A lógica do onze contra onze nunca foi tão verdadeira como na era do Campeonato Brasileiro dividido em quatro séries profissionais, na base dos pontos corridos, que comandam o sobe e desce das equipes.
Simplesmente não há jogos fáceis e o líder Fluminense apanhou dentro de casa do Atlético de Goiás, que balança para cair.
O que não muda na realidade é o comportamento da torcida: o Fluminense acumula alguns recordes positivos nessa temporada e, mesmo assim, se perdermos para o Náutico, o que não seria nenhum absurdo, já que ganhamos deles no Recife por pura sorte, o Abelão balançará e cairá, diante das vaias da impiedosa torcida tricolor, já na próxima derrota.
Estou ficando velho e muito mais velho está o saco, que quanto mais cresce mais transborda e o futebol é um riacho desaguando dentro dele.
Não agüento mais essa ansiedade de passar noventa minutos diante de uma TV, torcendo para que aquela bola entre no buraco adversário, com onze tentando impedir e de repente entre no nosso, nas barbas dos onze que nos defendem, me impedindo de dormir pelo resto da noite.
Se não bastassem os narradores e comentaristas da telinha nos secando e cinco árbitros nos roubando, ao invés dos três ladrões de antigamente, ainda tenho que aturar na manhã seguinte, de maneira compulsória, as gozações de um magote de FDP torcedores dos outros times.
Assim, torcedor continuarei sendo, masoquista não. Após a rodada ligo a TV e vejo a classificação: se o Fluminense avançou três pontos, vou mudando de canal até saber a que horas passará a reprise, aí boto o celular para despertar e vejo o jogo tranquilamente de dentro da minha rede e até o sono desaparece de tanto prazer.
Se permanecermos com os mesmos pontos, não preciso das demais informações e aprendi a dominar a curiosidade de modo a não me tirar o sono.
Não tentem me seguir que estou perdido.
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