Nesta segunda-feira a Folha de São Paulo estampou em uma de
suas manchetes frase, atribuída a Zé Dirceu, “NÃO VOU FUGIR DO PAÍS”, adiantando-se e sacramentando que o ex-ministro será condenado (inapelavelmente) a um veredicto final, prerrogativa esta
Intransferível e que cabe unicamente ao STF. Obviamente, o jornal omitiu que o mesmo Dirceu foi um dos principais combatentes, em 92, que levou a destituição do ex-presidente Fernando Collor de Mello
este, sim, comprovadamente envolvido em corrupção e forçado a renunciar completando um capitulo dos mais dolorosos da história da República e deixando como herança ao menos um assassinato por esclarecer.
E bom lembrar também que no inicio do governo Collor, este mandou
Á polícia Federal invadir a redação da Folha intimidando a imprensa autoritariamente.
Esta e outras lembranças não vieram a tona neste momento importante da vida nacional, como por exemplo, o fato de que durante o processo que levou a renuncia de Collor, o ex-deputado Roberto Jéferson foi
parte integrante da “tropa de choque” que defendia o ex-presidente.
O ator e dramaturgo, Jair Alves, escreveu o livro "Escuta Zé Dirceu" logo após o movimento político e social que sacudiu o Brasil com a forçada "renuncia" do presidente Fernando Collor de Mello (no início da década de noventa). Alguns anos antes (com a Anistia) o dramaturgo ao lado do também ator, José de Abreu e a dramaturga e atriz, Ecila Pedroso montaram a peça Qualé, meu?, aonde Jair Alves protagonizava o líder estudantil de 68. (foto acima - Ecila Pedro e Paulo Jordão Rocha)
Sobre o tema do livro, Alves embora não faça nenhuma relação direta ao conteúdo daquilo que se convencionou chamar "Escândalo do Mensalão", até porque foi escrito há vinte anos atrás e com certeza escancara o desprezo do ex-líder estudantil (o mais controverso político da atualidade, ora na berlinda) sobre os limites da liberdade de expressão, cultura de massa e parâmetros de uma nova democracia. Diz ele que apesar de não trazer nenhuma revelação bombástica, “faz um registro ideológico e transparente de um Brasil que no início da década de 90 tinha sobrevivido à Ditadura Militar, Era Collor, e vislumbrava um período de extrema Liberdade de Expressão, questão até então ignorada pelo político, em razão de sua autoconfiança", afirma Jair Alves.
Nas últimas semanas o autor foi procurado por um distribuidor de livros que descobriu, entre seus encalhes, cerca de 500 exemplares restantes (AINDA INTACTOS) e gostaria de saber o que ele pretendia fazer com mesmo? Alves respondeu que o melhor caminho seria contextualizá-lo com uma pequena introdução, explicitando as condições em que o livro foi escrito e editado, além de suas implicações com o presente: "considero que fazer uma nova edição agora
seria mais uma interpretação dentro de um quadro já confuso e absolutamente descolado de informações históricas relevantes" acrescenta.
Alves explica que a idéia do livro surgiu com a retomada de um encontro entre ele e o político, quando alguns anos antes (às portas da Assembléia Nacional Constituinte) Zé Dirceu o apresentou ao jornalista, Jorge Batista, histórico líder estudantil (terceiro personagem do livro) que teve a mesma origem política da atual presidente Dilma Rousseft (Polop, Colina e VAR PALMARES), com quem dividiu momentos importantes da vida Nacional. Jorge Batista veio a falecer, no Natal desse mesmo ano (vítima de um trágico acidente automobilístico), mas deixando com Jair Alves rascunho de um Projeto de Democratização das Comunicações, envolvendo os setores mais ativos da atividade intelectual, em especial o JORNALISMO.
Infelizmente, Zé Dirceu parece ter acreditado (a época) que a política se sobrepunha às artes e ao direito de informar e ser informado. "Ao que tudo indica, caso venha a ser condenado, o será por um quadro conjuntural que ele próprio, José Dirceu, (de certa forma) ajudou a construir", conclui Alves. Não se pode combater a CORRUPÇÃO como querem acreditar grande parte dos COMUNICADORES, se junto com isso não se discutir a força que os meios de comunicação exercem hoje sobre outros ‘segmentos da Vida Contemporânea’, a JUSTIÇA, por exemplo.
(*) Os exemplares de "ESCUTA ZÉ DIRCEU" estão sendo disponibilizados pela INTERNET, acompanhado de breve INTRODUÇÃO E EMBALAGEM próprias.
(*) Maiores informações enviar e-mail para artistas.brasil@gmail.com
Nesta segunda-feira, 24 de setembro, o setorista da Folha de S.Paulo, Josias de Souza, assumido militante de direita cumpre com precisão o seu papel como peça dessa engrenagem assim chamada "Grande Imprensa" ao contrário de informar, mas não o faz preferindo ser canal de reverberação daquilo a que é denominado "o maior escandalo da história". O dedicado jornalista incluiu em seu vocabulario do dia a dia a expressão, "puxar cana", referindo-se ao ex-presidente do PT, ex-deputado, e quase novamente ex-deputado Genuíno, caso venha se confirmar a sua condenação pelo STF. Vivemos efetivamente um momento que no futuro longínquo poderá ser considerado historico para muitos ou quem sabe para outros, lembrado como vergonhoso. O badalado articulista obviamente mais fomenta a histeria coletiva do que informa, onde não faltam "bengaladas e bravatas". Coloca os interesses políticos e partidários de um determinado Grupo em primeiro lugar em detrimento de motivos "ideológicos e dignificantes", tal como encerra a sua tarefa diária. Josias não tem nenhuma autoridade para falar em dignidade, muito menos ideologias dignificantes, pois omite, propositalmente, as diferenças do que é ter sido preso noutros tempos no Brasil. Se tivesse algum vínculo com o passado, com toda certeza seria com os carcereiros da Ditadura (é só conferir seus escritos e dar uma pequena lida do que foram às prisões, no tempo de José Genoino, na clandestinidade).
Esta inconsistenia soma-se ao rosário de pequenas inserções na cultura contemporanea brasileira, que dia a dia afasta o publico jovem e a classe média emergente da oportunidade de livre escolha e do livre pensar. A alimentada histeria poderia dar lugar a uma profunda reflexão, sobre o que realmente está em jogo. Quem sabe, uma repaginação do futuro de quem vai estar vivo dentro dos próximos vinte anos. Duas decadas são sugeridas aqui, apenas como referencia, qualquer espaço no tempo pode ser tomado como ponto de chegada e de partida. Há mais de trinta e anos, por exemplo, tive à oportunidade de conhecer de perto quem para mim era, desde o periodo conturbado de 68, um dos lideres de minha geração, o também incluso neste processo José Dirceu. Quando revi o "Dirceu 68", em 1980, recem saído da clandestinidade era um recente morador da Vila Madalena. Alguns amigos comuns ajudavam-no numa transferência de moradia meio a hilária "mudança" que transportava seus "trens" para uma casa de fundos, um pouco mais confortavel. Nesses dias eu, ao lado do ator José de Abreu, trabalhávamos em uma adaptação do livro, O que é isso Companheiro, onde Zé Dirceu tinha papel discreto, no entanto, importante para compreensão do período (de nossa historia, para ser exato).
Na mescla dos paragrafos anteriores é possível tirar algumas lições, dentre elas a de que os condutores dos assuntos em pauta impedem no agora (segundo semestre de 2012) justamente a possibilidade de a rapaziada refletir sobre seu proprio destino lendo o passado e principalmente projetando o futuro, assim como fizemos gostosamente anos pós Anistia, regado a muita cerveja e o som libertador de Gilberto Gil e Eric Clapton. De outro lado, o principal personagem dessa trama diabolica que se desenvolve diante de nossos olhos atônitos, não conseguem reproduzir os mesmos gestos dois outros personagens da cultura universal (ambos revolucionarios), o real, Georgi Dimitrov, e um outro ficcional protagonista (baseado numa história da Russa czarista) do protagonista central de "O Homem de Kiev". A meu ver, os dois que serviram de referência para a juventude revolucionária de 68 e se valeram do seu julgamento para expor com todas as suas forças, as razões ampliando cada oportunidade de combater a tirania não importando as consequencias imediatas. Ao imaginar José Dirceu, acuado num condomínio em Vinhedo, com olhos fixos na transmissão da TV Justiça a cada frase dos juizes que decidem sobre a sua vida, não tenho uma outra conclusão a não ser que ele aceitou sua condenação sem lutar. Georgi Demitri, à epoca em que foi acusado por ter sido o autor intelectual da farsa montada pelos nazistas, estava exilado de seus país (Bulgaria) retornando, no entanto, para morrer no auge de sua glória. Já O HOMEM DE KIEV é a espantosa e verdadeira história de Mendel Beiliss, um judeu acusado, em 1912, de assassinar um menino cristão para extrair seu sangue para um ritual secreto. Beiliss foi absolvido e alguns historiadores associam este fato ao inicio da derrocada do czarismo na Rússia. Por ser um personagem ficcional, (ao menos no filme de John Frankenheimer, protagonizado por Alan Bates, em 1968), guardamos as suas ultimas frases como proféticas e alegóricas. Ao ser perguntado, às portas do Tribunal: tendo a oportunidade de fugir por quê, então, não o fazia? Ao que ele respondeu: "Lutei tanto para ser julgado, não vou perder a oportunidade em fazê-lo agora!". Ficcional, ou não, Mendel Beiliss foi absolvido em decorrência de sua determinação. Adoraria ver Zé Dirceu fazendo a sua própria defesa, imitando Fidel Castro que dispensou advogados de oficio e encarou seus julgadores olhando olho no olho e no futuro, que ao contrário de recorreu a um escritorio de advocacia.
A sensação que tenho é que, em meados de 93, quando e decidi escrever Escuta ZÉ Dirceu com a sua valiosa colaboração em meio a intensa movimentação politica da epoca, de fato, ele desprezou a força do inimigo, ao contrário dezenas de jornalistas e artistas que previam o seu equivoco e hoje, diante do imponderavel, não tem a menor ideia do que fazer muito menos que futuro que nos esperar, se é que vamos ter algum!
Jair Alves - dramaturgo
escreveu o livro Escuta zé Dirceu em 1993
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Permalink Responder até Stella Maris em 18 setembro 2012 at 23:25
Eu quero um exemplar, tô enviando e-mail.
escuta Jair! lembra do e-mail da Angela Linhares ? te enviei , por mensagens offs.
grande abraço.
Permalink Responder até Jair Antonio Alves em 19 setembro 2012 at 2:02
Stella,
valeu. o e-mail é da editora. sobre a amiga angela, valeu. vou ler.
bj
jair
Permalink Responder até Jair Antonio Alves em 19 setembro 2012 at 2:02
Cruz credo, sô!!!!
tô fora
Permalink Responder até Euripedes Ribeiro de Sousa em 19 setembro 2012 at 14:06
Memoire faible, mon ami Ariston. Tout c'est confus au 74. Eu também faço questão de esquecer alguns episódios, inclusive dos milicos atrás de mim.
Permalink Responder até Stella Maris em 19 setembro 2012 at 14:55
GRANDE EURIPEDES!
todos que fazem parte da memória de Frei Tito( e tantas outras memórias) Agradece...
e já encomendei meu livro!
salve o Jair!!
Permalink Responder até Jair Antonio Alves em 19 setembro 2012 at 15:09
CAríssima Stella,
O livro em tela relata a certa altura uma visita que o grupo teatral dirigido por Silnei Siqueira, visita a Penitenciária de Presidente Venceslau onde se encontrava preso dentro tantos Frei Beto e frei Fernando. Dias depois viemos tomar conhecimento numa tarde cinza de sábado que Aurora tinha sido supliciada com a coroa de Cristo. Tempos para se esquecer, salvo sentido o que nos uniu tanto e objetivos claros de plena democracia que sonhávamos. Ainda é tempo.
Ana já anotou seu pedido.
EM tempo mais, a acadêmica Angela Linhares fazia parte de tal elenco e era a mensageira da boa nova. Peça para ela se puder para reproduzir os versos de João Cabral de Mello Neto. ....
Permalink Responder até Euripedes Ribeiro de Sousa em 19 setembro 2012 at 21:56
Uai Ariston. Conheci Mauro Borges pessoalmente, quando o convidei para dar uma palestra no Diretório Academico de minha faculdade (CAMP) em Uberaba, do qual eu era presidente. Foi uma glória. Provavelmente o maior evento de minha gestão, antes do golpe, quando então, "cai na foia".
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