[...] (a ideia) de um conhecimento absolutamente certo e demonstrável foi provado como sendo uma miragem (e que todas as proposições cientificas tem um caráter provisório) (Flew, 1984: 44). Para Popper, o elemento característico da ciência não é a sua posse da verdade, mas a sua busca, confidenciando que não é a verificabilidade, mas a falsificabilidade que traz a marca real da verdadeira ciência.[...]
[Mesmo que as leis naturais descrevam aquilo que acontece], tudo que elas podem prescrever são as nossas expectativas](Mackay, 1974: 31)
[As induções cientificas não podem ser provadas por meio de textos da Bíblia, do mesmo modo que as doutrinas do cristianismo não podem ser estabelecidas por meio de investigação cientifica] (Hooykas, 1969, 2002, n. 1)
Saudado como um pilar da ciência contemporânea ocorre, no entanto, que um exame das bases e das aplicações do darwinismo revela um paradigma que vem sendo bastante questionado desde sua apresentação. Trata-se de uma 'revolução científica' em permanente crise, mas tão ferrenhamente defendida pela comunidade científica que se torna difícil contestá-la, sem o perigo de descrédito imediato, e quem o faz corre o risco de ser considerado não científico ou irremediavelmente obsoleto. A teoria vem conseguindo enfrentar várias críticas com aparente satisfação, mas acaba sendo remendada à moda dos epiciclos, apesar da complicação que representam os artifícios destinados a salvar essa teoria, cujos fundamentos filosóficos e ideológicos não são suficientemente explicitados para todos.
O debate em torno da questão existe, mas ele é meio 'escondido' de nossos alunos de Ciências Biológicas, ou mesmo de história das ciências, devido ao propósito de se torná-los antes de tudo adeptos dos paradigmas vigentes, sem lhes dar oportunidade para explorarem as possibilidades contrárias a tais paradigmas. A omissão é a regra geral, apesar de que muitos dos adeptos do darwinismo sabem que existem outros pontos de vista, e negam-se a falar nisto ou a escrever sobre as dissensões, a não ser para ridicularizá-las. É o que temos, por exemplo, numa publicação recente (Ridley, 1997), em que são apresentados 64 trabalhos sobre evolução, muitos deles de clássicos dos séculos 19 e 20, sem incluir um só que fosse contrário ao darwinismo.
[...]
Bases ideológicas do darwinismo
A própria disputa por uma prioridade na publicação pareceria algo forçada, uma vez que havia várias outras teorias evolutivas já propostas, além das de Darwin e Wallace, algumas com bastante superposição a estas. O que fez com que a de Darwin fosse tão amplamente divulgada? A resposta está na ideologia na qual se apoiava implicitamente Darwin: no laissez-faire do liberalismo econômico (que nada tem a ver com os princípios do liberalismo como doutrina da liberdade individual, consagrados como direitos universais) defendido por Adam Smith em A Riqueza das Nações (1776) – e que ainda é usado, até mesmo por darwinistas 'revisionistas' como Stephen Jay Gould. Toda uma tradição da filosofia empiricista britânica que deságua em Adam Smith, ao prever a regulação do conjunto da economia pela 'mão invisível' do mercado, se casava bem também com a teoria econômica de Thomas Malthus. Este, em seu ensaio sobre as populações (publicado em 1798 e confessamente livro de cabeceira de Darwin), propunha que a demografia humana cresceria geometricamente, enquanto que os recursos cresceriam menos, de forma aritmética.
São conhecidas as soluções de Malthus para a 'superpopulação' resultante desse suposto desencontro: epidemias, guerras, a fome e outras catástrofes se incumbiriam de estabelecer um equilíbrio, o que se casava bem com os ensinamentos de Adam Smith sobre a auto regulação do mercado. Certamente no auge do imperialismo e colonialismo britânico, uma teoria evolutiva que defendia aspectos como uma inevitável luta pela vida, espécies mais favorecidas e uma seleção natural regida pelo acaso, tinha condições de atrair a seu favor a opinião pública da sociedade vitoriana, que se enxergou justificada pela 'ciência' e ajudou a promover ideologicamente a teoria de Darwin.
O darwinismo legitima assim a desigualdade das classes e das raças, bem como aceita a luta, e por extensão as guerras, como fator crucial para a civilização, pois determina quem é o mais apto (Ruffié, 1988). Esta é uma tendência peculiar e coerente com toda a corrente filosófica do empiricismo britânico, como por exemplo, no conceito de sociedade apresentado por Thomas Hobbes, que concluiu pela afirmação de que 'o homem é o lobo do homem'. O neoliberalismo de hoje, especialmente depois da era Thatcher, e que chegou mais tarde ao poder no Brasil pelas mãos principalmente dos governos de Collor e Fernando Henrique Cardoso, admite os mesmos princípios que os similares do liberalismo da era vitoriana, apenas intensificados pela atuação global do capital.
[...] Muitas pessoas pensam erroneamente que criticar a teoria darwiniana da evolução significa defender o criacionismo religioso na sua forma fundamentalista, isto é, a que toma literalmente a interpretação das escrituras sagradas (no caso majoritário a Bíblia, especialmente no livro de Gênesis). É verdade que esta oposição se torna forte quando conceitos teológicos simplistas são assumidos, mas ela se esvai na medida em que se examinam conceitos mais sofisticados da Divindade, como os do paleontólogo e filósofo Teilhard de Chardin. Isto de qualquer maneira é um falso debate, pois seus termos se situam em esferas diferentes, só que muitas vezes essa polêmica tem sido habilmente utilizada para opor um dogmatismo a outro. É possível propor uma teoria da evolução sem a seleção natural como mecanismo principal, acreditando ao mesmo tempo que a idade do Universo seja de muitos bilhões de anos e que todos organismos que conhecemos na Terra tenham um ou mais ancestrais comuns. Ou seja, há teorias evolutivas contrárias ao darwinismo que não são místicas – assim como há darwinistas que também têm convicções religiosas, o que mostra que artigos de fé podem ser relativamente independentes de posições científicas.
Geralmente os meios de comunicação, e mesmo os círculos científicos, insistem porém em alimentar essa oposição, que não chega a penetrar no âmago das questões realmente interessantes e relevantes.[...]
[...]Opondo-nos ao darwinismo, insistimos que podemos considerar que as variações das espécies não surgem ao acaso, mas como um fenômeno natural da criação de ordem de um nível superior, com um dispêndio mínimo de energia, otimizado de acordo com os princípios de Fermat e Leibniz a esse respeito. A ideologia do liberalismo é que promove a noção de acaso como fonte da evolução, e isto traz conseqüências importantes para a noção de liberdade humana.
A liberdade humana não pode ser circunscrita a um conjunto de informações codificadas, por maior que seja sua capacidade de armazenamento. A criatividade da mente diferencia um robô programado de qualquer ser humano. O cérebro humano e sua propriedade de criar cultura parecem desafiar qualquer explicação darwinista (Blanc, 1994), de nada valendo o recurso às adaptações sem finalidade momentânea, ou 'exaptações' de Stephen Jay Gould, que poderiam ser vistas como tentativas frustradas (cf. Chauvin, 1999) de escapar à tautologia fundamental do darwinismo, a citada aptidão de sobreviverem os mais aptos. Mesmo sem entrar na criação científica e artística, o mero funcionamento normal da mente manifesto pelo pensamento consciente é um sério problema para os darwinistas.[...]
http://www.recantodasletras.com.br/visualizar.php?idt=1884856
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Permalink Responder até Anarquista Lúcida em 2 janeiro 2012 at 19:16
A gente desmonta os seus argumentos fajutos num tópico, e aí você cria outro, para ver se descobre incautos que possa convencer, e que nao leiam os desmentidos já postados. Nao vou cair na sua armadilha. Vou simplesmente postar, em cada tópico que você abrir sobre isso, os vídeos que explicam coisas sobre a Evoluçao. Os leitores que escolham entre o seu blá-blá-blá e argumentos de verdade. DEIXA DE LERO-LERO, ORLANDO.
Permalink Responder até Anarquista Lúcida em 2 janeiro 2012 at 20:07
Nao sao só 6 vídeos, sao 6 episódios, cada um com vários vídeos, acho que 6 em cada episódio (cada episódio tendo 1 hora)... Estou pondo só o primeiro de cada episódio, e via o próprio vídeo quem se interessar pode ver os outros.
Mas acho que já vi vídeos inteiros de cada episódio, vou procurar, se achar substituo os que estou postando aqui.
Permalink Responder até Anarquista Lúcida em 2 janeiro 2012 at 20:18
Primeiro vídeo do primeiro Episódio, Grandes Mutaçoes
Permalink Responder até Anarquista Lúcida em 2 janeiro 2012 at 19:20
Permalink Responder até Anarquista Lúcida em 2 janeiro 2012 at 20:20
Esse acima é o primeiro vídeo do segundo episódio, Extinçao.
Permalink Responder até Anarquista Lúcida em 2 janeiro 2012 at 21:46
Primeiro vídeo do terceiro episódio, A Corrida das Espécies
Permalink Responder até Anarquista Lúcida em 2 janeiro 2012 at 21:48
Primeiro vídeo do quarto episódio, O Porquê do Sexo:
Permalink Responder até Anarquista Lúcida em 2 janeiro 2012 at 22:00
Primeiro Vídeo do Episódio 5, O Big Bang da Mente:
Permalink Responder até Anarquista Lúcida em 2 janeiro 2012 at 22:03
Primeiro vídeo do Episódio 6, Ciência e Religião:
Esse Gildo Magalhães é historiador da ciência, com graduação de engenharia eletrônica. Nada contra engenheiros, acho que isso tem cura simples, o que já não é o caso dos economistas. Seu texto é recheado de positivismo.
O que ele escreve não tem nada a ver diretamente com as posições chamadas de "criacionistas". Mas esse "ensaio" pode ser classificado como coisa de "estoriador"; a salada de ideias me dá a tentação de chamar de samba do engenheiro doido. O cara mistura e manda, no melhor estilo do encher linguiça na academia. Na salada ultra-completa, há de tudo para todos os gostos. O que Orlando faz é retirar o que lhe agrada, mas como ele não tem grande compreensão de leitura, acaba retirando coisas que contrariam aquilo que ele "pensa".
O cara que escreve:
"(a ideia) de um conhecimento absolutamente certo e demonstrável foi provado como sendo uma miragem (e que todas as proposições cientificas tem um caráter provisório) (Flew, 1984: 44). Para Popper, o elemento característico da ciência não é a sua posse da verdade, mas a sua busca"
Também é capaz de mandar no mesmo "ensaio":
"é uma certeza e não por acaso que vamos descobrir cura para Aids e câncer, é certo que vamos saber mais física e química daqui a um século, sem dúvida que saberemos como buscar novas fontes de energia e poderemos com segurança prever que erradicaremos a fome se os homens e seus governos assim o quiserem, e assim por diante".
Vá ter certeza na usp que o pariu!
Essa de que "poderemos... prever... se os homens... assim o quiserem" me lembra frase do Febeapá: "todo fumante morre de câncer, a não ser que outra doença o mate primeiro".
Permalink Responder até Anarquista Lúcida em 2 janeiro 2012 at 22:26
O que acho mais importante, N, mais do que ficar denunciando o Orlando, é vacinar os possíveis outros leitores contra as bobagens que ele diz, sem entendimento nenhum sobre aquilo que fala, mas "arrotando" como se conhecesse. Por isso optei por colocar bons vídeos sobre a Evoluçao. O leitor que aqui entre tem escolha, entre o besteirol do Orlando e aprender mais.
Mas tb acho bom quando você desmascara as desonestidades intelectuais dele.
© 2013 Criado por Luis Nassif.