Não parece razoável admitir que as Forças Armadas brasileiras, instituições reconhecidamente dedicadas às causas mais nobres que dizem respeito ao interêsse nacional, estejam contrariadas com as propostas da Comissão da Verdade, que visam esclarecer os crimes contra a pessoa humana cometidos durante a Dituadura. Ora, por que manter resguardados os crimes cometidos e seus executores se o acontecido foi fruto da ação de uma minoria que em desrespeito aos próprios regulamentos das Forças Armadas, somente contribuiram para apequenar o relevante papel dos militares em todas as questões decisivas da História da República?
Acredito que os militares cumpridores do dever. que constituem a grande maioria, não se beneficiam em nada se em nome de interesses corporativos permitem que seus currículos impecáveis de dedicação as grandes causas nacionais, permaneçam mesclados com torturadores e verdadeiros bandidos como o falecido delegado Sergio Fleury. Sinceramente, não é isso que o povo brasileiro deseja.
Temos necessidade de que nossas Forças Armadas continuem sendo motivo de orgulho. por sua conduta respeitosa da Constituição e dos direitos humanos. Por certo, que em toda organização sempre existem as minorias que extravasam os limites legais. Para esses, é preciso que a mão forte da lei os faça compreender que não têm o direito de sujar a imagem da instituição com condutas deletérias.
É preciso afastar de vez as sombras negras que um dia transitaram em nossos céus com assassinatos e tortura de presos políticos e acordos espúrios com notórios governantes sanguinários como Augusto Pinochet. Nossas Forças Armadas são e serão sempre o símbolo maior de nossa soberania e espírito de sacríficio em favor da Paz interna e da proteção de nossos valores mais altos, entre os quais se situa a Democracia e o respeito à pessoa humana. Recuso-me, portanto, a aceitar suposições ded que os militares brasileiros pretendam proteger violadores da lei.
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