Avaliação Crítica da peça "A Coleção"
Por jair Alves
Harold Pinter seguramente se encontra entre os vinte autores que se dedicaram à dramaturgia universal e que poderão ser, dependendo do ponto de vista, condenados ao esquecimento, ao lado do primeiro da fila, o seu conterrâneo Willian Shakespeare, além de Samuel Beckett, Bertold Brecht, Eugene Ionesco, Calderon dela Barca, Plínio Marcos, Anton Checov (a lista ainda está em elaboração). No cinema, por exemplo, cometeu-se o “absurdo” de traduzir para a tela alguns de seus textos, tais como O Dia do Meu Aniversário, A Mulher do Tenente Francês, Ultima Gravação. Ainda sob determinado ponto de vista (os politicamente correto, por exemplo), Pinter não passa de um “paspalhão” por sua posição política. Aqui em São Paulo podemos enumerar como seus cúmplices, nesse momento, a atriz e diretora Esther Góes, Ariel Borghi, Amazyles de Almeida, Marcos Suchara, Marcelo Szpektor, Beth Filipecki, Cristina Novaes, Mauro Martorelli, Aline Meyer, André Corradini, Dani Hu, Helô Cardoso, Cláudio Ferlauto, Arnaldo Torres e Ensaio Geral Produções.
Por sua extensa lista de malfeitos contra a cultura universal, quase nunca aplicada ao dia a dia do paulistano apressado, que somente uma vez por ano tem de graça o direito ao teatro, música, literatura e, agora, também à sofisticada “gastronomia” conhecida por Virada Cultural, escolhemos apenas sete razões para abrir um “inquérito” a respeito desse autor inglês que nunca esteve no Brasil, salvo em montagens traduzidas e levadas a palco na pele de,
Paulo Autran, Antonio Petrin e outros “menos nocivos” para a espécie humana. O caminho dessa ação que propomos, é pra lá de questionável, porém a exemplo dos personagens de Pinter que ousam viver “perigosamente” lá vamos nós. Tanto melhor se pudermos ampliar a insólita empreitada para aspectos mais abrangentes, para que serve a Poesia, a Arte, a Literatura e, por consequência, todos (indistintamente) os demais organismos oficiais de manutenção e promoção destas atividades. Sendo assim, aqui começamos:
1- Por que montar um autor e prestar atenção à sua produção que durante sua adolescência padeceu, não se sabe direito porquê, dos bombardeios diários dos nazistas sobre toda Londres? Ele morando num bairro pobre da capital inglesa, devia estar rezando ou quem sabe dormindo, uma vez que tais eventos aconteciam somente durante a noite. Sabe-se também, que por conta deste quesito, foi convocado espontaneamente a reconstruir tudo o que depois do final da II Guerra estava amontoado como um saco de entulhos (a Inglaterra). Muitos se dedicaram reconstruir a economia, enquanto outros os prédios públicos, já Pinter, preguiçoso como ele só, escolheu trabalhar e renovar a cena Londrina.
Azar dele!;
2- Como se explica um cidadão dedicado ao teatro querer descobrir, além da evolução de linguagem, outros assuntos que perturbam as relações humanas e, diga-se, todos personagens bem vestidos com impecável bom gosto, diferentemente daqueles com roupa padrão do tipo macacão, calça jeans (rancheiras no início da dedicação ao teatro). Se ele é autor de teatro, por que se meter nos meandros da psicologia social, um campo muito bem ocupado, aliás, e desenvolvido por escritores de “auto-ajuda”. Harold Pinter, como se vê, desconhece por completo o ser humano; não passa de um canastrão. Sequer sabia usar a Internet e nem consta que, um dia, tenha se inscrito no Facebook;
3- Que diabo é isso, afinal, de se opor às políticas de Toni Blair, George. W. Busch e, mais ainda, fazer parte da corrente internacional contra a Invasão do Iraque? Como sabemos as guerras, apesar de “mandar para o inferno” um montão de pessoas, têm a vantagem de trazer grandes avanços tecnológicos. O leitor amigo concorda com os autores desse inquérito?;
4- Quanto à montagem que na atualidade faz parte da temporada teatral paulistana, existem algumas sérias dúvidas quanto a sua utilidade no panorama cultural, a saber:
a) Por que quatro atores se movem, em cena, com tanta segurança num exercício primoroso que chega a irritar?
b) Quem nos dias de hoje está interessado em saber como vivia o cidadão inglês, em plena guerra fria, tentando construir uma vida quotidiana que, afinal, como é sabido nem se interessou em fazer parte da Comunidade Européia, adotando como moeda única, o Euro?
c) Por que a
diretora/atriztendo em seu currículo autores consagrados e diretores pra lá de badalados, se aventura a colocar no palco uma obra tão sofisticada? Não seria o caso de montar tão somente um show de esquetes com stand up, coisa que causa grande frisson no público menos avisado?
Para finalizar a Ensaio Geral Produções escolheu um teatro, bem confortável, é verdade, com 240 lugares, estacionamento dentro do próprio local onde também está instalado o colégio Liceu Coração de Jesus, mas que dependendo da situação poderá acolher mais 300 tantos outros expectadores. Sem contar que o hoje Teatro Grande Otelo, a exemplo de outros mais sete teatros do mesmo porte, segundo levantamento feito pela imprensa, encontram-se sem uso à espera do interesse e de uma política cultural eficaz que venha a dar novo alento aos artistas e o público em geral na expectativa de se ter acesso a uma arte contemporânea.
Diante do exposto, não temos alternativa senão abrir uma discussão a respeito de se condenar ou não autor, diretora, elenco, produtores, e também, àqueles administradores do dinheiro público que foram coniventes e premiaram com um PROAC à peça
A COLEÇÃO, com uma “pequena fortuna” se comparada a outros patrocínios estatais.
Com a palavra o expectador!
(*) Link acima com demais informações sobre o espetáculo. (**)Foto da montagem polonesa.
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Permalink Responder até Gilberto . em 31 maio 2012 at 1:03
Pois é Jair, mais uma para conferir.
Achei um vídeo simpático sobre o Teatro Grande Otelo, que tem aliás tem 700 lugares.
Permalink Responder até Jair Antonio Alves em 31 maio 2012 at 1:49
Sim, você tem razão, só que reduziram com uma cortina para não parecer tão insólito.
OBS: está em temporada popular até o final de junho. Quem puder apareça. IMPORTANTE.
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