Caros,
Esta quinta feira foi para desopilar o fígado, não é? Os tweets, a tomografia de #SerraRojas, o joguinho com ele se escondendo atrás da mesa do JN... Hilário. Digno da sordidez da campanha tucana. Lembrou um pouco a campanha de 1989 e o humor politizado da Rede Povo, só que com a fresca anarquia da internet.
Duas perguntas que não querem calar: quem foi o autor do telefonema que levou Serra ao ridículo? O editor de imagens da Globo? O marqueteiro da campanha? O que parece certo é que alguém, vendo as imagens com ele ainda na rua, instruiu-o a praticar o ato de charlatanisse, e ele não pertanejou. Quem tinha acesso on line às imagens que estavam sendo geradas?
A segunda pergunta: por que Serra optou pela baixaria? Por que o ódio, a violência destrutiva de sua campanha despolitizada? Ela já se tinha mostrado desastrosa em 2002, por que reeditá-la? A resposta não é simples.
Serra ganhou assim as campanhas para prefeito e governador de São Paulo. Que o diagam paulistas e paulistanos, Marta Suplicy e Mercadante e demais vítimas. Pode ser que tenha imaginado que o cenário de 2002 já estava no passado. Que o Brasil estava mais parecido com São Paulo. Que a truculência escondida na idéia de "desconstrução do adversário" era palatável para outras platéias, no caso o Brasil todo.
Pode ser que ele simplesmente não consiga agir de outro modo. Que acredite que o fim (chegar ao poder) justifique os meios, como na guerra. E então ele mente, inventa, agride, difama, mesmo se em nome de Deus. Bons católicos ou evangélicos devem achar estranho alguém achar justificável pecar em nome de Deus, ou pedir auxílio a Deus para pecar. Se é que ele pensa que peca. O fim justifica o pecado, que assim deixa de sê-lo.
Pode ser que ele vocalize os preconceitos e a intolerância da classe a que ele aderiu, vindo de família pobre como veio, ou como autoconstruiu sua imagem meio (mais um meio justificável...). E como sua classe, talvez pense que o povo é manipulável. Que Lula está onde está porque criou o bolsa família, essa esmola para pobre. Logo, ele também pode conquistar esse povo prometendo mais esmola. Mais bolsa família. Afinal, como ele mesmo diz, o que se gasta com isso é uma percela ínfima do que se gasta com juros. Logo, é esmola mesmo. E como o povo gosta de esmola, pensa ele, vou ganhá-lo com mais um mês dela. Décimo terceiro do bolsa família...
E também aposentadoria gorda, obras gordas, saúde gorda, educação gorda... Promessas, contra tudo o que fez em São Paulo. O povo manipulável, hipnotizado pelas migalhas, compraria seu projeto, o fim verdadeiro, chegar ao poder com seu grupo.
Mas acho que há mais. Esse grupo ainda não se achou na democracia brasileira. Não conseguindo o poder por vias adequadas, quer dizer, oferecendo um projeto ao país, ressuscitou o fantasma do golpe, a estratégia do golpe. Estratégia que combina satanização do adversário, sua associação ao MAL, e tentativa, a qualquer custo, de desqualificação das instituições, organizações, pessoas e procedimentos associados a ele. Que, como tal, é construído como inimigo, não como competidor legítimo. Para esse grupo, o outro não deveria estar ali. É um obstáculo a ser destruído. A ação desse grupo é destruitiva, sua estratégia é a destruição.
Serra e seu grupo perderam. Não apenas por seus métodos, adequados a um mundo pré-1964. Perderam porque o neoliberalismo socialmente cego perdeu no Brasil. Porque o Brasil mudou. Lula incorporou à dinâmica política os anseios e energias das novas classes sociais que hoje votam majoritariamente em Dilma. E que energias! O projeto para o qual Serra perderá a eleição (saravá) é um projeto que acena, para a maioria dos brasileiros e de forma crível, que há lugar para eles no país que estamos construindo. Não na forma das migalhas do bolsa família, mas na do acesso à plenitude da cidadania.
O aspecto decisivo dessa eleição é que, no mundo de Serra e seu grupo, não há lugar para Lula e tudo o que ele representa. No projeto de Dilma há lugar para Serra e seu grupo, e para todos os brasileiros. Isso está ficando cada vez mais claro para parcelas crescentes do eleitorado. Não se constrói um país sobre os escombros dos adversários políticos.
Destituído de um projeto alternativo crível, e impossibilitado de afirmar seu projeto real, de grupo, praticado por seu grupo por oito anos na presidência e por outros tantos em São Paulo, resta a Serra o golpe. Insidioso, sujo, baixo. O Brasil não merece isso. E vai repudiar essa estratégia no dia 31.
Comentário de Paulo Truglio em 21 outubro 2010 às 22:29
Comentário de Marcelo Antonio Rocha em 21 outubro 2010 às 23:20 Comentar
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