Caro Nassif,
A internet foi uma das grandes estrelas desta eleição. Abriu espaço para a manifestação de opiniões de pessoas e grupos de pessoas, consolidou o conceito de rede social como ambiente para a formação de opinião, consolidou os blogs como espaço de discussão mais aprofundada de temas e problemas de maneira independente, trouxe a mídia tradicional para esse movimento ao obrigar que ela repercutisse o que estava rolando na rede etc. Uma grande e bem vinda novidade.
Liberdade é sempre bem vinda. Repercutimos aqui, em seu blog, as insanidades e a agressividade da campanha de adeptos de Serra nas redes sociais. A grande maioria das agressões partiu de pessoas, não da própria campanha, mas Serra encampou a baixaria. O mesmo não se passou no lado de Dilma.
O Tweeter mostrou-se instrumento virulento e aberto a todo tipo de manipulação e boataria. Ouso mesmo dizer que temos um novo meio de guerrilha informacional. Não há controle de ninguém, não há patrulhamento, não há editoria. Você pode dizer o que quiser, como quiser. Se sua rede é grande, seu boato vai se espalhar rapidamente, então há um espaço ainda por ser explorado de organização para a ação política. Não há como controlar isso. E não acho que seja o caso de controlar. É um dos aspectos da liberdade da internet, e precisaremos aprender a conviver com ele.
E o tweeter se mostrou pouco segmentado. É natural, numa campanha radicalizada, que cada partido e seus seguidores leia apenas seus aliados, já que o outro, o adversário, está sendo satanizado. Um tweet de qualquer pessoa tem potencial para contaminar ou inocular toda a rede, seja de que lado venha. Eu preferia não ter tido acesso à baixaria dos eleitores de Serra, mas, por outro lado, ao receber os vídeos e boatos, tive acesso à cabeça de parte do eleitorado brasileiro que, de outro modo, me seria estranha. A radicalização da campanha foi ruim, sobretudo, porque mostrou um lado da alma nacional que os oito anos de governo Lula não conseguiram suplantar. O preconceito atávico de uma parte rancorosa da classe média que não percebe que o Brasil mudou.
Ademais da liberdade guirrilheira e quase anárquica das redes sociais, os blogs, e sobretudo o seu blog, serviram de ponto de referência nas discussões mais alentadas. Você, como editor do que vai ao ar, seleciona o que lhe parece mais pertinente e merecedor de divulgação. Um trabalho semelhante aos diretores de redação ou editores chefes da imprensa antiga. Só que, como a contribuição vem de toda parte, em sua maioria de não profissionais de imprensa, sua edição não é e não pode ser tradicional. O blog é feito por você e seus leitores, que são também seus colaboradores. O blog, nesse sentido, é mesmo de todos, que estão juntos por uma identificação com uma forma de se tratar a notícia e de se encarar o Brasil, sua política e sua cultura. Funciona, pois, como mecanismo de ordenamento, filtragem e crítica do caos singelo da internet.
Seu trabalho e o de tantos outros cumprem uma função saliente dentre muitas: ordenar o mundo da informação, e no seu caso, com uma característica fundamental, a credibilidade. É isso que o PIG perdeu nos últimos anos. O poder de filtrar o mundo da informação com credibilidade. Vida longa a seu blog.
Saudações
adalberto cardoso
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