Portal Luis Nassif

Para quem se baseia exclusivamente nas informações divulgadas pela grande imprensa dos Estados Unidos e repetidas no Brasil, especialmente focadas na falta de liberdades em Cuba e nas condições vida, supostamente precárias, de sua população, “o mundo livre” encontra-se diante de uma ditadura verdadeiramente infernal, que não tem o menor respeito pelos direitos humanos mais elementares. É muito freqüente também ouvir comentários altamente depreciativos sobre Cuba, seus dirigentes e sua forma socialista de governo, da parte de técnicos e de intelectuais que, certamente, nunca se deram ao trabalho de pesquisar criticamente quais são as reais condições de Cuba em suas relações internas e externas, especialmente com os Estados Unidos.
Como a História registra, Cuba foi até o início do Século XX colônia da Espanha durante quatro séculos. Em 1998, os Estados Unidos invadiram Cuba e derrotaram a Espanha, constituindo ali um governo militar que durou até 1902. Neste ano, foi constituída a República de Cuba, mas sob pressão dos Estados Unidos, incluída uma cláusula na Constituição da nova república que permitia aos Estados Unidos intervirem nos negócios internos de Cuba. Essa limitação à soberania de Cuba durou 59 anos, somente sendo eliminada com a vitória da Revolução Cubana em 1959.
Durante os 59 anos de dependência de Cuba dos Estados Unidos, as atividades que sustentavam sua vida econômica eram a produção de açúcar, para abastecer principalmente o mercado dos Estados Unidos, e o Turismo que aproveitava as belezas naturais da ilha e gerava renda para os trabalhadores cubanos empregados em boates, restaurantes, cassinos e cabarés, todos muitos luxuosos, freqüentados nos fins de semana e nas férias pelos ricaços dos Estados Unidos que ali se deliciavam com as belezas naturais das praias, os shows artísticos e, também, o jogo e a prostituição, totalmente livres.
Com a vitória da Revolução, o governo de Cuba imprimiu uma nova dinâmica à vida política e econômica do país, que levou à expropriação de muitas propriedades de empresas estrangeiras no país, especialmente, dos Estados Unidos. A United Fruit, dos Estados Unidos, teve expropriadas as vastas extensões de propriedade agrícolas que detinha no país. Também foram expropriadas duas refinarias de petróleo norteamericanas que se recusaram a refinar petróleo russo para o consumo interno. Mais recentemente, Cuba negociou com sucesso compensações para empresas de países que tiveram propriedades expropriadas: Espanha, França , Reino Unido, Suiça e Canadá. Os Estados Unidos nunca aceitaram realizar negociações.
Em 1960, sob forte pressão dos Estados Unidos que patrocinava bombardeios nas fazendas cubanas, ameaças de invasão por tropas mercenárias, assim como de sanções econômicas, Cuba foi buscar apoio nos braços da União Soviética, que se comprometeu a dar cobertura militar a Cuba, importar cinco milhões de toneladas de açúcar e dar financiamentos e facilitar o abastecimento de petróleo e cereais.
Ainda no começo de 1960, o presidente dos Estados Unidos, Dwight Eisenhower, aprovou um plano contra o governo de Cuba, que criava embargos comerciais ao comércio do açúcar cubano e a sua importações de petróleo, cereais e armamentos e criava incentivos para os exilados cubanos derrubarem o governo de Cuba , mediante ações terroristas. Como sabemos, as sanções comerciais dos Estados Unidos a Cuba continuam até os dias atuais. Ainda em 1961, houve uma tentativa de invasão de Cuba, organizada pela Cia e com a participação da Máfia: a “a invasão da Bahia dos Porcos”
Com o esfacelamento político da União Soviética em 1989, Cuba enfrentou por vários anos uma situação econômica muito difícil, pois perdeu o apoio de seu principal cliente para a produção de açúcar e outras facilidades e financiamentos para a importação de produtos essenciais para o funcionamento de sua economia.
Podemos, agora, ao que é mais importante para julgar o sistema de governo cubano ao longo do período pós-revolução. Quem vê as fotos atuais das zonas urbanas de Cuba fica realmente muito mal impressionado. Os prédios estão envelhecidos e sem conservação, alguns são verdadeiros pardieiros. Nas ruas, os automóveis são muito velhos, poucos e mal conservados. Os bens de consumo mais sofisticados são caros e de difícil acesso para a maioria da população e, quando disponíveis, o são no mercado negro. Tem havido demonstrações de intelectuais contra a falta de liberdade de imprensa e muitas tentativas de fuga para o exterior de pessoas que pretendem elevar seu padrão de vida.
Porém, um exame mais detido dos indicadores econômicos e sociais de Cuba, divulgados por entidades internacionais insuspeitas mostram surpreendentemente que as condições gerais de vida da população cubana são muito superiores às da totalidade dos países em processo de desenvolvimento e, em alguns casos, rivalizam com as de países desenvolvidos. Vejamos tais indicadores.
1) Cuba está entre os 83 paises do mundo que apresentam maior índice de Desenvolvimento Humano, alcançando em 2007 a cifra de 0,863 (51° lugar,44° com o ajuste para incluir o valor do PIB), indicador que é superior ao do Brasil, que alcança 0,813:
2) A expectativa média de vida em Cuba é atualmente de 78,3 anos (37° lugar), equivalente a dos Estados Unidos e bem superior a do Brasil ( 72,4 anos);
3) A taxa de mortalidade infantil de Cuba é de 5,1 por mil (28° lugar), inferior a dos Estados Unidos que é de 6,3 mil (33° lugar) e apenas 1/3 da do Brasil, que é de 19,3 por mil;
4) A taxa de alfabetização de Cuba é de 99,8° (1° lugar no mundo), ou seja, não tem mais analfabetos. Enquanto isso, os Estados Unidos apresenta uma taxa de 99% (13°lugar) e o Brasil uma taxa de 90% ( 95° lugar).
5) Quanto aos indicadores de pobreza, Cuba tem um índice que a coloca em 6° lugar no mundo, enquanto os Estados ainda tem uma taxa de 13,2% ( 33° lugar) e o Brasil estaria em torno de 30%.
Esses indicadores são realmente surpreendentes, pois mostram que as condições médias de vida da população cubana são excelentes para um país ainda pobre, com um PIB per capita de apenas US$ 4.500, equivalente a 1/10 do mesmo indicador para os Estados Unidos e menos da metade no que se refere ao Brasil. Além disto, Cuba tem estado sujeita a sanções econômicas que impedem há muitos anos o desenvolvimento de seu comércio internacional e é forçada a realizar elevados gastos de defesa face ao temor de repetição de invasões de seu território patrocinadas pelos Estados Unidos. Em que residiria, pois a explicação para essa verdadeira mágica, quando tudo que ouvimos pelos porta-vozes da grande mídia aponta em direção contrária?
Não pretendo aqui mais do que sugerir pistas para identificar o que ocorre. Em primeiro lugar, não restam dúvidas de que o governo de Cuba tem adotado prioridades diferentes da de outros países para os investimentos os gastos correntes naquele país. Os recursos que seriam destinados aos automóveis novos e aos bens de luxo, a que a população claramente, não tem acesso, são direcionados para as áreas sociais. Por isto, tem sido possível assegurar saúde e educação em todos os níveis e de boa qualidade, totalmente gratuito, a toda a população. O mais interessante é que o custo desses serviços é relativamente baixo. No caso dos serviços de saúde, representa apenas 7,7% do PIB, aproximadamente o mesmo percentual do Brasil e cerca da metade do percentual dos Estados Unidos. Em 2006, Cuba não teve nenhum caso de difteria, sarampo, coqueluche, poliomielite, rubéola, tétano neonatal, ou febre-amarela.
Vale também mencionar que Cuba tem se destacado no mundo com os resultados alcançados no campo das pesquisas em Biotecnologia, sendo exportador para trinta países do mundo de vacina contra hepatite B, e já tendo patenteado mais de 600 produtos, como vacinas, proteínas, recombinantes, anticorpos monoclonais, equipamento médico etc. A receita da exportação desses produtos já supera 400 milhões de dólares ao ano.
Quando aos problemas que Cuba apresenta no que toca às liberdades democráticas, dá para suspeitar que uma boa explicação para o que ocorre têm a ver com a conduta agressiva dos Estados Unidos, que constitui uma permanente ameaça ao território e as instituições cubanas.
O conflito com os Estados Unidos é mais do que suficiente para explicar o clima de medo em que os cubanos vivem e sua exagerada preocupação com a influência dos meios de comunicação e de outras ações menos ostensivas. Enfim, trata-se da maior potência econômica e militar do mundo, com um PIB total que é equivalente a 300 vezes o de Cuba, uma população que é 25 vezes a de Cuba, situada a uma distância inexpressiva do pequeno território de Cuba e, inclusive com controle militar da ilha de Guantánamo, pertencente a Cuba. A impressão final que fica é a verdadeira realidade de Cuba é muito diferente da que nos pretendem impor.

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Respostas a este tópico

O que Cuba precisa é de mais amigos com os quais possa estabelecer trocas que promovam o desenvolvimento mútuo e contínuo. Para isso é preciso que surjam cada vez mais líderes como Lula com capacidade de suportar a pressão e dizer, não aquilo que os grandes interesses econômicos desejam, mas o que pensa de verdade. Só assim Cuba conquistará a segurança existencial e a soberania necessárias a qualquer nação o que, por sua vez, diminuirá automaticamente a necessidade de controle e de segurança.

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Caríssima Claudia: Oie nòis aqui tra vez. Você acertou na mosca. Um forte abraço. Flavio

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Indio Tupi na cabeça...
longo, mas vale cada segundo gasto e ler...


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http://colunistas.ig.com.br/luisnassif/2010/03/12/o-agravamento-dos...

Aqui do Alto Xingu, os índios consideram visões mais abertas e íntegras as que vêem o óbvio, ou seja, que Cuba não tem condições de abrir o regime e convocar eleições livres em pleno estado de guerra que os Estados Unidos, desde 1961, mantem com o país, configurado pelo embargo, bloqueio econômicos — reiteradas vezes condenados pela ONU como atentado aos direitos humanos do povo cubano — e pela guerra secreta — sabotagens, tentativas de assassinatos e outras ações terroristas, empreendidas durante cinco décadas por organismos secretos-norteamericanos e pela máfia cubana de extrema direita de Miami, que apoiou decisivamente o golpe da eleição presidencial norte-americana de 2002.
Ao longo dessas cinco décadas até 2008 ocorreram 713 atos de terrorismo na ilha, que vão de seqüestros e explosões de aviões, navios mercantes e de passageiros e barcos de pesca e de patrulha a bombardeio de plantações, armazéns, usinas energéticas e indústrias e até a contaminação das exportações de açúcar nos portos, organizados e financiados a partir do território norte-americano e países satélites do Caribe, com um saldo de 3.478 mortos e 2.099 incapacitados, sem mencionar a explosão em pleno vôo de um avião de passageiros da companhia Cubana de Aviación, em outubro de 1976, que matou 76 pessoas, o ataque contra o Hotel Guitart, em Cayo Coco, contra o Hotel Meliá las Americas, em Varadero, estes ultimos visando prejudicar o fluxo de turistas para a ilha, bem como as mais de vinte e cinco tentativas de assaassinar/envenenar o Premier local.
O resultado disso foi a produção de milhares de vítimas entre a população, que sofreu as piores conseqüências da guerra encoberta e não declarada contra o governo local, daí resultando a proliferação de hepatite e outras enfermidades, como pancreatite, febre tifóide, varicela, gripe, disenteria, difteria além da morte por insuficiência de milhares de nascituros colocados em incubadoras.
Os bem informados do blog deveriam saber que a crise dos mísseis em 1962, resultante do bloqueio naval da ilha, resultou puramente da estratégia eleitoreira do então Presidente norte-americano. Como disse Luiz Alberto Moniz Bandeira, em seu livro: “De Martí a Fidel: A Revolução Cubana e a América Latina”: “Ele (Kennedy), contudo, colocou o mundo à beira do holocausto com o objetivo de obter ganhos na política interna dos Estados Unidos, para que o Partido Democrático fizesse a maioria do Congresso nas eleições de novembro, e compensar a humilhação que sofrera com a derrota na Baía dos Porcos…” Ainda, logo adiante, acrescenta o autor: “A política interna – John Kenneth Galbraith, embaixador dos Estados Unidos na Índia àquela época, reconheceu – foi o fator mais importante na decisão de impor o bloqueio naval a Cuba.”
A propósito dos refugiados nas embaixadas e consulados, a representação local do Uruguai a eles se referiu como “a maioria da pior espécie”; na do Brasil, onde foram com eles encontrados armamentos pesados, o embaixador Sebastian Pinto referiu-se a eles igualmente como “…muitos dos quais são da pior espécie”, um dos quais já havia assassinado outro a pauladas dentro da própria embaixada brasileira, a ponto do embaixador haver solicitado ao Itamaraty o envio de policiais brasileiros: “Por absurdo que possa parecer todos corremos neste momento grave perigo de vida.” Os supostos dissidentes já haviam assassinado um Conselheiro da embaixada do México, já haviam cometido três assassinatos na embaixada do Equador, dois na do Uruguai e dois na do Brasil.
Apesar dessas agressões, o governo da ilha, mesmo depois do bloqueio naval decorrente da crise dos mísseis de 1962, libertou 1.113 prisioneiros capturados durante a invasão da Baía dos Porcos e autorizou e facilitou a partida para os Estados Unidos de cerca de 1.000 parentes dos invasores, como libertou numerosos presos políticos, inclusive condenados a longas penas. Em entrevista a Lisa Howard, da cadeia de televisão norte-americana ABC, o Premier manifestou, em 10.5.1963, a disposição de negociar a indenização das empresas norte-americanas expropriadas, como a seguir uma poilítica de paz “para com todos os países da América Latina.” A reação do Império foi aprovar, em 19.6.1963 um novo programa de sabotagens contra os maiores segmentos da economia da ilha, com o propósito de provocar o descontentamento contra o governo local. O fato é que o Império não queria que a ilha fosse um “case” de sucesso do socialismo na América Latina
As visões mais abertas e integras não perceberam que o próprio presidente norte-american à época fora assassinado pela Máfia local, em conluio com os refugiados cubanos e empresários da extrema direira norte-americana, sem descartar a colaboração de serviços secretos locais, inconformados com a postura daquele ex-presidente por ocasião da invasão da Baía dos Porcos e da crise dos míssseis. À época, a mídia militante servil ao Império divulgou boato de que o assassinato havia sido tramado pelo Premier da pequena ilha, numa tentativa de levantar o clamor da opinião pública em favor da invasão.
Outro inaceitável para o Império, foi o ex-presidente do Chile, eleito em 1970, mas cuja deposição foi decidida nessa ocasião e executada posteriormente em setembro de 1973, juntando-se, assim, com sua morte, aos assassinatos e deposição de outros dirigentes como Patrice Lumumba, Kwame Nkruma, Suharto, Goulart, etc. etc…
Os esquecidos da História deveriam recordar que, em 1979, tal como fiozera em 1965, o Premier da ilha abriu o porto de Mariel para que cerca de 40.000 pessoas saíssem do país, fato que alarmou o governo norte-americano, pois muitos “soi-disant” dissidentes eram ladrões e criminosos comuns, libertados então da prisões, circunstância que levou o governo norte-americano a despachar em missão secreta à ilha um emissário para negociar – pasmem blogueiros – o retorno à ilha dos criminosos despachados para a Flórida. O Império agora recusava a abrigar os refugiados…
De outro lado, os iluminados do blog deveriam ter visto também as 152 execuções que o então governador do Texas, e antecessor do atual Presidente, executou durante seus seis anos de governo, mais do que qualquer outro governador na história dos Estados Unidos, país que possui o maior número de prisioneiros em todo o planeta, sem mencionar as 740 bases militares ao redor do mundo e os centros de tortura terceirizados pelo Mundo, a fim de garantir a ferro e fogo a hegemonia do Império.
Os bloguistas com visão imparcial deveriam ter estudado melhor História para perceber que, desde o início dos anos 1960, os sabotadores pretendem transformar as embaixadas e consulados estrangeiros como base de operações para seus ataques de sabotagem, conforme informou o Embaixador brasileiro Sebastian Pinto àquela época: “Por absurdo que pareça, eu mesmo fui sondado sobre a possibilidade de garantir, previamente, asilo aos que participassem de campanha de sabotagem.”
As visões mais abertas e integras não notaram que, em 2008, apesar desse cerco de ferro, o regime cubano, em 2008, comutou todas as condenações à morte, transformadas em prisão perpétua ou por 30 anos, com exceção das que foram ditadas contra três pessoas culpadas de atos de terrorismo. Na ocasião, dissde Raul Castro, “no podemos desarmarnos frente a um imperio que no cessa de acosarnos y agredirnos. El terrorismo contra Cuba ha gozado de total impunidad en los Estados Unidos. Se trata de un verdadero terrorismo de Esdtado.
Quem quiser saber um pouco mais, basta ler o livro “De Martí a Fidel: A Revolução Cubana e a América Latina”, de Luiz Alberto Moniz Bandeira, começando pela leitura da reprodução, ao final do livro, de documentos oficiais secretos, do governo norte-americano, recentemente liberados, dando conta da engendração de vários pretextos que justificassem a invasão de Cuba pelas forças armadas norte-americanas, como parte de um plano secreto para derrubar Castro, que incluiam a promoção de atentatos terroristas em Miami, a simulação de assassinatos de exilados cubanos nos Estados Unidos, a encenação de um ataque à base naval de Guantánamo, a explosão de um avião norte-americano, etc, naquilo que James Bamford, em seu livro “Body of Secrets” descreveu como “the most corrupt plan ever created by the U.S. government”.
Aqui do Alto Xingu, os índios jamais assistiram a essas preocupações humanitárias cínicas e hipócritas do partido militante da midia neoliberal e de seus subintelectuais midiáticos, tipo Merval, Mainardi, et caterva:
a) ao longo dos quase 30 anos da sanguinária ditadura de Batista — que apenas nos seus últimos sete anos assassinou cerca de 20 mil pessoas –, patrocinada pelo Império até a sua queda em 1958, período em que cerca de 1,5% dos proprietários de terra, nacional ou estrangeiros, possuiam 46% da área do país, e cerca de 70% apenas 12%;
b) ao longo de quase um século que o Império mantem na ilha, à revelia do povo e governo locais, uma base aero-naval para controlar os países do Caribe, a rota do Canal do Panamá e o Norte da América do Sul;
c) quando, em 1959, o Império decidiu impor o bloqueio econômico da ilha — lançando-a virtualmente nos braços da União Soviética — fazendo com que, do dia para a noite, perdesse um mercado que absorvia 65% de suas exportações — quando estas representavam 30% do PIB — e que lhe fornecia cerca de 60% de suas importações, medida essa retaliada pelos novos dirigentes com a nacionalização das empresas do Império;
d) quando, desde 1960, o Império decidiu informalmente recrutar e treinar dissidentes, inclusive com o apoio da Máfia, para futuras operações de guerra na ilha, política que se tornou oficial a partir de 1961, com o firme propósito de derrubar o regime ali vigente, do que resultou a morte de milhares de habitantes, que sofreram as piores consequências da guerra não declarada e do bloqueio econômico;
e) quando, naquele ano, o Império aconselhou suas empresas petrolíferas na ilha a não refinarem o petróleo que o novo governo fora forçado a importar do Leste europeu, pressão exercida também sobre os armadores Onassis e Niachos para não fornecerem navios-tanques para seu transporte;
f) quando o férreo bloqueio da ilha foi ainda apertado por ocasião da débâcle dos países do Leste europeu, os quais constituíam a principal alternativa de comércio para a ilha (80% de seu comércio exterior era com aquela região): o poder aquisitivo caiu 60% e as necessidades de racionamento sequer davam para atender as necessidades de sustento das famílias (o fornecimento de petróleo e derivados desapareceu, parando fábricas e instalações energéticas);
g) quando, em decorrência do bloqueio genocida — destinado a vingar a única derrota do Império na América Latina, na fracassada tentativa de invasão da Baía dos Porcos — a queda do PIB atingira cerca de 35%, em 1989, gerando a falta de antibióticos, de artigos de limpesa e antiviróticos, o que causou grande número de mortes por infecções e ataques de vírus;
h) quando o efêmero governo golpista da Venezuela ordenou, em 2002, a interrupção do fornecimento de petróleo à ilha, atendendo aos interesses do Império, que pretendiam sufocar a pequena ilha;
i) quando mafiosos sequestraram e levaram para o Império um menino, onde o mantiveram por sete meses, até que a Corte Suprema ordenasse a devolução da criança ao pai, que vivia na ilha;
j) quando um governo de um pequeno país, vítima de ataques e sabotagens de toda espécie, não se vê em condições de baixar a guarda em pleno estado de guerra que o Império lhe impôs desde 1961; e
k) quando, desde 1960 até fins de 1908, ocorreram 713 atos de terrorismo na ilha, 56 dos quais a partir de 1990, organizados e financiados a partir do Império, com um saldo de 3.478 mortos e 2.099 incapacitados, sem mencionar as dezenas de milhares de mortos e mutilados vítimas do genocídio representado pelo bloqueio econômico ao longo de meio século.
Só os néscios, os hipócritas e os cínicos se recusam a reconhecer o esforço inaudito e heróico que o povo dessa pequena ilha faz para manter sua soberania, quando se sabe que conta com minúscula população, de apenas 11,2 milhões de habitantes, mas decididamente embuída de imenso patriotismo, a ponto de cerca de a metade estar armada para sua defesa, frente a um Império, ao lado, com quase 300 milhões de habitantes , PIB de US$ 14 trilhões e uma capacidade de destruir o planeta mais de 10 mil vezes;
Só os fariseus e cães de guarda do Império não enxergam o ÓBVIO: frente à agressão diuturna do bloqueio econômico, financeiro e militar imposta pelo Império à pequena ilha – que configura flagrante atentado aos direitos humanos de seu povo e fulgurante violação de leis internacionais – seu regime, por uma questão elementar de defesa da soberania, não pode ser uma democracia à moda Suíça, Filandesa ou Suéca, e que, por isso, cerca de 5,5 milhões de seus habitantes estão armados.

“Não pergunte por quem os sinos dobram.
Eles dobram por nós”

(John Done)

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Cabocla: Fiquei emocionado com seu incisivo depoimento. Seu conhecimento sobre o tema é mais eloquente de que meu artigo, na denúncia da agressão permanente a que vive Cuba submetida. Espero que nossos amigos e participantes do bloco leiam seu contundente comentário. Nossos textos juntos agregam a informação que muita gente séria, mas mal informada, necessita para ter um outro olhar sobre a pequena, mas heróica Cuba. Um forte abraço e boa sorte em suas andanças no Alto Xingu. Um abraço. Flávio

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Infelizmente não é meu Flávio, é do índio do alto xingu, comentador porreta do blog mãe....
Infelizmente não, afinal estamos aqui para aprender, e eu sempe aprendo MUITO com os comentários dele...

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Cabocla: Nota dez para o índio do Alto Xingu. Um abraço. Flavio

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Flavio e Cabocla, trilha sonora pro post

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Elisabeth: Grande pedida! Sou fã desse grupo desde que vi o filme. Um abraço. Será que você podia me ensinar como captar músicas do You Tube e incluir no blog? Um abraço. Flavio

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Flavio, voce entra no youtube e põe na pesquisa o que quer achar. Aparece o video. No lado direito, tem a descrição da musica. A URL e INCORPORAR.VOCE CLICA NO incorporar , copia e trás pra cá e cola. qualquer coisa me diga.
www.youtube.com
Cabocla querida,

Que texto maravilhoso!! É de lavar a alma.

Se encontro esse Indio Tupi, levo para minha taba...ainda dou mandioca, milho, peixinho, cauim e pena lavada. Faço até um "kuarup" com êle. Só para ficar perto dos seus neurônios. :)


Beijos,

Dulce.

"Indio Tupi na cabeça...
longo, mas vale cada segundo gasto e ler..."

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Bom dia, Cláudio

Creio que por todas as circunstâncias já expressadas, o governo de Cuba é inegavelmente um governo autoritário, independente do desconhecimento que temos a respeito das particularidades do regime em suas instâncias políticas para além da cúpula executiva.
De qualquer forma, fica a questão sobre a continuidade do sistema por 50 anos, sem que tivesse amplo apoio da população, apesar das dissidências inerentes a qualquer regime.
Dissidências das quais igualmente não temos maiores informações quanto às alternativas propostas, nem mesmo por parte de seus defensores.
Assim resulta apenas em uma enorme hipocrisia, como se liberdade de ir e vir fosse garantida pelo sistema democrático, em seu atual estágio, para todos e não para uma minoria; idem com relação à liberdade de expressão que a mídia partidária procura manter restrita a seus interesses, como vemos diariamente; idem com relação a presos, que se não são qualificados como de opinião, certamente não recebem a mesma justiça. Uma ditadura econômica.
A verdade é que Cuba é o exemplo mundial de como uma sociedade realmente voltada para o bem-estar pode extinguir a fome, o analfabetismo, suprir a saúde e a educação.
No caso cubano, ainda que limitada pela ação discricionária do império e sua periferia, que jamais conseguiu tais feitos apesar de todo seu poderio econômico e sua democracia de araque (ou suas ditaduras títeres).

Abraço

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Luiza: Seu comentário é muito lúcido. Concordo com suas colocações quase que inteiramente, apenas fico com uma dúvida: Será que se o regime fosse menos autoritário sobreviveria à agressão permanente de que é vítima proveniente da maior potência econômica e militar do mundo? Um abraço. Flavio

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