Falar de movimentos migratórios, independentemente do contexto ou do país a que nos referimos, é como olhar para a face de um cubo, que não pode ser isolada das outras faces que neste caso são a sociologia, a economia, a história, geografia, estatística, política, etc.
O Portugal contemporâneo, (sécs XX e XXI), é sem dúvida marcado pelo êxodo rural, (migração da população para as zonas urbanas), pela imigração, (entrada de pessoas no país) e pela emigração, (saída de pessoas do país).
As oportunidades de vida sempre foram escassas e poucas hipóteses existem nas imensas localidades do interior do país a não ser a agricultura de subsistência e pouco mais. Culpa-se a centralização dos meios em Lisboa e enquanto assim for a população envelhece, as zonas definham e desertificam-se, e os jovens não têm outras hipótese senão fugir, seja para as grandes cidades, ou para o estrangeiro.
Devo afirmar, com conhecimento de causa, que Portugal nunca foi um país próspero, a vida nunca foi fácil e tudo se conquista a pulso, através de muito trabalho e sacríficio. Esta é a realidade para a grande maioria dos portugueses e a entrada para a Comunidade Europeia não a veio melhorar significativamente, ao contrário de uma opinião que já pude ler aqui no portal. Hoje em dia o desemprego já ultrapassou uma taxa de 11%, quase todos os dias os noticiários alertam para novos despedimentos em massa, (a última era de 500 pessoas), empresas que entram em falência, famílias desesperadas que perdem a sua casa por falta de pagamento, um cada vez maior número de famílias que, numa pobreza envergonhada e escondida, procuram ajuda alimentar. É que a fome é um fantasma muito feio e real, vivido por muita gente da geração dos meus avós e dos meus pais na época da ditadura. E é muito duro ver, como eu já vi, octogenários emocionados por pensar que esse fantasma não tenha ficado enterrado no passado.
Hoje o ordenado mínimo nacional é de 450 euros, muito longe dos 1750 no Luxemburgo. No entanto os preços praticados, até nos bens mais essenciais, estão muito longe de serem os mais baixos da Europa. Podemos dizer que recebemos como pobres, mas pagamos como ricos. Para terem a percepção do que valem 450 euros, posso-vos dizer que dá para cobrir a renda de uma casa, embora existam rendas muito mais caras e algumas poucas mais baratas.
Quanto ao número de imigrantes em Portugal, presume-se que entre africanos, brasileiros, de leste, asiáticos e outras ascedências europeias o total ultrapasse já os 5% da população. Na realidade, esse número pode ser bem superior, pois o número de imigrantes ilegais é impossível de ser contabilizado e ultrapassa em grande escala o número dos legalizados.
Se por um lado a diversidade cultural é a verdadeira riqueza do mundo e das nações e, os imigrantes trazem tanta coisa positiva a um país como a sua força de trabalho e dinamismo, o seu conhecimento, a sua perspectiva, também por outro lado a imigração ilegal é um flagelo social que acabará por atingir negativamente os imigrantes, os nativos do país, a economia e todo o estado. Imigração ilegal só é positiva para as máfias internacionais que exploram as pessoas, que as traficam, que abusam delas e as escravizam.
Pessoalmente defendo o modelo australiano de imigração e acho que todos os países do mundo o deveriam adoptar. Para um estrangeiro morar na Austrália este tem que se candidatar e submeter a um processo de selecção. Por exemplo, se você for professor, só o chamam se tiverem uma vaga para professor necessitando ser preenchida e se não houver um australiano para essa mesma vaga. E claro está, cidadão com registo criminal sujo é logo colocado de parte. Mas, no momento em que você é aceite, é recebido com imensas condições. Condições essas que Portugal não pode oferecer à maioria dos portugueses quanto mais ao número assustador que é 1 milhão de imigrantes num universo de 10 milhões de habitantes. Simplesmente não há como dar aquilo que não temos. Como se partilha se não houver o que partilhar?
Acreditem quando vos digo que há imensos imigrantes em Portugal de qualquer origem, que são acarinhados e extremamente admirados pela sua capacidade de trabalho e bom carácter e, que têm acesso às mesmas oportunidades que qualquer português.
Antes de terminar, é necessário focar o ponto da xenofobia e racismo de que tanto somos acusados.
Os portugueses não são revoltados nem alimentam nenhum ódio contra alguém só pela sua raça ou nacionalidade. Somos sim lesados pelos efeitos negativos da imigração ilegal, situações essas que passo a descrever e, que causam medo e o medo é, desde sempre, a raíz das emoções e actos negativos. Por esse motivo é que a grande maioria dos portugueses apoia uma menor abertura das fronteiras e a extradição de imigrantes ilegais.
1º Aumento da criminalidade:
- No meio de tanta gente de bem que escolheu Portugal como destino também o fizeram alguns que não interessam nem ao menino Jesus. Também os criminosos trouxeram novas perspectivas e dinamismo, mas à criminalidade. Temos assistido a um aumento de crimes violentos o que nos assusta profundamente. Sociologicamente, temos assistido ao fenómeno que cada povo tem as suas nuances próprias ao cometer delitos. Os criminosos africanos destacam-se por se juntarem em grupo, comportarem-se como gangues de ghettos, armados, para assim aterrorizarem, agredirem e assaltarem grupos de pessoas em locais como comboios, praias, bairros.
Os criminosos brasileiros são mais interessados por dinheiro, mas igualmente violentos, destacando-se no abuso de imigrantes ilegais seus compatriotas, organização de redes de prostituição, tráfico de drogas e pessoas, (normalmente mulheres brasileiras ingénuas e fragilizadas, ilegais, que acabam prisioneiras num bordel algures), carjacking, raptos e assaltos à mão armada que acabam em homicídio.
Depois temos os criminosos de Leste, que eram uma grande preocupação para as autoridades portuguesas pois desde que a União Soviética se dissolveu, antigos operacionais do KGB, (incrivelmente inteligentes, com formação militar avançada e sem nenhum problema em assassinar alguém, seja quem for), formaram suas próprias máfias e aproveitaram o Tratado de Schengen que abriu as fronteiras entre países da comunidade europeia para se espalharem por toda a Europa.
Como portuguesa, também eu anseio que todos estes indivíduos sejam extraditados e proibidos de entrar no meu país. E creio que é um desejo de pessoa normal, que não nem xenófobo nem racista.
2º Desemprego e diminuição dos direitos dos trabalhadores
Aqui os bandidos são outros. Falo das empresas que lucram com a existência de imigrantes ilegais.
Durante gerações tem-se travado incessantemente uma árdua luta para que o Estado e as empresas reconheçam os direitos dos trabalhadores. É uma luta muitas vezes inglória, onde cada migalhinha conquistada é uma vitória. Vitórias que se perdem com os imigrantes ilegais. Porquê? Porque para agir legalmente o empregador não pode pagar menos que o ordenado mínimo, tem que descontar para a segurança social e para as finanças, tem que ter folgas, férias, subsídio de férias e de natal, tem que ter condições de trabalho, horário definido que não ultrapasse as 40 horas semanais, tem que dar formação, contrato de trabalho, subsídio de alimentação e de transporte. Tem que ter tudo isso.
Com a abundância de ilegais tudo isso vai para o ralo. O ilegal está desesperado, disposto a tudo, a prescindir dos direitos, aceita um ordenado menor que o legal, trabalha mais horas e tudo com um sorriso porque tem medo que o patrão o delate e seja desportado.
Na sua ignorância o imigrante ilegal vem desmoronar o que demorou tanto a ser construído, com sacrifício de tantos. Vem obrigar qualquer um a prescindir dos seus direitos, se quiser trabalhar, porque os patrões, aqueles que não têm escrúpulos, chantageiam as pessoas dizendo: "Se não estás contente azar o teu, arranjo dezenas de imigrantes que façam o trabalho por menos.".
O texto já vai muito longo. Espero não ter ofendido ninguém, mas como já disse estou aqui para descrever a realidade com honestidade e sem pudor.
Cumprimentos a todos, Ana