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Os pronunciamentos dos dirigentes dos mais importantes partidos políticos do País, assim como suas propostas preliminares de programas de governo para os próximos anos evidenciam que a sociedade brasileira e seus principais representantes ainda não despertaram inteiramente do sonho de o Brasil chegar a ser um pais desenvolvido nos moldes dos países capitalistas avançados. Em seu livro o “Mito do Desenvolvimento Econômico (p.16)”, há cerca de trinta anos, Celso Furtado, nosso economista maior, já chamava a atenção para o caráter ilusório da suposição de que: “ o desenvolvimento econômico, tal qual vem sendo praticado pelos países que lideraram a revolução industrial pode ser universalizado. Mais precisamente: pretende-se que os standards de consumo da minoria da humanidade que atualmente vive nos países industrializados é acessível as grandes massas de população...que formam o chamado “terceiro mundo”.
Desde então ficou cada vez mais evidente que há um limite para a difusão das formas de expansão econômica que vêm sendo adotadas, pelo lado da disponibilidade física de recursos naturais e da deterioração das condições ambientais em geral, haja vista os problemas climáticos associados ao aumento de CO2 na atmosfera terrestre: o chamado “aquecimento global”.
Por outro lado, há também uma poderosa razão que impede o despertar: o processo de acumulação capitalista no Brasil, assim como, nos demais países denominados na mais nova terminologia “países emergentes”, é uma imitação do que ocorre nos países mais avançados, porquanto liderado pelas grandes empresas estrangeiras neles sediadas. A substituição de importações nada mais é do que a transposição para os territórios das nações mais pobres dos padrões produtivos e de consumo dos países avançados. A conclusão inelutável é que, devido aos muito mais baixos níveis de produtividade nos países emergentes, somente com grande concentração da renda é possível criar demanda suficiente para absorver o padrão de produção trazido do exterior.
Nossos países defrontam-se, portanto, com dois citados grandes obstáculos, de difícil transposição, para o aumento do bem-estar de suas populações, que precisam ser explicitados e atacados e não ocultados deliberadamente em nome do mito do desenvolvimento, com o qual os países industrializados, os organismos internacionais e os capitalistas do país e seus porta-vozes, têm nos engabelado ao longo de muitos anos.
Por sorte, as mudanças que levam a melhorar a distribuição da renda também ajudam a minorar o problema do uso intensivo dos recursos naturais não-renováveis e a atenuar os efeitos perniciosos da industrialização sobre o meio ambiente. O governo atual tem intensificado as políticas sociais em favor da diminuição da miséria e da redução das desigualdades na distribuição da renda e combatido os fatores que prejudicam o meio ambiente, com bons resultados, mas ainda numa medida muito pequena frente à magnitude dos problemas. As pressões das empresas industriais para intensificar o processo de acumulação de capital nos moldes tradicionais são, entretanto, muito fortes e sedutoras para o governo e para os partidos políticos.
Daí a timidez com que com que são propostas e implementadas políticas voltadas para os aludidos propósitos, vinculadas ao aumento do gasto social do governo, aumento dos salários reais e orientação da estrutura da produção e dos investimentos em função das necessidades básicas da população e do avanço científico e tecnológico a elas associado.
Na campanha eleitoral que agora se inicia vai ficar cada vez mais evidente por parte da oposição ao atual governo a intenção de conter os gastos públicos correntes, o que virá em prejuízo dos programas na área social. Também ficarão evidentes os argumentos em favor da aceleração do crescimento, do aumento das exportações e do investimento. O discurso centrado em torno destas categorias abstratas nada mais é do que uma fórmula ilusionista para manter o padrão de desenvolvimento tradicional, deixando de tratar explicitamente o que interessa realmente a maioria da população: um novo estilo de desenvolvimento que privilegie a distribuição mais igualitária da renda e do consumo e o uso não predatório de nossos recursos naturais.
Com a palavra o PT ( que tem uma posição, tímida, mas favorável à mudança) e o PSDB, costumeiramente em “cima do muro”, que para se contrapor ao governo, provavelmente defenderá, de modo disfarçado, o modelo concentrador tradicional. O DEM tem sua posição inteiramente definida em favor do modelo tradicional, a priori, na medida em que representa exclusivamente os segmentos mais conservadores e preocupados com a manutenção do statu quo.

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Respostas a este tópico

O Celso como o Keynes e os que os seguem se perdem na ilusão do dinheiro. Infelizmente este erro é fatal para todo o subseqüente desenvolvimento de suas teorias, que ficam demasiadamente obtusas e capengas.

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Alexandre: Não entendi sua crítica. Se puder, seja substantivo, indicando os pontos de vista que você considera aceitáveis: Um abraço. Flavio

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A diferença entre 1930 e agóra é que os manipuladores do poder (os donos da cocada preta) aumentaram em muito seu poder através ...

> da própria e das coletivas maquinas de impressão de dinheiro,
> a única e assombrosa habilidade de digitalizar o dinheiro,
> a extraordinária habilidade de manipular os números macro econonomicos,
> do monopólio da mídia (motivo um).

Tudo isto transforma as políticas preconizadas pelo Celso e pelo Keynes anacrônicas e totalmente ineficientes. Não tem escapatória.

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Alexandre: Pelo visto, você acha que vamos caminhar para o abismo sem poder fazer nada. Concordo com você que a realidade muda e as formas de atuar sobre ela também precisam mudar. Mas, o tempo decorrido é muito curto para jogar na lata de lixo as contribuições de grandes autores como Marx, Keynes e Celso Furtado. Ainda há muito que aprender com eles. A lógica do capital mantem-se a mesma, ainda que num mundo mais complexo e mais cheios de inovações, especialmente no campo monetário-financeiro. A midia tambem aumentou muito seu poder. Mas, o sistema continua contraditório e cheio de fragilidades. A força dos músculos do gigante não aumentou proporcionalmente ao seu tamanho.
Um forte abraço. Flavio

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Claro que acho que dá para sair do abismo, por isto estou aqui.

O problema é quanto que mudou a realidade, as cifras envolvidas penduram a produção mundial, hoje, por décadas. A velocidade da construção do conhecimento hoje é muito superior ao do tempo dos autores citados por você, mais ainda, eles não tinham acesso a inteligência artificial e a inteligência aumentada, que faz toda a diferença neste tipo de questão.

Infelizmente as análises deles não começaram em Heródoto, no Logos Babylonico, por isto não são perenes, são meros desdobramentos secundários sujeitos à conjuntura da época. Material totalmente inútil para o busílis atual.

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Alexandre: Segundo sua visão não há nada a fazer, não é? Respeito seu ponto de vista, mas continuo acreditando que os homens fazem sua história, embora nas condições dadas pelo passado. Dumque: Vou seguir batalhando e feliz de contar com leitores como você. Um forte abraço. Flavio

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Claro que existe o que fazer, mas é preciso vontade política e vergonha na cara.

Como se trata de POLÍTICA econômica, e política é a arte do possível, têm se que negociar a exaustão, não perder o rumo e não esmorecer, é uma batalha inglória, mas que fica muito aliviada quando os donos do poder são locais e patriotas.

Um bom começo seria um presidente que abrisse o debate sobre os custos e vantagens de se sair deste esquema de dominação, na China eles mataram 40 milhões de fome, por aqui pode ser que saia mais barato.

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Alexandre: Você tem tudo para se dar bem como empresário. Sua visão de mundo é a de cuidar de seus negócios, pois o resto não tem saida. Desculpe, have-lo distraido com temas tão sem importância. Um abraço.Flavio

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Caro Flavio
Como já tivemos outras oportunidades de dialogos e invariavelmente minhas contestações às suas ideias foram bem recebidas, segue outra aqui na mesma linha, sempre com o proposito principal em debater ideias.
Esse teoria do esgotamento das reservas naturais, não passa de publicidade dos paises desenvolvidos para que como voce mesmo disse nós aqui do chamado terceiro mundo não usufrua das benesses dessas riquezas.
Já dizia Lavousier "nada se cria tudo se transforma", assim como as riquezas naturais estão em constantes transformações que seguramente serão reaproveitaveis mais cedo ou mais tarde.
Imagine um imenso aterro sanitario de uma metropole como São Paulo, daqui a 50 ou 100 anos, teremos ali seguramente uma imensa mina de material organico riquissimo para agricultura.
Segue mais tarde a conclusão do raciocinio, pois estão me chamando para sair.
Abraços

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Caro Sebastião: Já compartilhei dessa visão otimista durante a maior parte de minha vida, como economista especializado em desenvolvimento industrial. Quanto li o informe do Grupo de Roma "Limites do Crescimento" , nos anos 60, também tive impressão igual a sua. Ultimamente, mudei de idéia, depois que tomei conhecimento do que está acontecendo com as reservas de petróleo e vários outros minerais no mundo. O aumento do preços das matérias primas nos últimos tempos nada mais é do que a crescente escassez desses produtos. Os EUA que foram o maior exportador de petróleo do mundo, hoje dependem em 75% de seu consumo de importações. O aquecimento global está aí mostrando as consequências do tipo de industrializaçâo que o mundo adotou. Sei que o progresso técnico representa uma contratendência em relação ao alcance do mencionado limite, mas ao que tudo indica vem contribuindo muito menos do que o necessário para atenuar o problema. Quando vejo cidades que se transformaram em verdadeiros infernos em decorrência do trânsito intenso, como São Paulo, e a acumulação de lixo e resíduos que vão demorar milhares de anos para serem degradados, não posso aceitar que o progresso técnico que aí está leve a bons resultados.
O progresso técnico que necessitamos, que precisamos continuar estimulando, é o que reverta em benéfício da maioria de nossa população e não o que está aí, uma grande fonte de desperdício de recursos naturais e esforço (trabalho) humano. Não estou propondo estancar o processo de acumulação, mas sim redirigi-lo para propósitos mais nobres em função dos interesses dos mais pobres. Não defendo teses neo-malthusianas, defendo maior racionalidade no atendimento das necessidades humanas. Isto, não está ocorrendo, pois a atividade econômica continúa sendo orientada em função do lucro e administrada em função de categorias econômicas que nada dizem sobre o bem-estar das populações, como exportações, investimentos, PIB etc.
Um forte abraço. Flávio

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Flavio,

Nós temos uma gama de deficiências no modelo econômico, na matriz energética, nos copyright industriais, na oferta de crédito e no desempenho gigante de intervenções governamentais no sistema econômico, raramente benéfico ao mercado a longo prazo.

Existem centenas de exemplo da falta de visão de nossos empresários, do sistema político, e o financeiro nem se fala. Vou lhe dar um exemplo do município que resido. Aqui parte da atividade econômica advém da extração mineral - pequenos investidores - mas o que quero realçar e a forma como estes investidores são financiados.

Os agentes compradores do mineral financiam desde do pagamento de luz, agua, telefone combustíveis e outros fornecedores, basta a apresentação da fatura a ser paga e que esta esteja no nome do cliente. O cliente fica livre de preocupações outras que não sua atividade operacional. Existe um contrato de confiabilidade implícita na relação cliente financiador, e os dois se dão bem.

Se esse agente (pequeno investidor) for fazer as mesmas operações com o banco, vai perder no mínimo uma semana por mês, e talvez, seu problema não seja resolvido. Em função de toda uma burocracia oficializada e exigida pelos agentes financeiros instituídos.

O modelo financeiro do Brasil tem exigências suíça e eficácia cubana. Muito ruim, mas ruim mesmo! O pequeno empreendedor no Brasil, fica contando estrelas e jogando pedra no lago porque seus projetos não encontram suporte e nem adquirem a confiança dos financiadores oficiais.

Falou...

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Cristovão: Como sempre você está bem informado sobre aspectos específicos do mundo complicado em que vivemos. Minha tese central é que precisamos mudar para melhor. E essa mudança passa pela reorientação de nosso modelo de desenvolvimento para favorecer os mais pobres e não para bater recordes em exportação, investimentos, crescimento do PIB etc.. Um forte abraço. Flavio

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