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Argentina retoma controle público do gás e petróleo

O governo argentino encaminhou nesta segunda-feira projeto de lei ao Congresso Nacional estabelecendo a expropriação de 51% das ações da espanhola Repsol na YPF, sendo que o Estado ficará com 26,01% do total e as províncias produtoras com 24,99%. Segundo a presidenta Cristina Fernández de Kirchner, o objetivo prioritário do projeto é "a conquista do autoabastecimento de hidrocarbonetos e a exploração, industrialização, transporte e comercialização”.

Buenos Aires - Por meio de um projeto de lei enviado ao Congresso, que hoje mesmo entrará na Câmara Alta, o Executivo estabelece como “objetivo prioritário a conquista do autoabastecimento de hidrocarbonetos e a exploração, industrialização, transporte e comercialização” dos mesmos, cria o Conselho Federal de Hidrocarburetos e remove a totalidade dos diretores e síndicos titulares e suplentes da empresa.
Cristina Kirchner afirmou que se “prosseguisse a política de esvaziamento, de falta de produção e de exploração, nos tornaríamos um país inviável, por políticas empresariais e não por falta de recursos, já que somos o terceiro país no mundo, depois da China e dos EUA, em reservas de gás”. Ela acrescentou que, no ano passado foi a primeira vez em 17 anos que a Argentina teve que importar gás e petróleo.
No mesmo ato, Cristina Fernández de Kirchner confirmou que mediante um Decreto de Necessidade e Urgência o ministro de Planificação, Julio De Vido, foi designado interventor da companhia, e será acompanhado pelo vice-ministro da Economia, Axel Kicillof, que se ocupará dos “aspectos econômicos e financeiros da gestão”. Após denunciar que, apesar de ter reduzido a produção, a YPF Repsol havia duplicado suas receitas no último exercício e de questionar a necessidade de importar combustíveis para manter a produção agrícola, pecuária e industrial, Cristina advertiu que ninguém espere grosserias de sua parte em resposta às ofensas que a medida anunciada hoje possa provocar.
E afirmou: “sou uma chefe de Estado, não uma ‘patotera’: trata-se de uma política de recuperação da soberania”. O projeto original contempla também que as ações expropriadas não poderão ser vendidas sem a autorização do Parlamento, que necessitará de dois terços dos votos de seus membros para sua alienação, “a mesma maioria exigida para modificar a Constituição”.
Ao fazer uso da palavra, a presidenta afirmou que apresentou o projeto para a recuperação da soberania de hidrocarbonetos porque “somos quase o único país do mundo que não maneja os seus recursos naturais”, e assinalou que, desde 1999 até 2011, “o lucro líquido da YPF foi de 16,45 bilhões de dólares, e que a empresa distribuiu dividendos de 13,246 bilhões de dólares. “O problema foi a desnacionalização”, acrescentou.
Além disso, a mandatária disse que o modelo escolhido para o futuro da YPF “não é o da estatização”, mas sim “o da recuperação da soberania e do controle dos hidrocarbonetos”. “Durante muitos anos, em distintos setores da economia administrados pelo Estado, aplicou-se um critério partidário, que seguiu dando argumento aqueles que defendem que o Estado era inútil e que o setor privado podia manejar recursos do Estado”.
Referindo-se às possíveis repercussões que a iniciativa possa ter na Espanha, CFK assegurou: “Esta presidenta não vai responder a nenhuma ameaça, não vai retrucar nenhuma grosseria, não vai fazer eco a frases insolentes nem à falta de respeito, porque represento os argentinos, sou uma chefa de Estado, não uma patotera”. Perguntou, além disso, se alguém havia escutado ela reclamando algo da Espanha acerca do “escandaloso esvaziamento da Aerolíneas Argentinas”, e lembrou “como eram defendidos os empresários espanhóis que agora estão sendo processados na Espanha, entre outras coisas, por fraudes cometidas contra o Imposto de Renda”.
Mais adiante, Cristina esclareceu que “não temos problemas com o lucro, mas sim espero que eles sejam reinvestidos no país: tenham a certeza que se acompanharem o país vamos seguir trabalhando lado a lado”.
O projeto estabelece a expropriação de 51% das ações da Repsol na YPF, sendo que o Estado ficará com 26,01% do total e as províncias produtoras com 24,99%. O texto encaminhado ao Senado estabelece a necessidade de garantir o desenvolvimento econômico e o crescimento equitativo e sustentável das províncias e que o Executivo “arbitrará as medidas necessárias para o cumprimento dos objetivos estabelecidos com o concurso dos estados provinciais e do capital público e privado, nacional e internacional”.
No Salão das Mulheres, a Presidente esteve acompanhada pelo vice-presidente, Amado Boudou, pelo presidente da Câmara de Deputados, Julián Dominguez, pelo chefe de gabinete, Juan Manuel Abal Medina, pelos ministros de Planejamento, Julio De Vido, do Interior, Florencio Randazzo,  da Indústria, Débora Giorgi, e pela maioria dos governadores do país.
Tradução: Katarina Peixoto

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Aqui no Brasil a Petrobrás já tem 51%, nao? Minha sugestao para nacionalizaçao passaria primeiro pela volta da Vale, que foi praticamente dada. 

Sim a Petrobrás está sob o controle do governo, cujas ações foram resgatadas no final do governo Lula. A questão das privatizações na Argentina foi muito mais grave que no Brasil. O Menem privatizou tudo e só faltou privatizar o ar que os argentinos respiram e o processo se deu antes do Brasil. O caso de estatização da YPF está se dando por expropriação das ações da espanhola Repsol, através de projeto de lei, enquanto no Brasil foi por aquisição das ações em poder de empresas privadas.

Vai dá muito rolo com os espanhois, inclusive ações judiciais em fóruns internacionais.

Quanto resgatar a Vale o governo teria que gastar muito dinheiro para adquirir parte de suas ações e aos preços atuais, bem diferente da bagatela com que foi vendida. Seria necessário que aos poucos fossem comprando ações através dos seus acionionistas na Vale como a PREVI, até se tornar majoritário.   

Assim nao. Tem é que REVERTER O PROCESSO, que foi ilegal, a Vale nao poderia ter sido vendida. 

O problema Analú, é que não temos um congresso para aprovar um projeto de lei nesse sentido. Lembra-se do caso da light, concessionária de energia aí no RJ na década de 70 que deixou as linhas de distribuição sucateada e faltando 1 ano para findar o prazo de concessão, foi indenizada em $1,5 bilhões por Mario Henrique Simonsen, ministro da fazenda à época.

A história das privatizações e estatizações no Brasil é cíclica e vem desde o império e se passa na maioria das vezes, atendendo aos interesses privados, com raríssimas e honrosas excessões, qdo da criação de estatais como a Vale, CSN, Petrobrás e BB.

No passado já tivemos empresas inglesas e canadenses explorando água, energia, transportes etc.., até quando atenderam seus interesses, posteriormente deixaram de fazer investimentos e sucatearam os serviços(de manutenção e operação),  forçando os  governos estatizarem essas empresas, assumindo seus passivos e ainda efetuando  pagamento indenizatório. Quem retratava esse processo muito bem, era Barboza Lima Sobrinho em seus inúmeros artigos na década de 70. 

 

   

É. Esse Congresso nao aprovaria nunca. E essa presidenta tb nao proporia, isso é que é o mais triste. Nem contra a barbárie de Pinheirinho ela protestou. 

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