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O pretexto do golpe parlamentar no Paraguai foi mais patético ainda que o utilizado em Honduras. Só faz sentido na ótica de reacionários empedernidos: os miseráveis tentarem ocupar terras para as cultivarem e não morrerem de fome é subversão das piores e justifica até a derrubada de um presidente que não reza pela cartilha do sagrado direito à propriedade.

A execução, por um lado, revelou um profissionalismo que faz supor uma mão oculta manipulando títeres; o desinteresse com que os EUA receberam este gritante atentado à democracia dá uma boa pista de quem possa ser o roteirista do espetáculo.

Pelo outro, teve o inconveniente de não enganar ninguém no resto do mundo. Até as pedras perceberam que Fernando Lugo não teve o mais remoto direito de defesa. Impeachment em pouco mais de 30 horas é algo que só passa pela cabeça de quem estiver se baseando numa cópia fajuta do Direito Constitucional, adquirida de contrabandistas. Foi um típico  impeachment made in Paraguay...

A reação dos países dominantes da América do Sul, por enquanto, está sendo tímida demais. Dilma Rousseff e Cristina Kirchner têm de botar na cabeça que ervas daninhas se alastram quando não as extirpamos em tempo: se esta virada de mesa resultar, outras virão. 

Chávez, Morales e Mujica são alvos óbvios, troféus que os  roteiristas  há muito querem empalhar e exibir na parede. E, no final da fila, virão, obviamente... Dilma e Cristina.

Então, até por autopreservação, cabe-lhes produzirem desta vez uma reação bem mais efetiva do que no caso hondurenho.

Um embargo econômico do tipo que os EUA impõem há meio século a Cuba faria os golpistas logo pedirem água.

O restante do arsenal estadunidense de desestabilização de governantes indesejáveis é x-rated, pornográfico demais. O embargo, contudo... já que a ONU e a OEA admitem condescender com ele indefinidamente, por que não? Pau que bate em Chico pode bater também em Francisco...

Para a esquerda, fica, pela enésima vez, a comprovação de que, no frigir dos ovos, as Forças Armadas não garantem a ordem constitucional, mas ajudam alegremente a promover a desordem que convém aos poderosos. As quarteladas brasileira e chilena não haviam sido suficientes para dissipar tais ilusões?!

E também a de que conquistar governos por via eleitoral não significa tomar o poder. Então, apostar em lideranças tíbias porque empolgam o povão tem o inconveniente de que, na hora H, nunca se pode contar com elas. Zelaya e Lugo não foram propriamente depostos, mas sim enxotados com petelecos.

Outros se descaracterizam tanto, rendendo-se tão incondicionalmente ao grande capital, que nem precisam ser enxotados; tornam-se caricaturas de si próprios.

A esquerda que coloca todas as suas fichas na via eleitoral deveria, pelo menos, tentar levar à presidência da república seus melhores quadros, os mais consistentes em termos ideológicos, não essas figurinhas tão populares para vencer eleições quanto ineptas para governarem como verdadeiros homens de esquerda.

No momento crítico, um Salvador Allende foi capaz de abrir mão da vida para legar aos pósteros sua última lição de grande revolucionário. Simplesmente não dá para imaginarmos um Zelaya ou um Lugo fazendo o mesmo.

Tags: Fernando, Lugo, Paraguai

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Respostas a este tópico

Se Brasil e Argentina reconhecerem o novo governo paraguaio estarao assinando a própria sentença de morte da democracia aqui e lá (mesmo dessa pouca democracia que ainda existe). 

Ô Celso,

fico tão triste,

sabe, ainda tenho a capacidade de me entristecer com estes eventos.

P.Q.P.!!! mil vezes!!!!

Você viu que a Igreja Católica reconheceu o novo governo? Cada vez tenho mais asco dessa instituiçao decrépita. 

 Analú,

quando esta Igreja,( institucionalizada) reconhece algo,

pense duas vezes, 

e porque ela se mete tanto em assuntos estatais??

duvido que ela, lute  , junto com as ceb's, ao povo pobre, aos movimentos sociais.

e ainda usam, o nome de jesus.

e para dizer que não falamos de musica ( rsrsr)

Pois é. Lixo puro. 

O Paraguai e as coisas, segundo Manu Brick

Sou contra oe embargo econômico à Cuba, por que seria a favor de  coisa semelhante ao Paraguai?

O não reconhecimento do governo é outra coisa.

O MERCOSUL é coisa bem bacana, pois, atenção, atenção, seu Chacrinha informa que no protocolo  do acordo há uma clásula que condiciona a parti~pação a governos  eleitos democraticamente. Por isso o ditadorzinho diz que não houve golpe.

A pressão brasileira virá daquela coisa chamada brasiguaios:

"Representantes de 350 mil brasiguaios (agricultores brasileiros que moram no Paraguai) tentarão se reunir nesta segunda-feira com o novo presidente Federico Franco para pedir apoio e segurança em suas propriedades rurais. No domingo, eles encaminharam à presidenta Dilma Rousseff um pedido para que o Brasil reconheça o governo Franco e trate o Paraguai como país amigo"

"Os brasiguaios relatam que sofreram perseguição nos últimos anos e ficaram impedidos de trabalhar. A maioria vive nas áreas de fronteira do Brasil com o Paraguai e se queixam da falta de apoio das autoridades paraguaias. Há, entre os brasiguaios, grandes, médios e pequenos produtores rurais. Mas todos reclamam das tensões no campo. Eles contam que são ameaçados por carperos (sem-terra paraguaios) e sofrem discriminação porque são estrangeiros".

( do ig)

Sobre essa coisa de mierda, alô, alô, wiki, com a colaboração da Índia de Peruca:

"A presença dos brasiguaios, apesar de trazer um surto de crescimento econômico à região, provocou sentimentos nacionalistas e xenófobos entre os paraguaios. A situação foi assunto de ampla reportagem no jornal estadunidense The New York Times, cujo interesse pelo Mercosul cresceu após as pressões do governo de George W.Bush para antecipar a criação da Área de Livre Comércio das Américas (Alca).  Hã? Hein, I beg your pardon?

Os paraguaios, segundo o jornal, preocupam-se com o enfraquecimento de sua identidade nacional na região fronteiriça, já que os estrangeiros mantêm sua própria língua, usam sua própria moeda, hasteiam sua própria bandeira e são donos das terras mais produtivas[carece de fontes]. Outra queixa é que seus filhos crescem falando português como segunda língua, em vez do guarani.Temos que proteger nossa identidade ou estaremos perdidos como nação nessa onda de globalização e Mercosul, diz Adilio Ramírez López, diretor de uma escola local.

Outra fonte de atrito é a questão racial, uma vez que a maioria dos brasiguaios têm  pele clara e feições europeias,

POR QUE NÃO DIZ LOGO QUE SÃO PARANAENSES???,

enquanto a maior parte dos paraguaios é de origem hispano-guarani. Transmissões de rádio em guarani exortam os camponeses sem terra a atacarem os brasiguaios, incendiando suas casas ou invadindo suas lojas, o que levou a imprensa brasileira a falar sobre limpeza étnica[carece de fontes]. Os brasiguaios se queixam da discriminação contra seus filhos nas escolas locais e a intimidação das autoridades de imigração, já que grande parte deles nunca recebeu documentos de identidade paraguaios[carece de fontes]. Ao mesmo tempo, muitos brasiguaios nascidos no Paraguai não conseguem documentos brasileiros, o que impede algumas famílias hostilizadas de voltar ao Brasil[carece de fontes]."

Alô, alô, Che Guevara:

http://www.brasildefato.com.br/node/9851

"Latifundiários brasiguaios querem derrubar Lugo", afirma líder camponês

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