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Flavio Tavares de Lyra

VOCÊ GANHA O QUE MERECE?:CONSIDERAÇÕES SOBRE A DISTRIBUIÇÃO DA RENDA

A pergunta com que inicio este texto não é estranha a nenhum ser humano normal e sua resposta geralmente é negativa para a grande maioria dos homens, no sentido de que sua renda é menor do que a considera justa. Portanto, não sem fortes razões, cientistas sociais já dedicaram tantas páginas à justificação da renda recebida pelas pessoas na sociedade em que vivem, sob o titulo de distribuição da renda social. Duas ordens de razões principais têm servido para justificar a renda das pessoas: a contribuição que cada um dá à produção dos bens e serviços que atendem às necessidades da população; e o atendimento das necessidades básicas de cada um. No primeiro caso, a renda pessoal é um prêmio supostamente proporcional à capacidade empregada por cada um na geração da produção. No segundo caso, trata-se da atribuição a cada pessoa de uma renda em função exclusivamente de sua condição de ser humano participante da sociedade que, para continuar vivo, precisa atender minimamente certas necessidades materiais e culturais.
Quem se der ao trabalho de examinar as estatísticas de distribuição da renda pessoal em qualquer país, dá-se conta imediatamente que ela é extremamente concentrada. No caso do Brasil, por exemplo, conforme o Censo de 2000, as famílias mais ricas, representando apenas 2,4 % do total, tinham uma renda média igual a 14 vezes a renda média da total das famílias e 80 vezes a das famílias mais pobres, cerca de 20% do total. Em relação ao que ocorria 20 anos antes, a situação piorara sensivelmente, pois naquela época as famílias mais ricas representavam apenas 1,8% do total das famílias, cuja renda era 10 vezes a renda média de todas as famílias. É quase desnecessário dizer que se trata de uma situação de concentração da renda em favor dos mais ricos, extremamente elevada, e que piorou sensivelmente ao longo dos anos.
A situação mencionada, torna perfeitamente justificado descartar os dois critérios mencionados como justificadores exclusivos da distribuição da renda. Por outro lado, fundamenta a suspeita de que a grande maioria das pessoas que constituem nossa população ganha muito menos do que efetivamente merece conforme os aludidos critérios e que uma minoria insignificante em termos numéricos ganha muito mais do que merece. Ora, se os dois critérios mencionados não conseguem explicar as grandes diferenças, deve haver outras razões que explicam a situação.
A principal dessas razões é que as rendas provenientes da propriedade e os altos salários pouco têm a ver com a contribuição que seus beneficiários oferecem à atividade produtiva. A condição de possuir riqueza acumulada ao longo do tempo permite a uma minoria receber uma fatia muito alta da produção, ou seja, do esforço produtivo comum da sociedade. Por sua vez, a pequena minoria que recebe altos salários se beneficia do fato de localizar-se estrategicamente no circuito produtivo, o que lhes permite apropriar-se de uma parcela substancial do esforço produtivo comum da sociedade, independente de sua contribuição para a produção.
A política social do atual governo tem buscado, com algum sucesso, alterar esse quadro de injustiça, através de medidas que visam diminuir as citadas disparidades. O “Bolsa Família”, atua segundo o critério de distribuir a renda em função das necessidades, enquanto a política de aumento real do salário mínimo, visa tornar a renda proveniente do trabalho mais justa, em função do esforço produtivo dos trabalhadores que ganham menos.
Os que percebem altas rendas provenientes da propriedade ou altos salários pela posição estratégica em que se situam no circuito produtivo-financeiro, assim como os intelectuais que defendem a atual estrutura social-produtiva, têm formulado ao longo do tempo argumentos vários para justiçar a situação privilegiada que uma pequena minoria desfruta na sociedade. Mas, a verdade pura e simples é que as justificativas utilizadas, nada mais são do que uma cortina de fumaça para esconder a exploração da maioria desorganizada por uma minoria, nem sempre competente, mas detentora de propriedades ou bem localizadas no circuito produtivo.

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Respostas a este tópico

C. Castro: Ninguem é melhor nem mais capaz de que os outros para justificar as diferenças de renda existientes. Você entendeu bem a mensagem. Um abraço.

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Como vivi no exterior por quase 35 anos, sai por cfausa da ditadura. Eu me interessei pela dinamica da economia. Sou uma admiradora de Celso Furtado, Ellen H. Brown, Catherine Austin Fits, Karrl Polany, Dr. Michael Hudson, para poder entender o que o capitalismo esta sse tornando. Ainda sssim falta muito para poder compreender um par de coisas:
Porque poucos economistas se preocupam com os trilhoes de derivativos que sao muito mais que a quantidade de capital gerada por todas as nacoes?
Por que e que a classe economica e fiannceira do Brasil esta de acordo com salarios baixos e juros altos proze povinho? 117.5% de juros na caixa economica pra uma linha de credito e roubo. Comentando com um parente me disse que ha 1300% e3 juros em certos bancos.
Assim nao se pode continuar. Disparidade salarial e disparidade n o acesso a credito e uma barbaridade.
O que acontecera quando os poderes hegemonico de EUA, China e Russia quiserem os recursos nacionais do Brasil? Essas diferencas de salarios e as diferencas de acesso a recursos naturais, credito, educacao, etc e criada para justificar a continuacao da violencia gerada afim de que a elite possa ganhar mais e mais a custa de mais e mais cidadoes de todas as classes economicas

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Fabio: Desculpe a franqueza, mas se fosse tão simples não haveria metade dos trabalhadores brasileiros ganhando salário mínimo. De qualquer modo, como você já descobriu a fórmula de enriquecer e você não deve ser egoista, passe a receita para os 45 milhões de brasileiros que trabalham oito horas por dia e só ganham um salário mínimo. Quando você enriquecer com sua fórmula mágica avise que eu quero lhe mandar os parabéns pela descoberta e mandar queimar todos meus livros de economia. Um abraço. Flavio

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Depois de responder ao seu comentario, voltei a ler o livro de Paul Brunton Mensagem de Arunachala, publicado em 1969. Eis aqui um de seus pensamentos: "O dinheiro e ingrediente vital na vida moderna, mas a adoracao excessiva desse ingrediente, em detrimento de todos os ideais verdadeiros, produziu uma era ganaciosa. Mamon e adorado peoles abastados como people indigentes....quando excesso de propriedades se acumula na mao de um so homem, isso se acompannha de perigo para a sua alma.

Sabe, tambem que seja o que for que facamos aos outros para nos e que e feito, em retorno pelo processo misterioso das leis invisiveis."
Pensei no caso do bilionario Brasileiro Eike Batista. Ele tera muito que responder aos deuses...

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C. Castro: É isso aí, sempre estamos aprendendo uns com os outros. Um abraço.

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Eu morei na "The Farm" http://www.thefarm.org/ e http://www.thefarmcommunity.com/ e tive uma experiencia maravilhosa. Nao fiquei por que nao tinha visa pros EUA e naquela epoca estava gravida e o nenen tinha que nascer no pais aonde eu morava. Ali aprendi que as pessoas podem viver juntas e se ajudarem mutuamente e resolver seus problemas com amor e harmonia. Dinheiro nao era problema porque consumo nao era parte da realidade. Como nao havia televisao nao havia necessidade de se ter isso ou aquilo.
Depois morei com pessoas que eram parte da comunidade Damanhur, na Italia - http://www.damanhur.org/index.php/component/content/article/25/40-t...
Eu vivi em outras comunidades em partes diferentes do globo e o que ficou marcaante da experiencia e que um tem que trabalhar para crear o sonho aqui na terra. E "trabalho" e uma pallavra que as pessoas teem medo dele.
As politicas de deixarem para amanha, as politicas de empreenderem coisas que nao teem a intencao de terminar. A parte disto se precisa fazer coisas para criar um modelo novo e muitas vezes (na maioria) o ego se encarrega de sabotar as nossas intencoes.
Nos necesitamos de um modelo economico que leve em consideracao mais do que lucros, mais do que commpeticao, na qual o planeta e os seus habitantes (inclusive rios, lagos, floresta, animais, plantas, ceu, ar e solo) sao todos considerados no mesmo nivel.
Temos que re-organizar a nossa maneira de pensar e agir afim de que vivamos em harmonia e paz.

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C. Castro: Bela mensagem a sua! Espero que outros a leiam e se dêem conta de que nada vida existem objetivos mais nobres do que acumular dinheiro. Um abraço.

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