AGA ou não, a coisa pode ficar feia....
http://revistaforum.com.br/conteudo/detalhe_noticia.php?codNoticia=...
Por Steve Connor [14.12.2011 10h08]
Tradução de Idelber Avelar
Quantidades inéditas e dramáticas de metano—um gás de efeito estufa 20 vezes mais potente que o dióxido de carbono—foram vistas borbulhando até a superfície do Oceano Ártico por cientistas que realizavam uma vistoria extensiva da região.
A escala e o volume da liberação de metano deixou estupefato o chefe da equipe russa de pesquisa que há vinte anos vistoria o solo oceânico da Prateleira Ártica da Sibéria do Leste, na costa norte da Rússia.
Em entrevista exclusiva a The Independent, Igor Semiletov, do ramo extremo-oriental da Academia Russa de Ciências, disse que nunca havia testemunhado a escala e a força do metano liberado de debaixo do solo oceânico ártico.
“Havíamos encontrado estruturas em forma de tocha como esta, mas elas possuíam apenas dezenas de metros de diâmetro. Esta é a primeira vez que encontramos estruturas de escoamento contínuas, impressionantes e poderosas, de mais de 1.000 metros de diâmetro. É impressionante”, disse o Dr. Semiletov. “Eu fiquei mais estupefato pela tremenda escala e alta densidade das plumas. Em uma área relativamente pequena encontramos mais de 100, mas numa área mais ampla deve haver milhares de plumas”.
Os cientistas estimam que há centenas de milhões de toneladas de gás metano presas por baixo do subsolo congelado do Ártico, que se estende do continente até o solo oceânico do mar relativamente raso da Prateleira Ártica da Sibéria do Leste. Um dos maiores medos é que o desaparecimento do gelo marinho do Ártico no verão e a elevação rápida das temperaturas em toda a região, que já está dissolvendo o subsolo congelado da Sibéria, o metano preso poderia ser liberado de repente na atmosfera, levando a uma rápida e severa mudança climática.
A equipe do Dr. Semiletov publicou, em 2010, um estudo avaliando que as emissões de metano dessa região são mais ou menos de oito milhões de toneladas por ano, mas a expedição mais recente sugere que esse número subestima significativamente o fenômeno.
No final do verão, o navio de pesquisa russo Acadêmico Lavrentiev conduziu uma vistoria extensiva de cerca de 10.000 milhas quadradas de mar a partir da costa do leste da Sibéria. Os cientistas utilizaram quatro instrumentos altamente sensíveis, tanto sísmicos como acústicos, para monitoras as “fontes” ou plumas de bolhas de metano que sobem até a superfície do mar vindas de debaixo do solo oceânico.
“Numa área bem pequena, de menos de 10.000 milhas quadradas, contamos mais de 100 fontes, ou estruturas em forma de tocha, borbulhando pelas colunas de água e sendo injetadas diretamente na atmosfera a partir do subsolo oceânico”, disse o Dr. Semiletov. “Em 115 pontos estáticos, nós checamos e descobrimos campos de metano numa escala impressionante—creio que numa escala jamais vista antes. Algumas plumas eram de um quilômetro ou mais de largura e as emissões iam diretamente para a atmosfera. A concentração era cem vezes maior que a normal.”
O Dr. Semiletov divulgou suas descobertas pela primeira vez na semana passada, no encontro da União Americana de Geofísica, em San Francisco.
Tags: Aquecimento global, metano
Exibições: 154
Permalink Responder até Anarquista Lúcida em 14 dezembro 2011 at 21:23
Céus! Quede o Rogério para comentar isso?
Permalink Responder até Rogério Maestri em 15 dezembro 2011 at 1:54
Permalink Responder até Anarquista Lúcida em 15 dezembro 2011 at 1:56
Isso nao é comentar, isso é colar gráficos, que para você podem ser muito informativos, mas para o comum dos mortais sao grego, se nao for aramaico...
Permalink Responder até Mario Abramo em 15 dezembro 2011 at 11:14
AnaLú,
Talvez porque eu saiba um pouquinho de grego, os gráficos significam algo para mim, mas não a ponto de chegar a nenhuma conclusão. Apenas que, aparentemente, em UM ponto, a tendência de aumento da emissão de metano parece estar estabilizando. Continua aumentando, mas em ritmo mais lento. Nos outros dois gráficos, isso não ocorre. O ritmo de aumento permanece mais ou menos constante.
O aumento dessas emissões pode (não digo que é) ser provocado por um enfraquecimento da calota polar, em outras palavras, por um aquecimento global que estaria derretendo a calota polar (isso explicaria até o esfriamento oceânico, como qualquer aluno de ensino médio que estudou termologia deveria saber).
A emissão de metano nessas quantidades pode provocar um desequilíbrio muito grande no efeito-estufa. Me perdoem se estou ensinando padre-nosso a vigário, mas o fato é que o efeito-estufa, no equilíbrio dinâmico que se apresenta agora, é o que permite a vida como nós a conhecemos na Terra. Um desequilíbrio grande desse efeito pode ser irreversível, a ponto de alterar as condições de sobrevivência. Eventualmente, com tempo, novo equilíbrio (dinâmico e instável) seria alcançado. O que não significa que a gente sobreviva a esse processo...
Permalink Responder até Anarquista Lúcida em 15 dezembro 2011 at 14:24
A gente, especificamente, acho que sobrevive, nao? (rs, rs). Ou você acha que será muito rápido? Ainda bem que eu nao tenho filhos.
Permalink Responder até Rogério Maestri em 15 dezembro 2011 at 21:56
Mário
A resposta está na tua primeira frase " os gráficos significam algo para mim, mas não a ponto de chegar a nenhuma conclusão."
O clima não é um fenômeno linear em que o incremento de alguns gases possa alterar tudo. O principal gás efeito estufa não é o CO2 nem o metano, mas sim o vapor d'água e este tem diversos mecanismos de retro-alimentação.
A teoria antropogênica do aquecimento global é de uma simplicidade que atinge o simplório.
Permalink Responder até Sebastião de Oliveira em 15 dezembro 2011 at 12:08
Caro Mario
A pergunta que não quer calar:
Onde entra a componente "homem" na dita liberação do metano apreendido na calota polar?
Qual foi a ação humana que desencadeiou esse fenomeno?
Como voce mesmo colocou: Com AGA ou não ...
Se porventura existir aquecimento e o mesmo não for antropogenico, reforço a pergunta:
O que poderemos fazer, se não esta em nossas mãos?
abraços
Permalink Responder até Mario Abramo em 15 dezembro 2011 at 12:33
Sebastião,
Não entra. Nesse caso específico. Mas pode entrar na minimização do efeito. Se não for subestimado nem ignorado.
Se não entrar em uma negociata como o "sequestro de carbono".
Permalink Responder até Rogério Maestri em 16 dezembro 2011 at 9:43
Alexandre
Só algumas observações, os documentos do IPCC são de dois tipos, os primeiros são elaborados por grupos de especialistas em clima e outras ciências em grossos volumes com milhares de páginas. Estes documentos que no início tinham uma quantidade razoável de especialistas em clima não são discutidos pela comunidade em geral. O segundo tipo de documento é um resumo que é feito para políticos e tomadores de decisão, este documento bem resumido é elaborado por alguns cientistas mas principalmente por funcionários burocráticos do IPCC, ou seja pessoas que dependem da existência do AGA para manterem os seus empregos. Neste último documento foi dado ênfase a coisas que simplesmente não eram baseadas em nada de caráter científico ou em publicações de algumas ONGs ambientalistas.
Ou seja, não há uma manipulação de imenso grupo de cientistas como tu escreveste, há sim um grupo de cientistas, que cada dia é menor, que gera os documentos mais cientificamente elaborados (e mesmo este grupo sofreu violentas críticas a determinados critérios de risco adotados, que deverá ser revisado no próximo relatório) e um grupo ainda menor de pessoas comprometidas com a "vitória" da teoria do AGA.
Isto tudo que falei, está bem documentado e há livros e mais livros mostrando a manipulação dos textos.
Hoje em dia se passou da discussão de arquibancada, a refutação das teorias do AGA são feitas por trabalhos científicos em revistas revisadas e indexadas.
Permalink Responder até Mario Abramo em 16 dezembro 2011 at 9:45
Alexandre,
Embora minha visão de ciência difira da sua, mas não é o caso de discutir isso aqui, chego à mesma conclusão: há que se fazer alguma coisa. Foi exatamente por isso que coloquei o caveat "Com AGA ou sem".
Maestri,
Exatamente por não ser um fenômeno linear que o aumento do metano é preocupante.
Permalink Responder até Rogério Maestri em 16 dezembro 2011 at 10:23
Mário
Além da quantidade de metano não ser um fenômeno linear a ação desses gases também não é linear. Cada gás de efeito estufa absorve somente uma faixa do espectro de ondas eletromagnéticas e este efeito é atenuado seguindo uma lei logaritma, logo se duplicarmos a quantidade do gás não se duplica o efeito de absorção.
Há outro problema, os balanços de energia não fecham, isto quem diz não sou eu, quem diz é um dos cientistas básicos do IPCC (ganhou o Nobel junto com o Gore!), Kelvin E. Trenberth, que no seu último artigo confessa que há uma "perda de energia" que foi para algum lugar que ele não sabe onde (não estou brincando, leia o artigo intitulado Tracking Eath's Energy - Science 16 april 2010 AAAS, é curto).
Quanto aos processos de criação dos documentos do IPCC leia em:
IPCC passará por reestruturação gerencial.
© 2013 Criado por Luis Nassif.