas” aos muçulmanos palestinos. A Eleição de Rabin ocorreu há 38 anos.

Aparecida: No dia de hoje o socialista Leonel Jospin foi eleito primeiro-ministro da França. Nos quase cinco anos de mandato, sua popularidade foi grande devido à redução da carga de trabalho para 35 horas e por ter reduzido o desemprego. Mas o tema “segurança” o derrubou, já que a violência aumentou na França. A eleição de Jospin foi há 15 anos.

Bytes: No dia de hoje nascia, há 204 anos, Jefferson Davis, presidente dos Estados Confederados da América durante a guerra civil nos Estados Unidos. Descendente de uma família aristocrática sulista, estudou na Academia Militar de West Point. Em 1828, lutou contra os índios americanos em diversas campanhas. Entre 1835 a 1843 dedicou-se a produção algodoeira baseada na mão de obra escrava. Era defensor, como muitos em seu tempo, de teoria da superioridade racial dos brancos europeus sobre negros, índios e latino-americanos, etnia diferenciada por serem mestiços, filhos de “europeus degenerados". Na guerra dos Estados Unidos contra o México, em 1846, ajudou na anexação do território do Texas. Em 1853, foi nomeado secretário da Guerra pelo presidente Franklin Pierce. Escravagista convicto, ele usou de seu cargo para aumentar os atritos entre o Norte e o Sul dos Estados Unidos. Quando Abraham Lincoln foi eleito presidente dos Estados Unidos, reforçou e apoiou a tese do separatismo, sendo nomeado presidente da Confederação pelo congresso Confederado reunido em Montgomery, estado de Alabama, em 1861.

Aparecida: No dia de hoje morreu, há 49 anos, o papa João XXIII. Nascido numa província de Bérgamo, na Itália, ele convocou o Concílio Vaticano II como um novo Pentecostes. Em suas palavras, explicou o movimento como “uma grande experiência espiritual que reconstituiria a Igreja Católica não apenas como instituição, mas sim como um movimento evangélico dinâmico (…); e uma conversa aberta entre os bispos de todo o mundo sobre como renovar o catolicismo como estilo de vida inevitável e vital".

Bytes: No dia de hoje os cristãos católicos celebraram o Domingo da Santíssima Trindade, mas os ortodoxos comemoram o Domingo de Pentecostes. É uma grande festa, principalmente na Grécia, Rússia, Ucrânia e Sérvia.

Aparecida: Por falar em Ucrânia, ativistas do Femen foram presas na quinta-feira por realizar um protesto num parque municipal, no centro de Kiev. As mulheres, muitas de peito nu, contra a exploração sexual no país. Elas são contra a Euro na Ucrânia, torneio que está sendo organizado por Kiev e Varsóvia, que se inicia na próxima sexta-feira. As ativistas consideram que a competição será uma "tragédia para as mulheres" e irá alimentar a indústria da prostituição no país. A Ucrânia é a maior exportadora de garotas de programa da Europa.

Bytes: A Irina, que é cristã ortodoxa e mora em Atenas, me escreveu dizendo que o sacerdote grego recomenda a leitura da carta do apóstolo Paulo aos gálatas na 15ª semana depois de Pentecostes. “Mas, antes que a fé viesse, estávamos guardados debaixo da lei, e encerrados para aquela fé que se havia de manifestar. De maneira que a lei nos serviu de aio, para nos conduzir a Cristo, para que pela fé fôssemos justificados. Mas, depois que veio a fé, já não estamos debaixo de aio. Porque todos sois filhos de Deus pela fé em Cristo Jesus. Porque todos quantos fostes batizados em Cristo já vos revestistes de Cristo. Nisto não há judeu nem grego; não há servo nem livre; não há macho nem fêmea; porque todos vós sois um em Cristo Jesus. E, se sois de Cristo, então sois descendência de Abraão, e herdeiros conforme a promessa”.

Aparecida: Por falar em Grécia, houve conflitos nas ruas de Atenas na semana passada. Um grupo neonazista agrediu um paquistanês na estação de Metrô de Agios Nikolaos, aos gritos de “nunca serás grego!” Numa reportagem da TVXS, uma testemunha narrou a história. Ele disse que avisou ao grupo que iria chamar a polícia, mas recebeu como resposta: “Traidor, deixa o país” e “Comunista, vamos te esfaquear”. Na terça-feira houve uma manifestação promovida pelo partido neonazista Aurora Dourada na praça Sintagma em memória da queda de Constantinopla em 1453 depois de um ataque dos turco-otomanos. No protesto, eles gritavam: “Irmãos, levantem as bandeiras (…) Aproximam-se tempos difíceis em que se vai provar quem são os verdadeiros gregos, quem são de outras etnias e quem são os traidores da pátria”.

Bytes: Já está havendo um temor na Grécia em relação aos neonazistas. Na terça-feira houve uma manifestação num anfiteatro da Universidade de Atenas, numa iniciativa do professor de história alemão Hagen Fleischer. A ideia era relembrar a ocupação da Grécia pelos nazistas durante a Segunda Guerra Mundial. Cerca de 400 pessoas ouviram o depoimento dos sobreviventes do holocausto. "Perdi o sono quando os vi entrar no Parlamento", disse Isaac Mizan, de 85 anos, sobre a vitória do partido neonazista Aurora Dourado na eleição de 6 de maio. Muitos relataram a experiência nos campos de concentração e disseram que os nazistas queimavam os corpos dos judeus. As pesquisas do Conselho judeu da Grécia revelaram a existência de 67.151 vítimas, ou seja, 86% da comunidade pré-guerra, 56 mil delas no grande porto de Salônica, conhecido como a "Jerusalém dos Bálcãs". Em entrevista a uma emissora grega, o líder do Amanhecer Dourado, Nikos Mihaloliakos, exigiu a revisão da história sobre o período nazista na Grécia: "Não usei crematórios, nem câmaras de gás, é mentira", afirmou Mihaloliakos na televisão, garantindo ter "lido muitos livros que põem em dúvida a cifra de seis milhões de judeus exterminados pelos nazistas”. Em determinado momento da entrevista, o líder nazista reagiu: "Auschwitz, o que é Auschwitz? Nunca fui lá. O que ocorreu lá? Vocês estavam presentes?". Já o judeu Mizan mostrou o número que os nazistas tatuaram em sua pele em sua chegada ao campo de concentração: 182641. "Não devemos esquecer, a serpente sempre está pronta para sair do ovo", afirmou.

Aparecida: Por falar em serpente, ela sempre quer sair do ovo lá no Complexo do Alemão. Houve um intenso tiroteio na noite de anteontem que levou uma moradora a twittar: “Paz no alemão!” Logo o assunto foi o “trending topics” do Twiiter. Ontem, uma amiga me contou que foi linda a cerimônia para lembrar a terrível morte do jornalista Tim Lopes, o Arcanjo, ali no Alemão. A irmã dele instalou um grande varal no campo de São Bento, dentro do complexo, onde cada pessoa podia homenageá-lo pendurando um lenço branco. "Foi a primeira ideia que eu tive para a data. São 3.653 dias sem o Tim, então tem o mesmo número de lenços no varal. A ideia é que todos possam participar desse momento", disse Tânia. Ao ver o secretário de Segurança Pública do Rio na manifestação, a minha amiga disse: “O Beltrame é um caçador de almas em nome da paz” (acima). Sobre a guerra que ainda persiste, o secretário comentou: "Não podemos achar que o tráfico vá sair de uma hora para outra. Mas a polícia vai continuar aqui trocando informações de inteligência e prendendo os remanescentes". 

Tico: A Grécia e a Espanha estão a caminho da insolvência?

Teco: Só o Estado pode salvar. Benvindo aos anos 30. Para os capitalistas, meia palavra basta.

Aparecida: Segundo os analistas, o FMI não tem € 300 bilhões de euros para salvar a dívida espanhola e a Alemanha não está muito disposta a emprestar o dinheiro do Fundo de Estabilização da Europa. Os estrangeiros já retiraram € 66 milhões da Espanha. Já os espanhóis sacaram dos bancos € 31 bilhões em abril. Mas o primeiro-ministro Mariano Rajoy está confiante que o país sairá ileso.

Bytes: O líder de esquerda do partido Syriza comparou o plano de resgate imposto a Grécia a um “remédio mortal”. Ele disse que o pacote de austeridade fiscal causou uma "tragédia" no país, onde mais de um milhão de pessoas estão desempregadas e as taxas de suicídio sobem em meio ao aprofundamento da crise econômica. "Você não salva a vida de um paciente mudando a dosagem de seu remédio mortal. Você precisa mudar o próprio remédio", disse o líder de esquerda.

Aparecida: E a Itália?

Bytes: Em entrevista ao jornal grego "To Vima", o primeiro-ministro, Mario Monti, disse que os eurobônus se tornarão realidade nas 17 nações da zona do euro, mesmo com oposição de Berlim. E que a Grécia continuará a fazer parte da moeda comum.

Aparecida: Uma polêmica estátua de Silvio Berlusconi, que retrata o ex-primeiro-ministro da Itália como se estivesse morto ou a dormindo dentro de uma espécie de caixão de vidro, foi exposta ao público no Palazzo Ferrajoli, no centro de Roma e perto do Palácio Chigi, sede do governo italiano (acima). A estátua, que lembra as figuras encontradas nos museus de cera, foi desenvolvida pelos artistas Antonio Garullo e Mario Ottocento. De acordo com os criadores, a ideia era recriar a identidade que melhor representa os ideais de Berlusconi e a figura do ex-primeiro-ministro. Intitulada “O sonho dos italianos”, a obra é inspirada no mausoléu de líderes comunistas, como Lênin e Mao Tsé-Tung. Segundo os artistas, é um convite a uma grande reflexão sobre a “Era Berlusconi”. Eles disseram que “Berlusconi adormecido” representa “o mais profundo imaginário italiano”.

Bytes: O meu colega gaiato lá da facû brincou sobre a polêmica estátua: “Quem será que lhe resgatará a vida política e o coração dos italianos? O caçador ou o príncipe?” Eu respondi: “O que sabemos é que não será uma princesa nem um sapo”.

Aparecida: Quando li a notícia sobre a escultura do Berlusconi, pensei: “Parece história escrita pelos irmãos Grimm. Minha mãe me lia todos os livros destes dois fantásticos escritores alemães: Jacob e Wilhelm.

Bytes: Por falar em polêmica, pegou mal a geografia da Ângela Merkel numa escola internacional de Berlim por ser a matéria hoje base para a economia. A chanceler não sabia que a Alemanha era tão próxima da Rússia.

Aparecida: E como pensa o governo dos Estados Unidos?

Bytes: Deu no jornal “O Globo” de 30 de maio de 1962, cuja manchete foi “O Brasil estréia com o ataque de Estocolmo”: “A Côrte Suprema de Israel, ao rejeitar, ontem, a apelação contra a pena de morte ditada a Adolf Eichmann, qualificou esta de inadequada, ante a monstruosidade dos crimes do ex-funcionário da Gestapo, condenado como cúmplice principal na matança nazista de judeus. O veredicto da Côrte deixa a Eichmann como única esperança de escapar à execução – talvez durante o mês próximo – a concessão de clemência por parte do presidente de Israel, Ben-Zvi. O advogado de defesa, Robert Servatius, disse que solicitará dentro em breve a clemência presidencial”. E mais: “O ambiente chegou a tal ponto que a aloprada e insensata política externa brasileira já se dá ao luxo de pretender silenciar cardeais, enquanto dá palavra aos agentes de grupos comunistas. Pode ser que esta situação permaneça por mais algum tempo, mas não é justo que isto se faça à custa de nosso trabalho – disse ontem o governador Carlos Lacerda, referindo-se ao pedido que o Sr. Renato Archer fez ao Vaticano a fim de interromper as críticas de cardeais brasileiros às relações do Brasil com países comunistas”. E mais: “Não houve aulas ontem na Faculdade Nacional de Direito em virtude da greve decretada pelo Centro Acadêmico Cândido de Oliveira (Caco) em face da resolução da Congregação proibindo  realização de manifestações políticas dentro da faculdade, e, à noite, resolveu deflagrar greve nacional”.

Aparecida: Deu no jornal “O Globo” de 30 de maio de 2012, 50 anos depois: “A guerra do mensalão. ´Brasil não é a Venezuela, onde Chávez prende juiz´. Ministro Gilmar Mendes diz que pressão sobre o STF é coisa de gângster”. E mais: “CPI quebra sigilo da Delta em todo o país”. E mais: “EUA e Europa retaliam Síria; Brasil não”.

Bytes: No editorial “Mundo não pode dar mais tempo a Assad”, publicou o jornal “O Globo” na última terça-feira sobre a guerra civil na Síria: “A comunidade internacional precisa se unir para colocar pressão total sobre o regime de Assad. Não tem cabimento Rússia e China subscreveram resoluções da ONU de condenação ao ditador, mas bloquearam as que estabelecem sanções. Não há mais interesse político, comercial ou econômico que justifique o apoio a Damasco. Não se trata de discutir sobre direitos humanos, abstratamente, mas de salvar vidas ameaçadas por um genocídio sistemático”. 

Aparecida: Por falar em guerra civil, como você vê a Guerra do Mensalão?

Bytes: O Gilmar Mendes não é o Lacerda, pois não tem a mesma oratória e inteligência. Para os capitalistas, meia palavra basta.

Aparecida: Ah, entendi! Na trincheira estarão agora os neofascistas e os neomarxistas em seu “juízo final”. O duelo “em nome do Estado”. Eles dirão: "O capitalismo está morto!"

Bytes: Eu me lembrei do bate-boca entre o Gilmar Mendes e o Joaquim Barbosa no STF. O Barbosa disse Mendes era um ministro que estava tirando a credibilidade do judiciário brasileiro por ser um homem de mídia. Disse ainda que no STF ele não poderia ter os “capangas” de sua fazenda.

Aparecida: Por falar em violência, o meu filho recebeu um vídeo em que o antigo presidente do Corinthians vincula a Globo aos gangsteres. Isso é o que chamo de “temperatura alta”.

Bytes: A “Folha” publicou que o tucano José Serra foi quem interviu junto ao Nélson Jobim pedindo para que ele atendesse o telefonema da revista “Veja” para comentar sobre a visita do Lula a Mendes. Eu me lembrei da campanha do tucano a presidente quando o Serra foi agredido por militantes do PT. Há o olhar do "Jornal Nacional". Há o olhar do "Jornal do SBT".  A Globo ouviu até um perito para mostrar que estava certa em seu “ponto de vista”: a agressão teria sido grave. As Organizações Globo sempre gostam de ouvir um especialista, como foi no caso das manifestações das Diretas Já. Ela quis provar que não havia um milhão na Candelária querendo o fim da ditadura militar. Mas acabou por pressão popular.

Aparecida: Por falar em ditadura, escreveu Leonardo Boff, integrante da Iniciativa Internacional da Carta da Terra, em seu artigo “1964: golpe militar a serviço do golpe de classe”:“O que os militares cometeram foi um crime lesa-pátria. Alegam que se tratava de uma guerra civil, um lado querendo impor o comunismo e o outro defendendo a ordem democrática. Esta alegação não se sustenta. O comunismo nunca representou entre nós uma ameaça real. Na histeria do tempo da Guerra Fria, todos os que queriam reformas na perspectiva dos historicamente condenados e ofendidos – as grandes maiorias operárias e camponesas – eram logo acusados de comunistas e de marxistas, mesmo que fossem bispos, como o insuspeito dom Hélder Câmara. Contra eles não cabia apenas a vigilância, mas para muitos a perseguição, a prisão, o interrogatório aviltante, o pau de arara feroz, os afogamentos desesperadores. Os alegados “suicídios”  camuflavam apenas o puro e simples assassinato. Em nome do combate ao perigo comunista, se assumiu a prática  comunista-estalinista da brutalização dos detidos. Em alguns casos se incorporou o método nazista de incinerar cadáveres como admitiu Cláudio Guerra, ex-agente do Dops de São Paulo”.

Bytes: O papa Bento XVI criticou em tom severo na quarta-feira a cobertura da mídia sobre o vazamento de informações confidenciais do Vaticano e o envolvimento de serviçais próximos e disse que o chamado escândalo VatiLeaks entristeceu seu coração. Eu pensei: “Se o coração do sumo pontífice ficou triste, imagine o endurecimento dos pobres mortais”.

Aparecida: Nosso Senhor Jesus Cristo perguntou a Pedro, por três vezes: “Simão Pedro, filho de Jonas, tu me amas?” Na terceira, Pedro respondeu: “Claro que te amo, pois vocês sabe mais do meu coração que eu”. Nosso Senhor disse: “Então apascenta a minhas ovelhas. Quando tu eras jovem tu mesmo te cingias, mas quando fores velho, outro te cingirá”. Foi quando Pedro viu o discípulo amado ao lado do Senhor. E perguntou: “Mestre, e este? O que acontecerá com ele?” Respondeu Nosso Senhor: “Se eu quero que ele viva até que eu volte, o que importa a ti Pedro o que acontecerá com ele? Segue-me tu!”

O rei da Espanha chegou hoje (3) em Brasília para uma visita de trabalho que terminará no Chile e durante a qual Madri promoverá seus interesses empresariais em ambos os países, estreitará as alianças políticas e avançará nos preparativos da Cúpula Ibero-Americana de Cádiz com cinco presidentes da região. Em sua primeira viagem internacional com o atual Governo do conservador Partido Popular, Juan Carlos I irá a Brasília e Santiago do Chile à frente de uma grande delegação de empresas e bancos espanhóis. Ontem, o primeiro-ministro espanhol, Mariano Rajoy, assegurou que seu país sairá da crise com "esforços próprios" e com o apoio de seus sócios europeus, enviando uma mensagem de serenidade em meio aos temores de que a Espanha precise de um resgate internacional. "A Espanha, embora neste momento ninguém pareça se lembrar disso, é um país muito sólido", garantiu Rajoy numa intervenção perante um fórum econômico em Sitges (leste), lembrando que se trata da quinta economia da União Europeia e da quarta da Eurozona. Ele negou que a situação econômica da Espanha se encontre à beira do precipício. "Vamos sair, porque o que está em jogo não é só o nosso futuro, mas a própria continuidade da união monetária da Europa", destacou Rajoy. Na semana passada, o jornal espanhol “El País” publicou que o governo da Espanha cogita pedir uma ajuda ao fundo de resgate europeu, caso persista a tensão nos mercados, para injetar 30 bilhões de euros no setor bancário, além dos 19 bilhões solicitados pelo Bankia. Ontem, o bilionário George Soros disse que a Alemanha e seu banco central não devem liderar o caminho em direção ao fim da crise de dívida da zona do euro em três meses. Falando numa conferência econômica em Trento, na Itália, Soros disse que a crise do euro --que ele definiu como uma crise de dívida soberana e uma crise bancária fortemente interligadas-- ameaça destruir a União Europeia e empurrar a região para uma década perdida, como ocorreu com a América Latina nos anos 80. Soros disse que espera que as eleições gregas em junho produzam um governo que deseja manter os atuais acordos de resgate, mas acredita que é impossível fazê-lo. "A crise grega deve chegar a um clímax no outono. Até lá a economia alemã estará enfraquecida também, de maneira que a chanceler (Angela) Merkel terá ainda mais dificuldade do que hoje ao tentar persuadir o público alemão a aceitar novas responsabilidades europeias. É isso que cria uma janela de três meses", disse. O investidor disse que toda a "culpa e a carga" de ajustar os desequilíbrios da zona do euro estão recaindo sobre os países periféricos, mais fracos, mas que o centro do bloco econômico tem ainda mais responsabilidade pela crise. Na segunda-feira (28), a Grécia amanheceu sem noticiários. A paralisação contou com o apoio de todas as entidades sindicais do país. De acordo com dados das entidades sindicais, desde 2010 mais de 4 mil profissionais foram demitidos e os que mantiveram seus empregos sofreram cortes até 30% dos salários. Pesquisas eleitores publicadas anteontem na Grécia apresentaram resultados divergentes, semeando confusão sobre o cenário para o pleito de 17 de junho, que pode ser decisivo para a permanência no país na zona do euro. Desde ontem, a divulgação de novas pesquisas está proibida. Há possibilidade de vitória do conservador Nova Democracia ou do esquerdista Syriza, contrário ao ajuste fiscal imposto pela União Europeia. Qualquer vantagem nas urnas, por ínfima que seja, pode ser crucial, porque o sistema eleitoral grego dá 50 cadeiras adicionais no Parlamento ao partido mais votado. Na véspera (31), o líder do Nova Democracia, Antonis Samaras, afirmou que a Grécia pode viver "um pesadelo que não poderá controlar" se não aceitar as medidas da União Europeia e do FMI (Fundo Monetário Internacional) para garantir o resgate de € 130 bilhões, aprovado em fevereiro. Já o líder do Syriza, Alexis Tsipras, disse que cancelaria o pacote de ajuda da União Europeia e do Fundo Monetário Internacional que mantém a Grécia à deriva, mas que isso não significa que o país seja obrigado a sair da zona do euro. No mesmo dia, em Stralsund, onde ocorria a cúpula do Conselho dos Estados do mar Báltico (acima), a chanceler Angela Merkel afirmou que a Europa deve se preparar para considerar todas as opções em sua tentativa de controlar a crise de dívida soberana, mas evitou comentar os pedidos de uma união bancária na zona do euro. Na véspera, a Comissão Europeia afirmou que o ciclo vicioso de bancos fracos e países altamente endividados realizando empréstimos entre si tem que ser interrompido, e propôs um sistema de garantias de depósito bancário conjunto para impedir uma corrida aos bancos. "Existem passos de integração que exigirão mudanças no tratado. Não estamos nesse estágio hoje, entretanto não há tabus (em nossas discussões)", disse Merkel. 

Tico: No dia de hoje o presidente dos Estados Unidos, John Kennedy, e o primeiro-ministro soviético, Nikita Krushov, se reuniram, pela primeira vez, em Viena, na Áustria, para discutir a situação de Berlim, dividida ao meio por Washington e Moscou entre uma república capitalista e outra comunista. O encontro resultou em fracasso. Dois meses depois a União Soviética construiria o Muro de Berlim para impedir a fuga do Oriente para o Ocidente, mas que acabou sendo destruído em 1989. O encontro entre Kennedy e Krushov ocorreu há 51 anos.

Teco: No dia de hoje a China enviou tropas à praça da Paz Celestial depois de sete semanas ocupadas por manifestantes. Há 23 anos.

Aparecida: No dia de hoje nasceu o presidente de Cuba, Raúl Castro, um dos líderes da Revolução Cubana. Há 81 anos.

Bytes: No dia de hoje morreu, em Teerã, o aiatolá Khomeini, o principal líder da Revolução Islâmica do Irã. Há 23 anos.

Bytes: No dia de hoje nascia, há 95 anos, o jornalista João Saldanha. Eu me lembrei do documentário “João sem medo” e da polêmica em relação à convocação de jogadores durante o auge do regime militar, em seu relato para o “Roda Viva”.

Aparecida: No dia de hoje morreu, há 35 anos, o cineasta italiano Roberto Rosselini. Eu gostei muito de “Roma, cidade aberta”.A história se passa na Roma dos anos 40 quando comunistas e católicos se unem para combater o nazi-fascismo.

Bytes: Anteontem, eu fui assistir ao filme “Branca de Neve e o caçador”, de Rupert Sanders (acima). O filme tem uma agilidade fascinante e prende o tempo todo porque é uma nova roupagem para a fábula dos irmãos Grimm. Uma história universal porque une os temas dos grandes dramas: poder, ódio, inveja, traição. A partir da eterna pergunta ao espelho: “Existe alguém mais bela do que eu?” A fábula da beleza e da desconhecida Floresta Negra. O enredo tem de tudo um pouco da história universal. A madrasta conquista o Reino numa trama parecido com o Cavalo de Tróia. Ela prende a princesa numa torre bem alta, como ocorreu com Elizabeth I, futura da rainha da Inglaterra, que instaurou a Era Dourada. O caçador é escolhido pela rainha como Elizabeth escolheu o Sir Walter Raleigh, pirata irlandês, para roubar o ouro extraído da América pelo Império Espanhol. Só que o roubo da fábula cinematográfica é o do coração da princesa. Os anões têm nome dos imperadores romanos: César, Tibério, Constantino, Cláudio, Trajano, Adriano, Nero e Augusto. O corvo tem um papel “especialíssimo” na trama. Mas, após atravessar o medo na desconhecida Floresta Negra, um reino encantado entre as trevas e a luz, Branca de Neve a bela Branca de Neve vira uma guerreira para recuperar o seu Reino das forças ocupantes do mal, lembrando os filmes sobre Santa Joana d´Arc, padroeira da França. Diz a heroína, antes de partir para a guerra: “O metal será fundido e virará espada porque o coração clama na praça”. Afinal, como mostra o final, se com o sangue da mais bela foi feito, com o sangue da mais bela será desfeito. 

Aparecida: O filme “Branca de Neve e o Caçador” teve uma forte arrecadação na estréia anteontem nos Estados Unidos. O longa arrecarou cerca de US$ 20,3 milhões, batendo “Homens de Preto 3”, que chegou a US$17,6 milhões em sua estreia na semana passada.

Bytes: No dia de hoje morreu, há 88 anos, o escritor Franz Kafka. Judeu checo, ele produziu obras como “A metamorfose” e  “O processo”. No primeiro trabalho, escreveu: "Quando Gregor Samsa despertou, certa manhã, de um sonho agitado viu que se transformara, durante o sono, numa espécie monstruosa de inseto”. No segundo, escreveu: “Alguém deve ter dito mentiras sobre Josef K., ele sabia que não tinha feito nada errado, mas, uma manhã, ele foi preso”. Bem contemporâneo. Em seu trigésimo aniversário, Josef K., diretor financeiro de um banco, é preso por dois agentes não identificados a partir de uma agência não especificada, de forma inesperada, por um crime não especificado. Mais contemporâneo só “O processo” ao som de “No quarter” de Led Zepellin.

Aparecida: Por falar em Kafka, deu no Ancelmo na última terça-feira sob o título “I love Clarice”: “O jornal ´Los Angeles Times´ dos EUA, publicou domingo uma resenha superelogiosa sobre a obra da nossa Clarice Lispector (1920-1977). É que quatro livros dela chegam às estantes americanas quinta agora – “Um sopro de vida” (inédito em inglês), “Perto do coração selvagem”, “Água viva” e “A paixão segundo GH”. E mais.... “Na resenha, Clarice é definida como ´um dessas poucas pessoas capazes de se parecer com Marlene Dietrich e escrever como Virgínia Woolf´. O jornalão diz ainda que a autora ´deveria ficar na mesma prateleira de Kafka e Joyce”.

Bytes: Por falar em Roberto Rossellini, eu me lembrei do tórrido romance ocorrido durante as filmagens de “Stromboli, Terra di Dio”.Foi um escândalo quando a estrela do filme, Ingrid Bergman, apareceu grávida do cineasta italiano. Logo a considerada “bem casada” pela opinião pública. Como fruto do relacionamento ficou Isabella Rosselini, a bela modelo e atriz. Ingrid amargou o sofrimento pelas críticas ao adultério. E Stramboli, a ilha da Sicília, onde há três vulcões em atividade na Itália, entrou para a história. Na mitologia grega, a ilha era chamada de Strongyle, devido à sua forma redonda, e era lá que Éolo, personagem da Odisseia, vivia. Éolo teria sido chamado de deus dos ventos porque ele ensinou como navegar pela região, perigosa por causa das correntes marinhas e da maré.

Aparecida: Ontem, a Itália festejou os 66 anos da República parlamentarista, instituída por referendo popular após o fim do fascismo. Os monarcas da Casa de Savóia foram depostos e exilados. O presidente Giorgio Napolitano dedicou a data às vítimas do terremoto no nordeste do país. 

Tico: A França aceitará uma intervenção não militar na Síria?

Teco: Paris é o berço da Revolução Francesa, berço da Carta dos Direitos Humanos da ONU. Deve haver maior pressão sobre o antigo protetorado do que ocorreu com a Líbia. Elementar, meu caro Watson.

Bytes: Segundo a sondagem à opinião pública, feita pelo Ifop depois da tragédia na aldeia síria de Houla onde morreram 108 civis, cada vez mais franceses apoiam uma intervenção estrangeira na Síria para a resolução da situação no país. De acordo com a pesquisa, 58% dos inquiridos pronunciaram-se a favor de uma intervenção militar, quando em fevereiro essas medidas eram apoiadas por 51% dos inquiridos. Os pesquisadores sublinharam: “esses resultados estão inequivocamente associados ao crescimento do número de crimes de guerra, atribuidos ao regime de Bashar al-Assad, e à cobertura dos acontecimentos sírios nos meios de comunicação social”.

Aparecida: E como pensa o governo dos Estados Unidos?

Bytes: Deu no jornal “O Globo” de 2 de junho de 1962, cuja manchete foi “Inquieta os arcebispos a ação subversiva da UNE, revela o cardeal D. Jaime”: “A peça ´O entêrro de Carolina´, cuja estréia seria ontem, no Teatro Ginástico, foi proibida pelo Sr. Elpídio Reis, chefe do Serviço de Censura e Diversões Públicas, que considerou a script capaz de causar inquietação social, por atingir as Fôrças Armadas, com críticas à sua organização e disciplina. A comunicação foi feita à tarde aos responsáveis pela Companhia Tônia-Celi-Autran, que promoveu a apresentação do grupo Teatro da Cidade. Enumera o Sr. Elpídeo Reis, três itens, para vetar  peça; o personagem principal é um coronel do Exército, atrabiliário, que se vale do pôsto para praticar violências; apresenta uma exibição de fardas de oficiais superiores, em cena estapafúrdia; fomenta a animosidade entre civis e militares. A Sra. Vanda Fabian, autora da peça, lamentou ter de transformar a peça, alterar cenas, alusões, falas e enfim, o caráter dos personagens. Acha que a censura só foi feita porque o Sr. Elpídio Reis leu, mas não assistiu à peça. – No palco, muita coisa tem outra interpretação, outro sentido. Os atôres da peça, Carlos Alberto, Hugo Mayer e Eleonora Brun, e o diretor Luís Carlos Saroldi protestaram contra a proibição. Ontem mesmo começaram os ensaios e estudos para alteração do script”. E mais: “A gaúcha Glória Menezes, principal intérprete feminina de ´O pagador de promessas´, passou ontem pelo Galeão, de volta do Festival de Cannes. Alegre e confessando-se muito feliz, disse ao GLOBO que percebeu, na Europa, propostas de produtores e diretores italianos como Peppino Amado, De Lauretins e Bolognini, mas que preferiu vir estudar o assunto, calmamente, no Brasil, informou também, que ´O pagador de promessas´ será reapresentado, em Paris, em avant-primière de gala, no próximo dia 11”.

Aparecida: Deu no jornal “O Globo” de 2 de junho de 2012, 50 anos depois: “O Brasil na lanterna dos Brics. Estagnação e investimento em queda aprofundam crise. Economia cresceu só 0,2% e governo quer usar estatais para puxar o PIB”. E mais: “J&F alega crise de confiança e deixa Delta”.

Bytes: Eu escrevi para o meu amigo, adepto da Teoria da Conspiração, sobre a notícia publicada no jornal eletrônico “Voz da Rússia”; “As duas dinastias de financistas mais famosas na Europa e EUA, as famílias de Rockefeller e Rothschild, ambas judias, concluíram uma aliança estratégica. A partir de uma empresa conjunta dirigirá os ativos de quase 40 bilhões de dólares. Os analistas acreditam que esta união das dinastias pode ter sido provocada pela crescente instabilidade na economia mundial e pela crise da zona do euro”.

Aparecida: O seu Carlos disse, exaltado, sobre o PIB brasileiro: “O Brasil está nos trilhos do “trem-tatu”.

Bytes: Escreveu o Cacá Diegues ontem no jornal “O Globo” no artigo “A juventude de Cannes”: “A França é o país da cinefilia, do amor ao cinema. Foi aqui que o cinema deixou de ser entendido como uma traço de botequim ou de feira para se tornar coisa séria, a arte do século 20. A França é o único país do mundo em que a história do cinema é ensinada nas escolas, como parte indispensável da formação de seus adolescentes. Aqui, os professores levam regularmente seus alunos à Cinemateca Francesa para que ali vejam as exposição do momento e os filmes do passado. Como não podia deixar de ser, é o país europeu que mais produz filmes (uma média de 250 por ano) e onde eles mais são vistos pelo seu próprio público (45% de parte do mercado). Se a França é o país do cinema, o Festival de Cannes é a sua celebração máxima, uma espécie de carnaval de 12 dias à beira do Mar Mediterrâneo, com a mesma concentração de gente excitada e eufórica que costumamos encontrar durante o reinado de Momo no Rio de Janeiro, na Bahia ou no Recife”.

Aparecida: Por falar em cinema, meu filho achou ousado o filme “Os sonhadores”, de Bernardo Bertolucci. E mostra a diferença entre a mentalidade estadunidense e francesa. E porque não dizer britânica.

Bytes: Por falar em Grã-Bretanha, hoje é o dia mais especial na comemoração pelo Jubileu de Diamante da rainha Elizabeth II. Mais de mil barcos fizeram um passeio pelo rio Tamisa em procissão. O evento custou 12 milhões de libras, arrecadados através de doações particulares. A iluminação do Tower Bridge estava digno de contos de fada (acima).

Aparecida: O seu Carlos me ligou hoje pelo celular para me provocar: “Você está assistindo à festa da rainha pela Globonews? Não é a comunidade que você gosta cheia de ´gatos´ no céu e vazamentos escorrendo pela vielas na terra. É sim um show de beleza e glamour”. O genro do seu Carlos, que é inglês, se postou na frente da TV desde cedo. Eu respondi, brincando: “Mas nós temos o desfile das escolas de samba onde a comunidade pode se travestir de rei ou rainha por um dia”.

Bytes: Os súditos enfrentaram a chuva para ver a rainha. Uma comentarista disse que já a viu de perto e a pele da rainha Elizabeth é “perfeita”.

Aparecida: Por voltar a falar em beleza, a coroa usada pela rainha Elizabeth para ir ao Parlamento possui inúmeras pedras antigas. "No centro, há uma pedra conhecida como rubi do Príncipe Negro, que, na verdade, é uma espinela vermelha, muito antiga, pouco polida", explicou uma gemologista.

Bytes: Um leitor da “Folha” escreveu que é favorável que haja a monarquia no Brasil.

Aparecida: Ontem, parlamentares britânicos se mostraram dispostos a mudar o nome do Big-Ben para Torre de Elizabeth.

Bytes: O Big Ben é o sino do famoso relógio que foi sinônimo de “tempo do mundo” e não a Torre do Relógio. Também não confundir com a Torre de Londres, onde ficou presa a rainha Elizabeth I e foi morta a sua mãe, Ana Bolena. Um detalhe interessante é que a torre, sede da monarquia britânica durante o período medieval, guarda as jóias da Coroa numa câmara subterrânea. Menos valiosa, mas igualmente curiosa, é a colônia de corvos que habita a Torre e é protegida e por decreto real. Reza a lenda que o império ruirá no dia em que essas aves, que tiveram significado bíblico de alimentar Elias, deixarem o lugar.

Bytes: Com o show de popularidade da rainha Elizabeth mostrado pela TV, os analistas dirão que Elizabeth II nunca será guilhotinada pelo povo como a rainha francesa nas próximas décadas, já que a sua família é longévola, nem tampouco presa na Torre de Londres como a sua homóloga.

Aparecida: O seu Carlos disse, exaltado: “Os estrangeiros dizem que o Rio de Janeiro é a cidade mais bela do mundo. Porque não conhecem o dia a dia. No século XX tentaram fazer do Rio a Paris brasileira. O que vemos é favelas por todos os lados. Senão tiroteios. Agora o prefeito quer destruir elevado em nome da estética. Em vez da beleza, teremos é congestionamento para enfear bastante a cidade. E helicópteros sobrevoando as nossas cabeças e criando zumbidos em nossos ouvidos”.

Bytes: Não temos orgulho. Viva!

Aparecida: A Condoleezza Rice disse sobre a candidatura do republicano Mitt Romey, alfinetando o negro Obama: “Se a América vai reconstruir sua força em casa, reconstruir seu senso de quem somos, ele precisa de um líder que também entende como realmente excepcional os Estados Unidos da América é, e não ter medo de levar com base essa excepcionalidade".

Bytes: O gaiato da facû dirá: “Espelho, espelho meu, existe alguém mais excepcional do que eu?” Pois começamos um trabalho contra a obesidade infantil e vamos fechar todos os presídios, a começar por Nova York.

Aparecida: Eu li estas duas notícias. O prefeito de Nova York anunciou que a venda de garrafas ou copos de refrigerante de mais de 0,48 litro será proibida em todos os restaurantes e lanchonetes de Nova York. Ao mesmo tempo ele anunciou também que serão vendidos muitos presídios porque a criminalidade se reduziu drasticamente na cidade. O seu Carlos disse, exaltado: “Enquanto isso, o Alto Comissariado da ONU exige a construção de mais vagas no Brasil porque há déficit de vagas para tantos presos. Terra de canibais. Você não leu no jornal? O estudante que comeu o coração do colega?” Eu respondi: “Seu Carlos, foi em Miami, nos Estados Unidos”. Ele disparou: “Então, o animal deve ser negro”.

Bytes: O meu colega lá da facû disse: “Se há carência de vagas no sistema prisional brasileiro e ociosidade no estadunidense por que o prefeito de Nova York não aluga vagas e todas a infraestrutura”. Poderia ter um lucro extra em tempos bicudos, tornando a `Big Apple” mais próspera”.

Aparecida: O seu Carlos disse: “Como podemos ser uma nação próspera se o ícone popular não é a rainha Elizabeth? É o Lula, assim como era o Mazzaropi no cinema. Daqui a pouco todos soltarão gases na rua e ainda acharão graça como meninos aloprados”. Mas o filme "O corintiano" é um clássico. 

Bytes: O meu colega gaiato escreveu: “Quando vai ao espelho, o Lula repete: ´Espelho, espelho meu. Existe alguém mais iluminado do que eu?”

Aparecida: O Lula disse: “Não permitirei que um tucano volte a presidir o Brasil”. O seu Carlos disse, exaltado: “Este comunista quer implantar a ditadura do proletariado. Vai usar a czarina como Putin usou o Medvedev”.

Bytes: O ex-presidente disse que tem muita gente que não gosta dele. Dizem no mercado que o Eike pensa o mesmo. Só espero que o Lula não coloque os capitalistas brasileiros e contemporâneos na lista dos “traidores da pátria”. Eu penso que o Chico é que estava certo na música “Jorge Maravilha”, no tempo em que assinava Julinho da Adelaide para não ter a letra censurada. Um período em que o criador no Brasil não tinha o direito à liberdade de expressão.

Aparecida: O meu filho disse que quem está certo é o Bergman. Ele assistiu a todos os filmes do cineasta sueco quando houve a mostra no CCBB. Ontem, estava falando de “O ovo da serpente”. A história é sobre um trapezista judeu desempregado que descobre que o seu irmão se suicidou. Na Berlim dos anos 20, ele a e cunhada viúva não percebem o nascimento do nacional-socialismo na Alemanha. Apesar de trabalharem em uma clínica clandestina que realiza experiências em seres humanos. As “cobaias”. O filme foi o ganha-pão para o cinema do Xexéu.

 

AO PENTECOSTES ORTODOXO

Rio de Janeiro, 3 de junho de 2012

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Exibições: 209

Comentar

Você precisa ser um membro de Portal Luis Nassif para adicionar comentários!

Entrar em Portal Luis Nassif

Novas

Receba notícias por e-mail:

Dinheiro Vivo

Publicidade

                                                                   http://www.adobe.com/go/getflashplayer\"><img src=\"http://www.adobe.com/images/shared/download_buttons/get_flash_player.gif\" alt=\"Get Adobe Flash player\" width=\"112\" height=\"33\" /></a></p>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0</div>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <!--[if !IE]>-->\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 ','hspace':null,'vspace':null,'align':null,'bgcolor':null}" height="600" width="150">
        <!--<![endif]-->
      </object>

© 2013   Criado por Luis Nassif.

Badges  |  Relatar um incidente  |  Termos de serviço